DEPUTADO ROGÉRIO CORREIA (PT)
Discurso
Comenta o projeto de lei que dispõe sobre certidões emitidas por
repartições públicas do Estado. Comenta o papel do servidor público, por
ocasião do envio das propostas do Governador Aécio Neves, intituladas
"choque de gestão", que tratam do "enxugamento" da máquina administrativa
do Estado.
Reunião
26ª reunião EXTRAORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 03/06/2003
Página 36, Coluna 4
Assunto ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. EXECUTIVO. PESSOAL. REFORMA ADMINISTRATIVA.
Aparteante Domingos Sávio, Maria Tereza Lara, Chico Simões, Alencar da Silveira Júnior.
Proposições citadas PL 96 de 2003
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 03/06/2003
Página 36, Coluna 4
Assunto ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. EXECUTIVO. PESSOAL. REFORMA ADMINISTRATIVA.
Aparteante Domingos Sávio, Maria Tereza Lara, Chico Simões, Alencar da Silveira Júnior.
Proposições citadas PL 96 de 2003
26ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA
15ª LEGISLATURA, EM 27/5/2003
Palavras do Deputado Rogério Correia
O Deputado Rogério Correia - Sr. Presidente, solicitei a
discussão do Projeto nº 96/2003, do Deputado Alencar da Silveira
Jr. É uma pena que o Deputado não tenha podido comparecer, mas
esse projeto dispõe sobre certidões emitidas por repartições
públicas do Estado.
De acordo com o texto do projeto, a certidão emitida por
repartição pública do Estado incluirá o nome completo, sem
abreviatura da pessoa física a que se referir, seu número de
inscrição, o Cadastro de Pessoa Física do Ministério da Fazenda e
sua filiação. O não-cumprimento das disposições estabelecidas
nesta lei para fornecimento de certidões fica sob a
responsabilidade do agente público incumbido de fazê-lo. Os órgãos
e entidades da administração pública estadual manterão afixados em
suas dependências, em locais de fácil visibilidade, cartazes com o
inteiro teor da lei, que entra em vigor na data de sua publicação.
Revogam-se as disposições em contrário. O Deputado disporá sobre
certidões emitidas por repartições públicas. Ao trazer o assunto à
discussão, lembra-nos que a certidão deverá ser emitida por
repartição pública do Estado. Também chama a atenção que isso será
feito por agente público; portanto coloca as entidades da
administração pública estadual.
Como ele se refere às funções dos funcionários públicos no seu
projeto e lhes dá uma função a mais, não poderia deixar de iniciar
uma discussão que pretendia fazer à tarde, mas que não foi
possível devido à solicitação do Deputado Ermano Batista para que
se encerrasse a reunião, de plano, por falta de quórum. Portanto,
não pude discutir o que gostaria na parte da tarde, mas temos,
agora, um tempo suficiente para continuar uma polêmica importante
sobre o papel do servidor público.
Esperei, evidentemente, um projeto em que esse tema viesse à
tona. Não foi difícil encontrar, porque, para criar funções para o
servidor público, sempre aparecem projetos. Infelizmente, não se
tem com o servidor público a mesma consideração, quando o Governo
envia um pacote de 16 projetos que não levam em consideração o
debate com o servidor público. Aliás, o Líder do Governo, Deputado
Alberto Pinto Coelho, anunciou que amanhã a base do Governo vai
discutir com o funcionalismo público esse pacote. Quero parabenizá-
los porque, finalmente, vão conversar com os servidores públicos.
Isso depois de enviar para esta Casa um pacote sobre os quais não
houve nenhum diálogo; podemos dizer isso porque o Bloco PT-PC do B
reuniu-se com eles. Ou seja, o tal choque de gestão do Governador
Aécio Neves - aliás, foi apresentado ontem, na televisão, como
algo já aprovado, até mesmo implementado, com resultados
brilhantes, embora nem sequer tenha sido discutido na Assembléia -
não foi nem um pouco discutido com o servidor público. O sindicato
não tinha conhecimento de uma vírgula do que continham os 16
projetos enviados a esta Casa, muitos dos quais dizem respeito
exatamente ao servidor público. Nada! Absolutamente nada! Não se
fez nenhuma discussão com os sindicatos! Foi exatamente por isso
que tomamos a decisão, Sr. Presidente, colegas Deputados, de
convocar uma reunião com todos os sindicatos. Eles estiveram
presentes em reunião com o nosso bloco e deixaram claro, em
primeiro lugar, que não tiveram, com o Governo, nenhuma discussão.
Nada lhes foi perguntado, nada lhes foi esclarecido. Portanto, o
pacote foi elaborado exclusivamente pelo Governo do Estado. Essa
foi a primeira questão.
Gostaria de deixar isso claro, porque, como o Governador também
solicitou da Bancada do Partido dos Trabalhadores que tivéssemos
com ele uma audiência, em que nada se informou sobre o conteúdo do
pacote dos projetos de lei enviado a esta Casa, sempre teremos a
postura de discutir com o Governador os assuntos que forem de
interesse de Minas Gerais. E lá iremos. Então, agradecemos-lhe o
convite. Estivemos lá com toda a disposição de tomar conhecimento
do pacote, mas simplesmente tomamos conhecimento.
