DEPUTADO GETÚLIO NEIVA (PMDB)
Discurso
Comenta viagem aos Municípios da região Norte do Estado e dos Vales do
Jequitinhonha e Mucuri e questões relacionadas à implementação de
programas do Governo Estadual nessas regiões. Comenta a cassação do
mandato da Deputada Maria Lúcia Mendonça e a posse do Deputado Duarte
Belchir.
Reunião
48ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 16ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/06/2009
Página 53, Coluna 3
Assunto ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. DEPUTADO ESTADUAL.
Legislatura 16ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/06/2009
Página 53, Coluna 3
Assunto ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. DESENVOLVIMENTO REGIONAL. DEPUTADO ESTADUAL.
48ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª
LEGISLATURA, EM 16/6/2009
Palavras do Deputado Getúlio Neiva
O Deputado Getúlio Neiva - Caro Presidente Hely Tarqüínio, nesse
fim de semana viajamos bastante pela nossa região. Gostaria de
destacar aqui a nossa presença em Serra dos Aimorés, na divisa com
a Bahia, onde há uma grande destilaria de álcool operando, e ainda
lamentar que, no Município vizinho de Nanuque, uma outra
destilaria tenha entrado em processo de liquidação judicial, o que
traz um problema grave, de desemprego, em função, é claro, das
políticas do governo, de não fixar margem de rentabilidade para os
operadores das usinas de álcool da nossa região. Em Serra dos
Aimorés, visitamos um grande companheiro, o Prefeito Célio Pinto,
que foi Prefeito de 1983 a 1988, tem três irmãos Prefeitos no
Estado da Bahia e um irmão Deputado Federal, Uldurico Pinto,
grandes amigos, grandes companheiros. Ele foi vitimado há cerca de
70 dias por um infarto. Está recuperando-se, mas já assumiu o
cargo. Queremos cumprimentar o Célio, desejar a ele um restante de
mandato pleno de realizações e dizer que estaremos juntos para
ajudá-lo naquilo que for necessário.
De Serra do Aimorés, fomos a Nanuque para participar de um evento
muito importante, Sr. Presidente. Conseguimos expandir a
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Já
assinamos, em Nanuque, com a presença do Vice-Reitor Donaldo Rosa,
um importante documento, a criação de uma universidade aberta com
vestibular já a partir deste ano. Trata-se da Universidade Federal
dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, expandido-se para Nanuque.
Havíamos conseguido a expansão da universidade de Diamantina para
Teófilo Otôni, cujas obras já estão em andamento. Vamos trabalhar,
ainda neste ano, para a expansão da universidade aberta, que é a
primeira fase da sua instalação; logo após, os cursos
semipresenciais e os presenciais. Tudo dependendo de uma ação de
governo e, é claro, contando também especialmente com a
participação do Deputado Federal Ademir Camilo, desde o início
desse trabalho, que começamos em 2003 com a Reitora Mirelle, à
época, e hoje com o novo Reitor, Dr. Pedro, e com o Nonaldo Rosa,
Vice-Reitor também muito competente. E, graças a Deus, houve a
transformação da Universidade Federal de Diamantina, que antes era
apenas uma faculdade de odontologia. Essa transformação se deu a
partir do importante trabalho do Deputado Federal Ademir Camilo.
Agora está ocorrendo sua expansão, da qual temos participado, pois
já fomos a Brasília com o Ademir para resolver questões internas.
Temos também discutido algumas questões com o Conselho da
Universidade. Diante disso, realmente a Universidade dos Vales do
Mucuri e Jequitinhonha está se expandindo, de modo que, daqui a
alguns dias, se Deus quiser, teremos uma universidade do porte da
UFMG. Esse é um trabalho continuado.
