Pronunciamentos

HELVÉCIO LUIZ REIS, Reitor da Universidade Federal de São João del-Rei.

Discurso

Transcurso do 20º aniversário de fundação da Universidade Federal de São João del-Rei, antiga Fundação de Ensino Superior de São João del-Rei - FUNREI.
Reunião 10ª reunião ESPECIAL
Legislatura 16ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 14/04/2007
Página 51, Coluna 4
Assunto CALENDÁRIO. EDUCAÇÃO.
Proposições citadas RQS 722 de 2007

agostinho 10ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 9/4/2007

Palavras do Reitor Helvécio Luiz Reis

Exmos. Srs. 1o-Vice-Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, Deputado Doutor Viana, neste ato representando o Presidente da Casa, Deputado Alberto Pinto Coelho; Reginaldo Lopes, Deputado Federal; Rômulo Viegas, Subsecretário de Desenvolvimento de Minas Gerais, representando o Prefeito de São João del-Rei, Sidney Antônio de Souza, e também professor na nossa Universidade Federal de São João del-Rei; Vereador Adenor Simões Coelho, representando a Câmara Municipal de São João del-Rei; Cristiano Tadeu da Silveira, Vice-Prefeito de São João del-Rei; e Deputado Domingos Sávio, a quem gostaria de saudar e agradecer muito especialmente, pelo carinho manifestado por nossa instituição ao propor esta reunião da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais em homenagem aos 20 anos da Universidade Federal de São João del-Rei.

O Deputado Domingos Sávio, a exemplo do Governador Aécio Neves, tem sido um grande parceiro da UFSJ, e gostaria de renovar com V. Exa. os nossos laços de amizade e admiração, bem como de agradecer a V. Exa. esse gesto tão significativo.

Quero também cumprimentar o Prof. Mário Neto Borges, professor e Diretor Científico da Fapemig, ex-Reitor da UFSJ, com quem divido o orgulho e a alegria de estar aqui hoje presente nesta reunião.

Cumprimento também os outros Deputados Estaduais presentes; o Prof. Wlamir Silva, Vice-Reitor da UFSJ, meu companheiro de luta; Marco Antônio Pepino, representando a Gerdau-Açominas, grande parceira da nossa universidade em projetos de extensão, em especial agora, com o projeto de expansão para o “campus” Alto Paraopeba; nossos Pró-Reitores e assessores; o Prefeito Leoni, de Sete Lagoas; Maurílio Chafy, Presidente da Câmara de Vereadores de São João del-Rei; Afonso Farias, Presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei, também Conselheiro do nosso conselho diretor; senhores, senhoras, toda comunidade universitária, nossos parceiros do projeto da terceira idade. Um grande abraço aos nossos alunos, técnicos administrativos e professores, com quem dividimos a alegria de comemorar esses 20 anos.

Por meio da Lei nº 7.555, de 28/12/86, foi criada a Fundação de Ensino Superior de São João del-Rei - Funrei -, instalada oficialmente em 21/4/87. Muitos foram os que lutaram por esse dia. Poderíamos ficar aqui enumerando, nome a nome, aqueles que teriam envidado esforços, por menores que fossem, para a concretização desse momento histórico: José da Rocha Neto, Oyama de Alencar Ramalho, Mílton de Resende Viegas, João Bosco de Castro Teixeira, Magda Mara Assis, para citar alguns deles. Nunca, talvez, nesses remanescentes históricos, se tenha dado conta de que uma única pessoa, que já se destacava por suas habilidades políticas e por suas articulações, sendo Ministro da Justiça, pudesse ter sido tão profético. Nosso Presidente Tancredo Neves, em 9/3/54, em aula inaugural do curso de Filosofia, o primeiro da Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras, profetizou que ali estava “a semente da futura universidade, sonho do maior são-joanense de todos os tempos, o imortal Tiradentes”. Tancredo Neves não só viu o nascer da Universidade Federal de São João del-Rei, como a fez nascer naquele dia com palavras tão premonitórias. Retirado de nosso seio tão rapidamente, naquele momento ímpar da história política da Nação, quando começávamos a reconstruir a nossa democracia, ainda assim pôde Tancredo iluminar os caminhos de sua esposa, Risoleta Neves, e de seu neto Aécio Neves, para que em São João del-Rei se cumprissem os ideais de liberdade dos Inconfidentes. A UFSJ é uma das maiores conquistas do povo de nossa cidade e de nossa região, Campos das Vertentes.

