DEPUTADO LAUDELINO AUGUSTO (PT)
Discurso
Comenta a indicação do Governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, para
ser canditado à Presidência da República, pelo Partido da Social
Democracia Brasileira - PSDB. Comenta a importância das águas minerais
para a economia da região Sul do Estado.
Reunião
11ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 25/03/2006
Página 52, Coluna 2
Assunto INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. RECURSOS HÍDRICOS. ELEIÇÕES.
Aparteante ROGÉRIO CORREIA, WELITON PRADO.
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 25/03/2006
Página 52, Coluna 2
Assunto INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. RECURSOS HÍDRICOS. ELEIÇÕES.
Aparteante ROGÉRIO CORREIA, WELITON PRADO.
11ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 15/3/2006
Palavras do Deputado Laudelino Augusto
O Deputado Laudelino Augusto* - Mineiros, mineiras, Deputadas,
Deputados, público presente nas galerias e telespectadores da TV
Assembléia. Não vim falar de medo, como fizeram os dois que me
antedeceram. Até porque, neste momento, o medo real dos
brasileiros é o da volta do governo neoliberal. Meu tema são as
águas minerais. Antes, porém, farei alguns comentários para que
alguns itens não fiquem sem respostas.
Hoje, durante a exibição do “Bom Dia Brasil”, fiquei surpreso.
Comentava-se que, com a escolha do Governador Alckmin, a campanha
para as eleições presidenciais terá um bom nível de discussão,
dada a sua maneira de ser. Fizeram, ainda, um paralelo entre 2002
e 2006. Gostei muito. Em 2002, o risco-Brasil era de 2.800 pontos,
agora é pouco mais de 200; o dólar estava em R$4,00, agora em
R$2,11; os juros, tão criticados, a taxa Selic estava em 26%,
agora está em 15% e vai cair mais; e o movimento da bolsa de
valores quintuplicou.
Uma pesquisa nacional por amostra domiciliar mostrou que, em dois
anos, houve uma queda de 8% na linha de pobreza, ou seja, há 8% a
menos de famílias abaixo da linha de pobreza. O Programa Nacional
de Apoio e Fortalecimento da Agricultura Familiar - Pronaf -
quintuplicou sua verba. Há distribuição de renda no País. É
interessante ver que as condições objetivas em 2002 eram bem
diferentes, bem mais difíceis. Claro, era o término de oito anos
de um governo neoliberal.
Alguns políticos falaram que o PT desejará fazer um paralelo
entre os oito anos do governo Fernando Henrique e os quatro anos
de Lula e José Alencar. Em 100 itens básicos, a vida dos
brasileiros está melhor. Outros políticos diziam que, com Alckmin,
eles tentarão polarizar os quatro anos do governo de São Paulo com
os quatro do Brasil.
Fiquei refletindo como se pode comparar um país com um Estado,
principalmente São Paulo, que é a locomotiva, ou Minas Gerais. Se
o País vai bem, com a política séria dando certo, se o governo
federal está dando certo, é sério e comprometido com o social e o
desenvolvimento, se há Estados com potencial maior e mais riqueza
acumulada - às custas de muito suor e sangue de trabalhadores -
como São Paulo, obviamente tinham que estar na frente. E também
Minas Gerais, que não faz nenhum investimento, mas só arrecada, e
que agora está lançando esses programas no ano eleitoral. Que bom
que está devolvendo o dinheiro ao povo, mas o povo não cai mais
nessa, está consciente e sabendo o que realmente está acontecendo.
A maior diferença entre os quatro anos dos governos de Lula e de
Alckmin está no início. Lula entrou depois de oito anos de
desmanche do social, de desgoverno e de privatizações. O Brasil
estava bem desarrumado. Alckmin entrou depois de Covas, que
reconhecemos como um grande político. Dizem: “Ah, se Covas tivesse
sido Presidente por oito anos..." Deram uma rasteira nele, pois
poderia ter sido candidato. Se tivesse sido Presidente, o Brasil
teria sido socialdemocrata por oito anos. Se a socialdemocracia
tivesse sido colocada em prática no Brasil em oito anos, agora com
Lula e José Alencar, estaríamos dando passos mais decisivos para
um Brasil que sonhamos construir. O problema é que o Brasil de
Fernando Henrique foi neoliberal e privatizador. Ele entregou o
nosso país.
Está nos jornais a questão da Vale do Rio Doce, e forteleceremos
a campanha para rever as privatizações, principalmente da Vale do
Rio Doce, que tem bilhões de lucros anuais. Por que foi
privatizada e de que maneira? A CPI das Privatizações deverá ser
aberta. A grande diferença está no início do governo. Lula pegou
oito anos de desgoverno, e Alckmin pegou um governo de Covas,
pessoa séria e comprometida, socialdemocrata, um caminho para o
socialismo, para um país justo, livre e soberano.
O Deputado Rogério Correia (em aparte)* - Em primeiro lugar,
gostaria de elogiá-lo por ter dado uma resposta simples a tantas
acusações e análises políticas equivocadas. V. Exa., em pouco
tempo, pode desmontar essas análises com argumentos lógicos e
dados que comprovam a diferença entre os governos. Os governos que
devem ser comparados são os de Lula - em três anos e poucos meses
- e os oito anos do malfadado governo de Fernando Henrique, que
entregou o Brasil ao FMI, endividou o País e permitiu que,
privatizando-se as principais empresas brasileiras, o País fosse
jogado no descalabro em que se encontra. O patrimônio da Vale do
Rio Doce é avaliado em R$3.300.000.000.000,00, e foi vendida por
alguns bilhões em moeda podre. A Justiça já está retomando a
discussão de devolver ao Brasil a Vale do Rio Doce, que foi
entregue pelo governo FHC, que, por sua vez, avaliou, por baixo, o
seu valor. Repito, hoje ela é avaliada em R$3.300.000.000.000,00 e
gera bilhões e bilhões de lucros anuais, mas foi entregue,
praticamente de graça, ao capital estrangeiro com dinheiro do
próprio BNDS, que, naquela época, servia apenas para as
privatizações serem feitas com dinheiro público.
