DERLI PRUDENTE SANTANA, Pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA - Milho e Sorgo.
Discurso
Comenta o tema do evento.
Reunião
24ª reunião ESPECIAL
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/06/2004
Página 29, Coluna 2
Evento Fórum Técnico: "Cerrado Mineiro: Desafios e Perspectivas".
Assunto DESENVOLVIMENTO REGIONAL. MEIO AMBIENTE.
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/06/2004
Página 29, Coluna 2
Evento Fórum Técnico: "Cerrado Mineiro: Desafios e Perspectivas".
Assunto DESENVOLVIMENTO REGIONAL. MEIO AMBIENTE.
24ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 14/6/2004
Palavras do Sr. Derli Prudente Santana
Quero dar os parabéns a esta instituição pela iniciativa e
cumprimentar os Deputados Ricardo Duarte e Wanderley Ávila.
Enquanto ouvia as palavras dos Deputados, fiquei pensando o que
poderia dizer, porque eles fizeram uma síntese do que eu iria
falar. Mas, como sempre enfocamos as coisas de uma maneira um
pouco diferente, vou tentar adicionar alguma coisa ao que foi
dito.
- Procede-se à apresentação de “slides”.
Antes de mais nada, gostaria de falar um pouquinho sobre minha
instituição, a EMBRAPA Milho e Sorgo, que fica em Sete Lagoas. Ela
é uma das 39 unidades que a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária - EMBRAPA - tem no País. Fiz questão de mostrar esse
mapa, para que possam ver a distribuição geográfica das unidades
da Empresa. Somos uma unidade bastante interativa. Só porque
trabalhamos com milho e sorgo em Sete Lagoas não quer dizer que
não tenhamos integração com outras unidades que trabalham em todos
os ecossistemas brasileiros.
Nessa linha avermelhada, que mostra todos os grandes ecossistemas
brasileiros, podemos ver a distribuição do cerrado no Brasil. Ele
é o segundo bioma brasileiro, ocupando uma extensão de 204.000km²
na opinião de alguns. Outros consideram que ele tem 220.000km².
Depois, vou voltar a discutir isso. Vocês podem ver, pela área,
que grande parte do Estado de Minas Gerais é coberta pelo cerrado.
Aqui temos o mapa da distribuição do cerrado em Minas. Tive muita
dificuldade ao localizá-lo, pois há várias versões do limite do
cerrado em Minas.
Relembrando o que foi dito aqui, o cerrado é chamado “pai das
águas do Brasil”. Por isso sua importância em termos de
hidrografia. É bom que percebam o que ele representa para o Estado
de Minas.
Afinal de contas, o que é o cerrado? Esse nome é dado à vegetação
típica do Brasil central. É o segundo bioma brasileiro. É dada
pouca ênfase à importância desse ecossistema para os grandes
ciclos biogeoquímicos do planeta. Dá-se muito mais importância à
Amazônia e à mata atlântica do que ao cerrado dentro desses
grandes ciclos da Terra.
O cerrado é uma savana mais ou menos densa. É considerado como
sistema savânico, com cobertura herbácea contínua e com um dossel
descontínuo, pois existem andares de diferentes estratos em termos
de cobertura vegetal. Seus galhos são, geralmente, retorcidos, e
algumas espécies apresentam a casca das árvores bastante
“coureácea”. Dentro do que é chamado de cerrado há uma gradação,
que vai desde o cerrado, cerrado típico, até campo sujo e campo
limpo. O cerradão seria quase uma transição de cerrado para mata.
Há um predomínio das espécies arbóreas. O cerrado sujo viria em
seguida e, em último lugar, o campo limpo, com predomínio das
gramíneas.
É comum, na área do cerrado, a presença de veredas ou matas, que
representam alguma forma de compensação ambiental. As veredas são
a compensação hídrica, e, se há melhor fertilidade do solo,
podemos ter algumas matas na área.
Aqui gostaria de chamar atenção para a diferença entre o que
chamamos de bioma cerrado e a região do cerrado. Quando se fala em
bioma, estamos tentando expressar essa idéia do cerrado, do
cerradão, do campo sujo e do campo limpo, enfim, todo esse aspecto
típico que essa vegetação nos lembra. Quando estamos falando em
região ou domínio do cerrado, pensamos numa coisa mais ampla, mais
abrangente.