Minas Gerais possui 11 universidades públicas federais, mais o Cefet Minas, que oferece cursos de graduação, sem mencionar as duas universidades estaduais, a UEMG e a Unimontes. A UFMG é, de longe, a maior instituição de Minas Gerais, com mais de 32 mil alunos de graduação e pós-graduação, e disputa com a UFRJ a posição de maior universidade federal do País. A Ifes mais próxima da UFMG é a Universidade Federal de Uberlândia, com cerca de 14 mil alunos na graduação e na pós-graduação. Com menos de 5 mil alunos na graduação, encontram-se, além da UFSJ, as Universidades Federais de Lavras, do Triângulo, dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, de Itajubá e Alfenas, e o Cefet Minas. Ou seja, mais da metade das Ifes mineiras.

Todas as vezes que tentamos a federalização das escolas particulares, a Fundação Municipal de São João del-Rei, que se desdobrava na Faceac, na FEI e na Faculdade Dom Bosco, e mesmo depois de federalizados, na transformação da Funrei em UFSJ, em 21/4/2002, na gestão do Prof. Mário Neto, o discurso foi o mesmo.

Deputado Federal Reginaldo Lopes e Deputado Estadual Domingos Sávio, que nos deu a honra desta homenagem, hoje Minas Gerais é modelo para o Brasil.

A interiorização das universidades federais democratizou o acesso ao ensino superior a muitas pessoas que, certamente, não teriam oportunidade, se houvesse apenas uma única universidade na Capital. Além disso, a capilaridade dessas instituições federais tem levado a regiões menos favorecidas oportunidades de emprego e renda e opções de desenvolvimento, que, com certeza, não teriam surgido se tal modelo não fosse viabilizado.

Podemos afirmar que a história de muitas das cidades que abrigaram universidades federais em Minas Gerais pode, sem sombra de dúvida, ser dividida em dois momentos: antes e depois da implantação delas. Não é possível, por exemplo, imaginar o que seria de São João del-Rei e região, se retirássemos de circulação os US$25.500.000,00 representados pelo orçamento anual da UFSJ, os 500 empregos diretos, os 200 empregos terceirizados e quantos mais indiretos proporcionados por ela.

Quando se temem os efeitos devastadores do aquecimento da Terra e das mudanças climáticas geradas por um perverso modelo de desenvolvimento econômico, em que centenas de milhões de pessoas, especialmente as mais pobres, sofrerão as graves conseqüências do consumo descontrolado de nosso planeta, a universidade é um investimento certo em tecnologia limpa. Além de produtora de conhecimento, é geradora de inovações e soluções para todos os problemas sociais e econômicos da humanidade.

O modelo de disseminação de pequenas Ifes pelo interior de Minas criou uma complexa e inteligente rede do conhecimento a serviço do povo mineiro e do povo do Brasil. Hoje, o mesmo modelo vem sendo copiado pelas regiões mais carentes. Há muitas carências, certamente; porém, são maiores os resultados e os benefícios que as Ifes estão gerando por Minas, que, como diz Guimarães Rosa, são muitas.

Quantos filhos de trabalhadores mineiros simples teriam a chance de fazer um curso superior, se bem perto de suas casas não houvesse uma universidade? A UFSJ, nesse particular, é um ícone a ser seguido: 70% de seus alunos fizeram o ensino médio em escola pública. Esse número é equiparável à média apresentada por universidades federais instaladas em regiões como o Norte e o Centro-Oeste, teoricamente as mais carentes do Brasil.

