DEPUTADO LUCAS LASMAR (REDE)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 26/03/2026
Página 98, Coluna 1
Indexação
Proposições citadas PL 5371 de 2026
11ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 24/3/2026
Palavras do deputado Lucas Lasmar
O deputado Lucas Lasmar – Boa tarde a todos. Quero cumprimentar a nossa presidenta Leninha. É uma honra tê-la presidindo esta reunião, neste momento tão importante, em um projeto tão importante para todos os servidores do Estado. Quero ser breve na minha fala. Deixo registrado que, às vezes, é até um pouco curioso ver a movimentação do ex-vice-governador do nosso estado, que foi ao Hospital João XXIII fazer uma visita, conhecer os problemas. Trata-se de problemas que estamos levantando desde 2023, quando assumimos o nosso mandato. Mandamos requerimentos à Secretaria de Estado de Saúde sobre os problemas óbvios que havia e que ainda há no João XXIII, no Hospital Júlia Kubitschek, na Odete Valadares e também, infelizmente, no hospital que foi fechado, o Maria Amélia Lins.
Temos que nos lembrar de uns dados importantes. Parece que essa ida não foi planejada. Se houvesse planejamento, ele não passaria vergonha com os servidores públicos locais e, principalmente, com o diretor que administra o Hospital João XXIII. Perguntou: “E aí, como a gente faz para resolver esses problemas?”. Falta estrutura – estrutura física – para os profissionais trabalharem em um local melhor e mais seguro e para os pacientes serem mais bem atendidos. Ele viu paciente no corredor do João XXIII e se assustou. Olhem só! Parece que ele nunca seguiu a Itatiaia, O Tempo, durante o seu governo, quando esteve à frente junto com o ex-governador Romeu Zema. Agora fala que quer conversar com os servidores públicos. Parabéns. É disso que nós precisamos. Precisamos de que eles sejam ouvidos. Esse governo, infelizmente, não os valoriza, não reajusta anualmente os salários desses servidores – refiro-me ao aumento inflacionário, não ao aumento salarial –, e pior: explora os profissionais de saúde do Ipsemg e da Fhemig. São 18 mil profissionais explorados. Sem essa valorização, eles ainda inventaram o aumento de um plantão por mês para os plantonistas de 30 horas, sem aumento salarial e sem nenhum tipo de recomposição. Para os plantonistas de 40 horas: “Olhem, não vou aumentar o plantão, mas vou reduzir a sua jornada de descanso por ano”.
Pessoal, é inadmissível o que estamos vendo. Se chove muito, o João XXIII vira uma lagoa. Se faz muito calor, o ar-condicionado estraga e é preciso tirar pacientes do CTI e realocá-los. Quando a gente pede que o servidor seja valorizado, eles mudam a resolução e falam que é preciso aumentar o plantão e diminuir o horário de descanso desses profissionais. Que governo é esse que não valoriza e, além disso, explora os profissionais de saúde que cuidam dos principais hospitais do Estado de Minas Gerais? O João XXIII é o maior hospital ortopédico do Estado de Minas Gerais. O vice do Zema perguntou: “Como faço para resolver o problema da saúde pública nesses hospitais?”. A fala do diretor foi tão natural, que ele olhou para o ex-vice-governador e falou: “Dinheiro”. Foi dado o prazo de 10 dias para serem apresentados os planos de ação para resolver os problemas estruturais do João XXIII. Pessoal, isso é brincar com a saúde pública do Estado de Minas Gerais. Fecharam o Hospital Maria Amélia Lins, retaguarda do João XXIII – 70 leitos foram fechados, bloco cirúrgico foi fechado.
E, aí, vem a burrice da Secretaria de Estado de Saúde e da direção da Fhemig: colocar cirurgia eletiva dentro do João XXIII. Pessoal, todos os deputados e deputadas aqui presentes recebem, em seus gabinetes, demandas de transferências hospitalares. Pessoas que tiveram traumas, fraturas graves, de alta complexidade, têm que sair do Noroeste do Estado, do Centro-Oeste, do Sul, de todas as regiões, em busca de vaga no João XIII. E a regulação recebe a seguinte informação: “Nós não temos leitos, e estamos realizando aqui cirurgia eletiva”. Eu gostaria de convidar o novo postulante do Estado a buscar agora a relação de pessoas que saíram sequeladas do João XXIII por não terem recebido cirurgia eletiva no Hospital Maria Amélia Lins e, devido às urgências, por não terem conseguido fazê-la dentro no João XXIII. Então, há um misto de confusão: uma hora fazem eletiva, uma hora não fazem. É tudo que convém. E quem paga o pato? Os profissionais de saúde e a população.
O meu pedido aqui eu já o fiz ao deputado João Magalhães, ao governo do Estado: peço para que, assim que aprovarmos o projeto do reajuste – que é pouco, mas já é um reajuste… Nós vamos votar favoravelmente a ele. Nós estamos com um outro projeto para colocar, no outro projeto do governo, a padronização dos plantões dos profissionais de saúde do Ipsemg e da Fhemig. O que nós queremos é isonomia. Os plantonistas da área da saúde da força de segurança fazem 10 plantões por mês – os de 30 horas. Por que com os da Fhemig e os do Ipsemg é diferente? Vou dar outro exemplo: os profissionais de saúde plantonistas do Hemominas fazem 10 plantões. Pessoal, para que essa perseguição? Se a justificativa para não se dar reajuste anual aos servidores é a questão financeira, há aqueles que entendem. Agora, como se explica essa perseguição com aumento de plantão sem aumento remuneratório, não se dando, além disso, reajuste e sequer uma estrutura física adequada para trabalhar, para salvar vidas? É isso que está acontecendo. E está todo mundo fechando os olhos.
E aí falam: “Nós não queremos atender porque gera despesa”. A nossa emenda para padronizar os plantões não gera despesa, gera isonomia. É simples e clara essa matemática. Nós não queremos, nessa emenda, o aumento salarial. A gente só quer a exclusão desse décimo primeiro plantão e o retorno das 48 horas de descanso que foram retiradas dos plantonistas de 40 horas. Simples assim. Agora, eu quero ver se o vice do Zema vai cumprir a palavra com o sindicato – ele foi lá na porta dos hospitais e prometeu. E nós temos que aproveitar ano de eleição mesmo e aceitar. Tomara que ele faça isso, cumpra a sua palavra e resolva os problemas dos profissionais de saúde. E assim nós vamos bater palmas. Eu bato palmas. Os profissionais estão cansados. Eles estão cansados. Não bastasse a não valorização, veio a perseguição.
Ficam aqui registrados a minha opinião e o meu pedido humanitário para que acatem a nossa emenda, para que regulamentemos o plantão, os horários de descanso, o horário de almoço. Alguns profissionais de saúde são tão sobrecarregados, por falta de profissionais dentro dos hospitais, que nem sequer conseguem fazer horário de almoço. Eles almoçam em 15 ou 20 minutos e voltam para trabalhar. E quando, às vezes, levantam a voz para falar que isso é injusto, eles são perseguidos e realocados em outro local de trabalho. E a gente escuta do próprio governo que o profissional que é bom de serviço é valorizado, que a meritocracia deve ser seguida. Que meritocracia é essa? Esse é um governo de perseguição. Então volto a dizer: vamos valorizar os profissionais de saúde não só na pandemia, mas também agora, pois eles fazem um grande trabalho. Obrigado a todos.