Pronunciamentos

DEPUTADO GUILHERME DA CUNHA (NOVO)

Discurso

Declara posição contrária ao projeto de lei que dispõe sobre a prestação de serviço fretado de transporte rodoviário intermunicipal e metropolitano de pessoas.
Reunião 73ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 19ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 02/09/2021
Página 63, Coluna 1
Assunto TRANSPORTE COLETIVO.
Proposições citadas PL 1155 de 2015

73ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 31/8/2021

Palavras do deputado Guilherme da Cunha

O deputado Guilherme da Cunha – Boa tarde, presidente. Boa tarde, colegas. Talvez pela quinta vez venho à tribuna para falar sobre esse projeto. E antes que a gente avance na discussão, e eu cumpro aqui um combinado que fiz com cada um de V. Exas., é necessário esclarecer que esse projeto trata, sim, dos aplicativos de frete colaborativo em Minas Gerais.

Temos visto o autor do projeto, o deputado Alencar da Silveira Jr., em diversas manifestações e entrevistas afirmando que o projeto trata sobre o frete, e não sobre o aplicativo. É falso isso. O projeto trata sobre aplicativo, sim, mais especificamente em seu artigo que dispõe que é vedada a atuação de intermediários entre passageiro e fretador na contratação do frete. Detalhe, essa vedação não atinge só os aplicativos que parecem ter um alvo nas costas e estão sendo severamente atacados na Assembleia. Atinge também as agências de turismo e de viagens, como a CVC, que nada mais faz do que intermediação entre passageiros, seus clientes, e as empresas que prestarão o transporte via frete. Esse projeto pode fechar todas as agências de turismo de Minas Gerais.

Já ouvi a metáfora de que estão dando tiro de canhão para matar formiga. Eu não acho que os aplicativos sejam exatamente uma formiga, principalmente pela diferença que têm feito na vida do cidadão mineiro, mas tenho certeza de que esse tiro de canhão que está sendo dado através desse projeto, que para sua própria defesa faz uso de falsidade e mentira, está indo em vários alvos, vários deles errados e vai prejudicar muita gente.

Feito esse esclarecimento, vamos conversar aqui sobre os aplicativos. E eu havia me comprometido com cada um de V. Exas. de, durante a discussão desse projeto, trazer aqui uma comparação entre o valor que o cidadão mineiro, o passageiro, aquele que cada um de nós representa ou deveria representar, tem que pagar na rodoviária para poder viajar ou quanto ele poderia pagar com o uso dos aplicativos. Fiz questão de trazer essa comparação, cidade por cidade de cada um dos deputados desta Assembleia, e começo por ordem alfabética: deputado Agostinho Patrus, a partir da cidade de Rio Casca, deputado Agostinho, um cidadão que deseja vir a Belo Horizonte e voltar deveria pagar R$80,70 na rodoviária; com o aplicativo, ele tem a opção de pagar R$49,90. Para esse cidadão, deputado Agostinho, o voto de V. Exa., se bem que V. Exa. não vota, mas o voto de V. Exa. ou desta Casa pode significar R$60,00 sendo incinerados e parar no bolso dos grandes empresários de ônibus ou R$60,00 a mais no bolso do cidadão para ele colocar na mesa dele, para que ele dê dignidade para a família dele, para que ele possa ter uma vida minimamente mais confortável nesses tempos difíceis de desemprego, de inflação e de escassez no nosso estado.

Ao deputado Alencar, digo que um cidadão de Itabirito que deseja vir a Belo Horizonte, deputado Alencar, pagaria R$23,90; de Buser, R$14,90; R$18,00, Alencar, é o que pode significar a sua decisão, a mais ou a menos, no bolso de cada cidadão de Itabirito.

À colega Ana Paula Siqueira, digo, tomando como referência Timóteo também com destino a Belo Horizonte, que a passagem pode custar R$82,10 na rodoviária; R$49,90 no aplicativo; R$64,40 podem sair do bolso do cidadão a depender do voto da deputada.