Setenta por cento dos cursos da UFSJ são oferecidos à noite, herança das escolas particulares, e, hoje, é um dos mais efetivos programas de democratização do acesso. Por causa disso, 45% dos nossos alunos são trabalhadores em atividades não relacionadas com os projetos desenvolvidos pela Universidade em seu cotidiano. Para freqüentar as aulas em nossa instituição, muitos vêm de ônibus, numa grande caravana, que, diariamente, percorre 240 km, em mais de três horas de viagem. Muitos não têm tempo nem de trocar seus uniformes, porque saem direto das empresas para o ônibus que os levará a São João del-Rei.

Não há palavras para expressar a satisfação que nós, trabalhadores da UFSJ, sentimos ao realizar nossa mais nobre missão, sem correr riscos em debates inflamados e, muitas vezes, politizados. Em exemplar e saudável forma de inclusão social, oferecemos uma vaga na universidade pública para qualificar profissionalmente o trabalhador, o operário e o professor das redes de ensino público estadual e municipal do ensino básico.

A UFSJ tem cerca de 4 mil alunos e 350 técnicos administrativos, sendo 230 efetivos. Quando, há 20 anos, começamos nossos trabalhos, havia 9 cursos e 139 professores, dos quais 3 são doutores e 19, mestres; ou seja, 16% do nosso corpo docente eram professores titulados.

Dos 139 professores, cerca de 70, ou seja, 50%, trabalhavam em regime de dedicação exclusiva. Hoje, somos 216 professores, dos quais 213 - 99% - trabalham em regime de dedicação exclusiva. Dos 216 professores, 122 são doutores e 78, mestres, o que significa que 93% do nosso quadro docente é titulado.

Tanto no requisito do regime de trabalho quanto no de titulação do corpo docente, a UFSJ encontra-se, atualmente, entre as dez melhores instituições federais de ensino superior - como diz o Deputado Domingos Sávio, em termos relativos.

É igualmente marcante a relação entre o número de alunos e o de professores: são aproximadamente 19 alunos por professor, uma das melhores médias, considerando-se as instituições federais de ensino superior. Certamente o todo não é a mera soma das partes. A UFSJ tem crescido em escala impressionante, exponencial, atingindo outros resultados arrojados, semelhantes ao da qualificação de seus professores, exatamente porque cada parte, cada segmento, cada aluno, cada técnico administrativo, cada professor, consegue projetar em seu conjunto resultados muito maiores que os que obteríamos se tentássemos fazer tudo individualmente.

Como diria meu Vice-Reitor, Prof. Wlamir Silva, há alguns anos, quando participávamos de eventos científicos fora de São João del-Rei, perguntavam-nos de onde éramos. Vocês se lembram disso. Quando respondíamos que éramos da Funrei, parecia que a situação ficava pior. Perguntavam-nos o que era a Funrei? Depois de certo tempo, passamos a ser recebidos por essas pessoas de outra forma. Era como se dissessem: “Lá vem o pessoal da Funrei”.

Hoje, em muitos casos, nossa ausência é percebida. Indagam: “Onde está o pessoal da Funrei, da UFSJ?”. Esse é o sintoma da qualidade da produção acadêmica e científica que se tem gerado na UFSJ. Muitos de nossos laboratórios são considerados referências nacionais na área de restauração de documentos, em neurociências. Somos, igualmente, referência em projetos de economia solidária, destacando-se as nossas incubadoras de cooperativas populares e a de empresas, nosso centro tecnológico de produção artesanal, que hoje atende à região de Salinas, no Norte de Minas, nosso centro de referência da criança e do adolescente, nosso centro de referência do trabalhador e o grupo de estudos de meio ambiente.

A mesma maturidade, a mesma seriedade e o mesmo compromisso são demonstrados por nossos técnicos administrativos e por nossos alunos, co-partícipes do processo de construção, visto que a universidade pública está em construção cotidianamente e todos os seus segmentos - professores, técnicos administrativos e alunos - são parceiros em condições paritárias de responsabilidade.