Essa área avermelhada corresponde à terra roxa do Triângulo
Mineiro, que, na realidade, não tem a vegetação do cerrado, mas
está incluída dentro da região do cerrado.
Por outro lado, toda essa área amarelada é tida pelos
fitogeógrafos, pelos botânicos, não como uma área de cerrado, e
sim como uma área de transição. No Sul, o grande responsável por
esse tipo de vegetação é o solo; no Norte e no Nordeste, essa área
amarelada representa um clima um pouco mais árido. Neste quadro
podemos ver os dados climáticos ilustrando isso.
Ao se comparar Uberaba com Montes Claros ou Itamarandiba, essa
linha azul representa os meses de déficit hídrico. A idéia é
mostrar que, realmente, essas regiões são mais secas.
O quadro a seguir tem por objeto ilustrar a diferença entre o
cerrado típico e a grande região do cerrado, que ocupa cerca de
65% a 66% do Estado. Mas o que os fitogeógrafos chamam de cerrado
típico é apenas o equivalente a 186.000km², ou seja, 31% do
Estado.
Uma característica típica dessas áreas é o predomínio de uma
topografia de relevo plano ou suavemente ondulado, muito favorável
à mecanização agrícola.
Os principais solos correlacionados ao cerrado e ao cerradão são
os chamados latossolos, que são profundos, bem drenados e porosos,
ou seja, de baixa fertilidade natural. Os argi-solos são solos um
pouco melhores em termos de fertilidade, mas ocorrem em menor
expressão.
Os neo-solos litólicos, ou seja, os litossolos, são solos rasos,
diretamente relacionados ao campo limpo e ao campo cerrado.
A característica básica da maioria dos solos do cerrado é a baixa
fertilidade natural e a grande toxidez de alumínio. É uma região
que possui uma estação seca bem definida, que varia de quatro a
sete meses. Quanto à temperatura, essa linha avermelhada em cima
do mapa mostra que ela é mais ou menos constante, algo em torno de
22°C. A linha esverdeada indica os meses de déficit hídrico, e a
linha azul, a precipitação.
Então, existe esse déficit hídrico, que dura de quatro a sete
meses. Nos meses chuvosos, ocorre o que chamamos de veranico, que
é a interrupção desse período chuvoso. Isso é muito prejudicial ao
desenvolvimento das culturas.
Quanto à ocupação do cerrado, por este mapa podemos ver a sua
expansão na década de 70. A década de 70 marcou o início da
revolução do cerrado. Havia uma dificuldade muito grande de se
usar o solo do cerrado para a agricultura, porque o conhecimento
dos recursos naturais era muito limitado e havia uma série de
obstáculos, tais como: suprimento irregular de chuvas, baixa
fertilidade dos solos, sistemas de produção ineficientes e
distância dos centros de consumo.
No entanto, havia uma grande extensão de terras aráveis e
condições climáticas e topográficas apropriadas às principais
culturas. Além disso, em termos de estrutura física, também
existiam solos adequados à mecanização. Com a construção de
Brasília, passou-se a ter uma infra-estrutura básica, pois o eixo
de desenvolvimento do País se deslocou para essa região.
Um aspecto muito importante é a presença de calcário e fósforo na
região. O grande desenvolvimento agrícola da área do cerrado foi
resultado de uma combinação de políticas governamentais,
assistência técnica e um grande investimento na área de pesquisa.
O centro de pesquisas do cerrado, em Planaltina, foi criado dentro
da própria EMBRAPA e sistematizou todo o conhecimento adquirido
até então pelas universidades e instituições de pesquisa. O
objetivo básico desse centro é resolver o problema da produção
agrícola no cerrado. A transformação de uma área praticamente
ineficiente ou imprestável em uma área própria para o uso agrícola
tem sido considerada muito importante no mundo atual, pois o
Brasil conseguiu contrariar o processo normal, que é transformar
terra boa em terra ruim. Nesse caso, uma terra que não tinha
utilidade para o uso agrícola foi transformada numa área de grande
aptidão para a agricultura.
Destaco algumas inovações tecnológicas importantes. A primeira
delas foi a construção da fertilidade do solo. O solo do cerrado é
muito pobre e deficiente em magnésio, cálcio, fósforo e
micronutrientes, e foi preciso construir a sua fertilidade.