Deputado André Quintão, a partir de Ouro Preto, o cidadão que deseja vir a Belo Horizonte, deputado André, especialmente os mais pobres que V. Exa. defende, teria que pagar R$42,60 na rodoviária; no aplicativo poderia pagar R$24,90. O seu voto faz diferença, deputado André. Tenho certeza que mesmo aí, no fundo, olhando para o celular, V. Exa. escuta e entende. O seu voto faz uma diferença de R$35,40 para o bolso de cada cidadão de Ouro Preto que precisa viajar.

Deputada Andreia de Jesus, tomei a liberdade de imaginar uma ida ao Rio de Janeiro, terra da vereadora Marielle, símbolo do partido dela e da luta que ela representa. À deputada Andreia eu diria que na rodoviária isso vai custar R$190,99, mas, pelo aplicativo, a pessoa poderia pagar R$59,90. Com R$100,00 a mais no bolso, quanta comida não vai à mesa do brasileiro! Deputada Andreia, o seu voto também faz diferença.

Ao deputado Antonio Carlos Arantes - a situação é um pouco mais distante, em Jacuí, terra que ele também representa e para onde ainda não há rota pelo aplicativo. Mas a ele digo que, a depender do voto que vir a dar, essa rota jamais vai existir ou poderá surgir muito em breve. Onde os aplicativos entraram e começaram a operar no Brasil, especialmente nas viagens interestaduais, isso significou, em média, uma redução de 40% no preço da rodoviária. Essa economia pode ou não surgir para Jacuí a depender do voto do deputado Antonio Carlos Arantes.

Aos deputados Arlen Santiago, Carlos Pimenta, Gil Pereira, Leninha e Tadeuzinho - a gente vê que Montes Claros está bem representada, é muita gente -, a todos eles digo que o cidadão de Montes Claros que deseja vir a Belo Horizonte, trajeto que eles fazem toda semana, com tanta frequência, pagaria R$146,90 na rodoviária; poderia pagar R$64,90 no aplicativo. Pasmem, a diferença é de R$164,00 no bolso do cidadão de Montes Claros, a depender do voto desses colegas. Se o povo de Montes Claros não está prestando atenção nessa votação, se os cidadãos de lá ainda não entenderam do que isso trata, espero que esses R$164,00 que podem sair do bolso deles e engordar lucros de empresários de ônibus, com família aqui em Belo Horizonte, os convençam de que é necessário acompanhar de perto o Parlamento e cobrar.

Deputado Arnaldo Silva, partindo de Frutal, imagine uma ida a Campinas, está mais próximo e é um polo importante para a região, ainda que em outro Estado, deputado Arnaldo, são R$155,04, na rodoviária, e R$129,00, no aplicativo. O deputado Bartô, se quiser visitar os negócios da família, da Tambasa, em Ponte Nova, poderia viajar pagando R$57,99, na rodoviária, ou R$34,90 pelo aplicativo. Mas aqui eu sei que estou falando com alguém que já defende, que já apoia a causa e que já tem dado a cara à tapa aqui dentro para tentar barrar esse projeto. Muito obrigado, deputado. A deputada Beatriz Cerqueira, caso queira visitar o colega Rogério Correia, lá em Brasília, ou o deputado Bruno Engler, se desejar apoiar Bolsonaro, uma ida de Brasília a BH custa R$127,07, na rodoviária; R$79,90, pelo aplicativo. Isso faz diferença. São quase R$100,00 a mais para poder gastar lá com o material de apoio ao seu político favorito.

Deputado Braulio Braz, Doutor Wilson Batista, com quem tive a oportunidade de conversar hoje - e foi uma conversa muito produtiva a respeito desse projeto -, a população de Muriaé está de olho no trabalho e no voto de V. Exas., porque cada um dos moradores da cidade que deseje vir a Belo Horizonte teria que pagar R$173,85, na rodoviária; poderia pagar R$69,90, pelo aplicativo - até o momento, talvez aqui seja a diferença mais expressiva. São ao todo R$207,90 que podem ser incinerados do bolso do cidadão mineiro, dependendo do voto dos colegas.

