HELVÉCIO LUIZ REIS (PT), Professor. Prefeito - São João del-Rei-MG.
Discurso
Legislatura 17ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/12/2013
Página 24, Coluna 1
Assunto CALENDÁRIO. ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL.
Observação O número que acompanha o Requerimento Sem Número, constante do campo Proposições, é para controle interno, não fazendo parte da identificação da Proposição referida.
Proposições citadas RQS 2329 de 2013
73ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 9/12/2013
Palavras do prefeito professor Helvécio Luiz Reis
Palavras do Prefeito Professor Helvécio Luiz Reis
Boa noite. Vai ser difícil falar depois dessa aula de história do Rominho, feita com muita emoção, carinhosamente. Fui seu colega de universidade, seu companheiro de São João del-Rei, o Rominho, é assim que o tratamos lá, domesticamente, então é assim que vou tratá-lo aqui, com o carinho que sempre me recebeu nesta Casa.
Cumprimento o Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, deputado Dinis Pinheiro - é uma honra tê-lo presidindo esta cerimônia de homenagem aos 300 anos de São João del-Rei; o Exmo. Sr. Gil Pereira, secretário de Estado de Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas, representando o governador Anastasia; o Exmo. Sr. Deputado Federal Reginaldo Lopes, que representa a Câmara dos Deputados, nosso deputado majoritário em São João del-Rei, colega e companheiro de luta; o deputado federal Domingos Sávio, grande companheiro - minhas saudações; o vereador Fuzzato, presidente da nossa câmara, na pessoa do qual saúdo os vereadores presentes Cláudio Apolinário, Stefânio, Igor, Fábio, Cabo Zanola, Vera Polivalente; o deputado estadual Doutor Wilson Batista, também são-joanense, disse que quem é são-joanense é são-joanense em qualquer lugar, mas São João del-Rei tem a capacidade de atrair novos são-joanenses de todos os lugares - não é, Valéria?; o Mário também é um recém-são-joanense, que foi atraído pela beleza e pela bondade daquela terra; o deputado Pompílio Canavez, que já não está presente, mas gostaria de saudá-lo, é um são-joanense; o prefeito Nazareno, que está presente; o João Santeiro; a Cristina Lopes, minha vice-prefeita; o João Afonso Faria, meu grande companheiro e presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei, que é o braço do desenvolvimento econômico de nossa cidade; o Leonardo Silveira, secretário do Governo e presidente do PT de São João del-Rei; meus secretários presentes: Arthur Coelho, secretário Municipal de Obras; Maria das Mercês, nossa secretária de Educação; Rogério Bosco, secretário de Agricultura e Abastecimento. Gostaria de saudar todas as associações de moradores presentes. A lista é enorme, portanto, para que possa me dedicar ao discurso, vou falar, de modo geral, aos grupos capoeira, folia de reis e de vários grupos do folclore, da cultura e da arte de São João del-Rei presentes; Profa. Valéria Kemp, nossa magnífica reitora da Universidade Federal de São João del-Rei, enfim, os senhores e as senhoras.
Um dia, o deputado Domingos Sávio assim o disse, e acho que ele tem razão: São João del-Rei, nos idos dos séculos XVIII e XIX, tinha ouro incrustado na Serra do Lenheiro. Agora temos ouro por cima dela, embora ainda haja muito ouro incrustado nas profundidades daquela serra. É difícil de achar.
Saúdo também a Míriam Gouvêa, secretária de Saúde, aqui presente, e os servidores da prefeitura. Em especial, gostaria de abraçar o coral da prefeitura, que estava se apresentando lá fora e está na galeria; as bandas, especialmente a nossa A Furiosa, de São João del-Rei, que veio aqui abrilhantar e mostrar um pouquinho da qualidade da música de São João; os músicos da UFSJ; meus colegas de universidades; os grupos folclóricos que já mencionei. Senhoras e senhores, uma boa noite a todos.
Outro dia me perguntaram por que estamos comemorando de novo 300 anos se, em 2005, já havíamos comemorado. Acho que nunca comemoramos tanto uma cidade como comemoramos essa. Acredito que, pela primeira vez na história de São João del-Rei, estamos fazendo uma reflexão enorme sobre a história de São João. É importante falar com muito orgulho, com muita honra de ser são-joanense. Nós mesmos não tínhamos conhecimento ou não valorizamos suficientemente a cidade, a terra que temos. Para valorizarmos o que somos e o que temos nessas datas mais importantes da nossa história, precisamos gritar para o Estado, para o Brasil e para o mundo o que São João del-Rei foi e representa para este país e para este estado.