Destaco o trabalho preponderante do setor de melhoramentos. A
plantação de soja é um exemplo muito importante, pois era
cultivada apenas nos Estados do Sul, em regiões de alta latitude,
devido à sensibilidade ao fotoperiodismo. A soja foi desenvolvida
para adaptar-se à região dos trópicos, na parte central do nosso
País. A tecnologia da fixação biológica do nitrogênio foi muito
importante, pois trouxe economia para o Brasil e um grande bem
para o meio ambiente, porque evita o uso de adubos nitrogenados.
Destaco a plantação do milho para o solo ácido, desenvolvida na
EMBRAPA de Sete Lagoas, que, juntamente com a soja, trouxe uma
concepção diferente, que é o melhoramento de plantas para adaptá-
las às condições de estresse. Essa filosofia de trabalho é muito
importante.
Não podemos negar o papel da braquiária, em termos de ocupação de
pastagens.
A presença do café no cerrado era tida como uma coisa impossível.
Dizia-se que não seria possível cultivar o café em solos com
altitudes superiores a 600m, mas hoje temos plantações de café em
solos com altitude superior a 1.000m. No cenário internacional, o
café plantado no cerrado é considerado o de melhor qualidade no
País.
Este “slide” mostra a participação do cerrado na produção de
grãos em Minas Gerais, no período de 1900 a 2002.
A área do cerrado trouxe uma grande contribuição em termos do
rendimento das culturas. Houve um aumento de 3,41% no período de
1975 a 2002, e a área de cerrado foi a grande responsável por esse
crescimento em Minas.
Voltando a discutir o assunto referente às transições no Estado,
este mapa, feito por meus colegas da EMBRAPA de Sete Lagoas, está
baseado em dados econômicos. Chamo a atenção para o seu título:
“Os Cerrados de Minas Gerais”. Quando se fala em região do
cerrado, pensa-se numa região muito homogênea e, na verdade, trata-
se de uma região bastante heterogênea, onde a caracterização
ambiental é diferente, os problemas são diferentes e,
provavelmente, as soluções deverão ser específicas. Isso é muito
importante para nossas discussões, pois não se pode falar em
apenas um cerrado em Minas Gerais. Os dados ressaltam a diferença
entre os diversos cerrados: o cerrado oeste, o cerrado norte, o
cerrado central e o do alto São Francisco.
Como já foi discutida a importância do cerrado e o aspecto
referente aos diferentes cerrados em Minas Gerais, chamo a atenção
para o que entendemos ser agricultura sustentável. É um movimento
que surgiu principalmente a partir da ECO 92, que engloba várias
correntes de idéias, e, apesar das divergências nos meios de obtê-
las, há uma grande convergência nos meios para se alcançarem seus
objetivos. Numa definição mais simples, a agricultura é
considerada sustentável se simultaneamente satisfaz as
necessidades do produtor e conserva os recursos naturais para a
atual e as futuras gerações. Nesse contexto, o que poderíamos
considerar como grande desafio para o desenvolvimento sustentável
na área de cerrado? Um deles seria o desmatamento, que, embora
hoje ocorra em menor escala, ainda é considerado um problema.
Também são problemas a mecanização intensiva, com todas as
questões advindas da quebra de estrutura do solo, facilitação de
erosão e outras; a degradação de pastagens; a monocultura; o
assoreamento de rios e reservatórios, decorrentes da intensa
mecanização e falta de cuidados com o uso agrícola do solo; a
poluição de mananciais; o uso indiscriminado da água; o pouco
cuidado com as nascentes, campos de surgentes, veredas e áreas de
recarga, que muito têm prejudicado o nosso potencial de água no
Estado; e a agricultura familiar, que não tem tido o
desenvolvimento esperado, dada a dificuldade de se implantar numa
área de solos pobres e sua dificuldade de inserção no mercado.
Algumas iniciativas que têm ocorrido na área do cerrado merecem
registro. Não existe sustentabilidade absoluta nem um pacote que
garanta que a nossa área e o nosso sistema de produção serão
sustentados se adotarmos isso aqui. Há alternativas que são
utilizadas dependendo das circunstâncias ambientais e
socioeconômicas. Temos de selecionar a melhor alternativa para
cada momento. Precisamos pensar globalmente e agir localmente.
