JOÃO BAPTISTA MAGRO FILHO, Superintendente-Geral da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais - FHEMIG.
Discurso
Presta esclarecimentos sobre o processo de licitação para a contratação
de serviços de lavagem de roupa nos hospitais da rede estadual.
Reunião
77ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/03/2000
Página 21, Coluna 4
Assunto FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA.
Observação Por decisão da Presidência, o teor desta reunião passa a ter, na íntegra, o caráter de extraordinária.
Legislatura 14ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/03/2000
Página 21, Coluna 4
Assunto FISCALIZAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA.
Observação Por decisão da Presidência, o teor desta reunião passa a ter, na íntegra, o caráter de extraordinária.
77ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
14ª LEGISLATURA, EM 15/3/2000
Palavras do Sr. João Batista Magro Filho
O Sr. João Baptista Magro Filho - Inicialmente, gostaria de
agradecer ao Presidente desta Casa, a todos os Deputados
presentes, às autoridades e, mais uma vez, ao corpo de
funcionários da FHEMIG, Diretores e funcionários, e dizer, como há
pouco, que muito me honra estar aqui, novamente. Disse que é a
terceira vez que aqui venho. A primeira, quando fui submetido à
sabatina e coloquei os planos para a Fundação. A segunda,
convocado pela Comissão de Saúde, para falar sobre o atendimento
domiciliar aos pacientes pós-internação.
A terceira, como disse, é esta, que de certa forma, me
constrange, mas espero que possamos, nesse momento de tensão,
construir alguma coisa positiva para a Fundação.
Tentei explicar que tudo começou com a concepção que essa
diretoria tem para a Fundação e gostaria de insistir nisso.
Existem, no Brasil, hoje, algumas linhas de pensamento sanitário,
de pensamento sobre a saúde. Uma linha acha que o setor privado
deve ser ampliado, outra pondera que o setor público é importante.
Disse, naquela oportunidade, que eu era de uma linha que
valorizaria a cooperação entre os dois e queria lembrar que, nesse
momento, dirigia uma instituição pública.
Disse e repito que considero a Fundação Hospitalar uma das mais
importantes instituições sanitárias do País e, pela função que
exerci na minha vida, como professor de saúde pública na
Universidade Federal, tive oportunidade de conhecer grande parte
das instituições de saúde do Brasil e principalmente das Américas.
A FHEMIG é fundamental para Minas Gerais. Eu disse que a idéia
não era acabar com a FHEMIG, como alguns imaginavam em anos
passados. Disse que a idéia não era transformar os hospitais em
organizações sociais, conforme alguns pensavam. Falei claramente
que a idéia era reorganizar a FHEMIG, ampliá-la e torná-la cada
vez de maior qualidade para o povo mineiro.
Na primeira vez que aqui vim e também na segunda - estou
repetindo, portanto -, disse que para isso precisava de alguns
instrumentos: centralizar compras em grande quantidade e deixar de
fazer compras pequenas em cada unidade hospitalar, fazer
protocolos de procedimentos, padronizar compras, porque um
comprava de um fornecedor, outro de outro. Os equipamentos eram de
várias instituições, e isso aumentava o custo da Fundação. Falei
que os hospitais do interior precisavam de mais cuidados. Lembrei
que ainda havia grande quantidade de hospitais que eram antigas
colônias de hansenianos e que era meu interesse me dedicar a elas.
Essa postura nos levou, durante esse tempo, a conseguir retirar a
FHEMIG do noticiário, como vocês podem observar, porque fomos
melhorando a qualidade da Fundação. A FHEMIG sempre aparecia no
noticiário. Nesse projeto, a nossa idéia é que ela se constitua
numa rede de hospitais, e não em hospitais isolados. E,
principalmente - e aí é o fulcro da questão -, que trate de
cuidados hospitalares e deixe outros cuidados para quem
provavelmente possa fazê-los melhor. Aí surgiu a pergunta: posso
melhorar as condições da FHEMIG? Tenho dinheiro para
investimentos? Tenho dinheiro para comprar novos tomógrafos, novas
lavanderias? E concluí, como os senhores também o farão, pois
conhecem o orçamento, que não havia dinheiro para novos
investimentos.
Fizemos um amplo diagnóstico de vários itens. E há até um item
interessante: relação de bens da FHEMIG cedidos a terceiros. Por
exemplo, há um aparelho de raios X, tomógrafo, cedido a outra
instituição. Na época em que foi cedido, deveriam estar sobrando.
Existe hospital da FHEMIG doado para o setor privado, o
CARDIOMINAS era da Fundação.
Fizemos um amplo diagnóstico e, para simplificar, também um
diagnóstico das lavanderias hospitalares. Visitamos todas elas, e
aqui está esse diagnóstico. Constatamos que tínhamos que fazer
alguma coisa. Fizemos uma análise de todas as lavanderias,
procuramos saber como o Ministério da Saúde estava tratando essa
questão e vimos que havia terceirizado seus próprios hospitais,
principalmente no Rio de Janeiro.
