DEPUTADO JOÃO LEITE (PSDB)
Discurso
Legislatura 18ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 26/06/2018
Página 21, Coluna 1
Assunto EXECUTIVO. POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE MINAS GERAIS (PCMG).
Aparteante SARGENTO RODRIGUES
Observação No decorrer do pronunciamento, procede-se à execução de áudio de grampo de uma ligação telefônica.
51ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 20/6/2018
Palavras do deputado João Leite
O deputado João Leite – Sra. Presidente, deputada Rosângela Reis; deputados Arlen Santiago e Sargento Rodrigues; nossos queridos irmãos e irmãs das colônias de Minas Gerais, esse povo querido que faz parte da nossa história e que merece todo carinho, toda atenção. Eles estão aqui hoje para cobrar os seus direitos. Vocês têm aqui um carinho muito grande, especialmente do deputado Arlen Santiago, que abraça permanentemente essa causa. Como presidente da Comissão de Saúde, ele batalhou muito e também nos convocou para essa batalha em favor dessa população tradicional de Minas Gerais, que faz parte da nossa história, honra a nossa história. É um povo lutador, determinado e de quem não abrimos mão. Vocês escreveram e ainda escrevem um capítulo importante da história de Minas Gerais e merecem desta Casa que os representa todo o respeito e carinho. Inicio assim a minha fala.
Tim Maia, você está aí? Bota som nessa caixa, por favor. (– Aproxima o celular do microfone.) Deputado Sargento Rodrigues, temos algo impensável na história de Minas Gerais. Juntaram o delegado-geral de polícia e o delegado colocado no gabinete do líder de governo na Assembleia e tramaram a derrubada da chefe da Polícia Civil – da nossa Polícia Civil, companheiros investigadores aqui presentes! Eu me lembro do Waldemar Leite da Silva. É impensável algo assim na gloriosa Polícia Civil de Minas Gerais! É uma vergonha! Vieram aqui para o gabinete do líder de governo na Assembleia Legislativa e tramaram a derrubada da delegada Andrea Vacchiano, e o mais grave, a queda do Dr. Alexandre também, chefe do Departamento de Fraudes da Polícia Civil, porque têm de colocar alguém da política do PT ali. Imaginem, a Polícia Civil! Parte dela hoje serve ao PT, lembrando muito o tempo da KGB, da Gestapo. Nós temos uma polícia em Minas agora, cujos delegados foram escolhidos pelo PT. Reuniram-se aqui no gabinete do deputado do PT, que outro dia veio aqui dizer que eu e o deputado Sargento Rodrigues somos os cavaleiros do Apocalipse.
Ele falou que são dois: eu e ele. Tem mais, e esse é de guerra. São quatro cavaleiros do Apocalipse: da peste, da guerra, da morte e da fome. Fome que as crianças estão passando nas escolas de Minas, porque não há alimentação escolar, não há merenda. Fome que as nossas colônias passam. Fome! Esse é o cavaleiro do Apocalipse, que o PT trouxe para Minas Gerais. Guerra que estão montando, criando uma polícia para eles. A Polícia Civil é do Estado de Minas Gerais, e não de um partido político. Não é, e vimos aqui como se deu a troca da chefia da Polícia Civil de Minas Gerais. Já mudou sete vezes, mas continua o Sr. João Octacílio, que marcou uma reunião com o deputado Durval Ângelo, a mando de Odair Cunha, aqui, na Assembleia Legislativa, para derrubar a delegada-chefe da Polícia Civil de Minas Gerais e o chefe do Departamento de Fraudes.
Hoje está lá o Sr. Rodrigo Bossi, que outro dia invadiu a Prefeitura de Itajubá e a casa do prefeito. O filho dele de 12 anos desmaiou por causa das metralhadoras. Imaginem: policias com balaclava entrando na casa das pessoas! Isso aconteceu com o prefeito de Moema, que é presidente da AMM. Entraram na prefeitura. Minas Gerais agora tem uma polícia política, que persegue os adversários. É o cavaleiro da guerra. Esse povo não tem limite.
Está no Instituto de Criminalística, senhores investigadores, que nos serviram, com honra, durante tantos anos, em Minas Gerais e aguardam continuar servindo ao Estado, o Sr. Delegado Bossi, usando um falsário, o Sr. Nilton Monteiro, para sujar a vida das pessoas, para entrar com investigadores nas casas das pessoas, como fizeram na casa da minha tia, uma mulher de 83 anos, com câncer. Chega, PT! Nós não vamos aceitar isso. Nós não vamos aceitar, em Minas, uma polícia política. Nós temos delegados de Estado, investigadores de Estado. Nós não aceitamos isso.
O deputado Sargento Rodrigues (em aparte)* – Deputado João Leite, a denúncia que V. Exa. faz, da tribuna desta Casa, é gravíssima: grampo telefônico de conversa do vereador Wellington Magalhães, que chegou, inclusive, a ficar preso na Penitenciária Nelson Hungria, com o atual chefe da Polícia Civil. Se V. Exa. prestar um pouco mais de atenção a esse grampo – e a gente, que é do ramo, tem um olhar diferenciado para essas coisas –, perceberá o chefe da Polícia Civil falando que vai estar com o deputado Durval Ângelo, vai combinar com ele, porque tem assuntos para resolver e pode colocar gente dele em determinado lugar. Essas denúncias são gravíssimas. Esse cidadão está falando do Detran. Está falando do Detran, porque os policiais civis, honrados, que lá trabalham, não querem esse tipo de maracutaia. Os policiais civis, sejam investigadores, sejam inspetores, sejam delegados, sejam peritos que lá se encontram, não querem essas pessoas. Esse grampo traz uma denúncia gravíssima.
