DEPUTADO LUIZ TADEU LEITE (PMDB)
Discurso
Comenta a condição precária de conservação da rodovia BR-135. Comenta a
homenagem que a Assembléia Legislativa prestará ao Padre Jesuíta
Henrique Claúdio Lima Vaz por ocasião do transcurso de seu 80º
aniversário. Comenta a audiência pública da Comissão de Saúde sobre a
aplicação dos recursos da área de Saúde, com as presenças dos Secretários
de Estado da Saúde e do planejamento e Coordenação Geral.
Reunião
302ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 13/11/2001
Página 26, Coluna 1
Assunto TRANSPORTE. HOMENAGEM. SAÚDE PÚBLICA.
Legislatura 14ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 13/11/2001
Página 26, Coluna 1
Assunto TRANSPORTE. HOMENAGEM. SAÚDE PÚBLICA.
302ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 6/11/2001
Palavras do Deputado Deputado Luiz Tadeu Leite
O Deputado Luiz Tadeu Leite - Sr. Presidente e Srs. Deputados,
ouvi com atenção o pronunciamento do Deputado Carlos Pimenta
quando abordou a situação da BR-135. O Deputado Doutor Viana
também destacou a situação caótica em que se encontra essa
rodovia. Serei obrigado a iniciar o meu pronunciamento com esse
assunto porque, nesse final de semana, dirigindo na estrada que
liga Montes Claros a Belo Horizonte, pude sentir o efeito drástico
e danoso dos buracos e da situação precária dessa rodovia.
Reconheço que, infelizmente, o Governo Federal continua de
marcação com Minas Gerais, a ponto de deixar as estradas mineiras
em situação lastimável. Bem lembrou o Deputado Doutor Viana, que,
no ano passado, estivemos com o Ministro dos Transportes Eliseu
Padilha, do PMDB, denunciando a situação grave das estradas
mineiras, em especial da BR-135. Recebemos dessa autoridade a
garantia de que a reforma da rodovia não havia sido feita por
questão orçamentária, mas que, tão logo virasse o ano e fosse
adotado o orçamento de 2001, essa obra seria realizada. E
acreditamos e confiamos. De lá para cá, nada mais além de um
pequeno mel-de-coruja, como se diz popularmente, feito pelo DER do
Estado. E a verba do Governo Federal para recapeamento da BR-135
não foi concretizada. Um ano depois, quando volta o período
chuvoso, bastam as primeiras chuvas para os buracos voltarem,
porque o tapa-buracos foi apenas paliativo. Hoje, viajar pela BR-
135 voltou a ser risco de vida muito alto. E novamente aqui
estamos, diante do mesmo problema - aliás, agravado do ano passado
para cá - e lamentando que as estradas mineiras continuem em
situação deplorável, por irresponsabilidade, por picardia do
Governo Federal.
O Sr. Fernando Henrique Cardoso vai ao Chile e fala em espanhol,
vai à França e fala em francês - num bonito discurso no parlamento
francês -, vai aos Estados Unidos e fala um perfeito inglês. Falta
ao Sr. Presidente da República a capacidade simples de falar em
português claro e mandar que se resolvam os graves problemas que
Minas Gerais enfrenta, por culpa da discriminação odiosa que
parece ter o Governo Federal contra o nosso Estado e o Governador
Itamar Franco.
Não adianta mais ir ao Ministro nem fazer peregrinações a
Brasília, porque este Governo não tem jeito. Está vendo os seus
dias chegarem ao fim, transformando numa odiosa disputa política
toda a questão brasileira. Estão preocupados com a candidatura de
Itamar Franco à Presidência da República, por isso criam hipóteses
de candidaturas, emolduram candidaturas muito simpáticas para
tentarem, a qualquer custo, evitar que o povo brasileiro dê um
basta a esse desmando capitaneado pelo Governo Federal.