Queríamos, portanto, deixar claro que, assim como o funcionalismo
não foi ouvido na elaboração do pacote, também não o fomos. Não
estou cobrando do Governador, pois ele não tem obrigação nenhuma -
somos da Oposição - de discutir conosco o conteúdo dos pacotes
antes de enviá-lo à Assembléia Legislativa. Não se trata dessa
cobrança. O Governador tem toda a liberdade de assim agir, mas que
isso fique claro para o povo de Minas Gerais, para não parecer que
há cumplicidade nossa na elaboração desse pacote. Trata-se de um
pacote de criação exclusiva do Governador.
Creio também que a base do Governo deve ter amplo conhecimento de
cada um dos projetos de lei, porque está muito empenhada na defesa
dos projetos do Governador, inclusive daqueles mais amargos, como,
por exemplo, o Projeto de Lei Complementar nº 26, que estabelece
avaliação de desempenho para fins de exoneração ou perda de cargo.
Um dos projetos enviados pelo Governador define a demissão de
funcionário por insuficiência de desempenho, de modo muito
simples. É bom que se repita que não existirá mais processo
administrativo e, portanto, abrir-se-á a possibilidade de
exoneração e demissão em massa, bastando que o Governo estabeleça
critérios para a avaliação.
De seis em seis meses, três chefes farão avaliação dos seus
servidores. Se, em duas avaliações semestrais seguidas, o seu
desempenho for considerado insuficiente, o servidor é demitido.
Pode recorrer em 15 dias e, no prazo máximo de um mês, um conselho
de superiores, formado pelo próprio Governo, vai decidir se mantém
ou não a sua exoneração. Então, com duas insuficiências o servidor
vai para a rua. Mas o servidor não estará livre se não receber
duas insuficiências seguidas, porque, mesmo assim, poderá ser
demitido se houver três em cinco anos ou quatro em dez anos.
Portanto, semestralmente, o servidor viverá momentos de grande
tensão.
Não estive presente à reunião da Comissão de Administração
Pública, porque não sou membro dela. Aliás, parabenizo o Deputado
Domingos Sávio, Presidente, pela forma democrática com que
conduziu o debate a que assisti pela TV Assembléia. As Deputadas
Jô Moraes, Marília e Maria José Haueisen estavam nos
representando.
Assisti a parte das respostas dadas pelo Secretário e não fiquei
satisfeito. É claro que haverá outra oportunidade de debate. O
Secretário se esforçou muito para explicar, mas não nos convenceu.
De fato é difícil convencer que é correto serviço público
funcionar com avaliações de desempenho realizadas de seis em seis
meses, por exemplo, em escolas públicas.
Dei aulas em escolas da periferia de Belo Horizonte, durante dez
anos, de 1978 a 1988. Os tempos, talvez, fossem de menos
conflitos, menos pobreza; as escolas tinham menos alunos, e a
violência não era tanta na sociedade e nas escolas. Mesmo assim,
já era árduo o trabalho do professor. Agora, evidentemente, será
ainda mais, já que os professores, de seis em seis meses, terão
que se submeter a avaliação de desempenho, o que gera um processo
de tensão em que poderá receber um insuficiente dos seus chefes e
ser mandado embora.
Chamo a atenção do Governador Aécio Neves. Creio que não tem
conhecimento completo desse projeto, que cria um clima de tensão
no interior das escolas. O Deputado Alberto Pinto Coelho tem dito
que é a Oposição quem cria a tensão no serviço público, mas isso
não é verdade. Do fundo da alma, Deputado Alberto Pinto Coelho, o
clima de tensão existente não é fruto da nossa discordância em
relação a esse projeto, mas será agravado se for estabelecida essa
avaliação de desempenho.
Por outro lado, se isso ocorre nas escolas, imaginem o que haverá
nos hospitais. O João XXIII, por exemplo, com todo seu quadro
confuso de falta de pessoal, de seis em seis meses estará se
subordinando a avaliação de desempenho das chefias, porque é disso
que trata o projeto. E, a partir daí, por duas vezes consecutivas,
seus funcionários poderão ser demitidos e essa demissão poderá ser
reiterada por comissão ou conselho formado pelo próprio Governo.
Isso tem criado um clima de muita tensão no serviço público. A
PM, não por esse projeto, mas por outros, encontra-se também nesse
clima de tensão, marcando, inclusive, data de greve.
O Deputado Sargento Rodrigues já cansou de dizer que, na última
greve, que teve um final muito triste e lamentável para todos nós,
o Governo não acreditou no clima de tensão nos quartéis. O
Deputado Sargento Rodrigues e o Cabo Júlio conhecem essa situação
e têm dito que o clima nos quartéis é tão tenso quanto nas
escolas. Isso não é um problema da interpretação que damos ao
projeto de lei. Estamos falando sobre a forma como os projetos
foram colocados. Então, como não há perspectiva de aumento, não há
um plano de carreira estabelecido ainda, a não ser em promessa. Há
compromisso de envio posterior; portanto, não existe, de forma
concreta, o que será esse plano de carreira.
