FRANCISCO TENÓRIO, Deputado Estadual - AL
Discurso
Discurs sobre o tema: "Transposição das Águas do Rio São Francisco".
Reunião
132ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/05/2001
Página 22, Coluna 3
Evento Ciclo de Debates: "Minas em Defesa das Águas".
Assunto RECURSOS HÍDRICOS.
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/05/2001
Página 22, Coluna 3
Evento Ciclo de Debates: "Minas em Defesa das Águas".
Assunto RECURSOS HÍDRICOS.
132ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 7/5/2001
Palavras do Deputado Francisco Tenório
Sr. Coordenador deste debate, demais pessoas presentes, sou
representante de Alagoas e, mesmo sabendo do adiantado da hora,
aceitei falar nesses 5 minutos não sobre as questões técnicas do
São Francisco, mas sobre a organização política e o que devemos
fazer para conseguir a revitalização do rio de imediato e, até,
para evitar a transposição neste momento. Não sou técnico, sou
político, e falarei politicamente.
A 20 ou 30km da margem do São Francisco, há cidades, em Alagoas,
que não têm abastecimento do rio, a não ser por carro-pipa. À
margem do rio, do alto, vendo a água passando embaixo, temos
povoados que não têm abastecimento. E por que, de bom grado, vamos
pagar para ver essa água ser transportada para abastecimento em
Fortaleza, a mais de 1.000km de distância? São dados políticos do
fato, destacando, apenas, o aspecto de se descobrir um santo em
Alagoas para cobrir outro em Fortaleza.
A última hidrelétrica do São Francisco é Xingó. Quando construída,
foi dada a garantia de uma vazão "x" mínima, e hoje ela opera, em
média, com 50% do mínimo garantido. Vejam quanto caiu a vazão do
São Francisco nesses últimos anos, da construção do Xingó até
hoje.
A mais de 30km da foz do São Francisco, já se tem o que chamamos
de cunha salina, numa demonstração clara de que o rio já não tem
força para chegar até o mar, por falta de volume de águas. É o mar
que adentra o rio.
Devem-se, ainda, levar em consideração as questões econômicas. Se
a água é muita para o consumo humano - o que está previsto na
transposição - e é pouca para irrigação, e o preço dessa água que
vai para irrigar no Rio Grande do Norte, na Paraíba ou no Ceará?
Se o Governo Federal quer produzir alimento irrigado, que produza
às margens do São Francisco, porque sai por um preço bem mais
barato, digno, até, de concorrência internacional, o que não
acontecerá nunca com essa água transferida para irrigar o Rio
Grande do Norte, a Paraíba ou Fortaleza.
Analisamos as questões básicas, deixando as questões mais técnicas
- de engenharia e do projeto de execução - para os técnicos. Em
Alagoas, solicitamos ao Conselho Regional de Engenharia e
Arquitetura que solicite e avoque essa discussão com o Conselho
Federal de Engenharia para a execução básica desse projeto, que
tem uma extensão de quase 1.000km e altitude da água superior a
300km em determinados pontos.
Vejamos, então, a posição de Alagoas, que não é só contra a
transposição das águas, sem que se revitalize primeiro o São
Francisco. A posição de Alagoas, por meio da sua Assembléia
Legislativa, é de não permitir a execução desses projetos por vias
legais e, até, pela força da mobilização da população.
Também não é diferente a situação em Sergipe. Tivemos três
assembléias conjuntas.
A Assembléia de Sergipe tem posição idêntica. Os sergipanos
deverão defender a nossa posição.
O projeto faz estudo de impacto ambiental de Cabrobó a Fortaleza,
mas não conseguimos estudar de Cabrobó à foz do rio, como se nada
fosse acontecer ali.
Deixamos clara a posição de Alagoas diante do projeto de
transposição. Quero agradecer a presença de todos e a paciência de
me ouvirem.
Já ouvi, em outra oportunidade, o representante do Ministério da
Integração, e as explicações são as mesmas. De certa feita,
desculpem-me dizer assim, o representante do Ministério confundiu,
talvez não tenha aceitado as minhas considerações. Não era debate
do projeto, era um debate de convencimento. Nesse momento,
acreditei que o Ministério queria convencer que tinha de fazer a
transposição, e não debater o projeto. Obrigado.