Pronunciamentos

DEPUTADO FRED COSTA (PEN), Autor do requerimento que deu origem à homenagem.

Discurso

Transcurso do 100º aniversário de nascimento de Evaristo Soares de Paula.
Reunião 4ª reunião ESPECIAL
Legislatura 17ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/03/2014
Página 2, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM.
Observação O número que acompanha o Requerimento Sem Número, constante do campo Proposições, é para controle interno, não fazendo parte da identificação da Proposição referida.
Proposições citadas RQS 2612 de 2014

4ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 17ª LEGISLATURA, EM 13/3/2014

Palavras do deputado Fred Costa


Palavras do Deputado Fred Costa

Peço licença aos presentes para utilizar a tribuna. Exmo. Sr. Deputado Sávio Souza Cruz, representando o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, deputado Dinis Pinheiro, agradeço a V. Exa. por atender meu convite para presidir esta solenidade. Eu o fiz não só pelo apreço, estima e admiração que tenho pelo senhor, mas também em razão de sua relação e vínculo com a família e com a cidade de nosso homenageado.

Cumprimento o Sr. Evandro Guimarães de Paula, filho do homenageado, assim como o Exmo. Doutor Viana, dileto amigo e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, homem que tem vasta carreira de relevantes serviços públicos prestados, em consequência, a nós cidadãos. Começou no Legislativo, em Curvelo, como vereador e prefeito. Tive a oportunidade de conviver com ele e aprender muito.

Exmo. ex-Deputado Virgílio Guimarães, permita-me contar uma breve história. Em 2004, quando eu tinha 26 anos, disputei minha primeira eleição para vereador em Belo Horizonte. Tive a sorte de ser eleito em penúltimo lugar, e fui à câmara exercer o meu primeiro mandato. Tenho o hábito de perguntar demais. Em um dos meus primeiros dias naquela casa legislativa, ao lado de vários pares, vereadores, todos eles invariavelmente mais experientes que eu no exercício ou na idade, perguntei: qual é o vereador mais competente que por aqui passou? Não hesitaram em citar – e me lembro bem – o nome do falecido Serginho Ferrara. Disseram: “Nossa, aqui já passaram tantos homens competentes!”. E lembraram-se de mais alguns: o também falecido Padre João, Arutana e outros tantos. Até que afirmaram: “porém, não houve nenhum tão inteligente como Virgílio Guimarães”.

Então quero aqui felicitá-lo e dizer também que seu legado tem sido dignificado pelo seu filho, que infelizmente não se faz presente, mas fez questão, no auge de sua delicadeza e conforme a boa educação inerente à família, de me ligar justificando sua ausência. Não veio, mas está aqui muito bem representado.

Por último, cumprimento as senhoras e os senhores, na pessoa da Vanessa Lima, entusiasta que colaborou para que esta noite estivéssemos aqui reunidos.

Permito-me fazer aqui um relato sobre a minha vida. Mesmo completando três anos e um mês de mandato como deputado estadual, ainda não o fiz utilizando a tribuna. Falei aqui sobre a minha primeira eleição. Desde a minha infância, gozava de um hábito não muito comum: colecionar santinhos e assistir ao horário eleitoral. As crianças brincavam e viam televisão, isso era natural. Na época, utilizava-se fita cassete, fita de vídeo. Eu pedia aos meus pais para assistir ao programa eleitoral. Meu pai, embora não fosse político, foi concursado nesta Casa. Aqui, tinha como função, na Consultoria, redigir discursos. Eu, então, pedia para vir aqui e ficava brincando pelos corredores. Sempre dizia a ele que gostaria de um dia estar aqui como deputado.

Quis a história que eu aqui estivesse, e hoje faço este discurso de uma forma diferente, pela primeira vez. Diz o ditado: “casa de ferreiro, espeto de pau”. Sempre procurei fazer meus discursos sem utilizar qualquer tipo de referência redigida, principalmente por terceiros. Porém tive o cuidado de ler a obra, o livro escrito pela esposa do nosso homenageado. Por uma indelicadeza da minha parte, meu exemplar está todo grifado e marcado.

Portanto, peço-lhes licença para me utilizar de inúmeras referências e passagens não só desta obra, mas também de anotações por mim elaboradas para tentar lembrar um pouquinho dessa magnífica história coroada de êxito. Iniciarei com uma frase extraída da própria obra, de D. Enny, que homenageia o seu marido. Ela disse: “Evaristo deixou uma vida rica, uma história edificante e muita saudade”. Esse é motivo – tenho certeza – da presença de cada um de vocês nesta noite.