Quero chamar a atenção para outro fato que aqui não foi
comentado, mas é pura verdade. Quem decidiu a candidatura
Alckimin? Um triunvirato, como foi chamado: o ex-Presidente
Fernando Henrique Cardoso, que vendeu o Brasil, entregando-o ao
FMI; o Governador Aécio Neves, que vive viajando - se me permitir,
falarei disso daqui a pouco -; e o Presidente do partido Tasso
Jereissati, que substitui o tucano Azeredo, que está “sub judice”
no Congresso Nacional por ter sido pai do “valerioduto”.
Foi esse triunvirato, essas três pessoas, que decidiram de fato
quem seria o candidato tucano. Para mostrar quem tem medo do povo
e quem não tem, outro dia, em pleno processo de crise, o PT
submeteu à eleição sua direção nacional. Compareceram quase 350
mil filiados que decidiram quem participaria da direção do
partido. Hoje, esses 350 mil filiados são unânimes na aprovação do
nome de Lula. Não há ninguém no interior do PT apresentando outro
nome. Trata-se do respaldo de 350 mil filiados: sindicalistas,
trabalhadores, membros dos diretórios, das bases das Capitais e do
interior, que, durante um período, mobilizaram-se, discutiram
política, leram teses e escolheram a direção nacional do partido,
respaldando o Presidente Lula.
O triunvirato tucano decidiu em cúpula quem seria o candidato.
Tanto é que o próprio José Serra, o Ministro da dengue, não foi
sequer respaldar a escolha do triunvirato. O Ministro da dengue,
soltou uma notinha chocha, dizendo que apoiará a escolha, pois é
um bom candidato, mas, por trás, a luta foi fratricida, o “pau
comeu”, e os tucanos mantiveram aquela pompa, coisas da elite.
Fingem que estão unificados, mas, por trás, o “pau come”. Assim
foi a escolha do Governador Alckmin, completamente elitizada, como
elitizado é o PSDB. É assim que as elites atuam e agem.
O Governador Aécio Neves participou desse triunvirato. Num outro
dia, ele teve coragem de criticar - não sei onde estava com a
cabeça - o Presidente Lula por viajar demais. Li isso no jornal e
não acreditei. Será que o Governador teve a cara de pau de fazer
esse pronunciamento na imprensa? Ele disse que a sua mesa estava
cheia de papéis, que governa um Estado muito menor que o Brasil, e
não estava dando conta do recado. Perguntava: como o Lula
consegue? E ironizava: ele deve ter uma equipe muito boa para
conseguir viajar, viajar e inaugurar obras. Estou aqui em Minas
Gerais trabalhando e não consigo esvaziar a minha mesa. Estou com
compromissos a serem cumpridos e não consigo sair daqui.
Ele disse isso depois que foi ao “show” dos Rolling Stones, ao do
U2. Pensamos que ele voltaria, mas foi para o carnaval da Bahia.
Após o carnaval, cheguei a comemorar a sua volta a Minas Gerais,
mas nada. Ele foi ao Canadá, passar férias com a filha. Férias que
já havia passado com a mesma filha no mês de janeiro. Ou seja,
desde janeiro, o Governador não governa Minas Gerais. Aliás, isso
ele não faz desde que tomou posse. A verdade é que ele não vem
aqui em Minas Gerais cumprir com o seu dever há muito tempo, pelo
menos desde o “show” dos Rolling Stones.
Recentemente, o Governador Aécio Neves anunciou que a maior obra
do seu governo seria o “show” do Roberto Carlos e do Pavarotti em
Santa Luzia. Ainda anunciou que estava tirando a hegemonia de São
Paulo e do Rio de Janeiro, que realizaram os “shows” dos Rolling
Stones e do U2. Ele esteve em ambos, conhece bem o assunto. Traria
o Pavarotti. Tivemos azar de o Pavaroti apresentar problemas na
coluna, e o “show”, por isso, foi adiado. Estou apresentando um
requerimento para saber quem estava pagando o “show” do Pavarotti,
dizem que custou R$20.000.000,00. Não é possível que ele cobre tão
caro para apresentar-se em Minas Gerais. Falaram que quem estaria
pagando seriam os empresários.
Se os empresários não gastaram esse tanto, ficarão ou devolverão
o restante do dinheiro? Se não forem devolver, o que será feito
com o dinheiro arrecadado para a realização do “show” do
Pavarotti? É uma boa pergunta que fica no ar e dá oportunidade ao
telespectador da TV Assembléia de descobrir o destino do dinheiro
doado por esses empresários, que beneficiariam Minas Gerais com a
maior obra do Governador Aécio Neves.
Esse é o Governador Aécio Neves, que fazia parte do triunvirato;
outro, o Presidente Fernando Henrique Cardoso. Finalizo dizendo
que conhecemos os oito anos de desgoverno do Governo Fernando
Henrique, de entrega do Brasil ao FMI, da não-realização da
reforma agrária ou da política social. Enfim, o Presidente deixou
o Brasil em maus lençóis. Estamos custando a nos recuperar por
causa daquele que deixou o risco-País nas alturas, fez subir o
dólar e a inflação e, conforme disse o Deputado Laudelino,
entregou o governo em péssimas condições ao Presidente Lula. Esse
era o outro do triunvirato.