Há uma perda, diz o Governo, para futuros funcionários, em
diversos aspectos em que hoje têm direitos, que pode também levar
o servidor a optar por esse novo sistema desconhecido. Tudo isso
cria um clima de insatisfação generalizada no serviço público. É o
que estamos vivendo.
Estive ontem em Divinópolis, terra onde o Deputado Domingos Sávio
foi Prefeito e conhece muito bem.
Faço parêntese para dizer que eu e o Deputado Domingos Sávio
fomos assistir palestra do Deputado Virgílio Guimarães e
homenagear um grande amigo nosso que foi Vereador de Divinópolis,
Celso Aquino, militante do PT, que faleceu, infelizmente, sem ter
visto a vitória do Lula, de quem foi amigo pessoal. Posteriormente
à homenagem haveria um debate sobre a reforma tributária.
Fui abordado por vários funcionários do IPSEMG, que me enviaram
uma série de abaixo-assinados de servidores da área de educação,
saúde e da Fazenda, pedindo não seja suspenso o IPSEMG-Família,
que é outro problema. O Deputado Domingos Sávio deve acompanhar
essa movimentação em Divinópolis, mas isso acontece pelo Estado
inteiro. Reivindica-se o que estava sendo útil para os servidores.
Também há um corte exacerbado em várias situações no IPSEMG, o
que está criando insatisfação junto ao funcionalismo. Mas além de
reiterarem isso, professores que estavam lá colocaram muita
ansiedade em torno dos projetos de lei que estão aqui, em especial
esse que possibilita a demissão do servidor por insuficiência de
desempenho, verificada por meio de avaliação. Vi isso em
Divinópolis e em Montes Claros, onde estive recentemente. O
Deputado Carlos Pimenta estava lá também e sabe da mobilização,
tanto de professores quanto do pessoal da saúde. Estive outro dia
em Paracatu, no Noroeste do Estado e em todo o interior isso está
acontecendo. A Deputada Maria Tereza Lara falava-me sobre esse
clima em Betim e sabe que em Contagem também essa situação ferve
nas escolas e repartições públicas. No Vale do Aço, certamente o
Deputado Chico Simões sabe como está a situação. Quanto ao
Triângulo, o Weliton já me falou sobre a questão, e o Biel disse
que, mesmo não tendo anteriormente contato tão grande como agora
com os funcionários públicos, o gabinete dele é constantemente
visitado por professores e funcionários públicos de Juiz de Fora e
de outras cidades da Zona da Mata, do Leste mineiro, por causa
dessa questão.
Vi o jornal trazido pelo Deputado Weliton, “O Correio”, de
Uberlândia, que diz: “Ato público. Alunos e professores da escola
Renné Gianetti protestaram contra decisões do Governo Aécio Neves
na Praça Tubal Vilela”.
Essa é a manifestação dos professores. Eles paralisarão as
escolas amanhã. No dia 29, haverá assembléias e manifestações,
como as do Triângulo, e no dia 30, haverá greve, já convocada, com
manifestações em Belo Horizonte. Esse é o clima que se criou com
esse projeto de lei. Estou fazendo esse pronunciamento hoje para
que o Governo, já que discutirá com os servidores amanhã, possa
anunciar que está retirando pelo menos dois projetos de lei: o que
possibilita a demissão e o que quebra a estabilidade em relação à
contratação de funcionários pela CLT. Esses dois desarticulam todo
o serviço público, porque prejudicam a estabilidade. Foi aprovado
como uma possibilidade, na época de Fernando Henrique, mas foi
derrotado e saiu da pauta nacional. Não há discussão de demissão
sobre funcionário por avaliação de desempenho em nenhum lugar do
País. Por que apressarmos essa discussão? O Governo pode dizer que
não tem intenção de demitir, no que acredito. Sei que o Governador
Aécio Neves tem boas intenções, mas a lei permite e não sabemos
como o Governo utilizará no futuro. Não é possível a aprovação de
um projeto como esse. Conclamo a base do Governo para que amanhã,
na reunião com os funcionários, retire esses dois projetos de
pauta, o que possibilitará uma discussão com um nível de tensão
menor. É esse o apelo que fazemos aos Deputados da base do
Governo. Sei que a retirada desses dois projetos facilitará o
nosso debate. É importante discutir a avaliação de desempenho para
progressão do funcionário na carreira. O PT fez isso em diversas
administrações, inclusive em Belo Horizonte. No plano de carreira
avalia-se o servidor para que evolua, com determinado percentual,
com base em seu desempenho. Isso é mais do que lógico e valoriza o
servidor mas, quanto à regulamentação da demissão, que possibilita
a demissão em massa, concordo com o Deputado Antônio Júlio. Parece
mais algo da cátedra do que da realidade do sistema brasileiro.
