DEPUTADO FELIPE ATTIÊ (PTB)
Discurso
Legislatura 18ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/06/2016
Página 29, Coluna 1
Assunto ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL. (ALMG). EXECUTIVO. REFORMA ADMINISTRATIVA.
Proposições citadas PL 3503 de 2016
14ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 22/6/2016
Palavras do deputado Felipe Attiê
O deputado Felipe Attiê* – Sr. Presidente, nosso médico, cirurgião, representante do Alto Paranaíba de Minas Gerais, deputado Hely Tarqüínio; líder Durval Ângelo; Sr. Tadeu; deputado João Leite, luz que brilha nesta Casa, deputado com grande história de vida e trabalho por Minas Gerais, atleta de Cristo, homem que, sem dúvida, é grande inspiração para nós na Assembleia de Minas, estamos falando desta tribuna sobre um projeto de reforma administrativa de um estado, de um governo que é construído para fazer educação, saúde, habitação, gerenciar estradas, trabalhar pelos munícipes das 853 cidades de Minas Gerais. Esse projeto não representa as mudanças de que o Estado e o País precisam.
O Brasil é um país muito difícil. Para começarmos a falar do Brasil – porque Brasil é Minas, Brasil é Uberlândia, Belo Horizonte, é Nanuque, é Montes Claros, são as cidades que compõem a Federação –, temos de falar primeiro sobre o que se passa em nosso país.
No Estado, temos um diagnóstico claro. O Estado tem uma despesa de pessoal de R$45.500.000.000,00 por ano. Essa é a maior despesa do orçamento do Estado de Minas Gerais. Depois, há uma previsão de pagamento de juros e de amortização da dívida interna e da dívida externa, uma previsão para 2016, de R$6.900.000.000,00, que não devem chegar a esse valor porque os cálculos foram feitos com o dólar a R$4,00, logo deve cair parte da parcela. O pior: R$400.000.000,00 por mês disso são a dívida interna, fundada em 1998, num acordo com a União, ou seja, R$4.800.000.000,00 desses R$6.900.000.000,00 previstos, seria a dívida da União, que está perdoada este ano, que não vai ser paga este ano, que é o que está suportando o pagamento da folha de Minas Gerais aos trancos e barrancos.
Na verdade, vimos que todo ano o governo tem de inventar uma mágica. Ano passado, criou-se o Banco de Depósitos Judiciais de Minas Gerais. Passaram a mão no dinheiro de terceiros, da D. Maria, do seu Joaquim, R$5.000.000.000,00, para poder pagar as contas e os salários, principalmente dos funcionários públicos. Este ano, desesperado, deixou de pagar a dívida pública a partir de abril. Já estava atrasada março e fevereiro, com a liminar do Fachin, pedindo juros simples, voltando à pré-história, antes do Império Romano, antes de Justiniano baixar as normas do anatocismo, que proibiam as pessoas de fazer empréstimo com juro composto. Os romanos burlaram essa regra: em vez de pagarem ao final de cinco anos ou de dois anos, passaram a pagar ao final de cada ano, e o juro ficou composto da mesma forma. O Senado e o governo romanos, no Império Romano, e Justiniano, um dos imperadores romanos, fez uma lei que não funciona. Isso não é de hoje, é de muito tempo atrás.
Como temos essa tradição romana e portuguesa, temos um estado dessa forma. Colocados R$45.500.000.000,00 de folha de pagamento, este ano foi a dívida. E o ano que vem, como vai ser? Fico pensando: já pegaram o dinheiro dos depósitos judiciais, já tentaram dar o cano na dívida interna, conseguiram uma renegociação espetacular com a mãezona da União – que a União também tem suas obrigações de manter a Federação unida, estável, e a União não é um bom exemplo, é um mau exemplo. Toda a vez que ela arruma um déficit de R$170.000.000.000,00, põe o Banco Central para ir ao Bradesco, ao Itau para pedir: “Me arruma R$170.000.000.000,00 com o povo brasileiro para eu pagar as contas, pago juros de 15%, 14% ao ano”. Pega o dinheiro e aí, nesses 15%, são 10% de inflação e mais 4%, 5% de juros. O governo brasileiro gasta mais do que arrecada, é perdulário. A União vai lá, pega dinheiro em meu nome, em nome da senhora e do senhor para cobrir o déficit de R$ 170.000.000.000,00. Então, o exemplo da União é péssimo. Como o exemplo é péssimo, tem de abrir as pernas para os estados, que estão dentro da União e também têm déficits enormes que, muitas vezes, são causados por políticas como a do Pimentel, que desonerou fogão, geladeira, carro sem dizer das propinas cobradas para fazer isso. Deu enorme prejuízo aos municípios brasileiros, deu um prejuízo enorme à União e aos estados, porque o IPI vai para o Fundo de Participação dos Estados e vai para o Fundo de Participação dos Municípios. Ele estava fazendo isenção para a Caoa com o dinheiro do município e dos estados.