Quando me disseram que estávamos comemorando 300 anos, é bom lembrar que estamos comemorando 300 anos de elevação do Arraial Novo do Rio das Mortes à condição de Vila de São João del-Rei. Orgulha-me muito ser prefeito de São João del-Rei neste momento tão singular. Quando eu estava ali recebendo a homenagem do presidente Dinis Pinheiro, senti o peso de ser prefeito e de representar uma comunidade tão importante para este estado e para este país naquele momento. É muito pesado ser prefeito de São João del-rei, não é qualquer coisa.
Ao mesmo tempo, é com muita humildade que reconheço a difícil missão que o povo são-joanense me confiou no último pleito. Quero abraçar todos os meus concidadãos da cidade, dos Distritos de São Sebastião da Vitória, Rio das Mortes e da extensa zona rural do município, Zueira, Valo Novo, Cruzeiro da Barra, Emboabas, Cajuru, Caburu, Canelas, Caquende - são nomes muito sugestivos -, além de uma dezena de outras comunidades. Se ficar aqui citando, a lista é tão extensa quanto a das associações e das comunidades aqui representadas. Assim, abraço todas as demais comunidades.
São João del-Rei tem mais de 1.500km², é quase um país, e mais de 80 mil habitantes. São João del-Rei não é uma cidade qualquer. Na verdade, nenhuma cidade é uma cidade qualquer, porque cada uma, com sua história e sua cultura, é importante e única para seu povo. Entretanto, há cidades cuja história e cultura ultrapassam seus próprios limites, e seu povo é protagonista de histórias de outros povos, do Estado e até de nações. Acho que São João del-Rei é uma dessas cidades. Cenário da Guerra dos Emboabas e da Inconfidência Mineira, São João del-Rei está inscrita na história de luta pela liberdade, pela soberania e democracia do Brasil, desde que, há pelo menos 309 anos, nasceu o Arraial Novo do Rio das Mortes. Em 2013, mais especificamente em 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, completam-se 300 anos que o Arraial foi elevado à condição de Vila de São João del-Rei.
Terra de líderes da Inconfidência e da redemocratização brasileira, os quais ecoaram os gritos de liberdade do povo brasileiro, Tiradentes e Tancredo Neves, São João del-Rei é a mais clara demonstração de que terra de cultura é também terra de gente contestadora e politizada. Terra de Bárbara Heliodora, a heroína da Inconfidência Mineira.
Outro dia, declamei a poesia de Alvarenga Peixoto, em saudade de sua amada Bárbara Heliodora. Acho que posso até ousar dizer que, na verdade, Alvarenga Peixoto sentia saudade era de São João del-Rei. A Bárbara dele não era só Bárbara Heliodora, era São João del-Rei.
“Bárbara bela,/ do Norte Estrela,/ que o meu destino/ sabes guiar./ De ti ausente/ triste, somente/ as horas passo/ a suspirar./ Isso é castigo que amor me dá/ por entre as penhas/ de incultas brenhas,/ cansa-me a vista/ de te buscar;/ porém não vejo/ mais que o desejo/ sem esperança/ de te encontrar./ Isso é castigo que amor me dá./ Eu bem queria a noite e o dia/ contigo poder passar;/ mas orgulhosa sorte invejosa desta fortuna me quer privar./ Isso é castigo que o amor me dá./ Tu, entre os braços,/ ternos abraços/ da filha amada,/ podes gozar./ Priva-me a estrela/ de ti e dela/ busca dois modos/ de me matar./ Isso é castigo que amor me dá.”
Com esse poema, o marido e inconfidente Alvarenga Peixoto, no cárcere, lamentava a saudade de Bárbara.
São João del-Rei entregou a vida de seus filhos pela liberdade e pela democracia. Além de Tiradentes, Tancredo Neves, outro filho ilustre de nossa terra, priorizou sua missão à própria saúde. Quisera o destino que, mesmo tendo sido ele um dos protagonistas do processo de redemocratização do Brasil, as Diretas Já, não fosse presidente do País. Outros filhos ilustres de São João del-Rei tiveram assento na Academia Mineira de Letras: Otto Lara Resende e D. Lucas Moreira Neves. Agora, mais recentemente, São João del-Rei revela ao País e ao mundo sua tradição religiosa, quando da beatificação da filha dessa terra, Francisca de Paula de Jesus, Nhá Chica.
Homenagear São João del-Rei é homenagear seu povo, sua história, sua arte e sua cultura. As bandas e as orquestras quase tricentenárias Ribeiro Bastos e Lira Sanjoanense e outras, como a Banda Teodoro de Faria, mais nova, mas não menos talentosa, todas sobrevivem da herança da música que pais passam a seus filhos durante séculos. Em São João del-Rei, respira-se música em todos os cantos, igrejas e casarões. O Conservatório de Música Padre José Maria Xavier vem mantendo a música viva na cidade. O Pe. José Maria Xavier é são-joanense e um dos maiores compositores de música clássica barroca do Brasil.