O Deputado Domingos Sávio (em aparte) - Nobre Deputado, agradeço
a oportunidade de me manifestar a respeito desse assunto, ainda
que esteja havendo a discussão do projeto de lei do Deputado
Alencar da Silveira Jr., que também versa sobre o serviço público.
Antes, porém, como foi mencionado por V. Exa., quero render minhas
homenagens a uma das maiores militâncias de Divinópolis e do
Brasil, nosso querido e saudoso Celso Aquino, de quem tive o
privilégio de ser companheiro na Câmara Municipal de Divinópolis.
Na ocasião, o Vereador que o antecedeu, Enilton Simões, era Vice-
Presidente da Câmara, numa gestão em que fui Presidente. Veja V.
Exa. que a nossa história política nos permitiu o privilégio de
trabalhar com o PT. Acredito que isso precisa ter prosseguimento.
Por esse motivo solicitei o aparte a V. Exa. Ainda ontem, como V.
Exa. lembrou, participamos de um debate com o Deputado Virgílio
Guimarães, que apresentou de forma brilhante a sua posição sobre a
reforma tributária e, por fim, fez uma constatação de que a melhor
reforma é a reforma possível. Em seu entendimento, algo mais
profundo deveria ser feito. Ele reconhece o risco de aumento de
impostos e é preciso que haja muito cuidado com relação a isso,
senão podemos ter um arrocho ainda maior.
O certo é que foi um debate brilhante. Pena que V. Exa., embora
tenha nos dado a honra de sua presença, não pôde ficar até o fim.
A discussão do projeto que trata de modificações na carreira do
servidor público tem de ser feita com seriedade e cautela. Hoje,
minha comissão recebeu o Dr. Antônio Augusto Anastasia numa
reunião que durou mais de 3 horas. Debatemos, ouvimos explicações,
fizemos indagações, críticas e apresentamos sugestões. O Dr.
Antônio Augusto Anastasia prestou esclarecimentos não apenas como
Secretário, mas, sobretudo, como jurista.
O Deputado Rogério Correia tem manifestado sua justa preocupação
com a ansiedade e a insegurança que vêm perturbando o servidor
público. Junto-me a V. Exa., em aparte, não só para dizer que
também essa é minha preocupação, mas também, e principalmente,
para levar tranqüilidade ao funcionário público. Nossa intenção
não é que os servidores se acomodem. Isso não convém a ninguém.
Queremos apenas passar-lhes a certeza de que o assunto está sendo
tratado nesta Casa com a seriedade própria dos homens públicos.
Pairam dúvidas sobre os direitos adquiridos. Ainda hoje, uma
funcionária pública, médica veterinária, colega de profissão que
aqui esteve conversando comigo, manifestou insegurança com relação
à opção que o funcionário público terá de fazer. Se não escolher
as vantagens pelo desempenho de função, perderá os quinqüênios?
Expliquei-lhe que o projeto que tramita na Casa é claro no que se
refere à preservação dos direitos adquiridos na carreira do
servidor. Ninguém é obrigado a fazer opção por uma modalidade que
ainda não conhece. E mais, o servidor terá direito a todos os
quinqüênios que estão por vencer daqui a dois, três, quatro ou dez
anos. Tem-se direito adquirido sobre as conquistas que até mesmo
não ocorreram e que são garantidas pela lei que regulamenta a
carreira do servidor. Isso, no entanto, não exclui a necessidade
de se fazer um plano de carreira detalhado para o servidor
público.
Outra preocupação de V. Exa. tem sido com o risco de a avaliação
de desempenho servir para uma possível demissão em massa, e,
portanto, acarretar a perda da estabilidade, o mais importante dos
direitos adquiridos. Perguntei diretamente ao Secretário Anastasia
se haveria possibilidade de isso acontecer. Respondeu que, caso
fosse essa a intenção, o Governo não regulamentaria o artigo da
Constituição que trata da avaliação de desempenho. Regulamentaria
outro artigo ou parágrafo, que trata da demissão por excesso de
gasto com o pagamento de pessoal da área pública.
Todos conhecem a Lei Camata, que estabelece o limite de 60% para
gasto com pessoal. Não é também novidade que Minas Gerais está
além desse percentual. Os servidores sabem disso. Se o Governo
tivesse intenção de usar o artifício da demissão em massa, teria
apenas de regulamentar essa lei e, aí sim, fazer demissão por
áreas de que entendesse poder prescindir. Isso não existe. O que
se precisa fazer é otimizar o serviço público.