Deputado Bernardo Mucida, foi uma alegria recebê-lo nesta Assembleia; já na metade do seu mandato, tem feito um serviço brilhante. Muito me orgulha poder dizer que é colega não apenas de Parlamento, mas também da Vetusta Casa de Afonso Pena. O cidadão de Itabira que venha, porventura, a Belo Horizonte, na rodoviária paga R$46,95; pelo aplicativo são R$19,90. Bernardo Mucida, parabéns! Sua postura, desde o início da tramitação desse projeto, é o que pode salvar R$54,10 para o cidadão de Itabira, cada vez que ele precise vir a Belo Horizonte; e eu sei que o seu trabalho está fazendo isso.

Aos deputados Betão, Noraldino e Delegada Sheila, de Juiz de Fora, a diferença dói! De Juiz de Fora a BH são R$103,55, na rodoviária; poderia ser R59,90, pelo aplicativo. É difícil acreditar que qualquer um desses três deputados, tão ligados à sua cidade, à sua região, vão deixar a população ser lesada dessa forma para facilitar a vida de grandes empresários. Eu tenho confiança de que eles vão votar no melhor interesse do povo de Juiz de Fora, evitando que eles paguem essa salgada conta de R$87,30 por viagem.

Deputado Betinho, a partir de Camanducaia, um polo turístico que recebe muita gente de São Paulo - e eu tenho certeza de que o Rodrigão está de olho nessa sua votação... Deputado Betinho, de Camanducaia a São Paulo são R$38,00, na rodoviária; R$29,90, pelo aplicativo.

Ao deputado Bosco, de Araxá, a mesma terra do governador, temos R$82,73, na rodoviária - a diferença aqui é pequenininha. Talvez o Bosco fique com a consciência menos pesada - e R$69,90, no aplicativo. Por outro lado, ao deputado Carlos Henrique, a partir de Itaobim, chegando a BH, são R$115,94, na rodoviária; R$89,90, pelo aplicativo, ou seja, R$52,00 no bolso de cada cidadão de Itaobim. Será que Itaobim está tão rica assim que há cidadão lá feliz e confortável para incinerar R$52,00, pôr fogo numa nota de R$50,00 ou só o representante da região estaria confortável para fazer isso? Eu tenho confiança de que também o deputado Carlos Henrique vai honrar o bolso do cidadão que representa, vai votar “não” a esse projeto.

Deputado Cássio, V. Exa. tem exercido uma liderança muito intensa na tramitação desse projeto. Vários colegas com os quais conversei, muitos do seu bloco disseram que concordavam com o meu ponto de vista, que entendiam que o projeto era lesivo para o cidadão, mas que havia uma orientação do bloco - e V. Exa. é o líder do bloco - para que eles votassem pela continuidade da tramitação. E esse voto, deputado Cássio, tem peso em Passos. Porque o cidadão de Passos que precisa viajar, que precisa vir a Belo Horizonte, tem de pagar R$129,75 na rodoviária. E ele poderia, deputado Cássio, com a sua liderança exercida no sentido correto de favorecer à população, pagar R$79,90 pelo aplicativo. Seria muito, muito melhor para o cidadão de Passos chegar a Belo Horizonte com R$100,00 no bolso ou voltar para casa podendo colocar mais comida na mesa.

O deputado Celinho ontem deu um parecer na Comissão de Transporte pela continuidade da tramitação no estado que se encontrava, mesmo depois do compromisso assumido por todos aqueles que subiram a esta tribuna, no 1º turno, nesta Casa, de que o projeto seria aprimorado em 2º turno. Ele, que apresentou um parecer dizendo que não havia fatos novos e que era para votar a matéria como ela se encontra, ele fez, através do seu parecer - ou pode vir a fazer através do voto dele aqui neste Plenário - com que o cidadão de Coronel Fabriciano seja obrigado a pagar R$83,30 na rodoviária, em vez de R$49,90 pelo aplicativo, retirando R$66,90 do bolso do cidadão que ele representa para direcionar para os grandes empresários de ônibus de Minas Gerais.