O terceiro deles é o Tasso Jereissati, que parece estar lá para
fazer o papel de “bobo da corte”, aceitando ser o Presidente no
lugar do Senador Eduardo Azeredo, que está “sub judice” no
Congresso Nacional, por ser o pai do “valerioduto”. No passado,
foi atropelado pelo José Serra e agora se presta a participar da
escolha, com apenas três pessoas, de quem será o candidato do PSDB
à Presidência da República.
Deputado Laudelino, a escolha do Alckmin acabou sendo a mais
conservadora, como não poderia deixar de ser em um partido como o
PSDB. Escolheram o que perderá menos. Já que qualquer um dos dois
seria derrotado pelo Presidente Lula, melhor o Alckmin, que terá
mesmo de sair do governo de São Paulo. Assim, não perderiam a
Prefeitura de São Paulo. Foi essa a escolha. Como os nomes de
ambos constavam na pesquisa que apontava Lula como vencedor,
perder com o Alckmin será melhor para eles, pois perder com o José
Serra significará perder também a Prefeitura de São Paulo. wAliás,
o povo de São Paulo já está arrependido de ter entregue a
Prefeitura ao José Serra.
Quero parabenizar V. Exa. por ter resumido rapidamente a polêmica
dessas candidaturas e por fazer um trabalho muito bom na Comissão
de Meio Ambiente, no que diz respeito às águas. Aliás, é um sinal
de que o Governador quer interferir na questão, fazendo concessão
das águas para a iniciativa privada, e não mais responsabilizando
o Estado por uma coisa natural, nossa, estratégica.
O Deputado Laudelino Augusto* - Gostaria de fazer um histórico e
algumas considerações sobre as águas minerais do Sul de Minas. A
comunidade sul-mineira, das estâncias hidrominerais, está
apreensiva, preocupada e, claro, tomando suas providências,
participando, organizando-se. Aliás, grande fruto das
organizações, nos últimos anos, tem sido o crescimento da
consciência de cidadania, da participação de várias organizações
não governamentais e do poder público. Vereadores e Vereadoras têm
participado com bastante empenho; pelo menos têm começado a
acompanhar as novas administrações, os Prefeitos.
Hoje há uma integração no Circuito das Águas. No meu tempo de
criança - sou natural de Caxambu -, havia uma rixa entre as
cidades. Graças a Deus, agora há uma unidade, devido - diria até -
à Associação dos Municípios do Circuito das Águas, que tem
envidado esforços em prol do bem comum. Lembro muito bem, quando
pequeno, que, no Circuito das Águas, se dizia preferir os
empresários às empresas. Não entendia muito isso, mas se explicava
assim: “É melhor que venham bastantes turistas, ao invés de
empresas”. Até por uma questão ambiental, pois naquela época se
dizia que empresas trariam poluição, muita fumaça. E muita fumaça
significava maior desenvolvimento da cidade. Havia um pensamento
assim, e se dizia isso, lembro muito bem, pequeno ainda,
adolescente, e até em minha juventude. Hoje, com o crescimento da
consciência, da participação, diz-se algo bem melhor, bem mais
amplo, com conteúdo bem mais ético.
Mais que levar nossas águas para os quatro cantos do mundo,
queremos que as pessoas venham às nossas águas. Pretendemos
implementar o turismo, no caso o de cura, que prevê o tratamento
com águas minerais. É o que acontece com outras cidades do País,
da Europa e de outros continentes. Então, precisamos levar água,
sim. Há fundamento nisso, e vou falar aqui. Todavia, mais que
isso, é preciso trazer pessoas de todo o mundo para nossas fontes.
Cientificamente, está provado que o valor curativo das águas é
maior quando elas são consumidas e utilizadas na fonte. Há um
balneário maravilhoso nas estâncias. Aliás, cada cidade possui seu
balneário. A água envasada, engarrafada e levada aos quatro cantos
do mundo também tem seu valor curativo, porém em menor escala, já
que fica exposta ao calor, ao sol e à luminosidade. A preservação
depende também da cor da garrafa. Então, o sol, a luminosidade
retiram um pouco o valor curativo das águas. Ademais, durante o
transporte, a água chocalha, podendo perder o gás natural.
O fato é esse: o esforço, o trabalho que tem sido feito. Nos
últimos dias, esse trabalho ganhou mais força. Espero conseguirmos
fazer uma política de divulgação das estâncias hidrominerais, uma
política de “marketing”, a fim de estimular a vinda das pessoas
para nossas fontes maravilhosas.
Outro dia, telefonaram-me para perguntar o que era envasamento. É
termo utilizado para denominar o engarrafamento da água. Então, o
envasamento ou engarrafamento é importante, tendo em vista a razão
social e econômica. Esse ato garante emprego e renda a muitas
famílias. Só nas estâncias do Sul de Minas, essa atividade garante
empregos diretos a mais de 200 famílias, sem contar os indiretos.
Portanto esse fator social é importantíssimo. Criar emprego e
gerar renda, hoje em dia, é garantir qualidade de vida às pessoas.
Esse é um motivo que justifica o envasamento de água.
Em segundo lugar, há o aspecto promocional. Quando se coloca a
água na garrafa, que contém um rótulo, e a envia a outro país ou
cidade do mundo, na verdade a nossa cidade está indo junto. O
rótulo tem sido melhorado, a partir de uma reivindicação da
comunidade de São Lourenço. Solicitaram a modificação do rótulo,
de forma a conter uma propaganda da cidade, uma divulgação
turística. Aliás, muitos são os pontos turísticos da região, entre
os históricos, os de valor terapêutico e os de beleza natural,
paisagística e religiosa. Junto ao Circuito das Águas, há o
circuito histórico. Podemos citar também a Estrada Real.
A Família Real freqüentava Caxambu, Lambari, Cambuquira e São
Lourenço. Existem histórias gravadas a respeito da família real.