Só que a vida é redonda, nada melhor que um dia após o outro. Um dia ele era ministro do Desenvolvimento, hoje é governador do Estado. Aquele dinheiro que ele tirou para essas isenções que ele deu, nessa política econômica nefasta que o PT fez, desengonçada, que jogou o tripé da estabilidade econômica no lixo, câmbio, juros, jogou tudo no lixo, principalmente as metas inflacionárias...
Não existe política social, Sr. Presidente, capaz de enfrentar a inflação. Os trabalhadores reajustam os salários uma vez no ano. Os trabalhadores formais, sindicalizados, que têm sindicatos poderosos, como os professores, como os metalúrgicos. Estes reajustam uma vez por ano; o ano inteiro eles perdem. Todo dia vão ao supermercado.
Todo dia, os preços sobem nos supermercados. A inflação é um roubo de renda desses e dos mais pobres, porque o carroceiro não tem sindicato, o gari não tem sindicato, a costureira em casa não tem sindicato, a fritadeira de pastel não tem sindicato, o jornaleiro não tem sindicato, o açougueiro não tem sindicato. Esses então ficam com a sua renda ainda mais carcomida, corroída e roubada pelo Estado inflacionário, pelo governo que gasta mais do que arrecada, pelo governo que acha que pode tocar uma economia sem equilíbrio fiscal. E os petistas são mestres nisso. Para eles há sempre uma desculpa para um mais um ser dois, três ou quatro.
Gente, economia é uma ciência, não um achismo. Como se toca um país sem equilíbrio fiscal? Inflação, inflação, inflação; concentração de renda, concentração de renda; pobre mais pobre; rico mais rico; pessoa jurídica; pessoa física. Que política social funciona com inflação de 10% ao ano? Nenhuma. Funciona a política do voto, a política de vamos gastar para ganhar a próxima eleição e deixar o País explodir, porque queremos ficar aqui na teta, mamando até secar, mesmo que o País vá para o buraco. Não temos mesmo projeto para o País, temos projeto de eleição. Mais uma eleição, mais cargos, mais Petrobras, mais Correios. Quebraram os Correios, quebraram a Petrobras, quebraram todas as estatais brasileiras; fundos de pensão foram saqueados, roubados. Quanto mais Estado, Sr. Presidente, mais esses sindicalistas petistas vão se locupletar e jogar o nosso país no buraco. Buraco? O País já está no buraco há muito tempo.
Sr. Presidente, vamos ver o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Pisa, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. Esse programa, Sr. Presidente, classificou o Brasil como um dos últimos. Esse Pisa é um exame para avaliar o índice dos nossos alunos na educação, na educação que é cantada por esse governo, que fez um pacto histórico. Eu quero pacto histórico, deputado, para o que vou ler para V. Exa. Este é o pacto histórico de que precisamos: os últimos colocados do mais recente Pisa Brasil, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico? O Brasil, entre 65 países avaliados no mundo, ficou em 53º lugar. Esse estudo e outros mostram que apenas 1/3 dos brasileiros com idade acima de 15 anos domina a matemática e a leitura, deputado Hely Tarqüínio. Cerca de 30% dos brasileiros são analfabetos funcionais. É assim que o exterior olha o Brasil. Esse instituto é sério; esse estudo não foi feito por politiqueiro de nenhum lado, nem do PSDB, nem do PT, nem do “P não sei quê”.
Agora pergunto: o que o grande pacto feito com a educação vai resolver isso aqui? Se formos a uma escola estadual e pedirmos a um aluno da 7ª série para explicar o sistema digestivo, ele vai dizer: “Não sei”. E a gente tem de falar para ele que a digestão começa na boca, com a mastigação, pela qual o alimento recebe a saliva, que tem a ptialina, uma enzima que processa amidos, como arroz e macarrão; desce por meio de movimentos peristálticos para o esôfago; do esôfago, vai para o estômago, onde proteínas, como as da carne, sofrem a ação do ácido clorídrico, para serem digeridas; após essa maceração e digestão, o alimento vai para o duodeno, a primeira porção do intestino delgado. Dr. Hely Tarqüínio, grande cirurgião de Minas Gerais, me corrija. Após o intestino delgado – há o carbonato de cálcio para neutralizar o ácido clorídrico, porque é preciso que esse bolo alimentar tenha um pH absorvível pelo organismo –, ele chega ao intestino para ser absorvido. Certo ou errado, Dr. Hely? E assim ocorre a digestão. Esses alunos não sabem nada.