A deputada Celise, uma companheira querida, na qual eu tenho confiança, que vai apoiar a nossa luta para barrar esse projeto, representando o cidadão de Aimorés, que está logo ali ao lado de Vitória - por sinal, terra onde mora o meu irmão e o meu querido sobrinho -, pode ajudar o cidadão de Aimorés a viajar pagando R$29,90 em vez de R$67,00. E aos deputados Charles Santos e Elismar Prado, de Uberlândia, eu diria que uma viagem feita na rodoviária, que pode custar R$105,12, poderia ser feita por R$89,90 para essa população que eles representam.

Vejo que o deputado Cleitinho Azevedo me escuta com atenção; ele está aqui acompanhando cada passo desse projeto e tem sido um baita parceiro. Deputado Cleitinho, em Divinópolis a diferença é monstruosa, é mais de 100%. Na rodoviária são R$51,80 - no Teixeirão, não é? -, já no aplicativo podem ser R$19,90. E que alegria ver que V. Exa. está do lado certo da história e não está tirando esse dinheiro do bolso nem da mesa do cidadão de Divinópolis. O seu trabalho está fazendo com que o cidadão tenha esse dinheiro com ele para dar dignidade para a família.

Aos deputados Coronel Henrique e Doorgal, ambos de Barbacena, cada um com sua história e seus vínculos com a cidade - espero que ambos estejam unidos na determinação de ajudar a população a ficar com mais dinheiro no bolso -, eu diria que na rodoviária, Coronel Henrique e Doorgal Andrada, a viagem de BH a Barbacena custa R$66,20 e pelo aplicativo, R$34,90. Dá para comer muito pastel no Roselanche com isso.

Coronel Sandro, em Governador Valadares - ele também tem sido um apoiador aqui nessa luta. O Coronel Sandro vai se assustar com a diferença brutal de preço, porque, na rodoviária, uma viagem de Valadares a BH custa R$119,00 e, pelo aplicativo, pode custar R$49,90.

O deputado Cristiano Silveira infelizmente não colaborou muito nas comissões para que a gente pudesse aprimorar o projeto. Infelizmente, ainda na última vez - na penúltima vez que estivemos aqui no Plenário -, ele insistiu para que o projeto fosse votado antes de ouvir a população em audiência pública marcada para o mesmo dia. Bem, talvez ele não esteja escutando muito a população em São João del-Rei, que poderia pagar R$39,90 para vir a Belo Horizonte, mas está sendo forçada a pagar R$79,95 na Viação Sandra, inclusive. O deputado Dalmo está na mesma situação do nosso colega Antonio Carlos Arantes: ainda não há aplicativo operando em Ouro Fino, mas há a mesma situação também - acredito - de expectativa de que logo venham a operar pela diferença que claramente fazem na vida do cidadão que precisa viajar.

O Dr. Heli Grilo, que acabou de chegar, talvez curioso esteja em relação ao valor para Uberaba. Já lhe conto, doutor. São R$108,06 na rodoviária, e podem ser R$84,90 pelo aplicativo. Seu voto, Dr. Heli, pode significar R$46,00 a mais no bolso do cidadão de Uberaba, e eu tenho certeza de que é no bolso dele que V. Exa. quer que esse valor fique, e não no dos grandes empresários de ônibus.

Ainda dando sequência, apresento aqui a cidade de Sete Lagoas, seja do Douglas Melo, seja do Léo Portela, para ir lá assistir ao jogo do Cruzeiro na Arena do Jacaré. De BH a Sete Lagoas é pertinho, mas a Setelagoano consegue cobrar R$29,20 de quem precisa viajar; é um trecho deste tamaninho, que, no aplicativo, pode sair a R$11,90. É muito mais justo, muito mais do interesse da população. Vamos ver como votam.

Doutor Jean Freire em Almenara: são R$136,29 pela Gontijo, doutor; e eu tenho visto pelos seus votos que V. Exa. já entendeu que é do maior interesse da população pagar menos, pagar R$109,90 pelo aplicativo. Parabéns, doutor, por, ainda contra o posicionamento majoritário do seu bloco, não ter virado as costas para quem de fato V. Exa. representa, que é o seu eleitor, o cidadão mineiro, o natural de Almenara que precisa viajar e que graças a seu voto tem uma chance de viajar pagando menos.

