DEPUTADO SEBASTIÃO COSTA (PFL)
Discurso
Declaração de posição favorável ao projeto de lei que dispõe sobre a
reorganização da Secretaria de Estado da Educação.
Reunião
170ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/07/2001
Página 22, Coluna 3
Assunto ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. EDUCAÇÃO.
Aparteante Paulo Piau.
Proposições citadas PL 1431 de 2001
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/07/2001
Página 22, Coluna 3
Assunto ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. EDUCAÇÃO.
Aparteante Paulo Piau.
Proposições citadas PL 1431 de 2001
170ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
14ª LEGISLATURA, EM 3/7/2001
Palavras do Deputado Sebastião Costa
O Deputado Sebastião Costa - Sr. Presidente, Sras. e Srs.
Deputados, pessoas presentes nas galerias, jornalistas
representando a nossa atuante imprensa no Estado, a nossa presença
na tribuna tem um simples objetivo: primeiro, queremos declarar
que o PFL e a Oposição desta Casa votaram favoravelmente a essa
matéria no 1º turno, e voltaremos a fazê-lo nesta oportunidade.
Porém, queremos fazer aqui uns poucos esclarecimentos, e os
educadores sabem muito bem aonde estamos querendo chegar. Nosso
objetivo não é retardar a votação da matéria. O objetivo do PFL e
dos partidos que fazem oposição nesta Casa é esclarecer um aspecto
muito simples: no 1º turno, lembramos que, quando se trata de
movimentação na Secretaria da Educação, a matéria necessariamente
deveria ter sido distribuída à Comissão de Educação, Cultura,
Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa, e isso não foi
feito.
No 2º turno, aqui estamos para lembrar outro aspecto
interessante. Na mensagem original, que os educadores conhecem, o
Governo do Estado conservou a UEMG ligada à Secretaria de Ciência
e Tecnologia, mas, depois, veio à Casa uma emenda transferindo a
UEMG para a Secretaria da Educação. Acompanhamos a tramitação da
emenda no âmbito das comissões.
Dos quatro Deputados membros da Comissão de Administração
Pública, três votaram contrariamente à mudança proposta, porque
acharam por bem aguardar a decisão da Comissão Especial
constituída pela Assembléia para analisar o ensino superior no
Estado. Só então decidirão o destino da UEMG.
Neste momento, em que já se realiza o estudo e em que nos
preocupamos em aprovar o mais rápido possível a reforma
administrativa que versa sobre o interesse da Secretaria da
Educação e dos que nela trabalham, julgamos imprudente incluir
mais uma emenda - essa que solicita a transferência da UEMG de uma
secretaria para outra. Esse assunto pode ser tratado em outra
oportunidade.
A reforma administrativa, como já disse no 1º turno, deveria ter
sido mais abrangente, ter atingido o Estado, e não ter ficado
somente no âmbito da Secretaria da Educação. O Governo, no
entanto, não entendeu assim. Nada temos em contrário. Contestamos
somente que se mude a UEMG de secretaria, e as razões são simples:
as demais universidades estaduais também pertencem às Secretarias
de Ciência e Tecnologia dos Estados, mesmo porque a natureza do
ensino superior está mais ligada ao avanço da pesquisa que ao
ensino fundamental e médio.
Daí ter o PFL, representado na Comissão de Administração Pública
pelo Deputado Sebastião Navarro Vieira, votado contrariamente à
transferência neste momento. Concordamos com a mensagem inicial do
Governo de reforma na Secretaria da Educação, sem que, no entanto,
se modifique a situação da UEMG. Esse também foi o parecer do
relator.
O PFL, desde o primeiro momento, atendendo a apelo do Deputado
Paulo Piau, está de acordo em que a UEMG continue ligada à
Secretaria de Ciência e Tecnologia, até que, depois de concluído o
trabalho da Comissão Especial desta Casa, os Deputados e os
Secretários das duas pastas convençam-se de que a UEMG vai ficar
mais bem situada na Secretaria da Educação.
Transferi-la agora, além de inoportuno e imprudente, seria
responsabilidade exclusiva da Assembléia Legislativa, já que a
mensagem inicial do Governo do Estado não tratava dessa
transferência. Entendo que mudança estrutural deva partir,
necessariamente, do poder de quem tem o título e a
responsabilidade de administrá-la e conduzi-la. Após a realização
de um estudo nesta Casa, após a Comissão Especial visitar outros
Estados e verificar por que funciona no Paraná e em São Paulo,
vinculada à Secretaria de Ciência e Tecnologia, por que Minas
Gerais teria de modificar? Esse é o entendimento que o partido
coerentemente defendeu na Comissão de Administração Pública por
meio de seu representante, o Deputado Sebastião Navarro Vieira. O
objetivo não é criar embaraços. Entendemos a ansiedade dos
servidores da educação.