Isso veio da ECO 92. Minas Gerais já está atuando regionalmente no
âmbito das bacias, fazendo o elo entre o local e o global.
Um critério extremamente importante na escolha do negócio é a
capacidade de suporte ambiental da área que será utilizada.
Há um sistema de produção que tem sido uma grande revolução no
País e que chegou ao cerrado. Em Minas Gerais está indo muito
rápido, mas deixa muito a desejar. No plantio direto não se usa
arado nem grade, é feito diretamente na palha, nos restos da
cultura anterior. Deixa uma cobertura no solo, durante o ano
inteiro, e tem como pressuposto básico a rotação de culturas. Esse
sistema tem se mostrado altamente eficiente. No último bloco à
direita, vemos o plantio direto e a pastagem bem conduzida como o
sistema mais eficiente de conservação do solo e da água.
Aqui, o crescimento geométrico da adoção do plantio direto na
região do cerrado devido à sua grande eficiência no controle da
erosão, e o que significa em termos de economia para os
agricultores.
Esse aqui é o depoimento de um representante do Clube de Amigos
da Terra de Rio Verde, Goiás, feliz por sua terra ter melhorado,
estar produzindo e, ao mesmo tempo, conservando o meio ambiente.
Os agricultores interessados em expandir o plantio direto formam
uma associação. Isso já acontece em Minas e em várias regiões do
País.
Hoje pensa-se muito no aumento da agrodiversidade. Os sistemas
integrados - agricultura a pecuária -, estão tendo grande
repercussão. Tenho quase certeza de que estou roubando a cena do
Ministro Alysson Paulinelli. O Sistema Santa Fé foi desenvolvido
pela EMBRAPA Arroz e Feijão, em Goiânia, e consiste na combinação
de gramíneas de pastejo com culturas de milho e soja. Esse sistema
tem sido muito eficiente na recuperação de pastagens e na produção
de grãos. É uma grande oportunidade, considerando a extensa área
de pastagens degradadas em Minas Gerais. É uma fronteira interna,
na qual poderemos recuperar as pastagens e produzir grãos.
Embora não sejam muito comuns, os sistemas agroflorestais têm
sido utilizados paulatinamente com sucesso em algumas regiões, com
o aproveitamento de espécies nativas e exóticas. Essa iniciativa
tem tido um número cada vez maior de adeptos em Minas Gerais na
área do cerrado.
É a utilização dos dejetos de suínos para a produção de grãos e
pastagens. É a transformação de um passivo ambiental em insumo,
garantindo mais qualidade ambiental.
A agricultura orgânica, que tem tido grande demanda nos últimos
anos, embora em pequenas áreas e em nichos específicos, é uma
alternativa bastante entusiasmante no tocante à redução de uso de
insumos.
O manejo integrado de pragas combina controle biológico, práticas
mecânicas e culturas com princípios que controlam insetos, pragas
ou ervas daninhas.
Um enfoque que temos tentado dar hoje é dizer que o agricultor
pode produzir água, entre aspas. A agricultura é sempre apontada
como o grande culpado do problema da água, principalmente em áreas
de cerrado. Acreditamos piamente que um enfoque hidroagrícola,
considerando a água como um de seus produtos e dando tratamento
adequado ao solo, facilitando a infiltração, é a melhor maneira de
aumentar a água de nossos mananciais. A agricultura é o único
segmento que consegue produzir água limpa. É claro que o uso
racional da água é responsabilidade de todos. A água não é usada
só na irrigação; é usada na cidade, é usada para a geração de
energia. Temos de envolver todo o mundo.
A EMBRAPA Cerrados tem investido muito em novas alternativas.
Apesar de não vir apresentando grande repercussão, acreditamos que
o investimento em pesquisas, promovendo maior proximidade com os
produtores, pode ser uma alternativa bastante interessante,
principalmente para a agricultura familiar.
Devemos esquecer o desenvolvimento setorial e passar a considerar
o desenvolvimento territorial. O espaço rural é usado para
ecoturismo, para a instalação de indústrias, para artesanato, etc.
Atualmente, a visão do espaço rural é multissetorial - daí a
ênfase no desenvolvimento territorial.
