JOEL LOPES VIEIRA, Tenente Coronel - Presidente da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira - ANV-FEB, Regional Belo Horizonte.
Discurso
Legislatura 15ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/05/2005
Página 40, Coluna 4
Assunto CALENDÁRIO. SEGURANÇA PÚBLICA.
Proposições citadas RQS 1625 de 2005
20ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª LEGISLATURA, EM 13/5/2005
Palavras do Tenente-Coronel Joel Lopes Vieira
Exmos. Srs. Deputado Célio Moreira, representando o Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais; General-de-Divisão Paulo César de Castro, Comandante da 4ª Região Militar e 4ª Divisão do Exército; Brigadeiro-do-Ar Raul José Ferreira Dias, Comandante do CIAAR; autoridades presentes; senhoras e senhores, é com muita satisfação e extremamente sensibilizados que os veteranos da Força Expedicionária Brasileira, Seção Regional de Belo Horizonte, recebem essa homenagem, prestada pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, pelo transcurso do 60° aniversário do término da Segunda Guerra. Demonstrações como estas nos trazem a certeza de que o nosso sacrifício, o sangue que lá derramamos, os companheiros que tombaram no sacrossanto dever de defender a pátria, não foram em vão. Comemoramos, nesta data, o 60° aniversário do término da Segunda Guerra Mundial. Decorridos 60 anos, ainda não apagou da memória da humanidade o que representou aquele terrível conflito, que ensangüentou, vitimou e espalhou o terror por todos os recantos do nosso planeta.
O Brasil, país pacífico e inteiramente devotado aos princípios de não-agressão e neutralidade, viu-se envolvido nesse conflito mundial, em razão de compromissos internacionais assumidos e para responder à covarde agressão aos nossos navios que navegaram desarmados em nosso litoral.
O povo Brasileiro e o Governo, através das Forças Armadas, e comungando os mesmos sentimentos de paz e liberdade, foram animados pela firme disposição de defender a nossa liberdade e nossa soberania. Ombro a ombro com as nações democráticas do mundo, combatemos uma ideologia totalitária, fratricida e extremada.
As nossas Marinhas de Guerra e Marinha Mercante desenvolveram um trabalho eficiente no patrulhamento do nosso litoral, no comboio a navios que transportavam tropas brasileiras e na vigilância e segurança das ilhas oceânicas e do nosso extenso litoral.
A Força Aérea Brasileira, através do Grupo de Caça - Senta a Pua - e da Esquadrilha de Ligação e Observação - ELO - demonstrou, insofismavelmente, o valor, a competência e o destemor dos nossos homens do ar. Eram Unidades de elites, compostas pela nata dos pilotos da FAB. Isso nos ajuda a explicar seu excelente desempenho em combate, até melhor que muitas unidades americanas com o mesmo efetivo. O Exército Brasileiro, tomou parte no Teatro de Operações, através da Força Expedicionária Brasileira - FEB -, organizada em curto espaço de tempo, que, sob o Comando do Gen. Mascarenhas de Moraes, foi designada para operar na Itália. A FEB não era uma tropa de elite. Foi um retrato fiel da sociedade brasileira e representou dignamente o Brasil na luta mais importante do século passado para derrotar o nazi-fascismo.
A FEB foi uma fiel representação do povo do Brasil, não só porque tinha soldados de todos os seus Estados e de todas as classes sociais e níveis de cultura, como também porque levava todos os seus defeitos e improvisações, todas as suas incoerências e mitos, todas as falhas e virtudes desse povo. Durante o tempo em que esteve em combate, de 16 de setembro de 1944 até 2 de maio de 1945, incorporada ao V Exército dos Estados Unidos da América do Norte, a - FEB - sofreu mais de 450 baixas por mortes em ação e aproximadamente 2.700 feridos em combate. Fizemos aproximadamente 20.500 prisioneiros, aí incluída a 14Sa Divisão inimiga. Tomou parte em vários combates: Monte Castelo, Castelnuovo, Soprassasso, Montese, Fornovo, entre outros. Foram batalhas em que o soldado brasileiro demonstrou o seu valor, pois, enfrentando condições adversas, tais como rigoroso inverno, com temperaturas de até 20 graus abaixo de zero, e ásperas condições topográficas e de ambientação, tendo pela frente um inimigo audacioso, combativo, muito bem instruído, tinhoso e afeito aos rigores da guerra, não desmereceu a confiança que nele depositavam os seus chefes e a própria Nação brasileira.
Soube enfrentar e suportar com valentia e dignidade todos esses fatores adversos; no dia-a-dia, em intensas atividades de combate, o nosso soldado enrijeceu o físico, adquiriu maior tirocínio e experiência de combate, confiou mais em si, nos companheiros e nos chefes, desenvolveu o sentimento de solidariedade e vitalizou o espírito de corpo.
Hoje, já idosos, cabelos grisalhos, da cor da neve que enfrentamos nos apeninos, passos lentos, aqui estamos, constituindo uma página viva da história militar do Brasil.
Não possuímos mais aquele vigor físico da juventude, aquele entusiasmo, aquela vibração que nos levou a ultramar; mas, em nossos peitos, em nossos corações, ainda arde aquela chama que nos levou a enfrentar as piores vicissitudes já encaradas pelo Brasil.
Regressamos com companheiros feridos, ainda sangrando dos últimos combates, mas nunca, pela nossa atuação, o prestígio e o nome do Brasil periclitaram ou foram comprometidos.
O tempo, em sua marcha inexorável, vai levando do nosso convívio, para a morada eterna da glória, os nossos velhos companheiros. Nós, que ainda restamos, almejamos que a maior homenagem que nos pode ser prestada é que os nossos dirigentes proporcionem a todos os brasileiros trabalho, saúde, educação e respeito ao cidadão; que as instituições sejam conservadas intactas e invulneráveis; que os patrimônios público e particular sejam respeitados e cuidados com amor e patriotismo, proporcionando a todos uma segurança efetiva, proteção à família e o direito de ir e vir sem atropelos, conforme consta da Carta Magna e que sintetizam os objetivos pelos quais lutamos em terras de além-mar.
Essa é a mensagem dos brasileiros que estiveram no “front” Itália, neste dia em que comemoramos o 60º aniversário da vitória das Forças Aliadas na Segunda Guerra Mundial.
A Associação Nacional dos Veteranos da FEB, Regional de Belo Horizonte, por seu Presidente, sente-se sumamente honrada pelas homenagens que ora recebe da Presidência e dos ilustres Deputados desta Assembléia, que muito dignificam suas ações como legítimos representantes deste progressista Estado de Minas Gerais.
Ao Exmo. Sr. Deputado Leonardo Quintão, o particular agradecimento da Força Expedicionária Brasileira, pelo seu alto espírito patriótico e respeito às nossas tradições.
Eventos como este, Sr. Deputado, proporcionam a difusão dos fatos e feitos do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ajudando-nos na preservação da memória da Força Expedicionária Brasileira, que é o nosso primordial objetivo. Muito obrigado.