Não estamos polemizando com o Governo. A Defensoria Pública tinha
a obrigação de remeter a esta Casa, e não o fez. Estamos
polemizando tão-somente para resguardar ao ensino superior a
oportunidade de ser reavaliado por uma comissão especial e, logo
após, num processo de convencimento, devidamente amadurecido,
definir se o melhor para a UEMG é a Ciência e Tecnologia ou seguir
os rumos da Secretaria da Educação. No momento, estamos
preocupados em alertar para a necessidade de caminharmos para
aprovar a matéria, já que não polemizamos no 1º turno. Os
educadores sabem que apenas lamentamos. Qualquer matéria que
movimenta a Secretaria da Educação, embora de natureza
simplesmente estrutural, cria uma inquietação nos estabelecimentos
de ensino. Quem já atuou ou ainda atua na educação sabe
perfeitamente que qualquer mudança dessa natureza altera
substancialmente o estado de espírito nos estabelecimentos de
ensino. No 1º turno, isso nos induziu a fazer um alerta desta
tribuna: quando se trata de matéria que, embora estrutural, afete
o aspecto pedagógico, é necessário que ela seja distribuída à
Comissão de Educação. É preciso que haja interação, que todas as
comissões técnicas sejam ouvidas sobre matérias com essa grandeza.
Entendo que o Governo agiu de forma tímida, ineficaz. Poderia ter
sido muito mais arrojado e ter ampliado sua reforma saindo do
âmbito da Secretaria da Educação. Nem por isso nós, do PFL, nos
posicionaremos contrariamente à reforma. Apesar de tímida e
limitada ao âmbito de apenas uma secretaria, quando tantas outras
precisam de reforma, a Secretaria da Educação não pode ficar
prejudicada, muito menos seus servidores, porque não é esse nosso
objetivo.
Para concluir minha participação, lembro que é preciso que as
coisas não sejam tocadas como o Governo do Estado faz. É preciso
encarar com seriedade, o que implica estudo preliminar que
contribua para que a reforma apresentada não se transforme em
acomodação localizada, mas em avanço do Estado no interesse dos
cidadãos.
O Deputado Paulo Piau (em aparte) - Deputado Sebastião Costa,
nosso Líder, quero manifestar a nossa alegria por V. Exa. trazer
aqui um assunto de tamanha importância para o Estado de Minas
Gerais, considerando-se que o projeto original do Governador do
Estado não contemplava a transferência da UEMG e da UNIMONTES para
a Secretaria da Educação. Essa emenda, surgida nesta Casa, está
fazendo uma mudança, uma transformação, que pode ser boa ou não.
Portanto, é fundamental a colocação de V. Exa., chamando à
discussão os parlamentares desta Casa, a fim de que todos votem
conscientemente. Este é o nosso papel e a intenção de V. Exa.
nesta manhã.
As matérias não podem ser votadas açodadamente, muitas vezes
baseadas no “acho que vai dar certo”. É nossa responsabilidade,
enquanto parlamentares, discutir, à exaustão, medidas tão
importantes. A menos que essa não seja uma matéria de importância
para o Governo. Caso não seja, vamos votar açodadamente,
simplesmente transferindo as universidades de uma Secretaria para
outra, como se nada disso tivesse importância.
Quero parabenizar V. Exa. por ter iniciado esta discussão e
chamar a atenção dos nossos companheiros, Deputados, para que se
aprofundem nesse assunto, e, evidentemente, não votem a matéria
desta maneira. Quem sabe possamos elaborar um projeto próprio,
chamando aqui a sociedade, interessada nessa questão, a comunidade
universitária, os estudantes, os professores, os diretores, as
próprias faculdades, as duas Secretarias envolvidas, a de Ciência
e Tecnologia e a da Educação para que possam opinar, uma cedendo,
uma querendo receber. Essa é uma medida madura, e a Assembléia
Legislativa, nos seus mais de 50 anos de conceito, não pode
simplesmente votar baseado no “eu acho que assim vai dar certo”.
Que esta votação seja para o bem das duas universidades, para o
bem da nossa juventude, que espera que a nossa universidade seja
forte. Muito obrigado.