Se o Estado tentasse demitir com base em avaliação de desempenho
para reduzir quadros, perderia na Justiça, por estar usando de
subterfúgio. Para tranqüilizar o servidor e o cidadão, faço uma
consideração, com a qual V. Exa. comunga, de que é preciso haver
qualidade no serviço público, e, portanto, responsabilidade no
desempenho de funções por parte do servidor; haja vista que esta
Casa aprovou emenda à Constituição estabelecendo o princípio de
avaliação de desempenho como pressuposto para a demissão, caso o
servidor público demonstre incapacidade para o desempenho de suas
funções. Se esse princípio é justo, se estamos trabalhando para o
povo mineiro e somos responsáveis, se o serviço deve ser de
qualidade, se o cidadão, que paga ao servidor através dos
impostos, tem o direito a esse serviço de qualidade, teremos que
regulamentar esta situação e estabelecer metodologia para avaliar
a capacidade do desempenho de funções por parte dos servidores. Se
concordamos com isso, estou aberto, individualmente, como
Deputado, porque fui eleito por comunidade e é meu primeiro
compromisso. O povo brasileiro, cada dia mais, quer um Deputado
coerente, decente com os princípios morais e comprometido com a
comunidade que o elegeu. Depois, aceita que seja situação ou
oposição, mas é preciso que primeiramente tenha posição clara para
exercer o mandato. Quero aliar-me a V. Exa. e aos demais
Deputados, para estudar com cuidado os mecanismos necessários para
assegurar, que a avaliação de desempenho se dê com isenção,
transparência e respeito ao trabalhador e ao cidadão que o paga.
Como testemunho pessoal, quando Prefeito, fui obrigado a demitir
um funcionário público da área da educação, em estágio probatório
de dois anos, após um ano, por várias tentativas de
aproveitamento. A comunidade escolar apresentou requerimento à
Secretária de Educação, pois o funcionário, apesar de aprovado em
concurso, não apresentava capacidade para desenvolver atividade de
sua responsabilidade. Como Prefeito, nomeei comissão composta por
servidores de carreira e alguém da área jurídica. Esta comissão
enviou parecer ao Prefeito, sugerindo a demissão do servidor que
não oferecia à população o resultado pelo qual era pago. Na área
da educação, isso é uma tragédia. V. Exa. esteja certo de que
estou propenso a debater, mas devemos oferecer ao Estado as
reformas necessárias.
O Deputado Rogério Correia - Obrigado, Deputado Domingos Sávio.
V. Exa. há de convir que, para o servidor público, é extremamente
difícil aceitar discussão em que o pressuposto é que possa ser
demitido. Como um debate democrático pode evoluir com ameaça de
demissão? O servidor está em posição de rejeitar o debate, que não
é democrático, já que parte do pressuposto de que o servidor
poderá ser demitido pelo chefe. Não há argumento contrário a isso.
Caso tenha duas insuficiências de desempenho, durante dois
semestres seguidos, será demitido. Terá a oportunidade de recorrer
a um conselho do Governo, que poderá reafirmar a demissão desse
servidor. O restante do pacote parte da premissa de que o servidor
não é livre para o debate e para a escolha, pois poderá perder o
seu emprego. Esse é o primeiro erro do Governo. O Governador
remete um projeto e diz ao servidor que está pronto para a
discussão desde que se enquadre na possibilidade da demissão do
servidor. Isso não é correto. Fazemos um apelo ao Governador, para
que retire esse pressuposto. Se deseja discutir com o servidor e
fazer um serviço público melhor, com uma reforma, para que a
população seja melhor atendida, que faça esse debate baseado na
democracia e não na ameaça. O Governo não está agindo
democraticamente com os servidores, mas sim autoritariamente.
A insuficiência de desempenho não poderia gerar excesso de gasto.
Já há uma série de regulamentações na Constituição Federal, que
dificultam o processo. O Prof. Anastasia respondeu, mas não me
convenceu. Encontrou o caminho mais fácil para possibilitar a
demissão do servidor, que é exatamente aquele em que nada havia
sido regulamentado.
É correto discutir a avaliação do desempenho do servidor, para
que evolua na carreira, pois só poderá ser demitido por processo
administrativo caso tenha cometido falta grave. Assim o projeto
deve ser regulamentado, e não no sentido de facilitar a demissão
em massa dos servidores. Isso seria a quebra do princípio da
estabilidade no emprego, que é absolutamente correto.
A Deputada Maria Tereza Lara (em aparte) - Deputado Rogério
Correia, cumprimento-o por trazer a esta Casa novamente esse
debate extremamente importante para o servidor público e para a
categoria da educação. Estive hoje, em Betim, visitando escolas.
Os Diretores, professores e funcionários estão extremamente
ansiosos e indignados com a situação. Os designados estão
preocupados, porque, se a situação dos efetivos é esta, temem por
não terem mais direito garantido.
A questão da avaliação é importante para a progressão e não para
a demissão do servidor. Por outro lado, havendo avaliação, será
preciso que se avaliem também as condições das escolas públicas do
Estado.
Temos problemas muito sérios. Nas escolas de Betim, além de
faltar carteiras, há a violência. No último final de semana,
várias escolas foram invadidas. Como avaliaremos o funcionário
público? Como ex-Diretora de escola, cargo que ocupei por cinco
anos e meio, sei que o profissional é quem veste a camisa e segura
a escola pública. Se nela existe alguma qualidade, devemos isso ao
profissional da educação.
Não é possível exigir avaliação sem que, concomitantemente, haja
investimento na educação, o que não tem acontecido por anos e
anos, deixando as escolas na situação em que se encontram.