As fontes de águas minerais da nossa região recebem nomes oriundos
da família real. Podemos citar alguns: Em Caxambu, D. Leopoldina,
Conde D´Eu, Princesa Isabel, Duque de Saze, D. Pedro, que é uma
fonte de água tão importante, conhecida e apreciada. Então, esse
caráter promocional é fundamental também, por isso justifica o
envasamento.
Outro item é a tradição. São tradicionais as águas de Caxambu,
Lambari, Cambuquira, Araxá. Cito essas quatro primeiro, porque são
as que estão em licitação no momento e eram exploradas pela
Superágua. Cito também a tradição da água São Lourenço, conhecida
no mundo todo, da água de Contendas, em Conceição do Rio Verde, da
água de Passa-Quatro, que é maravilhosa e corre da montanha da
Mantiqueira, da água de Pouso Alto, da água de Baependi, onde há
muita água mineral. Esse é outro item que justifica o envasamento.
Esses três itens mostram que não há necessidade de haver lucro.
Garantindo-se o emprego e a renda para as pessoas que trabalham no
envasamento colocando água nas garrafinhas, o emprego e a renda de
quem está trabalhando nos balneários, a promoção, a divulgação no
rótulo, a tradição e a história da nossa região centenária, não
haveria necessidade de lucro. Esse é o primeiro ponto a se
questionar na licitação, porque entrará a empresa que vai querer
mais lucros. Um dos itens é o lucro. Temos a certeza que não há
necessidade.
Outro item é com relação à quantidade de água. Trata-se de um dos
pontos mais polêmicos e questionáveis. A proposta é que seja de
vazão espontânea, natural. Há uma fonte de onde sai a água. É uma
bênção, uma dádiva, um patrimônio, que é chamado de recurso
hídrico, mas é um patrimônio mesmo o que temos ali. Que fosse
parte da vazão natural, que se pudesse engarrafar e vender. Não
poderia ser o que houve em São Lourenço, em que a água foi sugada.
Foi feita a tubulação, o bombeamento e depois houve a
desmineralização. A água foi colocada em uma garrafinha e vendida
para se obter lucro. Não queremos seguir esse exemplo de São
Lourenço nas outras estâncias. A comunidade dessa estância ainda
pena por causa das conseqüências e nos tem ajudado e a outras
estâncias na sua organização, estando sempre presente e fazendo
questionamentos. Em São Lourenço, há um geólogo, Gabriel
Junqueira, um dos maiores conhecedores da situação, que tem feito
vários questionamentos nesse sentido.
Parte da vazão natural poderia, sim, vazar. Eu, leigo no assunto,
cheguei um dia a dizer: “por que não envasar toda a água que
sai?”. Sobre a água que vai para o ribeirão, para o Rio Verde em
São Lourenço, para Passa-Quatro, para o Rio Baependi, em Caxambu,
em Cambuquira, para o Rio Lambari e vai embora, eu dizia: “por que
não se poderia engarrafar tudo, desde que saísse
espontaneamente?”. Um técnico da área me disse: “Deputado, não é
possível, porque parte dessa água tem de ir mesmo para a natureza,
tem de se misturar com a água da chuva, com as outras fontes e
minas, porque toda a vegetação e a ictiofauna dos nossos rios e
ribeirões dependem dessa qualidade e quantidade de água. Se
retirássemos toda essa água, mudaríamos a ictiofauna, e outros
peixes viriam, ou aqueles que ali estão desapareceriam. Bactérias
presentes para a manutenção da vida e da biodiversidade precisam
existir ali”. Aprendi a lição de que parte da água precisa ir para
a natureza. Não é uma perda.
Em nossas fontes de Cambuquira, Lambari, Caxambu, Araxá e São
Lourenço, a água vaza a noite toda e vai para a natureza. É
preciso ir, porque a natureza necessita dessa água misturada para
manter aquela biodiversidade.
O Comitê da Bacia do Rio Verde foi acionado para que exista uma
câmara que pense, discuta e aprofunde a questão da água mineral na
Bacia do Rio Verde. Se Deus quiser, logo teremos isso aí!
Em 2001, foi feita uma licitação para a exploração das águas de
lá. O termo que se usa é “explotação”. Essa licitação foi anulada
porque estava viciada, por sinal com pessoas da antiga Comig.
Aliás, é bom lembrar que a Companhia de Mineração de Minas Gerais
- Comig - era a companhia responsável e dona do direito minerário.
Hoje é a Codemig. Mas, na época, foi a Comig que abandonou as
nossas estâncias e os nossos parques, deixando-os em situação
deplorável.
Em 2001 foi anulada a licitação devido à luta, ao esforço do
Ministério Público local, acionado pelas ONGs. Ali surgiram as
ONGs das cidades das estâncias, que posteriormente se organizaram
e realizaram o Fórum das ONGs do Circuito das Águas - Focas. De
2001 para cá, começaram a organização, a luta, o acompanhamento, o
desejo, a proposta concreta, o amor pelas estâncias. Desde então
vem sendo realizadas diversas audiências públicas.
Quando fui Vereador em Itajubá, onde nasci, participei de algumas
das atividades. Como Deputado, participei de todas as atividades
realizadas ali. Então, tanto no Circuito quanto em Belo Horizonte,
na Assembléia, temos acompanhado e agora, como Presidente da
Comissão de Meio Ambiente e Recursos Naturais, mais ainda. Como
fundador e Presidente da Frente Parlamentar Mineira de Defesa e
Preservação das Águas, estamos sempre presentes, acompanhando
todos os trabalhos. Como membro permanente, efetivo da Comissão
Especial das Estâncias Hidrominerais, também estivemos presentes
em todas as atividades. Em parceria com o Focas, dando apoio à
sociedade organizada e realizando dois encontros das águas
minerais, o primeiro em 2004, em Caxambu, e o segundo em 2005, em
Cambuquira. No final de abril, realizaremos o Terceiro Encontro
das Águas Minerais. Por meio das audiências públicas realizadas em
São Lourenço, Caxambu e Cambuquira e das audiências realizadas
nesta Casa, participamos da elaboração do edital de licitações.
