DEPUTADO JOÃO LEITE (PSDB)
Discurso
Comenta o interesse dos brasileiros pelo desempenho da seleção brasileira
de futebol durante os jogos da Copa do Mundo. Comenta a falta de
investimentos públicos em atividades esportivas para crianças e
adolescentes.
Reunião
48ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/07/2006
Página 47, Coluna 1
Assunto ESPORTE.
Aparteante WELITON PRADO.
Legislatura 15ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/07/2006
Página 47, Coluna 1
Assunto ESPORTE.
Aparteante WELITON PRADO.
48ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 28/6/2006
Palavras do Deputado João Leite
O Deputado João Leite - Sr. Presidente, Deputadas e Deputados,
telespectadores da TV Assembléia, cidadãos e cidadãs de Minas
Gerais que acompanham e assistem a esta reunião realizada em nosso
Plenário, temos visto nas ruas uma grande mobilização do povo
brasileiro. Brasileiros e brasileiras que vivem dentro e fora da
nossa terra estão acompanhando a performance da nossa Seleção na
Copa do Mundo. Impressionantemente, a maioria esmagadora dos seus
jogadores atuam fora do Brasil. Os números não são oficiais, mas
dizem que, só no último ano, o nosso país perdeu 3.500 jogadores
de futebol, que se transferiram para outros países. Por onde
passamos, vemos toda essa motivação, brasileiros perguntando sobre
os resultados da Seleção brasileira. Este é um país que gosta
muito de esporte; porém é lamentável que o futebol, o vôlei, o
basquete e o atletismo ainda permaneçam com a única maneira de
transformação social das crianças pobres brasileiras. Poderíamos
ter outras opções. A educação infantil lhes é negada,
principalmente na primeira infância. A oportunidade vem
especialmente do esporte. Infelizmente os governos que se sucedem
no País nunca deram ao esporte o “status” que existe no coração,
nas mentes e no sentimento do povo brasileiro. Foi assim nos
governos militares.
Acompanhávamos sempre como os governantes da ditadura em nosso
país conduziam o esporte, especialmente o futebol. Infelizmente
não deixaram nenhuma contribuição para a organização e o
desenvolvimento do esporte em nossa nação.
Em alguns momentos, os Presidentes do período militar tentaram
influenciar a escalação da Seleção Brasileira de Futebol. Foi
assim com o Gen. Médici em 1970. Eu era adolescente, mas
acompanhava a tentativa de esses Generais escalarem a Seleção
brasileira e colocarem alguns jogadores que, de alguma forma,
entendiam que deveriam jogar.
Acompanhei isso como atleta profissional. Lembro-me do campeonato
brasileiro de 1978, com quase 100 equipes, com o objetivo de
atender ao governo da época. Precisavamos fazer viagens
impressionantes por este país, jogando em diversos estádios sem a
mínima condição, para satisfazer o desejo político-partidário dos
que estavam no poder; todavia, agora, vimos algo estarrecedor, sem
dúvida: o Presidente da República fazer uma teleconferência
diretamente com o treinador da Seleção brasileira. Temos, então, o
aprofundamento da utilização do time brasileiro para uma questão
político-partidária. Nunca tinha visto isso. O Presidente da
República desejava escalar a Seleção brasileira. E o pior: escalar
mal. Queria tirar o Ronaldo, o maior artilheiro da história das
Copas do Mundo. O nosso Presidente, que se mete em tudo e que
entende de tudo - vejam bem -, fez uma análise da forma física do
Ronaldo.
É lamentável o desrespeito pelo atleta profissional neste país. O
Ronaldo, que detém o recorde de gols marcados pela Seleção
brasileira e por outras seleções, é usado numa videoconferência.
Essa é a história do atleta brasileiro, que, muitas vezes, é usado
e desrespeitado.
Não há, neste país, nenhum esforço para que os atletas estudem.
De repente, faz-se um esforço como esse, qual seja o de colocar os
atletas em um lugar distante da comunidade, da sociedade, da
escola, para que aprendam algo longe da realidade.
Enganam-se os que desrespeitam o atleta. Nas suas carreiras,
esses profissionais adquirem um conhecimento de mundo, em virtude
de suas viagens, de suas relações constantes com outros povos e do
contato permanente com situação de muita pressão. Às vezes, estão
por decidir uma partida com 100 mil pessoas que os ovacionam.
Vimos, infelizmente, o Presidente não ter o cuidado de saber que
aquele atleta, o Ronaldo, se submetera a um tratamento de 45 dias
e tomara medicamentos que, de alguma forma, lhe acarretaram
retenção muito grande de líquido; mas isso não lhe tira o talento
nem lhe diminui a “perfomance”.
Precisamos reconhecer que o nosso Presidente gosta de futebol.
Sempre o vemos, pela mídia, armando jogos na Granja do Torto, mas,
lamentavelmente, ele não teve o respeito necessário nessa
situação. O Ronaldo ou qualquer outro atleta que figura na Seleção
brasileira deveriam merecer o respeito de todos nós, brasileiros,
e, mais ainda, do Presidente da República.