O Deputado Sebastião Costa - Agradeço ao Deputado Paulo Piau. É
preciso que as decisões de Estado, as decisões de Governo, sejam,
de fato, amadurecidas. Quando o Governo encaminhou uma mensagem a
esta Assembléia, não sei se havia, por parte dele e dos
Secretários, a conveniência de não aprofundar na questão UEMG e
UNIMONTES. Simplesmente faria a reforma na Secretaria da Educação,
com a qual concordamos em gênero, número e grau, discordando
apenas de que o Governo estaria fazendo reforma no Estado, nas
Secretarias, muito lentamente, um verdadeiro arremedo de reforma.
Primeiro, na Casa Civil e, agora, na Educação, quando gostaríamos
que o Estado fosse discutido como um todo.
Entendemos que a Secretaria da Educação não pode e não deve ficar
prejudicada por causa dessa omissão do Governo.
Por outro lado, na tramitação nesta Casa, veio a emenda que
transfere a UEMG e a UNIMONTES para o âmbito da Secretaria de
Estado da Educação. Com isso, não quero contestar,
terminantemente, a idéia. Lamentamos o momento em que ela é
apresentada, fora do âmbito do Poder Executivo, sem a anuência
expressa dos dois Secretários e do próprio Governo.
A não ser que o Governo esteja agindo com a mão dos outros,
mandando que a Assembléia faça o que não quer fazer. Mas entendo
que não é isso o que está acontecendo e, se não está acontecendo,
a emenda não deveria ter sido apresentada aqui. Poderia ocorrer em
outro momento, com uma mensagem do Governador, transferindo as
universidades para a Secretaria da Educação.
Quero dizer aos funcionários, sobretudo aos servidores da
educação, que é muito comum que o Governo, depois de mandar uma
mensagem, comece a se preocupar com a mensagem que mandou e se
arrependa. Aí, serve-se de terceiros para criar um embaraço em uma
mensagem tão simples, como é a reforma e a reorganização da
Secretaria da Educação. Nossa preocupação está concentrada nesse
aspecto. Ora, a Assembléia Legislativa constituiu uma comissão
para discutir o ensino superior no Estado de Minas Gerais; então,
não vejo nenhum impedimento a que as universidades pertençam a
esta ou àquela secretaria, mas somente depois de concluído esse
estudo e após audiência com os dois Secretários e a concordância
do Governo. A princípio, sem que me convençam, estou preocupado,
considerando que uma das prioridades das universidades, sobretudo
da UEMG, cujo funcionamento conheço bem, é o avanço tecnológico,
no campo da pesquisa, que estaria na esfera de atuação da
Secretaria de Ciência e Tecnologia mais especificamente do que da
Secretaria da Educação, que tem atuação mais abrangente, mais
preparada para os ensinos fundamental e médio. Essa discussão vai-
se dar com os professores, os pesquisadores e os Secretários na
Comissão Especial constituída para esse fim na Assembléia
Legislativa. Tenho a certeza de que, após a conclusão, saberemos o
destino da UEMG e da UNIMONTES. Mas, neste primeiro momento,
modificar ou apenas transferir de secretaria não quer dizer que o
problema das universidades esteja resolvido de vez. Após o estudo
da Comissão, teremos, pelo menos, elementos para discutir com a
sociedade e mostrar a ela o porquê da mudança - vai conseguir, vai
avançar, vai crescer? Essa seria a nossa preocupação.
Assim, Sr. Presidente, Srs. Deputados, não temos o objetivo de
retardar a votação. Queremos até que a matéria seja votada nesta
manhã, se possível. Mas para que uma matéria seja votada nesta
Casa é necessário que tenhamos um número mínimo de Deputados, e
V.Exa. deve estar observando que o número de parlamentares em
Plenário é insuficiente para a aprovação dessa matéria. Também
tenho a certeza de que V. Exa., um cumpridor do Regimento Interno
da Casa, saberá perfeitamente que é preciso haver um número
expressivo de Deputados em Plenário para que possa ser feita a
votação da matéria. Esse tem sido nosso empenho. V.Exa. deve
lembrar-se de quando aqui discutíamos o veto do Governador, que
impedia o repasse de 2% do orçamento para a UEMG, em cumprimento a
uma emenda à Constituição, inicialmente de autoria do Deputado
Paulo Piau e, depois, aprovada pelo Plenário desta Casa -
passando, assim, a ser um dispositivo legal da Assembléia
Legislativa do Estado de Minas Gerais. Hoje, a situação não é
diferente. Continuamos alertando de que falta vontade política do
Governo do Estado de Minas Gerais, ao longo do tempo - não somente
agora, mas principalmente agora -, para que haja um avanço efetivo
dessa questão do ensino superior no Estado de Minas Gerais.