O colega Duarte Bechir, em Campo Belo - e falei com ele ontem na audiência da Comissão de Transportes... Volto a falar aqui em Plenário porque é importante saber, colega Duarte, que o cidadão de Campo Belo que precisa vir a Belo Horizonte pode pagar escandalosos R$92,70 na rodoviária, quando poderia pagar muito menos no aplicativo a depender do seu voto, com que não pudemos contar ontem, mas que talvez hoje seja diferente. Ele poderia pagar R$39,90 pelo aplicativo. É uma diferença brutal. É dinheiro que sai do bolso do cidadão, Duarte, e que precisa ser respeitado.

Colega Fábio Avelar de Oliveira, que todos os dias faz o trajeto BH-Nova Serrana, todos os dias, na rodoviária o cidadão de sua cidade que precisa se deslocar como V. Exa., que se desloca em veículo próprio, paga R$52,00 e poderia pagar a metade disso pelo aplicativo.

Colega Fernando Pacheco, de Cataguases, atenção, a diferença é grande, e isso dói no bolso do cidadão de Cataguases, dói no bolso dos seus conterrâneos. Colega Fernando Pacheco, são R$121,92 na rodoviária e R$59,90 pelo aplicativo - a diferença é de 100%. Fernando, são 100%; esse dinheiro precisa ficar no bolso do cidadão de Cataguases, e isso depende do seu voto.

Deputado Glaycon Franco, de Conselheiro Lafaiete, são R$43,65 na rodoviária e poderiam ser R$29,90 no aplicativo. Colega Glaycon, o trânsito entre essas duas cidades é intenso; a BR-040 está quase virando uma avenida ao invés de uma rodovia - e por sinal está em péssimas condições; e o seu voto faz diferença para deixar esse dinheiro no bolso do cidadão.

Deputado Inácio, ouvidor-geral desta Casa, que determinou inclusive a abertura de processo ético contra mim por estar fazendo a defesa do transporte fretado - o que estou fazendo agora aqui desta tribuna; abriu processo ético contra mim por eu querer que o cidadão mineiro pague menos; deputado Inácio Franco, para Pará de Minas, são R$34,95 na rodoviária e R$19,90 pelo aplicativo.

Deputado Gustavo Mitre, de Itaúna, são R$36,85 na rodoviária e, Gustavo Mitre, R$19,90 pelo aplicativo. Deputados Gustavo Santana e Neilando Pimenta, que representam Teófilo Otôni, a ida até Vitória, que está aí pertinho, pode custar R$165,65, na rodoviária, ou R$69,90, pelo aplicativo. Faz diferença ou não? É uma pergunta que faço aos dois. Que o cidadão de Teófilo Otôni possa chegar ao seu destino com R$191,00 no bolso! A deputada Laura Serrano tem vínculos lá também que eu sei. E eu sei que ela representa bem essa população e deseja que o dinheiro fique no bolso do cidadão. A depender do seu voto, deputada, da sua representação nessa cidade tão importante, o cidadão vai poder ficar com dinheiro no bolso. Eu não sei quanto ao voto dos colegas.

Eu adoraria dar parabéns ao deputado Gustavo Valadares, aniversariante da semana, por permitir que o cidadão de Guanhães viaje até Itabira pagando R$24,90 em vez R$52,66. Mas aí a Saritur sai com o interesse dela prejudicado. E a gente sabe que a Saritur tem bastante contato, bastante força e bastante influência. O deputado Hely Tarqüínio, de Patos de Minas, é da terra do querido prefeito Falcão, um dos melhores prefeitos de Minas Gerais e que tem feito um trabalho exemplar nesse curto tempo de gestão. Utilizando a criatividade, ele resolveu um problema histórico da cidade no acesso à saúde, fazendo parceria público-privada com a santa casa para abrir uma infinidade de leitos para o município e para a região, leitos esses que nunca chegavam nas promessas tradicionais, tradicionais e tradicionais de políticos em sequência que prometeram abrir o hospital municipal. Parabéns, Falcão, por ter feito uso da criatividade e da boa gestão em parceria com a iniciativa privada para proporcionar saúde pública para a população. Ao deputado Hely Tarqüínio, da cidade do grande prefeito Falcão, eu diria que o cidadão que precisa vir a Belo Horizonte, como ele faz - talvez tenha feito esta semana. Não sei se ficou aqui no final de semana, não é Hely? -, paga R$139,85, na rodoviária, e R$69,90, pelo aplicativo. O ser humano, Hely, que V. Exa. defende tão bem, com tanta preocupação em suas dimensões diversas, não merece ficar com R$139,00 a mais no bolso? O cidadão da sua cidade não merece ficar com R$139,00 a mais no bolso dele? Depende do seu voto, depende do seu “não” para esse projeto ou do seu “sim” para a emenda que eu apresentei. Certamente não depende de concordar com o Alencar nessa matéria. Sei que ele está do seu lado, mas quero acreditar que dentro da sua consciência e do seu coração vai estar o cidadão de Patos de Minas.