Em 27 de junho, houve o fechamento da Superágua, que perdeu uma
luta judicial com o governo de Minas. Posteriormente ficamos
sabendo que ela fez uma reunião com a Codemig. Inicialmente os
Prefeitos alegaram que não sabiam, mas o Secretário de
Planejamento e Gestão afirmou que os Prefeitos foram informados de
que haveria o fechamento. Ficamos surpresos, pois constava que os
Prefeitos não sabiam que a Superágua seria fechada, mas
infelizmente foi.
Estivemos presentes desde o primeiro dia, fazendo com que os
direitos dos trabalhadores e trabalhadoras fossem respeitados e
com que fossem readmitidos numa próxima licitação. Aliás, pedimos
que a Codemig os recontrate imediatamente. Para nós seria
possível, porque há contrato precário no Estado. Os professores,
por exemplo, são designados para uma coisa importante e
necessária: manter as marcas no mercado, como a água de Araxá,
Caxambu, Cambuquira e Lambari, bem como manter os mecanismos, os
instrumentos e as máquinas em funcionamento.
Segundo orientação jurídica, a Codemig poderia ter contratado
precariamente, mas não o fez, com a promessa de fazer o lançamento
do edital. Nos meses de maio, junho e julho funcionou a Comissão
Especial das Estâncias Hidrominerais na Assembléia Legislativa, a
pedido do Deputado Dalmo Ribeiro Silva, com a presença do Deputado
Dilzon Melo e a minha participação. O maior argumento para essa
comissão especial foi o estado de abandono, de precariedade das
estâncias hidrominerais. A principal culpada, a principal
responsável pelo abandono é a antiga Comig. Faço questão de dizer
Comig, porque é a Codemig do passado.
Por enquanto, estamos dialogando com a atual Codemig, que nos
está atendendo bem e cumprindo a sua função. Todavia, quando é
para questionar, falo Comig. Aliás, há um pedido de CPI, com 41
assinaturas de Deputados. Ainda não tivemos respostas, mas
precisaríamos dessa CPI da Comig.
Descobrimos depois que, ao invés de colocarem dinheiro nas
estâncias hidrominerais - os “royalties” recebidos em todos esses
anos pela exploração das águas minerais -, investiam na construção
de estradas, como a Maria da Fé-Cristina, que está intransitável.
Com menos de um ano e meio de inauguração, ela já estava
intransitável. Agora está pior e completará cinco anos! Começamos
a receber “e-mails”, em que se dizia: “Também foi dinheiro da
Comig para a Serra do Cipó, para Monte Verde, para Ouro Fino, para
o aeroporto de Ouro Preto, para o Grande Hotel de Araxá”. O que
foi gasto, desviado e superfaturado com o dinheiro da Comig...
Precisamos fazer essa CPI. Mais uma vez, apelamos à Mesa para que
essa comissão seja instalada o quanto antes. A Comissão Especial
das Estâncias Hidrominerais fez um trabalho muito bom,
interessante e profundo. Na época, disse que talvez essa seria a
Comissão para fazer exatamente a convergência das ações e de tudo
o que estava sendo feito. De certo modo, segundo o relatório
final, conseguimos aprovar várias emendas, o programa de
revitalização das estâncias foi uma das propostas aprovadas. O
Deputado Paulo Piau também foi membro dessa Comissão e conseguiu
que realizássemos uma audiência em Araxá. Faço justiça, porque
havia omitido essa informação. O relatório final ficou muito bom e
contou com a participação da sociedade local, dos Prefeitos, dos
Vereadores e das ONGs, o que é mais importante.
No dia 16 de dezembro, foi lançado o edital de licitação. Fui o
primeiro a pegá-lo. Depois, 81 pessoas, grupos e empresas
nacionais e multinacionais adquiriram-no. Cerca de nove empresas
foram fazer visita, conhecer aquela realidade. Mas, no dia, não
houve nenhuma proposta. Disseram: “Ah, Laudelino, por que você não
verificou isso? Quem sabe o edital não estava bom?”. Nós o
analisamos, sim; procuramos o Focas e um consultor bem capacitado
que acompanha o assunto há muitos anos. Também ouvimos,
informalmente, o Ministério Público. Os três foram unânimes: “Não
entraremos com nada para atrapalhar a licitação neste momento e
para segurá-la. Vamos esperar e fazer um acompanhamento crítico.
Quando os envelopes forem abertos e uma empresa habilitar-se a
explotar as águas, acompanharemos de perto o que está faltando no
edital”. E assim foi feito. Lamentavelmente, no dia 16 de
fevereiro - amanhã completará um mês -, os envelopes não foram
abertos porque não apareceu nenhum interessado. Ficamos surpresos
com duas ausências: a de propostas e a de pessoas para acompanhar
o processo. Parece que ninguém estava interessado em saber da
licitação; não havia nenhum Prefeito ou Vereador da região das
estâncias. Fazendo justiça, quem estava lá eram dois ex-
funcionários da Superágua, que foram representar os demais. Eles
estão desempregados, pararam de receber o seguro-desemprego e
enfrentam problemas financeiros. Conseguiram fazer uma vaquinha e
vieram. Tenho em mão a ata da reunião, que registrou o seguinte:
“Até às 10 horas da presente data, não houve protocolo de envelope
de documentos de habilitação e proposta comercial para
participação na licitação. Sendo assim, a Comissão Especial de
Licitação julga deserto o certame.”. O documento foi assinado
pelos quatro membros da Comissão Especial; por outras pessoas
presentes, que eram do nosso gabinete; e também pelos Srs.