Por que, até hoje, o João Octacílio não caiu? Por que servia ao secretário da Casa Civil? Qual o motivo para o secretário da Casa Civil, Sr. Odair Cunha, deputado federal Odair Cunha, querer tanto essa proximidade e querer que João Octacílio Neto atendesse aos pedidos do vereador Wellington Magalhães? Pedidos da administração pública só podem ser da seguinte forma: lícitos e morais.
O deputado João Leite – Técnicos.
O deputado Sargento Rodrigues (em aparte)* – Ou técnicos. A delegada Andrea Vacchiano, uma delegada séria, honrada, não se curvou e por isso foi afastada do cargo.
Então, temos de fazer uma audiência pública na Comissão de Segurança Pública, à qual o assunto é afeto, para que possamos convocar o chefe da Polícia Civil a vir prestar esclarecimentos. Se tivéssemos um governador sério em vez de um corrupto sentado na cadeira de governador, esse moço já teria sido demitido. E sabem por que ainda não demitiram o Sr. João Octacílio Neto? Por causa do rolo que há entre ele, Odair Cunha e a máfia instalada no Detran. Essa máfia foi instalada no Detran de Minas Gerais pelas mãos de João Octacílio Neto e com as bençãos e a proteção do deputado federal Odair Cunha. É disso que temos que tratar, porque há coisas extremamente obscuras no Detran, do ponto de vista do zelo e do trato da coisa pública. Odair Cunha se safou indo para Brasília, mas João Octacílio Neto precisa dar explicações a esta Casa. Esse chefe de polícia não caiu, deputado João Leite, porque está sob a proteção de Odair Cunha. É uma vergonha um chefe da Polícia Civil ser gravado por um grampo e permanecer no cargo. Se permanece, é porque outras pessoas estão com o rabo preso, desculpando-me pelo termo chulo, com João Octacílio Neto. Então, temos de fazer uma audiência pública e ouvir a Dra. Andrea Vacchiano e outros delegados que são sérios e honrados e querem dar sua contribuição.
Parabéns a V. Exa., pela coragem e firmeza das palavras.
O deputado João Leite – Obrigado, deputado Sargento Rodrigues. É uma vergonha este governo do PT em Minas Gerais, com sua perseguição aos adversários, enquanto vemos uma imprensa calada, uma imprensa que não fala absolutamente nada do que está acontecendo no Estado e ainda dá espaço para que se diga que a oposição na Assembleia Legislativa está impedindo que os servidores recebam. Que vergonha! Que vergonha! É este governo que não paga aos servidores! Ontem, uma professora com quem me encontrei não parava de dizer: “Eu não aceito, não aceito, não aceito. Eu trabalho e dou aula. Eu não aceito”. Mas, quando viajamos pelo interior, vemos outdoors enormes, colocados por um deputado ou uma deputada, com dizeres assim: “Obrigado, governador, pelos R$3.200.000,00 que o senhor me deu para fazer obras aqui. Isso paga tudo. Paga ao servidor público, à professora, ao médico, ao enfermeiro, ao assistente e aos nossos policiais”. Ele está dando dinheiro para que se faça o quê? Está é fazendo política barata.
Enquanto isso, acompanhamos uma greve no Hospital João XXIII e vemos as UPAs lotadas. É lamentável o que estamos vendo. No Hospital João XXIII, o ar-condicionado dos laboratórios não funciona, e estão perdendo tudo. A Funed não faz mais nem um comprimido em Minas Gerais. O Júlia Kubitschek, no Barreiro, está parado. Vários hospitais estão fechado, e 492 municípios estão enfrentando situações de alerta, com surtos de dengue, zika e chikungunya e o retorno da febre amarela.
Durval Ângelo, são quatro os cavaleiros. O primeiro, a peste, é o fim do cartão Aliança pela Vida, com que se tratava o usuário independente. O segundo, a guerra, é o domínio do PCC. Hoje, senhores policiais, estamos vendo o PCC dominando os nossos presídios, como o de Patrocínio – ele está totalmente dominado pelo PCC. Vemos também explosões de bancos e caixas eletrônicos, ônibus incendiados, estatísticas de violência maquiadas, fraudes do delegado Rodrigo Bossi, que continua no cargo – uma vergonha! Aliás, ele vai acompanhar as eleições deste ano. Que moral tem esse delegado?
Que moral tem um chefe da polícia que se reúne com os deputados do PT, num gabinete na Assembleia Legislativa, para decidir o que vai fazer? Isso é uma vergonha. Eu não paro mais. Eu vou atrás de tudo agora. Eu quero saber de tudo. Já peguei os vídeos da entrada da casa da minha tia, uma idosa de 83 anos. Agora eu quero tudo dessa polícia do PT, essa vergonha.
Já termino. O terceiro cavalheiro da fome está reinando em Minas Gerais. O desemprego e a morte rondam os nossos hospitais. As estatísticas de crescimento da morte de policiais e de agentes de segurança em Minas Gerais vêm aumentando. Chega, PT! O líder de governo tem de vir explicar essa resenha, essa reunião que aconteceu aqui, o delegado assessor que foi mandado embora pelo presidente da Assembleia armando esquema dentro da Assembleia Legislativa contra adversários. Chega, PT! Vamos até o fim agora.
* – Sem revisão do orador.