Sr. Presidente, gostaria de agradecer ao Prefeito Nide Brito, que
por duas vezes foi Prefeito de Nanuque. Como o ex-Prefeito Armando
não poderia mais se reeleger, fez um convite ao Nide, que foi
eleito Prefeito daquela terra e tem feito um governo brilhante,
determinado, acompanhado pelo seu Vice-Prefeito Evandro. Fizeram
uma solenidade bonita, reunindo a Prefeitura e todos os
Vereadores, as Diretoras de escolas, o Presidente da Associação
Comercial e toda a imprensa da cidade, televisão, rádios e
jornais. Trata-se de uma cidade importantíssima, um micropolo
daquela parte do Estado ligado à Bahia e ao Espírito Santo. É uma
cidade que sofre muito, especialmente na área da saúde, pois, como
V. Exa., Sr. Presidente, sabe, tanto os moradores do Norte do
Espírito Santo como os do Sul da Bahia correm para lá, e o
Município está com seu sistema de saúde prejudicado. Há
necessidade de, nos próximos dias, confirmarmos com o Secretário
Marcus Pestana investimentos estatais para o hospital municipal de
Nanuque. Após essa visita a Nanuque, fomos a Carlos Chagas para
nos reunirmos com Israel Brauer, com o ex-Prefeito Nathan Bauer e
com o Vereador Iclênio. Conversamos sobre o destino da cidade,
onde, no passado, tínhamos algumas destilarias de álcool que foram
fechadas. Essa é uma região que busca com vontade o seu
desenvolvimento. E, às vezes, as pessoas pensam que não há
iniciativa, que não há espírito empreendedor naquela região, que
as pessoas não tentam fazer algo. É importante destacar que sem os
estímulos de uma estrada de ferro, sem o Proacesso, que agora está
em fase de conclusão, sem as obras de infraestrutura que o governo
do Estado estava levando para a região, ficará difícil. Vamos aqui
lamentar e perguntar ao governo onde está o projeto anunciado em
Montes Claros, o Programa Regional de Desenvolvimento para os
Vales do Mucuri e Jequitinhonha. Se tivermos estímulos, teremos
iniciativa, porque temos pessoas corajosas para empreender. Já
tivemos cinco destilarias de álcool naquela área, e hoje temos
apenas duas: uma quase entrando em processo de concordata, numa
situação muito ruim; e outra ainda em funcionamento, a pleno
vapor, graças à competência do seu Diretor-Gerente, Délio, muito
competente. Entretanto a região precisa de outros estímulos. Não
podemos viver apenas da nossa iniciativa sem que haja uma certa
compensação. Estamos hoje na área da Sudene, conquista que
realizamos no passado. Lembro-me muito bem de que conquistamos a
condição de participarmos da Sudene, quando Júnia Marise era
Senadora, pois o projeto foi apreciado no Senado inicialmente,
para depois ser homologado pela Câmara. Aí acabaram com a Sudene e
passamos a fazer parte da Adene, quando Aécio Neves era Presidente
da Câmara dos Deputados. Retornamos à Sudene e, mesmo assim, os
estímulos da Sudene no Banco do Nordeste não têm sido suficientes.
É preciso que o governo do Estado possa alocar naquela região, em
Teófilo Otôni, Almenara ou Araçuaí, enfim, em qualquer uma dessas
três cidades, os instrumentos de governo. Farei aqui alguns
questionamentos. Por exemplo, não se justifica que a Regional da
Secretaria da Fazenda tenha saído de Teófilo Otôni para Governador
Valadares. Ou seja, não se justifica que a Regional fique em
Governador Valadares, se o grande projeto da Ruralminas, hoje
dirigida pelo competente companheiro Paulo Bregunci, é construir
barragens em todos os Municípios dos Vales do Mucuri e
Jequitinhonha. As obras estão sendo feitas no Mucuri e no
Jequitinhonha. Toda estrutura de maquinário e de equipamento, além
do parque de obras da Ruralminas, está em Itambacuri. Todavia, a
gerência está em Governador Valadares. Se o governo não estiver
mais próximo de nós, com suas gerências e agências regionais, se
não pudermos, por exemplo, indicar pessoas competentes para
dirigir esses órgãos regionais, certamente muita coisa ficará
faltando.