Cidade em que os sinos falam, São João del-Rei da Catedral Basílica Matriz de Nossa Senhora do Pilar, da Igreja de São Francisco e de suas frondosas palmeiras, da Igreja de Nossa Senhora das Mercês e da Igreja de Nossa Senhora do Carmo; da nossa carinhosa maria-fumaça, um patrimônio erigido com participação popular, um dos mais belos cartões postais do Brasil, das betas, do Canal dos Ingleses, da Ponte da Cadeia e do Córrego do Lenheiro, uma das paisagens mais lindas do mundo. São João del-Rei revela em todos os seus traços a imponência de um povo que lutou por sua história e por suas conquistas. São João del-Rei da Serra dos Lenheiro, belíssimo patrimônio ambiental, no qual se encontram pinturas rupestres, um belo acervo de orquídeas e trilhas excitantes para lazer e esporte. É dessa serra que se erige o Cristo a proteger e a abençoar a cidade.
É bem verdade que uma parte do seu patrimônio histórico e cultural foi gradativamente destruído e descaracterizado por gestões públicas inconsequentes e insensíveis. Quando começamos em janeiro nossa gestão, encontramos o acervo de Tomé Portes del-Rei num porão, em estado de desleixo. Algumas das obras desse acervo ficaram irremediavelmente danificadas.
É bem verdade que a falta de investimentos em sua infraestrutura vem ameaçando o cotidiano do são-joanense e mostrando uma realidade cada vez mais comum em nossas cidades brasileiras: a falta de planejamento e o crescimento desordenado. São João del-Rei é também a cidade das contradições sociais que não a vulnerabilidade social e a violência. São João del-Rei, a São João dos queijos, dos sinos, do samba, da princesinha do oeste, do melhor Carnaval do interior do Brasil, do samba, da moda de viola, do teatro, da gostosa cozinha mineira feita no fogão à lenha, do tijucano, um pão de queijo com um bolinho de feijão.
São João del-Rei das festas religiosas, a revelar a fé de um povo altivo e trabalhador; da Semana Santa cujos rituais preservam tradições que não existem mais nem mesmo em Jerusalém; do Corpus Christi e das inúmeras procissões, dos tapetes que maravilham e enfeitam nossas ruas. São João del-Rei dos Alvarengas, Neves, Viegas, Rangels, Silvas, Teixeiras, Carvalhos, Resendes, mas também dos Detomis, Agostinis, Giarolas, Longatis, Hallacks, Baccarinis, Lombardis, Haddads, Rattons e muitos outros, que, no seu anonimato, transformam pedras em amor, carinho e hospitalidade. São João del-Rei dos que ali nasceram, mas também dos milhares que, como eu, se apaixonaram por ela e a adotaram como a cidade de sua família, de seu trabalho e de seu bem viver.
É por isso que tomei a decisão de enviar à Câmara dos Vereadores, nesta semana, o projeto de lei que vai rebatizar a Avenida 31 de Março de Avenida dos Imigrantes, em homenagem a muitas famílias estrangeiras e forasteiras, que contribuíram para fazer a nossa São João del-Rei de hoje. São João del-Rei é, enfim, a cidade para aonde querem voltar todos os seus filhos e que conquista novos filhos a cada dia, por articular fantástica e singularmente o novo e antigo, o presente e o passado, o moderno e o histórico, o profano e o religioso, que inspira na luz que tremula das velas acesas dos casarões vigilantes da liberdade; que se comunicam com os sons dos sinos de nossas igrejas portentosas a anunciar a esperança; que se refletem nas águas que fluem e serpenteiam mansas pelo canal da cadeia nos momentos mais frios dos anos e temerosas ao calor de outros. Que o digam as chuvas de dois sábados atrás. Em todos os momentos, São João del-Rei e sua gente nos inspiram. Parabéns, São João del-rei. Parabéns para você, são-joanense, como eu, que é apaixonado por essa terra maravilhosa.
Gostaria de pedir a todos, se eu puder quebrar o protocolo, Sr. Presidente, para cantarem Parabéns pra Você, pois acho importante nesta hora. Vamos lá. Outro dia, pedi isso lá no congresso, então, vou pedir aqui também. A nossa banda podia entoar o Parabéns pra Você, porque, aí, fica tudo muito mais fácil. Lá não tinha banda, não é, Toninho? Porque estava muito longe. Mas agora vamos cantar com a banda.
- Procede-se à homenagem.
O prefeito Helvécio Luiz Reis - Viva São João del-Rei!