DEPUTADO SARGENTO RODRIGUES (PDT)
Discurso
Comenta a insegurança pública da população, refletida no confronto entre
a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais - PMMG -, Polícia Civil e
segmentos marginalizados da sociedade.
Reunião
95ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/11/2003
Página 40, Coluna 4
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. DIREITOS HUMANOS.
Aparteante Antônio Genaro, Maria Tereza Lara.
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 11/11/2003
Página 40, Coluna 4
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. DIREITOS HUMANOS.
Aparteante Antônio Genaro, Maria Tereza Lara.
95ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 5/11/2003
Palavras do Deputado Sargento Rodrigues
O Deputado Sargento Rodrigues* - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
público que nos assiste pela TV Assembléia, retorno à tribuna
nesta tarde para falar mais uma vez sobre a insegurança pública
que a população continua vivendo no Estado de Minas Gerais. Desta
vez ocupo a tribuna com um pouco mais de prazer, tendo em vista os
últimos episódios que ocorreram no confronto entre a Polícia
Militar e a Polícia Civil e marginais que continuam a incomodar e
aterrorizar a população. Antes de ontem, no dia 3 de novembro,
marginais tentaram assaltar uma agência do Banco Itaú na cidade de
Contagem, pouco antes das 4 horas da tarde. Para a felicidade dos
clientes e da população, naquele momento dois policiais militares
se deslocaram imediatamente, chegando ao local em tempo hábil. São
eles o Cabo Roberto Carlos Alves Silva Durval, de 32 anos, e o
Soldado Willian Cândido Siqueira, de 38 anos, lotados na 1ª
Companhia de Missões Especiais. Nesse episódio, um assaltante
morreu e quatro foram presos. Segundo levantamento da Polícia
Militar, uma semana antes os marginais chegaram a filmar a
agência, para depois planejar a ação criminosa contra o
estabelecimento bancário. Foram presos nessa ocorrência policial:
Júlio César da Silva, Alderico Aparecido dos Santos, Jorge Rosa da
Silva e Claudiomar Fernandes Marques. No confronto veio a falecer
o marginal chamado José Geraldo, que tinha várias passagens pela
polícia. Portanto, quero aqui, Sr. Presidente, exaltar a ação da
polícia. O jornal “Estado de Minas”, no caderno “Gerais”, de terça-
feira, dia 4 de novembro, publica: “PM mata assaltante de Banco”.
Os ecos desta tribuna estão chegando aos policiais que estão no
combate ao crime. Não podemos continuar perdendo tantos policiais
no confronto com bandidos. Infelizmente, somente este ano já
perdemos 26 policiais, sendo 6 da Polícia Civil, 17 da Polícia
Militar e 2 Bombeiros. Dos 26 policiais, 25 foram mortos na Região
Metropolitana. Apenas um policial teve sua vida ceifada no
confronto com marginais em Teófilo Otôni.
Sr. Presidente, senhores que nos assistem, reafirmo que sou
extremamente legalista. Há 15 dias, disse que o policial deveria
aproveitar o princípio da oportunidade que a lei lhe faculta no
que diz respeito a excludente de criminalidade. O policial não
pode esperar receber um tiro na testa para depois reagir, não pode
esperar o bandido atirar primeiro.
A lei diz: “Entende-se por legítima defesa quem usa moderadamente
os meios necessários para repelir injusta agressão atual ou
iminente”. Trata-se de um dos excludentes de criminalidade. Se as
Polícias Militar e Civil agem com resposta imediata, estamos tendo
uma ação da mais absoluta legalidade. Volto a repetir que os
nossos policiais não podem esperar o marginal atirar. Se sacar a
arma contra o policial, a intenção é matá-lo.
Não podemos deixar que a vida dos guardiões da sociedade, dos
nossos homens de bem, continue sendo ceifada.