Mas, falando em rodovias, parece que a situação de penúria das
estradas mineiras é geral. Ainda agora recebo dos Vereadores das
cidades de Almenara, Rubim, Rio do Prado e Palmópolis um grave
depoimento de um movimento que estão querendo fazer para reforma
da estrada - ainda não asfaltada - que liga Almenara a Rubim,
Palmópolis e Rio do Prado, já intransitável, tendo em vista as
recentes chuvas que caíram sobre a região.
O vale do Jequitinhonha, que precisa de tanto apoio! Primeiro, é
a pobreza, é o que chamam de miséria, é o sofrimento de um povo, é
a ausência dos Governos, é a omissão das autoridades. E agora,
quando chega a chuva que seria para amenizar o sofrimento da
população do Jequitinhonha, se, de um lado, de fato, ela ameniza,
melhora as plantações e as pastagens, de outro, bastam as
primeiras chuvas para se tornarem intransitáveis as estradas sem
asfalto daquela região. Três são as estradas mais importantes: a
rodovia Almenara-Pedra Azul - cerca de 90km ainda em estrada de
terra -; um outro trecho de uma rodovia federal, que seria de
Almenara, passando por Jacinto, indo até Salto da Divisa. Até
Jacinto, o asfalto foi feito, mas a obra está paralisada, faltando
ser concluído o trecho entre Jacinto e Salto da Divisa. E a outra
rodovia, com estrada de terra em péssimas condições, é a que liga
Almenara, Rubim, Palmópolis e Rio do Prado. Esse é o trecho pelo
qual os Vereadores estão se mobilizando para vir a Belo Horizonte,
atrás do DER e do Governo do Estado, na pessoa do nosso Vice-
Governador, Newton Cardoso, em quem tanto confiam, acreditando que
possa dar um socorro, simplesmente porque não há condições de se
trafegar nessas estradas.
Faço um apelo ao DER. É preciso que ele faça um conserto de
urgência nessa rodovia, porque as lideranças políticas, os
Prefeitos, os Vereadores daquela região estão em pé de guerra, não
conseguem permanecer na situação em que estão.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, aproveito a oportunidade para
falar de duas audiências públicas que acontecerão nesta Casa em
breve. No próximo dia 8, faremos uma homenagem, aprovada pelo
Plenário desta Casa, ao jesuíta Pe. Vaz, que completa 80 anos. Ele
é um dos jesuítas mais respeitados da Igreja Católica no Brasil,
tendo uma lista de obras nas áreas da teologia, da filosofia, da
sociologia. Portanto, tem condições de receber essa homenagem, que
irá acontecer depois de amanhã, às 14 horas. Convido todas as
lideranças católicas da Arquidiocese de Belo Horizonte e do
interior do Estado para prestarmos essa homenagem ao eminente Pe.
Vaz, jesuíta com amplos serviços prestados à Igreja Católica de
Minas e ao Brasil. Na semana passada, estando com o Cardeal
Arcebispo D. Serafim Fernandes de Araújo, renovei-lhe o convite
para que comparecesse a essa solenidade. E ele, de muito bom
grado, dispôs-se a comparecer, para que juntos pudéssemos aplaudir
e homenagear esse grande cidadão, esse grande jesuíta, que tanta
obra intelectual trouxe para Minas e para o Brasil. Hoje, é um dos
homens mais respeitados no Brasil, principalmente na área da
teologia.