Ronaldo, que vimos praticamente começando sua carreira em Minas
Gerais... Pudemos ver no Ronaldo, ainda jovem, com 16, 17 anos, o
talento de um atleta brasileiro. Nascido em uma família muito
pobre, como a maioria esmagadora dos atletas brasileiros, Ronaldo,
muito jovem, foi morar na Europa, em Eindhoven, transferiu-se para
Barcelona e depois para Milão. Recentemente, em Belo Horizonte,
vimos o talento desse jogador em um dos maiores jogos que o
Mineirão já viu - Brasil “versus” Argentina -, quando Ronaldo fez
três gols. Como o nosso Presidente escala mal! Achou que o Ronaldo
não estava bem, e o Ronaldo se transforma, nesta Copa, no maior
artilheiro da história das Copas do Mundo. Como escala mal! Está
perdendo um grande jogador do seu time, um Ministro importante que
já tinha avisado que não participaria mais deste governo, caso
fosse reeleito.
É triste vermos a maneira como o atleta é tratado no País.
Recentemente, o governo tentou, por medida provisória, tratar da
relação trabalhista do atleta, relação que ainda, lamentavelmente,
não está confirmada e é permanentemente desrespeitada, levando os
atletas a recorrer sempre à Justiça do Trabalho. É lamentável o
desrespeito, o descaso com os atletas e o esporte no País.
Acompanhamos o tímido investimento no esporte e agora vemos essa
relação de desrespeito com os atletas. Acham sempre que são mais
que os atletas e que podem falar qualquer coisa. Este governo
investe muito pouco no esporte. Tenho aqui os dados de hoje, que,
por si sós, dizem o que este governo tem feito pelo esporte. Não
faz absolutamente nada, especialmente na execução orçamentária.
Tínhamos uma previsão de R$970.000.000,00 para o esporte, mas
apenas 7% foram executados. Esse é o tratamento que este governo
dá ao esporte. Se tivéssemos que dizer algo sobre o que o governo
Lula fez pelo esporte, diríamos sobre a dívida pública da CBF, que
não é cobrada pelo governo. “Bola Fora: Apesar dos contratos
milionários que a CBF tem, o governo federal não cobra a grande
dívida que a CBF tem com o Fundo de Garantia por Tempo de
Serviço.” Essa é uma questão indefensável. Não há como se defender
uma questão como essa, um investimento baixíssimo no esporte, uma
execução orçamentária como essa. A previsão orçamentária para 2005
já tinha sido muito tímida, e o governo ainda se esqueceu de um
projeto que se chamava Esporte Solidário e que passou a se chamar
Segundo Tempo. Outra prática do governo foi mudar os nomes dos
projetos do governo anterior.
Em 2005, não repassou sequer um centavo para o programa que era
“Esporte Solidário” e passou a ser chamado de “Segundo Tempo”, e
240 Municípios de Minas Gerais ficaram sem recursos para os
adolescentes. E isso era algo importante, pois permitiria que o
jovem ficasse uma parte do dia na escola e outra, no projeto.
O Deputado Weliton Prado (em aparte) - Agradeço o aparte,
Deputado João Leite. O reconhecimento é muito importante. Existe
um programa do governo federal, o Bolsa-Atleta, que beneficia
milhares de estudantes em todo o País. Eles recebem uma
contribuição mensal para desenvolver a prática esportiva e
representar o nosso país em competições municipais, estaduais,
nacionais e internacionais.
Queremos ressaltar também o grande número de “kits” esportivos
que foram distribuídos para todo Estado, com recursos do governo
federal.
O senhor se preocupa muito com o esporte, e por isso queremos
falar de duas resoluções da Secretaria de Educação. É muito
importante sua participação nesse processo para que sejam
revistas. Uma delas retira o ensino de Educação Física dos alunos
do curso noturno. Algumas escolas não estão contratando
professores dessa disciplina, e outras não estão com professores
efetivos; portanto, os alunos do referido turno estão sem aulas de
Educação Física. A outra resolução diminui a carga horária da
Educação Física de duas para uma aula apenas por semana para as
crianças de 1ª a 4ª série, nas escolas de Minas Gerais. É muito
importante a revogação dessas duas resoluções, e para isso
solicitamos o apoio de V. Exa.
Em países do Primeiro Mundo, há prática de Educação Física nas
escolas, quase todos os dias, de segunda a sexta-feira.
Infelizmente, no Estado, estão querendo estabelecer a prática de
apenas uma aula por semana; portanto, é muito importante rever
essa medida da Secretaria. Muito obrigado.
O Deputado João Leite - Agradeço a contribuição de V. Exa. Pensei
que traria números diferentes dos apresentados aqui ou falaria
sobre a performance do Ronaldo, esse grande atleta brasileiro.
Não queria tratar do Bolsa-Atleta, mas V. Exa. me provocou. Essa
matéria está sendo tratada equivocadamente. O programa está
beneficiando atletas de alta performance e não está dando
oportunidades para a base, para os atletas que precisam.
Tratarei do tema aqui e mostrarei a situação com exemplos que me
têm sido trazidos por atletas que não estão sendo beneficiados;
eles precisam, mas não estão recebendo. Por outro lado, os que já
têm patrocínio, inclusive estatal, estão recebendo.
Essa foi uma luta que sempre tivemos com relação à Educação
Física, tão importante. Freqüentemente o esporte é considerado
algo menor, que não merece atenção, como aconteceu com a LDB de
1996. Defendemos a Educação Física, que é fundamental.
Encerro minha fala fazendo uma homenagem a esse grande atleta
brasileiro: Viva Ronaldo! O maior recordista de gols de todas as
Copas do Mundo, atleta brasileiro, nascido em uma vila deste país,
um vencedor. Muito obrigado.