O Deputado Antônio Genaro (em aparte)* - Deputado, parece-me que
V. Exa. se está referindo ao direito putativo.
O Deputado Sargento Rodrigues* - Exatamente, Deputado Antônio
Genaro.
É isso que pregamos da tribuna. Disse que o nosso policial civil
ou militar, que está no combate ao crime, no dia-a-dia, sabe o que
esses fatos significam, porque custa caro uma vida. Tivemos essa
experiência por vários anos, quando trabalhávamos no
patrulhamento. Sabemos quantos companheiros perdemos ao longo
desses anos.
É preciso deixar claro que o policial tem de utilizar aquilo que
a lei faculta. Na medida em que o marginal saca uma arma para o
policial, o policial tem que sacar a arma também, mas para matar o
indivíduo, para que cesse qualquer tipo de agressão.
Parabenizamos os policiais que participaram de uma ocorrência
ontem, no Bairro Fonte Grande, na região de Contagem, em que o
Soldado Nilson Gomes da Silva, de 28 anos, lotado na 1ª Companhia
de Missões Especiais dessa cidade, recebeu tiro nas mãos. Em
entrevista, o Soldado disse que ele e seus companheiros só
atiraram porque foram recebidos a tiros durante a abordagem
suspeita. Segundo ele, não morreu nenhum PM porque a mão de Deus
lhes poupou de uma fatalidade.
Nesse episódio, tivemos a felicidade de a Polícia Militar ter
agido no estrito cumprimento do dever legal, no exercício regular
de um direito, agindo em legítima defesa, própria e de terceiro.
Nesse confronto, morreram mais dois marginais. Isso é para
mostrar, desta tribuna, o enfrentamento pelo qual passam esses
policiais no dia-a-dia do trabalho. Mostra ainda a capacidade e a
ousadia dos marginais, cada vez maiores, para enfrentar o aparato
policial.
Temos tomado conhecimento do que tem ocorrido nas fronteiras do
Estado, como em São Paulo, onde policiais estão sendo caçados em
seus postos de policiamento ostensivo. De segunda-feira para terça-
feira, morreram dois policiais paulistas, crime atribuído ao
Primeiro Comando da Capital. Em Minas Gerais, nossa polícia faz o
Estado ser respeitado.
Parabenizamos os policiais militares que, em Contagem,
enfrentaram corajosamente aqueles episódios citados. Estamos
fazendo observações sobre uma ação policial legítima e em que os
nossos policiais levaram a melhor no enfrentamento com bandidos.
É necessário que se enalteça o trabalho da polícia. Na semana
passada, tivemos enfrentamento por parte de policiais civis em
Betim, em que mais um marginal veio a falecer.
Portanto, é necessário, em Minas Gerais, deixarmos claro que as
Polícias Militar e Civil não aceitarão, de forma cabisbaixa, a
ousadia e o enfrentamento dos bandidos.
Queremos apelar ao Governador Aécio Neves, ao Dr. Otto Teixeira
Filho, Chefe da Polícia Civil, e ao Cel. Sócrates Edgard dos
Anjos, Comandante-Geral da Polícia Militar, que vigiem, planejem e
executem ações nas fronteiras deste Estado com o Espírito Santo,
Rio de Janeiro e São Paulo, para que os bandidos não as
transponham e estabeleçam em Minas Gerais facções criminosas, como
o Comando Vermelho, existente há mais de 15 anos, e o PCC, criado
recentemente.
A Deputado Maria Tereza Lara (em aparte) - Deputado Sargento
Rodrigues, gostaria de me solidarizar com V. Exa. no que diz
respeito à preservação da vida dos policiais. Entretanto, queremos
preservar a vida de todos os cidadãos. Por isso, muitas e muitas
vezes, precisamos cobrar a mudança no sistema penitenciário deste
País, a fim de torná-lo espaço de reeducação, de forma a não
representar escola do crime para os detentos. É lógico que isso
constitui problema social gravíssimo. Também é necessário que seja
adotada ação preventiva, por meio de políticas públicas, sobretudo
com crianças e jovens abandonados, para que seja impedida a
formação de criminosos.