Deputada Ione Pinheiro, para Abre-Campo, são R$102,05, na rodoviária, e menos da metade, pelo aplicativo. Ione, o cidadão de Abre-Campo pode pagar R$49,90 para vir a BH, a depender do seu voto, ou R$102,05. Deputados João Leite e Mário Caixa, eu coloquei aqui São Paulo porque o Galão vai jogar lá na semifinal da Libertadores contra o Palmeiras, não é? O Caixa vai narrar, e o João vai lá dar sorte. São R$71,12, na rodoviária, e R$54,90, pelo aplicativo. Vejam que interessante! Não choca um pouco cada um de V. Exas. que de BH para São Paulo possa ter preços tão melhores, por exemplo, do que de Patos de Minas para BH, já que a distância é menor? Nas rotas interestaduais há concorrência, não é? Já existe.

Dou sequência trazendo o caso de Manhuaçu, terra do deputado João Magalhães. João, de Manhuaçu para BH são R$107,75 pela Pássaro Verde, mas pode ser R$49,90 pelo aplicativo. É uma decisão, é um voto, João, de R$115,00 para a população de Manhuaçu. Deputado João Vítor Xavier, com uma votação tão espalhada por toda Minas Gerais, eu acabei pensando na cidade de Unaí, cujo custo para vir a Belo Horizonte é de R$206,70. É sério, sério mesmo! O cidadão de Unaí está lascado! Se precisar vir a BH, ele está lascado! Pagar R$206,00 numa passagem só de ida? E a volta? Lá se vai quase meio salário mínimo para uma viagem a BH. Poderiam ser R$119,90 pelo aplicativo; a mordida já fica muito menor.

Trazendo o caso, deputado Osvaldo Lopes, que é de Contagem... Ele teve uma votação muito expressiva em Contagem; na verdade, sei que ele tem voto de pessoas que defendem a causa animal no Estado inteiro e com muita legitimidade, mas eu trouxe o caso de Contagem e São Paulo. São R$191,98, na rodoviária, de Gontijo - Ah, Gontijo! - e são R$54,90, pelo aplicativo. Ao Professor Cleiton, Repórter Rafael Martins e Professor Irineu, também todos eles com uma votação expressiva em Contagem, eu busquei um outro roteiro: Rio de Janeiro, que são R$140,00, na rodoviária, e R$39,90, pelo aplicativo - para ir de Contagem para o Rio, está R$39,90, pelo aplicativo.

Dando sequência, temos Santos Dumont, de Leandro Genaro, como uma diferença de R$74,70 para o cidadão - a depender do voto dele - e também a cidade de Bocaiuva, do colega Leonídio Bouças. São R$80,00, na rodoviária, Leonídio; e R$54,90, pelo aplicativo. Ao deputado Marquinho, de Carbonita, eu dou a má notícia de que o aplicativo ainda não chegou lá. Agora, se chegar, deputado Marquinho - e depende do seu voto -, dá para ver aqui a diferença que isso vai fazer para o cidadão.