Telespectadores da TV Assembléia, sexta-feira, às 15 horas, no
Ginástico, em Belo Horizonte, teremos grande assembléia, depois de
três dias de greve, para avaliar a situação da educação no Estado.
Portanto, é importante a participação de todos. A organização dos
servidores públicos da educação reverterá esse quadro, certamente
com o nosso apoio e sensibilidade.
Não posso deixar de solidarizar-me com a homenagem a Celso
Aquino, fundador do PT e grande companheiro. Em Divinópolis,
muitas vezes, junto com o Vereador do PT, Manoel Cordeiro,
acompanhamos a situação do CEFET e da UEMG. Certamente, a vida e o
testemunho de Celso Aquino são uma força para a caminhada dos
companheiros de Divinópolis.
O Sr. Presidente (Deputado Pastor George) - Deputado Rogério
Correia, a Presidência requer que V. Exa. se atenha à discussão do
Projeto de Lei nº 96/2003, do Deputado Alencar da Silveira Jr.
O Deputado Rogério Correia - O Deputado Alencar da Silveira Jr.
lembrou muito bem que certidões deverão ser emitidas por
repartições públicas do Estado e agentes públicos, como dito
posteriormente, ameaçados de demissão com o projeto enviado pelo
Governador Aécio Neves a esta Casa.
No meu entender, o servidor emitirá essa certidão em condições de
muita tensão. Não sei se o servidor atuará bem em um quadro de
tensão, com um pacote, remetido à Assembléia, na cabeça, ou seja,
verdadeiro saco de maldades. Aliás, não sabemos se possibilitará
ao servidor cumprir as ações que o projeto de lei determina. A
tendência do partido é votar favoravelmente ao projeto de V. Exa.
Mas precisamos esclarecer em que condições o servidor público
poderá agir. Concedo aparte ao Deputado Chico Simões.
O Deputado Chico Simões (em aparte)* - Obrigado. Primeiramente,
parabenizo o autor desse projeto. Enganam-se V. Exas. que dizem
que não devemos discuti-lo para o futuro do Estado. Ele é
maravilhoso, poderá ser aprovado, mas não será cumprido porque não
haverá servidor para fazê-lo. Então, por que não discutir?
Logicamente devemos debater, pois o projeto enviado pelo
Governador à Casa é simplesmente para aniquilar o serviço público,
acabar com a estabilidade do funcionário, utilizar a avaliação de
desempenho para a permanência no serviço público.
É duro ver como esse servidor será avaliado, e vem aqui o
Domingos Sávio dizer que não há intenção de exonerações nem
demissões. É lógico que sim! Para isso já temos mecanismos
corretos e legais: se o funcionário não está atuando bem, é
perfeitamente possível que se abra um processo contra ele. Há
amparo legal para isso. E as próprias leis federais já determinam,
quando há gasto em excesso, o mecanismo para a demissão: primeiro,
os funcionários não estáveis; segundo, 20% dos cargos
comissionados. Então, já temos o mecanismo.
Na verdade, Deputado Alencar, temos de discutir o futuro do seu
projeto, porque não adianta que seja aprovado e não haja
funcionário para executá-lo. E é exatamente o que estamos
percebendo aqui: o que o Governo do PSDB quer fazer com o Estado é
o que o Presidente, do PSDB, fez com as estatais. E acho que essa
responsabilidade é muito grande. Não podemos abrir mão da
prerrogativa de fazer com que este Poder venha, de maneira bem-
fundamentada, acabar com a injustiça desse projeto. A meu ver,
esses dois artigos nos proíbem até mesmo de discutir esse projeto.
Espero que, amanhã, a liderança do Governo que vai conversar com o
funcionalismo discuta de maneira sensata, sem tentar empurrar o
projeto goela abaixo dos mais fracos, talvez até com ameaça, até
porque esse projeto tem mesmo cara de ameaça. Ora, ao fazermos com
que o servidor seja avaliado por seu chefe imediato, estaremos
criando o instituto da bajulação. A pessoa vai ter de bajular para
ser promovida. E, quem bajula muito, não trabalha. O Estado vai
parar! Reparem bem que, com raras e honrosas exceções, os
funcionários que ascendem rapidamente na carreira são os que mais
bajulam e menos trabalham, enquanto os que estão lá carregando
piano, coitados, muitas vezes ficam mofando.
Então, temos de estar juntos, Deputados Rogério Correia e
Alencar, com toda a base e com todos os Deputados, discutindo esse
pequeno pacote, que realmente está causando um transtorno muito
grande para os servidores. Na verdade, quando se promove o
sucateamento do serviço público, quando não se dá condição de
trabalho para o funcionário público, quem perde é a sociedade. V.
Exa. reclama da situação da segurança, da saúde e da educação, e
ainda vamos desmotivar os funcionários? Já se faz um corte no
custeio, e agora se aniquilam os funcionários. O que será desse
povo, que precisa dessas políticas públicas, que são fundamentais?