Lembro-me de que o Governador Aécio Neves, com toda boa vontade,
criou a secretaria especial da região e a entregou, por duas
vezes, a representantes do Norte de Minas. Não tenho nada contra a
atual Secretária, que é da região. Por dois mandatos, o Norte de
Minas comandou o Idene. No entanto, por estar a gerência muito
longe, mesmo com toda a competência da Elbe Brandão, naquela
cidade, durante três anos de atuação do Idene, não se aprovou um
projeto sequer do Programa de Combate à Pobreza Rural.
É importante termos próximos de nós os órgãos de governo, que
devem contar com pessoas competentes. Precisamos poder dar
palpites. Caso esses órgãos não estejam funcionando, temos de ter
a liberdade de pedir que se coloque à frente deles alguém mais
competente. Se isso não acontecer, certamente estará comprometido
o esforço do Governador relativamente à região. Elogiamos
sobejamente a atuação do Governador, salientando que ele tem feito
investimentos sustentáveis na região. Para cada R$1,00 real
investido no Estado, ele investe R$2,00 no Mucuri e no
Jequitinhonha, para onde leva empreendimentos importantes, como o
programa Travessia e o Luz para Todos, que será retomado agora em
julho. Estamos recebendo uma série de benesses. No entanto, falta
entender que, se os órgãos regionais de governo não estiverem
próximo do problema, a situação ficará complicada.
Lembro-me, Sr. Presidente, de que, nos idos de 1994, quando fui
Secretário Adjunto de Recursos Minerais, Hídricos e Energéticos,
consegui, com a Secretaria Nacional do Ministério, correspondente
à época, uma verba de US$6.000.000,00, para iniciarmos um projeto
de construção de 1.020 barragens nos Municípios do Jequitinhonha e
do Mucuri. Posteriormente, quando saí do governo, por retornar à
Prefeitura de minha cidade, esse projeto simplesmente foi
paralisado em cerca de 300 barragens. Agora, o Governador Aécio
Neves, por entender a necessidade da continuação dele, retoma o
projeto das pequenas barragens. O governo está trabalhando com
afinco. Tive notícia de que o Paulo Bregunci está adquirindo mais
quatro patrulhas motomecanizadas para acelerar o processo da
construção de barragens. Essa construção vai ao encontro dos
anseios da bancada do Norte, que tanto grita pela falta de
barragens para contenção das águas, para levantar o lençol
freático e para proteger as nascentes dos rios. Todavia esse
projeto, que é vigoroso, não obterá tantos resultados se o
comandante do projeto na área do Mucuri e do Jequitinhonha, o
Leonardo Natalino, tiver de recorrer a Valadares para tomar
decisões. O órgão tem de estar mais próximo.
Comentei com o Presidente da Cemig, Djalma Morais, que o projeto
Luz para Todos não tem razão de continuar sendo comandado a partir
de Governador Valadares porque a área do Rio Doce já foi toda
atendida. Falta atender os rincões do Jequitinhonha e do Mucuri. É
importante que se mude essa gerência regional de obras do Luz para
Todos para Teófilo Otôni. O Paulo Bregunci que nos ouça e desloque
também a regional da Ruralminas para o projeto das barragens para
Teófilo Otôni, para Almenara, para Araçuaí, ou seja, para mais
próximo, para que a gerência fique mais fácil e os resultados
apareçam.