Como V. Exa. disse, em Betim, no Bairro Duque de Caxias, houve um
assalto, quando policiais mataram assaltantes. Queremos chegar um
dia a esta Casa e comemorar não ter ocorrido morte de nenhum
cidadão brasileiro. Temos de unir esforços para não chegarmos ao
ponto de precisar matar assaltantes. Que possamos acabar com eles,
não os matando, mas acabando com as causas dos assaltos. Trata-se
de questão preventiva, como disse, não apenas de investimento nas
crianças, nos jovens e na educação, mas também de reeducação dos
que já cometeram algum crime.
De forma alguma quero que os policiais sejam mortos. No entanto,
não podemos começar a considerar normal a morte de quem quer que
seja, pois temos de construir a vida. Devemos unir esforços para
isso, cobrando do Governo do Estado e do próprio Governo Federal
ação conjunta com os Governos municipais. As mortes de policiais
ou de trabalhadores e a formação de assaltantes poderão ser
evitadas, pois, antes que isso ocorra, o poder público deverá
agir. Muito obrigada.
O Deputado Sargento Rodrigues* - Agradeço o aparte da nobre
Deputada Maria Tereza Lara, mas lamento a não-concretização das
políticas públicas sociais, que todos querem, principalmente
aquelas voltadas às crianças de 3 a 8 anos, para que, daqui a uma
dezena de anos, não as vejamos transformarem-se em infratores da
lei e fazerem esse enfrentamento.
Obviamente, hoje, temos uma situação concreta: na semana passada,
houve 47 homicídios na Região Metropolitana, motivando este
parlamentar a apresentar requerimento, em que solicita a presença
nesta Casa dos Delegados seccionais da Polícia Civil e dos
Comandantes dos batalhões da Região Metropolitana, para
discutirmos junto com os executores da segurança pública a maneira
de fazer esse enfrentamento e a prevenção desse tipo de crime.
Entendo que a realização de políticas públicas, da forma como V.
Exa. mencionou, não se dá a curtíssimo prazo, mas a médio e longo
prazos de investimento. Acredito que esse é o caminho, não existe
outro. Porém, neste momento, o cidadão clama por uma resposta
imediata.
O cidadão quer uma resposta imediata do Legislativo, do
Executivo, do Judiciário, das polícias, do Ministério Público e do
Governo do Estado. E o Executivo, na ponta da linha, é
representado pelas Polícias Militar e Civil, as quais parabenizo
pelo atuação corajosa nessas duas últimas semanas. São eles nossos
guardiões, aqueles que, enquanto dormimos, durante a madrugada,
patrulham as ruas e fazem nossa segurança. Estão de parabéns,
pois, nesses três últimos episódios, fizeram um enfrentamento
corajoso e tiveram a felicidade de levar a melhor.
Sabemos que o maior bem é a vida e temos de fazer de tudo para
preservá-la, mas temos de lutar, sobretudo, pela vida daqueles que
não estão atentando contra a vida de outros. Se atentam contra a
vida de um policial, estão atentando contra o último obstáculo ali
colocado pelo Estado: o seu braço armado. A resposta foi imediata,
e os policiais civis e militares estão de parabéns por fazerem o
enfrentamento e matarem os marginais, em defesa própria e de
terceiros.
É assim que queremos a Polícia Civil e a Militar do nosso Estado:
não se acovardando nem ficando com medo, mas fazendo o
enfrentamento sem deixar, em momento algum, que o marginal atire
primeiro e tire a vida de algum policial.
Parabenizo-os por sua ação e espero que este pronunciamento tenha
ecos nos bastidores, na ponta da linha, chegando àqueles que
carregam a polícia no dia-a-dia.
*- Sem revisão do orador.