Sr. Presidente, Deputado Doutor Viana, como mais uma referência da qualidade da educação que estamos promovendo na UFSJ, podemos citar os resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes - Enade -, que integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - Sinaes -, do Inep-MEC. Praticamente todos os cursos de graduação da nossa universidade, avaliados ano passado, apresentaram médias iguais ou superiores a quatro, numa escala de notas que vai até cinco.

Quando começamos, tínhamos dois “campus”: o Santo Antônio, onde funcionava a Fundação Municipal de São João del-Rei, doado pelo Município à recém-criada Funrei, fato de que se lembra o Prof. Rômulo, Subsecretário de Desenvolvimento; e o Dom Bosco, da Faculdade Dom Bosco, onde estudou o Sr. Cristiano, nosso Vice-Prefeito.

Nestes 20 anos, adquirimos o Solar da Baronesa, prédio majestoso no largo da Igreja do Carmo, que pertenceu à Baronesa de Itaverava, onde se instalou o Centro Cultural Risoleta Neves, cenário de intensa programação cultural. Quanto a isso, o Vereador Adenor Simões muito contribuiu para nossa causa. Por cessão de direto de uso, recebemos o “campus” Tancredo Neves, com área de 850.000m2, cinco vezes as áreas do Santo Antônio e do Dom Bosco somadas. O Prof. Mário Neto se lembra bem dessa história, já que a incorporação desse “campus” foi uma grande conquista.

Mais recentemente, a Gerdau-Açominas cedeu em comodato uma área de 90.000m2 em Ouro Branco e em Congonhas para a UFSJ instalar o quarto “campus”, o Alto Paraopeba, com a contribuição do Deputado Federal Reginaldo Lopes, atendendo-se, assim, à articulação das cidades de Congonhas, Conselheiro Lafaiete, Jeceaba, Ouro Branco e São Brás do Suaçuaí, junto ao governo federal. Nesse “campus”, pretende-se implantar um avançado centro de tecnologia com cinco cursos de graduação em engenharia, estimando-se 2 mil alunos, 100 professores e 100 técnicos administrativos.

A UFSJ completa 20 anos e, na fase de transição entre a adolescência e a maioridade, revela-se atrevida, arrojada, sem perder a seriedade e a responsabilidade com que trata a educação superior e sua relação com a comunidade, sem colocar em outro plano, que não seja o primeiro, a qualidade de seus projetos e dos resultados que poderá promover.

Como uma das sete instituições com menos de 5 mil alunos, é imperioso que cresça para disputar em melhores condições de competitividade por recursos dos órgãos de fomento e do próprio governo federal, mudando-se o eixo da pesquisa das grandes cidades para cidades do interior. É imperioso que cresça porque é necessário que um País em processo de desenvolvimento ofereça oportunidades e democratize o acesso a milhões de jovens que não conseguiriam pagar por uma vaga numa instituição privada.

É imperioso que cresça, alcançando pólos de desenvolvimento e regiões carentes que vivem à margem de uma sociedade, boa parte da qual clamando por igualdade, por melhor qualidade de vida e por ofertas que, pelo menos, minimizem o sofrimento de nossos jovens cidadãos e nossas jovens cidadãs. A exemplo do “campus” Alto Paraopeba e de outros oito cursos que inauguramos neste século com o propósito de ampliar as vagas para os egressos do ensino médio, o Inverno Cultural aplica os mesmos princípios de inclusão social e acesso.

Hoje participam desse grande projeto de extensão da UFSJ, a acontecer sempre na segunda quinzena de julho, cerca de 20 Municípios, com certeza absoluta, na maior articulação geográfica em prol da cultura e das artes do Estado de Minas Gerais. Neste ano, em particular, homenageamos São João del-Rei, a cidade que nos emprestou seu nome como Capital Brasileira da Cultura.