Fomos à Secretaria de Administração, solicitamos uma autorização
para esse estudo. Uma de nossas lavanderias foi autuada pela
Prefeitura de Belo Horizonte e uma dessas lavanderias perdeu o
alvará de funcionamento.
Então, chegamos a uma situação de constrangimento que nos levou a
tomar algumas iniciativas. Por isso, fizemos a proposta de
terceirização, que levamos à análise superior. Essa proposta foi
aprovada, e iniciamos o processo de licitação, visando levar a
lavanderia para a região do Barreiro, região do Hospital Júlia
Kubitschek, uma vez que temos uma usina de lixo perto do Hospital
Eduardo de Menezes. Assim, queremos criar ali uma central de apoio
para aquela região. Para não me alongar muito, fizemos o processo
licitatório e fomos surpreendidos com alguns questionamentos a
esse processo. Tudo o que eu expliquei há pouco pareceu-nos
correto. Cabe-nos tomar cuidado até a abertura da licitação.
Quanto a outras coisas que venham a ocorrer fora da Fundação, fica
difícil para mim tomar conhecimento delas; por exemplo, a maneira
como as empresas estão tratando a Fundação ou coisas assim. São
inúmeras as licitações.
Então, a licitação foi aberta e está sendo questionada. Para
resumir, gostaria de dizer que é uma licitação em andamento e que
ela ainda se encontra em período de recurso. A empresa ou as
empresas interessadas podem recorrer. Além disso, eu ou a comissão
de licitação ainda podemos considerar a necessidade de interromper
essa licitação.
Ainda sobre a questão das lavanderias, infelizmente, ocorreram
outros problemas, e eu procurei mostrar que fomos olhar os preços
do Ministério; consultamos, vimos os preços médios e procuramos
cumprir as normas do Ministério, dentro do banco de preços.
Determinei ainda que toda licitação da FHEMIG deve seguir o banco
de preços do Ministério. Nesse banco, temos uma média dos preços
praticados nos vários hospitais do Brasil.
Também sobre a questão das compras de hortifrutigranjeiros,
expliquei que esse processo ainda está em andamento e que as
questões de preço mínimo, médio e máximo, em muitas categorias de
alimentos, são equivalentes. Quanto aos automóveis, expliquei que
precisávamos aumentar a nossa frota, a fim de atender a um pedido
e a necessidades da Secretaria de Estado da Saúde, para cuidados
ligados à hemodiálise, oncologia e fisioterapia, especialmente
porque nós, na FHEMIG, estamos tirando os pacientes do hospital e
cuidando deles em casa. Expliquei também que, em determinados
momentos, pela urgência - temos 22 unidades e sempre temos
problemas em CTIs e outras unidades de urgência -, como aconteceu
na questão dos fios cirúrgicos, chegamos à licitação. Se tivermos
dificuldades para concluí-la, temos que anulá-la e, como já foi
feito em vários momentos, dispensar a licitação, fazendo uma
compra emergencial para, depois, abrir nova licitação.
Por último, falei que considero a Fundação Hospitalar a mais
importante do Estado e que gostaríamos de cooperar com os
municípios, como agora estamos cooperando com a Secretaria do
Interior, assumindo três unidades hospitalares que estavam com
essa Secretaria. Disse ainda que pretendemos expandir os serviços
da Fundação e que vamos abrir um hospital em Venda Nova. Que
consideramos que o nosso trabalho com os pacientes em casa deve se
estender para, no mínimo, 500 pacientes. Observem: 500 pacientes
cuidados em casa, ou 100 pacientes cuidados em casa, representam
quase um hospital que não tivemos que construir para cuidar dessas
pessoas.
Para concluir a exposição que fiz há pouco, agradeci aos senhores
pela oportunidade de estar aqui. Disse ainda que gostaria que
entendessem que a minha presença aqui novamente é a repetição de
uma correspondência que enviei a todos os senhores no dia 8/6/99.
O ofício enviado do meu gabinete tem o número 178/99. Enviei esse
ofício, que dizia: os senhores precisam ajudar a Fundação
Hospitalar. A situação tende a se agravar; a situação é
calamitosa, exigindo prontas intervenções em nossa administração.
Da mesma maneira que enviei esse ofício aos senhores, gostaria
que entendessem a minha presença, aqui.
Com a minha presença, aqui, hoje, considero que posso renovar o
meu apelo. Agradeço a oportunidade, apesar da dificuldade pessoal
que enfrento, juntamente com toda a Fundação. Não estou
acostumado, como profissional da área da saúde, a questões dessa
ordem, mas entendo que são importantes.
Gostaria de dizer aos Deputados que me questionam que a minha
presença é para pedir ajuda para construirmos melhor a Fundação
Hospitalar. Insisto em que não posso dizer que não existam erros
num ambiente de mais de 14 mil pessoas. Sobre os questionamentos,
do ponto de vista do encaminhamento, não os enxerguei.
Como falei, há pouco, peço que venham para dentro da Fundação
Hospitalar, para somar esforços conosco, esquecendo-se as questões
partidárias, porque a Fundação Hospitalar precisa muito dos
senhores. Poderíamos transformar esse momento numa nova proposta
para a Fundação. Muito obrigado.