Renilson José de Oliveira e Gabriel Vicente Horácio, ex-
funcionários da Superágua.
O que fizemos? A Comissão, que acompanhou o processo desde o
início, tem a responsabilidade social de estar presente e de
disponibilizar a estrutura da Assembléia para se efetivarem os
trabalhos.
Realizamos uma audiência no dia 9 e convidamos a Codemig, as
empresas que pegaram o envelope e não apresentaram propostas, o
DNPM, Prefeitos, Vereadores e ONGs, a participarem. Essa audiência
foi bastante interessante. Lamentavelmente a Codemig não apareceu.
Já disse, nesta tribuna, que recebemos uma carta de desculpas,
porque o principal responsável, ou seja, a pessoa que está
realmente envolvida, estava viajando. Isso é verdade, ela está
sempre presente. Sabemos que foi uma viagem muito importante para
participar de um encontro no Canadá sobre mineração no Planeta
Terra. Como não poderia participar, solicitamos que a Presidente
da Comissão de Licitação ou o Vice-Presidente, o Presidente ou o
Diretor da Codemig viessem para ouvir e dialogar. Tenho quase
certeza de que foi um mal-entendido. As pessoas acreditam que
realizamos audiência aqui para cobrar e questionar. Estava tão
claro que a audiência é para dialogar e descobrirmos outros
motivos pelos quais nenhuma empresa trouxe propostas, dizendo que
devemos conversar e nos reunirmos. Há um equívoco. Hoje há
políticos que não acreditam que possa haver político sério que
queira somar esforços. Somente porque estamos convocando e
chamando, deixam de vir para participar. Aliás, aqui não veio
ninguém do governo estadual. Como a principal responsável, a
Codemig deveria estar presente. Com a maior boa-vontade, queríamos
discutir os motivos pelos quais não houve proposta e os
encaminhamos a serem feitos. Com isso, o movimento do povo ganhou
força. Estamos dando força para se fazer a licitação por cidade;
para se criar uma fundação, uma cooperativa, uma entidade civil ou
pública local, de cada Prefeitura, a fim de gerir e promover a
exploração das águas. Como disse, não é necessário lucro. A
própria comunidade pode fazer isso muito bem e garantir emprego e
renda para algumas famílias, fazer a divulgação das nossas
estâncias e manter a tradição. Aliás, com aquele maquinário, não é
necessário modernização. Numa reunião realizada aqui, os
trabalhadores de lá nos disseram que são capazes de pôr água
engarrafada. Eles são capazes, sim, e já provaram durante mais de
30, 40, 50 anos, fazendo envasamento. Então, eles são capazes.
Esse movimento ganhou força. Lutamos para isso.
No dia da audiência, estiveram presentes, por exemplo, o grupo
Cidade Cidadã, uma ONG de Caxambu. No seu discurso, entre outras
coisas, a Nádia Gonçalves disse o que eu já disse aqui: tomaram
decisão ao verificar que o edital não era o que queríamos
totalmente, mas contemplava o principal. Então, disse que
estudamos item por item, e optamos por não tomar medida alguma que
atrapalhasse a licitação, pois o principal estava ali abrangido.
Quanto aos tópicos que faltavam, esperavam poder negociar com a
empresa que viesse a explorar as nossas águas. Isso tudo, pela
preocupação com os que estavam sem emprego. E ainda estamos
preocupados. Aliás, solicitamos à Codemig que faça gestão ao
governo estadual para enviar alguma ajuda financeira, como cestas
básicas para os funcionários da Superágua. Eles já não mais
recebem o seguro-desemprego. Alguns até conseguiram emprego
temporário no Carnaval, na estação das águas e no período de
férias; porém estão novamente desempregados. Outros têm família
para criar.
O Focas também esteve presente, participando ativamente. No
documento, há a assinatura da ONG Nova Cambuquira, cuja Presidente
é Marília Noronha; da ONG Nova Baden, de Lambari, assinado pela
Presidente Maria do Carmo Santos Pinto.
Contou, também, com a presença da Dóris Oliveira, do Grupo Cidade
Cidadã - GCC -, cujo Presidente é Reinaldo do Guedes Neto, grande
lutador e conhecedor da questão das águas minerais. Houve também a
presença da Nádia Gonçalves, representando a Sociedade Amigos dos
Parques das Águas - Ampara -, de Caxambu, cuja Presidente é Maria
Antônia Muniz Barreto, e do representante da Associação para
Preservação do Patrimônio Ambiental e Social de São Lourenço -
Appas. Fez-se um histórico, apresentaram-se considerações muito
importantes. É um documento que estamos enviando ao Governador, ao
Secretário de Estado de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento
Econômico. Nossa consultoria está fazendo um estudo para averiguar
o que podemos encaminhar e requerer.
No texto apresentado pelo Focas, pede-se ao Governador a
concretização da mudança de rumo em nossa história, por meio da
criação de um grupo de trabalho, do qual participem ONGs e
sociedade, para estudar a viabilidade de se transformar os parques
das águas de nossas estâncias em entidades de interesse público.
Solicitam, ainda, que contemple a participação paritária da
sociedade civil, que seja capaz de gerir as mesmas, bem como as
atividades de engarrafamento das águas minerais, de forma
integrada e harmoniosa, com objetivos na preservação e na
sustentabilidade. Eles participaram e conquistaram, durante a
Comissão Especial das Estâncias Hidrominerais, essa reivindicação,
que foi aprovada e está no relatório final.
Na seqüência, o texto mostra a preocupação com os ex-funcionários
da Superágua. Estamos fazendo de tudo para que a empresa que
ganhar possa recontratá-los. Trata-se de uma mão-de-obra bem
treinada, que tem amor e carinho muito grande com as águas
minerais. Nada melhor do que trabalhar com amor.