E, no dia 10/12/2001, teremos oportunidade de abordar uma questão
que nos comove. A partir de um requerimento de nossa autoria,
teremos a oportunidade de debater a questão de uma deficiência que
nem sempre é vista em todos os recantos do nosso Estado. Estou-me
referindo aos surdos, que representam mais de 1% da população
brasileira. Às vezes, como não têm, aparentemente, nenhuma
deficiência física, convivem entre nós, mas são vítimas de
preconceitos, de humilhações, não têm oportunidade de acesso a
empregos públicos. Muitas vezes, são deixados para trás na
competição do mercado de trabalho, porque são deficientes
auditivos. Vamos ouvir três autoridades do Rio, São Paulo e Rio
Grande do Sul, que irão debater conosco a questão da surdez no
Brasil. Vamos tentar encontrar opções para melhorar as condições
de vida desses deficientes, para achar uma forma de convivência
harmoniosa, respeitosa para com eles. Porque não têm sua
deficiência tão à vista, acabam sendo discriminados duplamente. De
um lado, são discriminados porque os que sabem dessa deficiência
sempre os deixam de fora, aquém do que deveriam ter. E os que não
sabem acabam discriminando-os muito mais. Vamos estudar uma
legislação para Minas Gerais, para os surdos. Vamos encontrar uma
forma de apoiar as associações ligadas ao movimento de apoio aos
surdos. E vamos buscar a apresentação de projetos de lei nesta
Casa, para que possamos resgatar a dignidade desse segmento, que
tem sido tão colocado à margem da sociedade.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, a Comissão de Saúde desta Casa
teve uma audiência muito importante, com a presença do Sr.
Secretário da Saúde, Gen. Carlos Patrício, e do Secretário do
Planejamento, Dr. Frederico Penido. O assunto foi o financiamento
da saúde pública em nosso Estado. Basicamente, os Deputados
reivindicaram a ampliação das verbas destinadas à saúde pública,
chegando-se pelo menos ao limite constitucional obrigatório, que é
dever do Estado cumprir, ou seja, pouco mais de 8%, porque nem a
isso o Estado chegou nos seus gastos anuais com a saúde.
Em um certo momento - e eu era Prefeito de Montes Claros -, o
Estado resolveu municipalizar a saúde, entregando os funcionários
dessa área para os municípios, como se fossem uma batata quente,
um trambolho, um problema a menos. Assim, ficaram nas mãos dos
Prefeitos os funcionários da Secretaria da Saúde. Como Prefeito de
Montes Claros, na época, complementamos o salário daqueles
funcionários estaduais - que, em virtude da municipalização,
passaram a trabalhar lado a lado com os funcionários do município
-, porque havia níveis salariais diferentes. Assim, pagamos o
complemento para equiparar os salários. Não se admite que médicos
- uns da Prefeitura e outros do Estado -, apesar de trabalharem
juntos, tenham salários diferentes. Naquele momento, entregaram
aqueles funcionários aos municípios. Parece-me que houve um
descuido para com esses profissionais, de lá para cá.
Estamos vivendo uma situação inexplicável. Esse foi o teor do meu
pronunciamento de hoje na Comissão de Saúde, ao dirigir-me aos
Secretários da Saúde e do Planejamento. O Estado melhorou os
salários dos funcionários da área da educação, o que era uma
questão de honra do Governador Itamar Franco. Por exemplo, uma
serviçal ganha pouco mais de R$400,00, trabalhando meio
expediente. Está bom. Ficamos satisfeitos com isso, é um preito de
gratidão que faz o Governador, quando assim paga. Mas como
imaginar que funcionários que fazem os mesmos serviços ou serviços
assemelhados ganhem um salário que é menos da metade do de outro
funcionário que trabalha em outra secretaria? Como pode o mesmo
Governador pagar para funcionários de empresas públicas, como a
CEMIG e a COPASA, salários que são três ou quatro vezes maiores
que os percebidos por outros funcionários, filhos do mesmo
Governo, que trabalham na Secretaria da Saúde?
A solução é o encaminhamento a esta Casa do plano de cargos e
salários dessa Secretaria. Diversas secretarias têm o seu plano de
cargos e salários, mas o da Secretaria da Saúde ainda não chegou a
esta Assembléia. Não teremos saúde de qualidade em Minas Gerais
enquanto não pagarmos condignamente os funcionários, pelo menos
equiparando os seus salários aos dos funcionários de outras
secretarias.
É uma imposição do atual momento convencermos o Governo. Faço um
apelo à sensibilidade do Governador Itamar Franco: estamos
esperando o envio a esta Casa do plano de cargos e salários da
Secretaria da Saúde, porque temos a certeza de que ele resgatará o
respeito e a dignidade dos funcionários que trabalham em todos os
recantos de Minas Gerais. Muito obrigado.