Sabem é invadir escola a mando do PT. Se eu fosse governador do Estado, puxaria a ficha desses alunos que invadem escola para ver se são bons alunos. O que tenho visto em Minas Gerais e no País são os professores fingindo que ensinam, e os alunos fingindo que aprendem.
Sr. Presidente, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE –, realiza o Pisa em 65 países. Entre eles, o Brasil ocupa o 53º lugar, mas tem o 10º PIB do mundo, tem o 9º PIB do mundo, é o 8º país mais rico do mundo, é o 9º país mais rico do mundo, é o 10º país mais rico do mundo. Mas fica em 53º lugar no Pisa!
Queria perguntar à D. Beatriz Cerqueira o que ela acha disso. São os sindicalistas que estão aí atazanando a vida do Alckmin o dia inteiro, que gostam de mandar aluno invadir escola. Esses sindicalistas que estão aí o tempo todo, esses petistas, esses apêndices do PT, esses sindicatos que são verdadeiros apêndices do PT é que impedem este país de combater isso aqui. Porque quanto mais gente estiver nessa situação – só 1/3 sabe matemática e leitura e 30% da população é analfabeta funcional –, mais difícil será arrumar este país. Será muito difícil! E usam esses sindicatos para uma verdadeira manipulação e divulgação de ideologias dentro da área da educação e em outros setores para se manterem no poder. Nada mais que isso.
Sr. Presidente, não é só isso, não. Falaram em reforma. O que este governador está fazendo? Vou falar de segurança pública no Brasil. Fala-se muito sobre o homicídio ocorrido na boate gay, em Orlando, sobre a pessoa que entrou na boate e matou. Esses loucos americanos que existem por aí. Eu trouxe um dado real para vocês sobre a segurança pública no Brasil. Os números mostram que a taxa de homicídios cresceu 123% nos últimos 30 anos, com governos petistas, tucanistas e “sei-lá-o-quemistas”. A taxa de mortes por arma de fogo, no Brasil, em cada grupo de 100 mil habitantes, é de 20,4. Em cada grupo de 100 mil habitantes, morrem 20,4 por arma de fogo. Sabem quanto é no México, país que enfrenta e está em guerra civil sangrenta contra o narcotráfico? Essa taxa, no México, é de 16,2 em cada grupo de 100 mil habitantes. No Brasil ela é de 20,4.
E nos Estados Unidos, país dos loucos que gostam de atirar, onde se vende arma de fogo em qualquer esquina, em tudo quanto é boteco, onde há arma para tudo quanto é lado, onde todo mundo compra a arma que quiser? Como está o número de pessoas que morrem por arma de fogo nos Estados Unidos da América? Essas pessoas que estão em uma boate, um louco entra e atira nelas? Nos Estados Unidos, com toda essa loucura, sabem qual é o número de mortos em cada grupo de 100 mil habitantes? Esse número é 3,9, enquanto no Brasil é 20,4. Nos Estados Unidos, em cada grupo de 100 mil habitantes, morrem 3,9 pessoas. Estou mostrando aos senhores que o Brasil é centenas de milhares de vezes mais perigoso, pior que os Estados Unidos da América.
Vamos falar do Japão. Quantos morrem por arma de fogo lá em cada grupo de 100 mil habitantes? O número é 0,01. Quer dizer, o Brasil registra 20,4 mortos por arma de fogo em cada grupo de 100 mil habitantes. Só o nosso “vírgula quatro” é 40 vezes maior que o número do Japão. Que segurança tem este país? Nenhuma! Este é o País dos bandidos.
Estou assistindo à televisão ali: o Brasil gasta R$1.000.000,00 para levar um bando de traficantes para lá e para cá, de avião a jato, escolta, carro, segurança; gasta R$1.000.000,00 para transportar esses malandros de um presídio para o outro, esses malandros que estão fazendo coisas erradas em um país pobre igual a este, em nome dos direitos humanos, em nome da nossa cristandade, não é, meu caro Durval? E aqui há 20,4 mortos em cada grupo de 100 mil habitantes. Nos Estados Unidos, com todos os loucos soltos, são mortas 3,4 pessoas por arma de fogo, ou seja, num lugar onde se vende arma em tudo quanto é esquina. Os dados estão aqui, e são dados internacionais publicados.
Sr. Presidente, não falemos na saúde porque aí o negócio ficará feio; o 10º país do mundo é o 124º quando se olha um índice da ONU. O 10º país mais rico do mundo – já foi o 8º, mas caminha para ser o 10º… Na verdade, o Brasil, na área de saúde, também é um desastre. Então, nada funciona neste país, nem nas mãos do PT, nem nas mãos do PSDB. Um é melhor que o outro? É, acredito que o PSDB é melhor que o PT por várias coisas, e não só de forma ideológica, porque a ideologia é a inversão da verdade ou a criação de uma verdade para me legitimar e eu dominar o poder nessas disputas eleitorais existentes entre PT e PSDB. É numa série de lógicas que eu acredito. Lógicas mais liberais, menos intervencionistas, menos estatísticas. Isso é algo que temos visto.