Trazem aqui, então, as suas propostas, reconhecendo,
humildemente, que se trata de uma idéia, de uma proposta inicial
que merece ser debatida. Tivemos, aliás, a presença de três
Vereadores de Cambuquira, de três de Caxambu, da Comissão
Permanente das Águas Minerais da Câmara Municipal de Caxambu, de
seis Vereadores de Lambari nessa união de esforços. Parabenizo-os
pela presença.
Agradeço os elogios, quando se falou da audiência de Belo
Horizonte. O que fizemos é nossa obrigação, pois recebemos para
isso. Somos representantes, e não substitutos. Insistimos nas
audiências, na participação da sociedade, a fim de fazermos uma
representação autêntica. Não podemos fazer coisas das nossas
cabeças, mas sim aquilo que realmente o povo quer.
Fiquei surpreso com uma notícia da Câmara Municipal de Caxambu,
da reunião ordinária do dia 13; segunda-feira. O Vereador Líder do
Governo fez uma consideração sobre a qual queremos fazer uma
observação. Ele teve uma participação muito boa, representou o
Prefeito na audiência, e é lamentável que não tenha comparecido
nenhum Prefeito, mas o Vereador Clóvis fez uma boa representação.
Houve uma idéia dele que foi incentivada e repetida por outras
pessoas aqui.
Em Caxambu ele disse que, enquanto estávamos na audiência pública
procurando respostas da Codemig, que não se fez representar, o
Prefeito de Caxambu, usando de toda a sua influência, deu-nos a
volta e reuniu-se com o Sr. Vice-Presidente da Codemig, Arlindo
Porto. Ele, sim, obteve a resposta que não conseguimos em
audiência. Em breve, talvez no final de semana, trará a público
essas boas notícias para a nossa cidade.
Assustamo-nos porque soubemos que, enquanto havia uma audiência
aqui, uma reunião democrática e participativa, para a qual foi
convidada a Codemig, que tinha obrigação institucional de vir -
estamos pensando em convocá-la, pois o nosso Regimento permite
isso -, o Prefeito estaria nesse órgão, na mesma hora, conversando
e obtendo informações. Segundo o Vereador, foram dadas as
notícias, que eram ótimas.
Não acreditamos, em um primeiro momento. Fomos até a Codemig. Fui
lá ontem, conversar. Levei-lhes a nossa preocupação, e o Vice-
Presidente, Sr. Arlindo Porto, ex-Senador, atendeu-nos muito bem,
como sempre. Não havia marcado hora, mas ele foi muito solícito e
garantiu que não há novidade alguma. Se tiver, afirmou que nos
informará, pois sabe que estamos organizados e respeita a
organização da sociedade.
Levei-lhe, por escrito, os resultados de nossa audiência. Foi
formado um grupo de trabalho, com representação do Focas, de todas
as ONGs, das Câmaras Municipais de Lambari, Caxambu e Cambuquira e
da Associação Comercial e Industrial de Lambari. Serão convidadas
as associações comerciais e industriais das cidades ausentes.
Solicitamos à Codemig que qualquer notícia seja dada a esse grupo
de trabalho e com ele discutida, em nome da democracia, já que não
há nada que os obrigue a isso. Dissemos-lhe que não seria um gesto
democrático se, enquanto ele ou outra pessoa da Codemig deveria
estar na audiência, estivesse conversando com o Prefeito, propondo
as soluções e dando as boas notícias. Ele me garantiu que não tem
nenhuma notícia ainda, mas que se estão esforçando.
O “Jornal do Brasil”, Sr. Presidente, no Rio de Janeiro, noticiou
que a Copasa assumiria as águas minerais. Solicitei uma
consultoria imediatamente para tomar uma posição como Deputado da
região. Segundo a consultoria e as ONGs, seria interessante, pois
o empreendimento ficaria nas mãos de um órgão do Estado, e, assim,
teríamos garantias de que não estaria nas mãos das multinacionais,
que exploram as nossas fontes e acabam com elas. Assim teríamos
participação mais efetiva. Entretanto, o ex-Senador Arlindo Porto
nos disse que isso não é verdade, pois a Copasa não pode assumir.
Seria necessário mudar o seu estatuto aqui na Assembléia. Ele nos
garantiu que não há boas notícias, conforme nos foi dito na Câmara
de Caxambu.
Estamos verificando. Quem sabe não houve um equívoco? Quem sabe
não tenha sido isso o que ele quis dizer? Quem sabe ele tenha
alguma notícia? A população precisa conhecê-la para acompanhar e
ajudar. Já disse, e repito, que a política é a soma de esforços em
vista do bem comum, independentemente de partidos e eleição.
Temos que nos unir por amor a Caxambu, Cambuquira, Lambari e
Araxá. O melhor, neste momento, é unirmo-nos com as associações de
moradores, com as ONGs, com as associações comerciais, com as
empresas, com as lojas, com as CDLs das cidades, que estão
precisando de um incremento no turismo da região.
Por falar em turismo da região, é lamentável que a licitação
ainda não tenha sido terminada. Foi feito um novo aditivo da
Codemig com as Prefeituras para que 80% dos “royalties” passem
para os Municípios. Entretanto, a cada dia que passa, esse
dinheiro não vem. Com isso, 80% do dinheiro que entra com a
exploração das águas vai ficar no próprio Município. Isso é muito
bom, é uma conquista. Esse foi um dos requerimentos que fizemos no
I Encontro das Águas Minerais.