Continuo com o deputado Mauro Tramonte, gigante de votos em Belo Horizonte e em toda Minas Gerais. O deputado Mauro Tramonte é até difícil de escolher onde que ele é majoritário para a gente puxar o número. Então, puxei a cidade que talvez seja a do coração, que é sobre a que mais vejo ele falando aqui, nesta Assembleia: Poços de Caldas, um roteiro turístico importante de Minas Gerais, turismo que será tão prejudicado por esse projeto. Ao deputado Mauro Tramonte, eu digo que uma vinda de Poços de Caldas para BH pode custar R$186,70, na rodoviária, ou R$59,90, no aplicativo. E aqui temos, dentro de Minas, a diferença mais brutal contra o cidadão. É difícil crer que o deputado Mauro Tramonte, que, diariamente trabalha, seja para noticiar na TV as coisas que estão erradas no nosso estado, seja aqui na Assembleia para tentar trazer solução para cada uma delas, é difícil acreditar que o deputado Mauro Tramonte vai virar as costas à população de Poços de Caldas neste momento e vai fazê-la arcar com a pior diferença em preço de passagem que esse projeto pode ocasionar. Deputado Mauro Tramonte, o seu voto pode valer para cada cidadão de Poços de Caldas que precise viajar incríveis R$253,60! Dói no bolso do povo ter que pagar isso, ter que pôr fogo nisso por conta de um projeto ruim que pode ser aprovado nesta Casa. Quem aqui não prefere que o cidadão tenha esse dinheiro no bolso para pôr comida na mesa e está confortável em pôr esse dinheiro no cofre da Gontijo, da Saritur ou das empresas aqui listadas? Não pode continuar assim!

Ao deputado Professor Wendel Mesquita, de Bom Despacho, são R$66,00, na rodoviária, e menos da metade pelo aplicativo: R$29,90. Ao deputado Raul Belém, que, ao longo da tramitação - devo dizer -, tem dificultado a minha atuação nas comissões, são R$161,28 para vir de Araguari a Belo Horizonte e R$94,90, pelo aplicativo. Deputado Raul Belém, o seu voto, a sua coragem em dar esse voto pode economizar para o cidadão de Araguari R$132,76. Isso é importante.

Ao deputado Roberto Andrade, que tem sido um parceiro... O deputado Roberto Andrade está que anda de um lado para o outro ali no fundo. De Viçosa a Belo Horizonte, deputado, são R$70,99, na rodoviária, mas graças à sua decisão e ao seu voto, que tem sido de apoio, pode custar R$44,90. O estudante de Viçosa agradece o seu trabalho. À deputada Rosângela Reis, em Ipatinga, são R$88,60, na rodoviária e R$49,90, pelo aplicativo.

E aqui passo para o deputado Sávio Souza Cruz, de Curvelo, terra do prefeito Luiz Paulo, o incrível prefeito Luiz Paulo, uma máquina de atrair investimento para o município; uma máquina de diversificação econômica, de dinamismo; que está mudando a vida da cidade. Deputado Sávio, se você quiser se juntar a mim, e a gente fazer uma visita ao prefeito Luiz Paulo - que não seja em carro oficial da Assembleia, porque desses não faço uso -, são R$67,81, na rodoviária, e R$29,90, pelo aplicativo.

O deputado Sargento Rodrigues tem votação no Estado inteiro; onde há policial, há voto para ele. Daí eu puxei a cidade de Lavras, Rodrigues. Na cidade de Lavras são R$94,80 para chegar a Belo Horizonte; a partir do aplicativo, R$49,90. Seu voto, deputado Rodrigues, pode economizar R$90,00 para o cidadão mineiro, em vez de ir para a péssima empresa que é a Gardênia.

Já terminando, passo aqui para a reta final. Deputado Tito Torres, cujo gabinete é bem próximo ao meu. Deputado Tito Torres, de João Monlevade para BH, R$39,15, na rodoviária, e são R$29,90, no aplicativo. Deputado Thiago Cota, que é meu vizinho de parede. Na época em que houve infestação de escorpião aqui, na Assembleia, caiu no gabinete dele também - caiu no meu, caiu no dele. De Mariana a BH, R$48,30 na rodoviária, R$29,90, pelo aplicativo.