Acredito que temos de discutir e votar o projeto do Deputado
Alencar, mas não podemos abrir mão de exigir do Governo que nos dê
condição para praticá-lo. O que adianta votar, e não praticar? É
isso o que temos de discutir aqui, de maneira séria e sensata; do
contrário, estaremos fazendo leis que não serão cumpridas. Aí, cai
no descrédito o Poder Legislativo, que temos de defender. Não
podemos continuar sendo tratados pela sociedade com o desrespeito
com que hoje somos tratados. A essência da democracia está em um
Poder Legislativo forte, atuante e respeitado.
Não sou contra a avaliação de desempenho. Acho que o servidor tem
de ser avaliado de maneira democrática, como fizemos quando fui
Prefeito, com uma comissão previamente estabelecida, que não era
só de chefes - dela também participavam representantes do
sindicato. E gostaria que não fossem avaliados apenas os
funcionários. E estou, até mesmo, não propondo uma emenda - até
porque não irei apresentar emenda a esse pacote; aliás, se esse
pacote for discutido aqui, acho que os Deputados de bem não devem
nem apresentar-lhe emendas, para não serem coniventes com tamanha
maldade -, mas sim elaborando um projeto de lei em que também se
cria uma avaliação de desempenho: avaliação de desempenho do
Governo, com as entidades - OAB, Judiciário, sindicatos -
avaliando-o de seis em seis meses. Ora, os cargos comissionados,
os Secretários e o próprio Governador, funcionário público número
um, não são avaliados. Por que só os pobres coitados dos
concursados, que já estão lambendo uma embira danada? Então, estou
criando esse projeto, que devo protocolar amanhã, e espero que o
PSDB, com a mesma veemência com que defende a avaliação dos
funcionários, defenda também a avaliação da máquina por um
colegiado de pessoas notáveis, pessoas do Governo, da sociedade
organizada, dos sindicatos, de religiosos, para que possamos
constatar se a política que essa máquina está implementando, com
funcionários pagos por nós, está realmente atendendo às
necessidades do povo. Aí, a discussão vai ser interessante.
Não dá mais para destruir os pequenos e bajular os maiores.
Companheiro Alencar, seu projeto procede, mas precisamos somar,
criando condições para que seja praticável. Caso contrário,
passará pelo ridículo de fazer uma lei que não será cumprida, o
que é ruim para um Deputado do seu naipe, de sua atuação. Estou
solidário, votarei a favor, mas devemos, juntos, fazer com que a
máquina do Governo dê condições para que tenhamos funcionários
prestando serviços ao contribuinte. Parabenizo o Deputado Alencar
da Silveira Jr. e agradeço o aparte ao Deputado Rogério Correia.
O Deputado Rogério Correia - Obrigado, Deputado Chico Simões.
Deputado Alencar da Silveira Jr., foi elaborado o Substitutivo nº
1, da Comissão de Constituição e Justiça, ao projeto de V. Exa..
Sua recomendação é para a aprovação do projeto ou do substitutivo?
Concedo aparte ao Deputado Alencar da Silveira Jr.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Deputado Rogério
Correia, telespectadores da TV Assembléia, Sr. Presidente, faço um
apelo, mais uma vez, ao Deputado para que se atenha ao tema.
Quando V. Exa. fala em substitutivo, estamos aqui, exatamente,
para discuti-lo. O que ocorre nesta Casa? Uma lavagem cerebral no
telespectador da TV Assembléia e no funcionalismo público. Falam
que vem um pacotão, que já virou pacotinho, que vai acabar com o
funcionalismo público, demitir, e não é nada disso. A Oposição
deve lembrar que, em Brasília, muito pior está sendo feito. Quero
ver V. Exa. subir para discutir os projetos e falar sobre as
diretrizes que serão enviadas pelo Presidente Lula, pois teremos
que seguir a lei federal. Quando V. Exa., Presidente, permite
qualquer discussão, vemos que só se fala do projeto do Governador,
e não do meu projeto que está em pauta.
O Deputado Chico Simões lembrou que o funcionário público emitirá
a certidão, mas nos projetos que não têm a menor relação, o
Deputado Rogério Correia faz a mesma coisa. Entretanto, as coisas
estão melhorando. Antigamente, tudo que fosse relativo ao
funcionário público era tratado pela Bancada do PT. Agora, mudou.
Amanhã, o Líder do Governo terá a primeira conversa para saber das
insatisfações do funcionário e o que pode ser adequado. O próprio
Governador já tomou essa posição, quando se reuniu com a minha
Bancada e com todos os 77 Deputados desta Casa. Não se trata de um
trator de esteira.
V. Exa., Deputado Rogério Correia, foi chamado pela primeira vez,
em sua vida parlamentar, para discutir com um Governador e um
Prefeito, que não são da sua bancada.