Não fazemos eventos sobre a Estrada Real, mas na Estrada Real, juntando-nos aos esforços do governo do Estado, neste que talvez seja o mais importante projeto estruturante do turismo mineiro dos últimos tempos. Incluímos na programação Municípios sem tradição em cultura, não só levando até eles oportunidades de emprego e renda como também entretenimento e cultura. Da mesma forma como nasceu o Inverno Cultural, estamos incubando e promovendo o surgimento de vários eventos similares, não concorrentes, mas totalmente integrados e complementares em nossa região.

A Universidade Federal de São João del-Rei pode sintetizar a saga de cada um de seus docentes, técnicos administrativos e discentes. Mudou rumos de muitas gentes por estas paragens, plantou famílias nestas montanhas das vertentes do Rio Grande, reescreveu a história de cada um, com vitórias, sacrifícios, alegrias e dificuldades. Desviou os enredos de nossas vidas, que pareciam fortes e convictos em seus destinos. A Universidade Federal de São João del-Rei atravessou nossos caminhos, removendo-nos de nossas certezas, acordando nosso interior pacato, movimentando as mentes que, nas tardes de domingo, elucubravam poemas que nosso próprio ego deleitava, alterando a programação de nossas quintas e sextas-feiras. Não pudemos mais deixar São João no mês de julho! Por que buscar novidade, se ela estava ali mesmo o tempo todo, com o Inverno Cultural, nos casarios de variados tons e arquiteturas, nos anjos barrocos e nas igrejas portentosas, nas esculturas acabadas e inacabadas que vidram nossos olhares, nas Semanas Santas piedosas e introspectivas que nos fazem chorar, nos comportamentos mais liberados de nossos carnavais ruidosos e famosos do interior mineiro que reciclam nossas toxinas, nas tocatas de nossas orquestras e bandas quase tricentenárias que valorizam nossas cerimônias, nas linguagens pelas quais se comunicam nossos sinos entre si e entre eles e nós? São João del-Rei tem muito a oferecer, por isso é a Capital Brasileira da Cultura de 2007.

Quantos ônibus podemos encontrar hoje pelas estradas de acesso a São João del-Rei! Quantos ideais foram construídos no consumir desses pneus e desses combustíveis! Em outras épocas, sem medir esforços, no lombo de cavalos, armou-se a Inconfidência Mineira. Sacrifícios de quem mora longe de vir todos os dias em busca de conhecimento. Não poderiam imaginar que éramos nós que aprenderíamos com eles. Outros vieram morar aqui: fomos invadidos por esses seres sedentos, inconformados com o “status quo”, questionadores que choravam longe de seus pais a saudade, a distância dos amigos, de sua rua, de sua casa.

A Universidade Federal de São João del-Rei foi perpassada pela história de cada um para construir sua própria história. Uma história cheia de resultados positivos, uma história de crescimento rápido. Há problemas, carências, limitações. Com certeza. Porém, o saldo é muito favorável. Muitos que subiram no trem pelo caminho já percorrido não podem imaginar a UFSJ de 1987, 1988 e 1989.

Há 20 anos não tínhamos computadores, muito menos internet; tocávamos “long play”; escutávamos o toca-fitas de nossos carros; usávamos o telex e o mimeógrafo. Quanto mudamos em 20 anos! Ainda não temos tudo nem somos perfeitos. Mas mudamos muito e somos muito melhores hoje do que éramos há 20 anos.

Para terminar, somos a própria universidade federal dos trabalhadores, o sonho dos inconfidentes, a profecia e o desejo de Tancredo Neves, a luta de nossa madrinha Risoleta Neves; mas somos hoje uma universidade federal por um gesto único, imensurável e grandioso de Aécio Neves, como ele gosta de afirmar, a mais cara de suas obras físicas em compreensão e sensibilidade aos anseios do povo da nossa São João del-Rei e de nossa região dos Campos das Vertentes.

Como disse Tancredo Neves, ao arrematar seu discurso em março de 1954, na aula inaugural do curso de Filosofia da Faculdade Dom Bosco, “e nem se diga que o meu sonho é um sonho vão e um sonho arrojado”. É, Dr. Tancredo Neves, sua universidade é real. Nossa UFSJ é sonho de todos nós. Muito obrigado.