Deputado Ulysses Gomes, em Itajubá. Olhe a diferença, deputado Ulysses. A pessoa pode viajar gastando R$79,90 pelo aplicativo; ou ela pode juntar a isso mais quase 20% de um salário mínimo, e ter que pagar R$175,40, na rodoviária. Deputado Ulysses, o cidadão mais pobre de Minas Gerais precisa do seu voto para viajar mais barato, e adoraria poder dizer a ele que vai contar com esse voto, mas não tenho essa certeza diante do que tem sido a tramitação do projeto.

Deputado Virgílio Guimarães, um querido amigo, para o cidadão que sai de Janaúba para vir a Belo Horizonte são R$89,90, pelo aplicativo, e escorchantes R$197,20, na rodoviária. É, deputado Virgílio, esse voto pode sair caro para o povo, caro para o povo.

Ao deputado Zé Guilherme: de Alfenas para BH, R$59,90, no aplicativo; R$136,90, na rodoviária. E Zé Guilherme, meu amigo, o que o cidadão mineiro de Alfenas, que confiou no senhor, não poderia fazer com R$154,00 a mais no bolso? Quanto que isso dá de comida, de conta de luz? Quanto que isso dá de dignidade para a família? Ou quanto que isso dá de lucro para as grandes empresas de ônibus? Tudo depende de uma decisão que a gente vai tomar agora.

O deputado Zé Reis - e finalizo com ele - é o último da nossa ordem alfabética. Ao deputado Zé Reis eu digo que, se toda essa comparação aqui feita não o deixou desejoso de que os aplicativos cheguem logo a Bonito de Minas, é porque ele acabou de virar as costas para a cidade, é porque ele não está nem aí para o dinheiro do povo, e quer mais é que o cara “se exploda”, sem dinheiro para pôr comida na mesa, e bancando o lucro de empresário de ônibus.

Senhores, conforme prometido, essa é a comparação dos preços, porque eu fazia questão de trazer o ponto de vista do passageiro para essa discussão; ponto de vista do passageiro que, inúmeras vezes, foi exposto em matérias televisivas, especialmente nas últimas semanas, pela Rede Globo; sempre, com unanimidade, o passageiro dizendo que quer opções, que quer viajar mais barato. E não me resta dúvida - e essa tabela mostra isso, no centavo - sobre qual é a opção que permite ao passageiro viajar mais barato.

Eu não pretendo fazer uso de todo o tempo unicamente porque ele existe, mas faço questão de convidar os colegas à reflexão. É compreensível que alguns considerem que alguma regulação é necessária. A esses, eu digo: vamos trabalhar numa regulação que preste, porque essa, essa que está aqui na iminência de ser votada, essa que foi empurrada a trator pelas comissões da Assembleia, essa que passou em Plenário sob o compromisso de melhorias em 2º turno e que está voltando igualzinha, tim-tim por tim-tim, essa não serve. Essa não serve para regular nada. Essa só serve para dar lucro para grandes empresários de ônibus.

E essa é uma votação que eu acho que vai ser bastante simbólica não só nesta Assembleia. É um dos poucos casos em que há uma votação na qual há divisão nesta Assembleia, sem que seja, obviamente, projeto do governo. Essa é uma votação que vai ser bastante simbólica para o povo que acompanha o nosso trabalho ou para o povo que finalmente vai perceber que precisa acompanhar mais o nosso trabalho, porque, na real, o cidadão mineiro não sabe nem onde esse prédio fica. Mas ele vai sentir no bolso a decisão que sair daqui, para o bem ou para o mal. Senhoras e senhores, eu espero que seja para o bem.

Eu encerro a discussão pedindo a todos que votem “não” a esse projeto que mata o setor do turismo, que mata a oportunidade de trabalho para 1.800 pequenos empreendedores, que tira tanto dinheiro do bolso do cidadão e que só atende aos grandes empresários de ônibus. Votem “não” ao projeto. Caso sejamos vencidos, que votemos “sim” à emenda, porque ela salva boa parte dos danos que isso aqui provoca. Sobre ela, eu farei questão de falar no tempo de encaminhamento, para o qual também já estou inscrito e do qual farei uso. Muito obrigado.