Pronunciamentos

DEPUTADO LAFAYETTE DE ANDRADA (PSDB), Presidente "ad hoc".

Discurso

Transcurso do Dia do Maçom. Homenagem à Maçonaria.
Reunião 41ª reunião ESPECIAL
Legislatura 16ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 03/09/2008
Página 35, Coluna 4
Assunto CALENDÁRIO.
Proposições citadas RQS 1503 de 2008

41ª REUNIÃO ESPECIAL DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 29/8/2008

Palavras do Deputado Lafayette de Andrada


Antônio José dos Santos, Sereníssimo Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais; Hédison Damasceno, Soberano Grão-Mestre do Grande Oriente de Minas Gerais; Amintas de Araújo Xavier, Eminente Grão-Mestre do Grande Oriente de Minas Gerais; Sebastião Cardoso, Presidente do Supremo Conselho do Grau 33 de Minas Gerais; Eduardo Teixeira de Rezende, Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente de Minas Gerais; Exmo. Sr. Deputado Domingos Sávio, autor do requerimento que deu origem a esta homenagem, nosso estimado, bravo e atuante Deputado; nosso eminente Vereador Hugo Thomé, da Câmara Municipal de Belo Horizonte, que nos prestigia com a sua honrosa presença; demais autoridades de todas as potências mineiras.

Constitui uma honra muito grande presidir esta solenidade em homenagem à maçonaria e ao Dia do Maçom, requerida pelo tão respeitado e caro amigo Deputado Domingos Sávio, mas fico ainda mais honrado por questões de laços de família e por raízes, como bem disseram os oradores que me antecederam. Como é sabido, a maçonaria no Brasil esteve presente em todas os movimentos libertários ocorridos até mesmo antes da Independência, com forte presença na Conjuração Baiana e na Inconfidência Mineira. Por ocasião da Independência do Brasil, a maçonaria efetivamente se organizou como entidade nacional pelo meu antepassado, José Bonifácio de Andrada e Silva, tendo sido o seu primeiro Grão-Mestre. Não sou iniciado, mas, por essa razão, fico sempre cheio de orgulho e muito honrado quando estou na presença dos senhores maçons.

Apenas para rememorar muito rapidamente essa passagem da história do Brasil, quando José Bonifácio organiza a maçonaria, em 1822, obviamente congregava baluartes da época que já pensavam na independência do País. Inicialmente, a sua idéia era que Portugal aceitasse o Brasil como um país irmão e não independente, para que fossem um único país. Ele vislumbrava que os dois países unidos seriam a maior potência da América, pois seria o único país presente no Novo Mundo e no Velho Mundo, ou seja, na Europa e na América. Infelizmente, com a incompreensão da Corte de Lisboa, na Constituinte portuguesa de 1821, os portugueses não aceitaram essa tese, defendida pelo irmão de José Bonifácio, Antônio Carlos, que estava presente na Constituinte portuguesa, enquanto o seu irmão estava no Brasil. Portugal não aceitou essa tese e fez pior, exigiu o regresso da Família Real a Portugal, o que aconteceu, e que o Brasil voltasse à condição de Colônia, anterior à vinda da Família Real ao Brasil.

Todos nós sabemos que a Família Real veio, em 1808, fugindo das tropas napoleônicas, porque Napoleão invadiu Portugal. Com isso, a Família Real fugiu para o Brasil. Com a presença da Família Real no Brasil, o Brasil se transforma em Reino Unido, com privilégios que antes não tinha quando era Colônia. É instituído o Banco do Brasil, são criadas as primeiras faculdades, bibliotecas e jornais, que antes eram proibidos. Tudo isso era proibido antes. Os portos também foram abertos às nações amigas.

Em 1821, Portugal, com o retorno da Família Real ao país, exige que o Brasil feche todas essas instituições e retorne à condição antiga de Colônia. É nesse momento que brasileiros ilustres se congregam, em particular formam o Grande Oriente do Brasil, liderados por José Bonifácio e fazem D. Pedro I, então, primeiro Imperador do Brasil, instituindo a nossa independência.

Pouco depois, D. Pedro I é eleito também Grão-Mestre e fecha a maçonaria e passa a governar de maneira autoritária e ditatorial. Em 1831, a maçonaria novamente se organiza e luta pelo exílio de D. Pedro I, que abdica do trono e vai embora. A maçonaria, que estava fechada, em 1831 é reaberta. E José Bonifácio novamente, depois de anos de exílio, exilado por D. Pedro I, volta também nomeado como Grão-Mestre da maçonaria.

Em Minas Gerais, os senhores, mais do que eu, conhecem bem os primórdios da organização oficial da maçonaria no Brasil. Por isso toda homenagem à maçonaria, como a que hoje fazemos nesta Casa, torna-se a celebração da fraternidade e das justas causas.

No momento atual, quando tantos focos de beligerância e desentendimento explodem pelo nosso planeta, com suas funestas conseqüências, permanece profundamente necessário e urgente o princípio maçom da fraternidade universal. Ao se expandir pelo mundo, junto com as idéias iluministas, a maçonaria se fez agente da história do País desde o período colonial, alimentando a vontade de independência que guiou, aliás, a Inconfidência Mineira.

A palavra “liberdade”, inscrita na bandeira de Minas, é o ideal maçônico transformado em símbolo vivo, a ser permanentemente evocado e a provocar a vigilante reflexão de políticos e cidadãos.

Notáveis líderes da maçonaria, os irmãos Andrada valeram-se de seus mais altos ideais para a consecução de nossa independência. José Bonifácio, o Patriarca, foi, emblematicamente, o primeiro Grão-Mestre brasileiro. Assim, a criação da Nação, tornando-nos uma entidade autônoma no panorama mundial, é fruto da intensa participação maçônica.

Nossa história, em conseqüência, desde a independência reflete a busca da liberdade individual, da igualdade dos direitos e obrigações de cada um e da fraternidade entre todos os seres humanos. Maçons, em todas as partes do mundo, representando todas as classes sociais e todas as religiões, vêm erguendo uma humanidade mais igualitária e democrática. Inspirados nos antigos construtores de templos, querem constituir uma associação internacional de homens dedicados à paz e à afeição fraterna.

Por isso nos lembramos de Simão Bolívar e de Abraham Lincoln, construtores do continente americano, como também de William Shakespeare, Voltaire e Mozart, criadores dos mais decisivos momentos da cultura ocidental.

No Brasil, Caxias, José de Alencar, Rui Barbosa, Teófilo Otôni, além de uma boa parte de nossos Presidentes da República, trouxeram à vida do País a busca maçônica da transformação do ser humano e da sociedade. Em Minas, praticamente todas as áreas e segmentos sociais vêm sendo beneficiadas pela ação dos membros da maçonaria. As famílias carentes em especial têm sido objeto da sua filantropia, seguindo os princípios da solidariedade e da justiça, meta de todo maçom para a construção de uma sociedade melhor. Homenagear os maçons, por conseguinte, é solidarizar-se com sua incansável luta pela tolerância e pela eqüidade, pelo combate ao fanatismo e ao obscurantismo. Que entre nós a ação maçônica continue e se amplie, demonstrando que não existe direito sem a correspondente prestação de deveres nem privilégios sem a retribuição ao planeta e a seus habitantes. Mais que nunca, o equilíbrio, a moderação e o bom-senso da maçonaria são necessários para iluminar o mundo, a humanidade e os caminhos da nossa pátria. Muito obrigado a todos.