Finalmente, Sr. Presidente, quero dizer que neste dia tivemos a
alegria de receber um novo Deputado, mas também a tristeza de, ao
longo de 40 anos, pela primeira vez na história da Assembleia,
haver a cassação do mandato de uma Deputada. Isso é lamentável, um
precedente ruim, com o qual temos de nos preocupar. Não temos de
nos preocupar com o fato em si, não estamos aqui para discutir o
mérito da questão. Devemos receber de coração aberto o novo
companheiro que aqui chega, embora lamentando o fato de, ao longo
da história da nossa Assembleia, ser essa a primeira vez que um
Deputado perde um mandato por esse ser cassado.
Isso realmente nos entristece e preocupa, porque o último bastião
e a última trincheira da democracia é sempre o Poder Legislativo,
que é o único lugar em que o povo pode entrar e ficar à vontade,
sempre cercado pela imprensa, nas galerias liberadas e nas
reuniões de comissões abertas ao povo. Um Poder desarmado, que é a
sustentação da democracia. Não podemos deixar que esse primeiro
exemplo prospere. Não podemos permitir isso. Também temos de ser
fiscais de nós mesmos e atuar para que um percalço qualquer de
campanha eleitoral não venha prejudicar o posicionamento da
representação popular do nosso Estado. Podemos xingar e reclamar
dos políticos. Existe político safado e ladrão? Existe, mas também
existe médico ladrão, Juiz ladrão, Governador ladrão, Presidente
da República ladrão. Tem gente safada em todas as estradas e em
todas as categorias, mas o Parlamento, como instituição, tem de
ser respeitado.
Esses exemplos são ruins. Vimos, nos últimos 90 dias, a tentativa
de enlamear o Congresso Nacional, na mídia impressa, sobretudo.
Isso me preocupa porque, como jornalista que sou desde 1970,
acompanho a história deste país e vi toda a imprensa brasileira
acobertar o golpe de 1964, dando suporte para a implantação da
ditadura no Brasil. Esse é um risco que temos de analisar. Sei que
estou ultrapassando os limites da fala, porque comecei comentando
as viagens que fiz pelo interior, mas este é o momento de mostrar
posições. Político que tem vergonha na cara tem de colocar a sua
posição de forma bem tranquila e transparente em relação aos fatos
nacionais. A minha preocupação é com a instituição e não com a
minha pessoa ou com o meu mandato. A instituição precisa ser
preservada porque ela é o último bastião da democracia. V. Exa.,
que acompanhou muito bem esse processo, sabe disso.
Sabemos como se chega a uma ditadura. A primeira coisa a fazer é
enlamear, demolir, destruir e desmoralizar o Poder Legislativo. A
ditadura só se consolidou no Brasil com o AI-5 e com o fechamento
do Congresso Nacional. Antes era apenas um movimento militar, um
golpe de Estado, mas a ditadura propriamente dita, ou seja, as
mortes, as prisões e as perseguições aconteceram a partir do
momento em se fechou a Casa do povo, local em que os Deputados,
representantes do povo, poderiam falar na defesa dos interesses da
população. Márcio Moreira Alves foi um exemplo para todo o Brasil.
Todos os brasileiros deveriam conhecer a história de Márcio
Moreira Alves, precisamente o seu discurso, pelo qual foi cassado
e o Congresso fechado.
Precisamos conhecer um pouquinho mais de história, porque estamos
num momento interessante. O mundo inteiro está-se abrindo para a
democracia, e, agora, existe um perigo no Irã, a reeleição
fraudulenta do Presidente Mahmoud Ahmadinejad. Acho que foi
fraudulenta, e ele já está até construindo armas atômicas.
Esse é um risco que não podemos correr. Quem está no Parlamento
de Minas, que é a sede e a trincheira primeira da liberdade, da
luta pela democracia no Brasil, precisa alertar a população para
alguns aspectos, aproveitando este espaço que temos, esta
trincheira que é a tribuna da Assembleia de Minas. Agradeço a V.
Exa. a paciência e o tempo, já esgotado. Que Deus nos ajude a
continuar juntos trabalhando na defesa da democracia e do nosso
poder de representar o povo de Minas Gerais.