E o que ocorre hoje? De tanto o PT dizer que o funcionário
público vai ser avaliado pelo seu chefe imediato, que haverá
aqueles famosos puxa-sacos, ele vai ficar desvalorizado. Desde
pequeno, a população mineira sabe disso. Quando chegavam a
qualquer firma, se viam um paletó, diziam: “Olhem, está parecendo
funcionário público. Deixa o paletó na cadeira e sai. Quando der 5
horas da tarde, todo o mundo vai embora”. Desde pequeno, ouvimos
falar isso. Esse projeto veio para valorizar o funcionário
público. As discordâncias da categoria serão discutidas. E dizem
que quem conseguiu isso foi a Bancada do PT. Toda melhoria poderá
ser discutida com o próprio Governador. Espaço para isso já deu.
V. Exa. faz sua parte como Deputado da Oposição, como defensor do
funcionalismo público. Sou testemunha disso. Desde que foi
Vereador, há 16 anos, tem defendido o funcionário público. V. Exa.
tem seu mérito, mas devemos parar com faz-de-conta, para a
população entender que o Governador só quer massacrar, acabar com
o Estado. Não quer nada disso. O Governador quer o Estado para
governar. Se não der conta de fazer isso agora, no futuro dará um
Estado melhor para suas filhas, para os filhos de V. Exa., de
todos os Deputados, da população mineira, para a Júlia. Vamos ter,
sim, um Estado melhor, pois este está inviável, pagando a folha do
jeito que está. O Deputado Chico Simões fez uma reforma quando foi
Prefeito. Ficou satisfeito? Recebeu críticas, mas hoje diz que
conseguiu muita coisa. O próprio Chico Ferramenta, sua esposa está
aqui e pode corroborar minhas palavras, foi criticado, mas hoje
tem uma folha de 50%, anteriormente era de 75%. Por quê? Porque
foram feitas mudanças. Precisamos de plano de cargos e carreira.
Vamos tê-los. Vamos discuti-los, ver até onde podemos chegar. O
Governador está lá para fazer o melhor. Temos um Governador que
quer o melhor. Quem pagará o preço por tudo que não der certo
nesse projeto será o Governador, que tem um futuro político,
diretrizes, um passado, que está fazendo o presente e vai melhorar
o futuro deste Estado e do País. Quando digo “tomara”, estou
torcendo por isso, porque ainda estou acreditando nos homens.
Estou presente na vida pública porque ainda acredito nos homens
públicos, ainda acredito que vamos melhorar este Estado,
transformá-lo nos moldes de São Paulo, com uma educação e uma
saúde perfeita. Ninguém consegue mudar nada de uma hora para
outra. Não adianta parar a Casa. Vamos levar as propostas,
conversar com o Governador. Não adianta ficar jogando para a
platéia, Deputado Rogério Correia. E se amanhã der certo, se o
funcionalismo público ficar satisfeito? V. Exa. ficará como? Será
que o Lula vai fazer tudo? E as críticas? V. Exa. vai aceitá-las?
O Deputado Rogério Correia - Sr. Presidente, solicito a V. Exa.
que me garanta a palavra, para que possa concluir.
O Sr. Presidente - Está com a palavra o Deputado Rogério Correia.
O Deputado Rogério Correia - Sr. Presidente, solicito que me
conceda um tempo a mais, porque o Deputado Alencar da Silveira Jr.
está me impedindo de concluir.
Esclareço que a preocupação de V. Exa. é a de todos. É exatamente
por isso que estamos fazendo uma discussão em torno do projeto.
Apresentei uma série de opiniões a respeito do projeto e do seu
conteúdo, porque acho que temos de discutir o conteúdo do que nos
foi enviado. A abordagem que fiz foi exatamente em torno disso.
Sugeri à Bancada do Governo que apresentasse ao Governador nossa
preocupação em retirar dois projetos de lei, a fim de que seja
amenizado o clima de conflito com o funcionalismo público e a
discussão possa ser feita. Refiro-me ao projeto que quebra a
estabilidade e possibilita a demissão em massa e ao que quebra a
estabilidade a partir da implantação do regime celetista, por
concurso, por tempo indeterminado. Como esses dois projetos
quebram a estabilidade do servidor público, não podem ser
colocados em processo de discussão dos demais pontos apresentados
pelo Governador, de choque de gestão.
Não é verdade que o Governador fará uma discussão democrática
nesses pontos, e não o faz exatamente no momento em que propõe ao
servidor público a quebra daquele que é o principal direito
adquirido. Portanto, não é verdade que o servidor tem todo o
direito preservado. O emprego, principal direito, está sendo
suprimido para todo servidor, inclusive para o atual. Quando se
faz isso, é evidente que não há uma discussão democrática.
Então, o que espero para amanhã - e V. Exa. já anunciou mais uma
vez a reunião da base do Governo com o funcionalismo público - é
que a base do Governo conserte esse erro e diga ao servidor que
estarão retirando os dois projetos que impedem a evolução
democrática do debate. Feito isso, é evidente que a discussão se
dará de maneira mais democrática.
Deputado Alencar, escutei o aparte de V. Exa., mas a partir do
momento em que, ao invés de apartear, quis impedir a continuação
do meu discurso, precisava responder a V. Exa., que, aliás, parece
não ter feito questão de escutar.
Muito obrigado, Sr. Presidente.