FÁBIO MANHÃES XAVIER, Coronel da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais - PMMG. Delegado para as Forças de Polícia da América Latina e Caribe pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha no período de 2006 a 2008. Comandante da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais.
Discurso
Apresenta as considerações finais sobre o tema do 2º painel: "Direitos
fundamentais, grupos vulneráveis e violência".
Reunião
25ª reunião ESPECIAL
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/09/2010
Página 117, Coluna 2
Evento Fórum Técnico: "Segurança Pública: Drogas, Criminalidade e Violência".
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. DROGA.
Legislatura 16ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/09/2010
Página 117, Coluna 2
Evento Fórum Técnico: "Segurança Pública: Drogas, Criminalidade e Violência".
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. DROGA.
25ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 12/8/2010
Palavras do Sr. Fábio Manhães Xavier
O Cel. Fábio Manhães Xavier - Muito obrigado. Serei bastante
objetivo. Estamos com alguns questionamentos específicos
relacionados à polícia ostensiva, de manutenção da ordem pública.
A Polícia Militar, por excelência, desenvolve essa atividade.
Responderei à pergunta relacionada à polícia pacificadora do Rio
de Janeiro e a possibilidade de implementação aqui em Minas Gerais
dessa ideia. Cumprimentamos a iniciativa da Polícia Militar do Rio
de Janeiro com essa atividade vitoriosa num ambiente extremamente
complexo, que reconhecemos ser a situação da segurança pública
naquele Estado. As nossas realidades são, de maneira geral,
diferenciadas. Há mais de seis anos temos o Grupo Especial de
Policiamento em Área de Risco - Gepar -, que trabalha com uma
metodologia, de certa forma, semelhante à das polícias
pacificadoras, com alguns ingredientes mais adequados à realidade
específica de Minas Gerais e dos nossos aglomerados urbanos, onde
vive uma população com uma condição de risco social mais elevado.
Esses grupamentos chamados Gepar têm a ação dividida num tríplice
apoio: a repressão qualificada, a ação social dirigida a essa
população voltada para a inteligência policial e a prevenção
ativa. Essa fórmula tem dado um resultado bastante efetivo, com a
expansão desses grupos de policiamento especializados em outras
áreas de risco.
A questão da presença dos policiais nas ruas é um dilema antigo.
Temos uma realidade de uma cidade de 2.500.000 de habitantes, em
Belo Horizonte, e, na região metropolitana, superando a barreira
dos 5 milhões de habitantes. Temos um efetivo hoje de 48 mil
policiais para Minas Gerais inteira, incluindo os 853 Municípios e
seus respectivos Distritos. São mais de 200 estabelecimentos.
Temos um investimento seguro do governo do Estado na recomposição
desse efetivo, mas é preciso que todos os senhores saibam que hoje
a PMMG tem uma evasão mensal em torno de 80 a 100 policiais. Quer
dizer que, ao final de um ano, temos aproximadamente 1.200
policiais a menos por saídas diversas. Acabamos de entregar,
agora, dia 30 de julho, 1.400 novos policiais para a região
metropolitana. Estamos com mais 1.160 para o interior do Estado.
Existe, então, esse esforço de recomposição. Seria ilusório
transmitir a ideia de termos um policial em cada esquina ou que os
senhores, a qualquer hora ou a qualquer momento em que estiverem
transitando, verão um policial ostensivo. A nossa alocação de
efetivo responde a critérios técnicos de horário, incidência
criminal, onde teremos mais ou menos concentração de efetivo e a
qualificação desse pessoal, principalmente no que se refere ao
policiamento a pé, esse que é visível, acessível, direto. O
policiamento motorizado também atende a esses critérios de
horários e incidência criminal.
Com referência a duas perguntas muito práticas do colega da
Polícia Civil, no que diz respeito ao que é o discurso e ao que é
a prática, o que expus aos senhores, com muita sinceridade, com
muita humildade e com muita transparência, é o que estamos
efetivamente trabalhando. A relação entre a polícia e a comunidade
precisa ser dessa forma. O que temos de questionar é o porquê de
ela ser diferente e qual é a nossa parcela de contribuição, como
policiais, para fazer essa diferença.
Levo uma mensagem idealista e otimista. Como o colega da Polícia
Civil assim também se manifestou, acredito que seja dessa linha,
podemos fazer a diferença. O que cabe a nós, policiais, fazermos
precisamos fazer. Essas seriam políticas públicas da instituição
PMMG bastante efetivas.
Assim, respondi, de forma bastante sintética, as perguntas que me
foram encaminhadas. Agradeço a atenção dada a nossa instituição.
Muito obrigado. Boa tarde.
A Sra. Presidente - Queremos agradecer ao Cel. Manhães, aos
representantes da Polícia Civil, da Polícia Militar, do Corpo de
Bombeiros e dos Guardas-Municipais. Tenho reafirmado que, em todo
o Estado de Minas Gerais, por onde a Comissão passou, as polícias
e os profissionais de segurança estiveram sempre presentes. Isso é
importante como uma contribuição. É lógico que não pode ser a
única. Precisamos da contribuição da sociedade civil, da
contribuição das três esferas de poder nas decisões. Vocês, como
profissionais, são fundamentais para o trabalho da segurança
pública.