Reportando-me ao distante passado, 1913, data de seu nascimento, quero lembrar que, naquela oportunidade, as coisas eram bem diferentes. Naquele ano, houve a inauguração da primeira linha de montagem industrial, realizada pelo empresário Henry Ford. Naquela época, nascia, em Curvelo, mais precisamente no dia 29 de dezembro, Evaristo Soares de Paula. Apenas com um mês de vida, algo praticamente incompreensível para a atualidade e sobretudo para os grandes centros, foi levado para a fazenda de sua família. Na infância, corria, brincava, subia em árvores, levava uma vida feliz, cercada de bons hábitos. Curtia intensamente a vida na fazenda, o que era o prenúncio de uma de suas paixões e aptidões e o que seria o seu futuro: um pecuarista de sucesso e visionário, confundindo sua história com a da agropecuária do nosso país. Sendo um grande criador de gado gir, foi pioneiro em expandir a excelência da raça. Notabilizou-se por ser o criador do gado gir eva.

Conhecido e consagrado internacionalmente pelo seu alto padrão técnico-científico, detentor de prodigiosa inteligência, tornou-se bacharel em direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Estado de Minas Gerais. Com sua auspiciosa capacidade, o Dr. Evaristo, já consagrado como criador, também foi um dos fundadores do Banco Mercantil de Minas Gerais, que deu origem ao Banco Mercantil do Brasil.

Ainda como produtor, conforme relatado no livro que leva o seu nome, certa vez recebeu um pedido de um fazendeiro americano, solicitando-lhe três safras de produção. Surpreendentemente Evaristo não fez o negócio. Todos ficaram estupefatos, porém ele preferiu vender, por menos, para criadores brasileiros. Quando questionado pela esposa, afirmou: “Estou investindo no futuro, para meus netos e jovens que estão chegando e serão, com certeza, a grandeza do nosso país”.

Com esse senso de patriotismo e capacidade singular, prestou relevantes serviços na área pública, tendo sido prefeito de sua amada Curvelo, de 1962 até 1966. Mostrando ser um idealista, foi definido por sua cônjuge, na política, como um homem de muita ação e pouca retórica. E, como não poderia deixar de ser, após o mandato no Executivo Municipal, sua inata vocação foi aproveitada para servir como secretário de Estado de Agricultura, tendo marcado sua passagem com a implantação da estrutura de mecanização agrícola e a compra de tratores Fiat, o que acabou por propiciar a importante instalação da empresa em Minas Gerais, mais especificamente no Município de Betim, justificando ainda mais outra afirmação de sua amada: “Suas obras permanecem para glorificar o seu nome, enaltecer a sua vida e ser um exemplo para as novas gerações”.

E, remetendo, então, a herdeiros, não poderia passar despercebido, neste momento, o tão valorizado instituto da família. Ele teve como companheira, por 50 anos, Enny Guimarães de Paula, já citada algumas vezes por mim. Escritora, integrante da Academia Mineira de Letras, pioneira nas obras sociais em Curvelo, foi também a fundadora do Grupo de Terceira Idade na mesma cidade. Mãe com o coração prodigioso, amor inerente à condição, definiu, na sua dedicatória da obra, seu sentimento para com os oito filhos: “Muito amados, dons divinos nesta presente existência, com meu orgulho e amor”.

Essa meritória história de vida acabou gerando inúmeras homenagens: melhor criador de gado gir, Medalha de Honra da Inconfidência, Medalha Venceslau Brás, Medalha do Mérito Agrícola Nacional, Brasão da Escola Superior de Guerra, Medalha do Mérito Pecuário, diploma Homem de Visão, entre tantas outras. E hoje, com regozijo, em nome da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, concedo esta justa homenagem a toda a família, amigos e admiradores.

Para terminar, lembro-me de um dileto amigo, guru, fonte inspiradora, pessoa que está para mim tal qual um pai: Pe. João Emílio. Há aproximadamente cinco anos, falou comigo: “Fred, você já está ficando com a idade avançada, está na hora de casar, mas, por favor, não me venha com qualquer uma, arrume uma mulher que trabalhe, tenha fé e valorize a família”.

Mais uma vez, me reporto ao livro. Na razão de fazer, D. Enny justifica, com esses três atributos que se tem e outras qualificadas características, sua admiração mais uma vez. A fé, o dinamismo e a coragem de Evaristo sempre me fascinaram; toda a sua vida feita de trabalho, com jeito de servir, de viver para a família, os amigos e a pátria. Dessa forma, esse que foi imortalizado no gado gir eva, deixa seu legado para os criadores, políticos, empresários, amigos, mas principalmente para sua família. Parabéns a todos vocês que fizeram parte dessa brilhante história coroada de êxito.