Há também uma proposta muito boa de o SUS pagar o tratamento com
águas minerais. Em Brasília, no dia 27 de outubro, foi feito o I
Encontro Nacional das Águas Minerais, promovido pelo Conselho
Nacional de Saúde, com o objetivo de o SUS começar a pagar
tratamentos com águas minerais. Uma conquista da região, do povo
organizado, das novas administrações que tiveram uma participação
importante na Comissão Nacional de Crenologia, ciência que estuda
a cura pelas águas. A crenoterapia é a terapia com águas mineiras,
por meio de banhos e da ingestão. Estiveram presentes o Prefeito
de Caxambu; o Secretário Municipal de Saúde, Dr. Paulo César; o
representante de cada uma das ONGs, Marília Noronha, Maria do
Carmo, Dóris - desculpem-me se me esqueci de citar algum nome.
Todos estiveram lá lutando, organizando-se para conseguir que o
SUS pague o tratamento com águas minerais.
Finalmente, há o programa de revitalização, que foi também uma
conquista. Às vezes querem considerar como se fosse um presente do
Governador, mas foi uma conquista do povo organizado. É direito do
povo, é dinheiro público. E o que está sendo colocado lá não é nem
dinheiro público especial, mas dinheiro de lá mesmo; são os
“royalties” que, durante mais de 25 ou 30 anos, foram acumulados
pela Comig - agora pela Codemig - e que não eram repassados. O
programa de revitalização vai destinar para Cambuquira
R$1.330.000,00; para Caxambu, R$2.940.000,00 e, para Lambari,
R$1.400.000,00 para serem aplicados agora.
Farei uma observação para depois conceder um aparte ao Deputado
Weliton Prado. Estamos preocupados com o seguinte: Vou dar o
exemplo de Caxambu, que vai receber R$2.940.000,00, destinados à
reforma completa do balneário, um prédio histórico muito
importante, com restauração das fontes de água mineral. As fontes
já estão prontas. O governo passado, o Ministério do Turismo e
outros Ministérios já estavam fazendo essa restauração com verbas
federais. Já está quase pronto. Esses R$2.940.000,00 darão para
fazer outra coisa. Perguntei ontem para o Dr. Arlindo Porto quanto
já foi depositado. E ele me respondeu que nada até agora, que não
há nenhum tostão desse programa de revitalização.
Estou aqui com uma foto do lançamento, com todos os Prefeitos, o
Secretário Brumer, os Deputados da Comissão. Nenhum tostão foi
depositado ainda porque os Prefeitos ainda não apresentaram os
projetos. Aproveito para dizer para a comunidade participar da
elaboração dos projetos, dar sua sugestão. O dinheiro dos
“royalties” será devolvido à comunidade por meio de obras, com a
participação da sociedade organizada na priorização das obras. A
sociedade quer, precisa, merece, tem o direito de participar.
Queria chamar atenção para esse item.
O Deputado Weliton Prado (em aparte) - Deputado Laudelino
Augusto, quero parabenizá-lo por seu pronunciamento e fazer aqui,
mais uma vez, um reconhecimento pelo seu brilhante trabalho à
frente da Presidência da Comissão de Meio Ambiente e Recursos
Naturais e da Frente Parlamentar em Defesa das Águas no nosso
Estado. É fundamental fazer esse debate, o que você faz com muita
propriedade e muito conhecimento.
Gostaria inclusive de pedir o seu apoio para que possamos
realizar uma grande audiência pública para discutir um sério
problema em relação à nascente do Rio Uberabinha, que nasce em
Uberaba e abastece a cidade de Uberlândia. São poucas as nascentes
naturais aptas à exploração da argila refratária. Justamente na
nascente do Rio Uberabinha, a argila refratária, utilizada por
siderúrgicas, para fornos da mineração, está sendo extraída por
uma empresa que está poluindo e degradando aquela nascente. Essa é
uma grande preocupação de toda a população de Uberlândia e cidades
vizinhas. Por isso é importante fazermos uma audiência pública o
mais rápido possível com todos os representantes da Universidade
Federal de Uberlândia, de Uberaba e de outras cidades do Triângulo
Mineiro.
Gostaria de fazer outra observação, já terminando, em relação ao
preço da água da Copasa. Costumo dizer que é água a preço de
vinho. O preço é muito alto. Essa é uma das grandes reivindicações
da população de todo o Estado de Minas Gerais. Muitas pessoas têm
sua água cortada devido aos valores altíssimos cobrados pela
Copasa. Se compararmos com outros Municípios e outros Estados,
veremos que o valor da água cobrado pela Copasa está totalmente
fora.
É importante aprofundar esse debate em outro momento. Obrigado e
parabéns pela brilhante explanação.
O Deputado Laudelino Augusto* - Para jogar limpo, informo que
ganhou força essa reivindicação da sociedade local para que cada
Município explore suas águas, enfatizando o turismo de cura. Que
as pessoas venham dos quatro cantos para nossas fontes
hidrominerais.
Fizemos um requerimento ao Departamento Nacional de Produção
Mineral - DNPM - solicitando vistoria para caracterizar o atual
estado das fontes e dos parques das águas. Por quê? Porque, no
próximo dia 27, se completarão nove meses que as águas pararam de
ser exploradas. Há dois meses, a Codemig contratou uma equipe para
fazer a manutenção do maquinário. Poderia ter contratado todos
para manter a água no mercado, mas não o fez. Contratou uma equipe
para a manutenção. O maquinário é obsoleto, mas pode ser usado.
Assim, pedimos a vistoria.
A lei minerária diz que, constatado o abandono, poderá ser
declarada a caducidade. Aí, quem sabe, elas retornem para o
Ministério de Minas e Energia, e a comunidade tenha o direito
minerário de explorá-las. Estamos cumprindo o nosso dever. A
sociedade está conquistando seus direitos. Parabéns, cidadãos e
cidadãs!
* - Sem revisão do orador.