Além de o produtor ser gerente sob o aspecto econômico,
atualmente tem de ter uma visão do gerenciamento ambiental, para
que possa atender às futuras gerações.
Associamos a idéia a um banquinho de três pernas. Se uma delas
está mais curta, o banquinho não se sustentará. Lembramos que,
para preservar a sustentabilidade do cerrado, é necessário haver
equilíbrio entre a preservação, o bem-estar e a renda.
Como nosso intuito é provocar, listei alguns pontos interessantes
para discussão.
Poderíamos chamar esse item de apoio às iniciativas existentes:
estimular, na maioria dos municípios ou regiões, a criação dos
Clubes Amigos da Terra, os famosos CATs, que se dedicam ao plantio
direto; apoiar as cooperativas agroextrativistas para fortalecer
principalmente a agricultura familiar; apoiar com créditos e
incentivo fiscal os municípios que já implantaram programas de
preservação ambiental.
Entre os pontos de discussão, podemos enumerar: investimento em
sistemas produtivos baseados na preservação e na valorização da
biodiversidade; investimento no produtor rural, como guardião do
desenvolvimento sustentável; valorização dos conhecimentos e dos
recursos existentes. Há tendência de se desprezar o conhecimento
local e os recursos da região; educação ambiental, enfatizando a
região do cerrado; maior conhecimento do ambiente e de suas
restrições; estudo de solo e das essências nativas e zoneamento
climático para indicar a época de menor risco para se plantar;
desenvolvimento de alternativas econômicas em espécies cultiváveis
adequadas às condições de estresse da região: solos mais ácidos,
solos mais pobres e clima mais árido; exploração dos recursos
naturais existentes, especialmente das essências nativas.
As propostas mais urgentes em relação aos recursos hídricos são:
recuperação e proteção de nascentes, veredas e matas ciliares;
manejo específico para áreas de recarga, que reabastecem nossos
lençóis e que não têm sido devidamente contempladas; uso racional
dos recursos hídricos, contemplando seu aspecto de multiuso;
estímulo ao sistema de produção que enfoca a produção hídrica e
agrícola.
Todas as estratégias que mencionei e outras que podemos ainda
selecionar em cada região deveriam ser divulgadas para que tenham
chance de ser adotadas por maior número de pessoas.
Outras propostas: promover o intercâmbio regional de produtores
para trocarem experiências de sucesso, e o treinamento de mão-de-
obra; implementar campanhas de divulgação e de conscientização,
com o objetivo de ligar a produção do cerrado à proteção
ambiental. Se conseguirmos mostrar que a produção do cerrado é
ambientalmente correta, teremos grande vantagem econômica no
mercado externo.
Vemos ainda como necessária a intensificação do uso agrícola
sustentável em áreas já em exploração.
Volto a destacar, no aspecto da integração entre agricultura e
pecuária, a quantidade de pastagens em áreas de cerrado degradadas
que temos no Estado. Um programa de crédito especial para
desenvolver um sistema de integração seria uma maneira muito
adequada de aumentar a produção de grãos, de carne, de leite e de
fibras sem derrubar uma árvore. Outro ponto seria um seguro
agrícola compatível com as condições de risco envolvidas nessa
região.
Passando à questão do desenvolvimento territorial e não setorial,
cito a Agenda 21 para o cerrado mineiro. A Agenda 21 é um
documento elaborado sob a coordenação do Ministério do Meio
Ambiente e contempla uma parte específica sobre agricultura
sustentável. Foi feita ampla consulta a todos os Estados, e seria
interessante que houvesse uma Agenda 21 para o cerrado mineiro.
Poderíamos pinçar muitos pontos da agenda nacional e complementar
com especificidades do nosso cerrado.
Queria destacar os seguintes tópicos: programas de recuperação de
pastagens degradadas, programas de recuperação e proteção de
nascentes, veredas e matas ciliares e programas regionais de
desenvolvimento sustentável. Essa idéia de desenvolvimento
regional veio à baila porque se chegou à conclusão de que é muito
difícil para o município sozinho trazer o desenvolvimento para si;
é necessário que se una a regiões com afinidade geográfica,
cultural e econômica. Acreditamos que uma linha especial de apoio
a esse trabalho, que contasse com a possibilidade de assessoria e
consultoria, faria muito bem a toda a região do cerrado. Muito
obrigado.