E essa reforma do Pimentel não serve para nada. Este governador não está dando conta de administrar o Estado de Minas Gerais. Vocês imaginem, saio do interior do Triângulo e chego aqui – eu, que sempre fui um estudioso de prefeitura. A primeira vez que vim à capital foi a mando do prefeito Paulo Ferolla, em 1994. Eu era assessor de gabinete do prefeito e fui fazer um estudo para se criar a divisão do ISS para que nós, de Uberlândia, tivéssemos uma receita própria. Quando vim aqui, esse Pimentel era secretário de Fazenda. E vim copiar, de Belo Horizonte, a subscrição tributária do ISSQN, ou seja, a empresa que contratava o serviço retinha e passava a pagar aquilo. Por exemplo, a Souza Cruz. Lá, em Uberlândia, contratava-se uma firma de vigilância, e a firma de vigilância é que recolhia o ISS. Com o que o Pimentel fez aqui, em 1993, a Souza Cruz passou a reter o ISS da firma de vigilância e pagar à prefeitura. Era uma substituição tributária naquela época, e eu copiei isso para Uberlândia. Então, conheço bem esse pessoal que está aí, no Estado; este governo do Estado é um governo esquisito. Eu acho esquisito porque o governador está escondido devido aos problemas que tem, infelizmente problemas éticos, morais, problemas oriundos da sua administração como ministro do Desenvolvimento Econômico do Brasil. Está escondido. Vemos um grupinho tentando comandar o Estado. Eles fazem as coisas, não reúnem os deputados, não há diálogo, não há explicação lógica.
Essa reforma sempre foi uma forma primeiro de dar imunidade para quem precisava; depois, de tirar pessoas que estavam incomodando e não queriam assinar os documentos, como o Altamir Rôso, que não assinou os tais R$140.000.000,00 para comprar as ações da Empresa Noviça do Banco Mercantil de Investimentos. Comprou por R$140.000.000,00 a Codemig – dinheiro público –, de uma empresa de sociedade anônima de Minas Gerais; comprou esses R$140.000.000,00 em ações do Banco Mercantil de Investimentos S/A, essa nova empresa do Banco Mercantil. Depois, mais R$50.000.000,00 para a Vodafone, aquela empresa europeia de telefonia. A Codemig comprou R$50.000.000,00 em ações da Vodafone europeia; e, depois, mais R$50.000.000,00 para uma firma de turbina. Foram R$240.000.000,00, que o secretário Altamir Rôso, que sai hoje, não quis assinar para amanhã não ter de explicar caso o banco venha a quebrar ou qualquer outra coisa. A Polícia Federal, o Banco Central não vão investigar e descobrir propina, confusão, doação, rolo, etc., etc., que é o que temos visto toda hora em que se liga a televisão brasileira.
Então, o caminho é o mesmo. A mentalidade do governador Pimentel é aquela vigente no esquema político do Brasil: dinheiro traz poder, traz votos; dinheiro precisa ser acumulado para financiar campanhas, para comprar aliados, inclusive o governador faz isso nessa reforma administrativa. Ele acha que eu sou bobo? Ele quer criar três secretarias extraordinárias por decreto. O Rogério Correia e companhia achavam ruim a lei delegada. O que é uma lei delegada? É o Parlamento dar uma concessão para o governador emitir uma lei que, depois, pode ser revogada ou não pela Assembleia. Agora, essa modalidade que eles querem, o decreto delegado, esse era do regime militar. Esse eu desconheço na história jurídica brasileira. Querem criar três secretarias extraordinárias, por decreto, até 2018. Para quê? Vou falar para vocês.
Se amanhã vier um pedido de impeachment para cá, o que o governo fará? Tira o decreto que o autoriza a criar secretarias e dá para os partidos, compra parlamentares e partidos para não votarem o seu afastamento do cargo. Este é o esquema-reserva: três secretarias no bolso do colete, automático, para atender à vaidade de deputado que quer ser secretário de Estado.
Aliás, precisamos proibir, no Brasil, deputado, senador, enfim, político ser Executivo, porque ou a pessoa se prepara para isso, ou vira esta confusão de dar tal secretaria para o partido tal, para receber voto da base aqui. Gente, é preciso meritocracia, senão a saúde, a educação e a segurança pública vão continuar isso que li para vocês aqui. É preciso mudar a mentalidade do povo brasileiro e acabar com essa barganha com os partidos.
O PT destruiu tudo isso, havia oito partidos no Brasil e ele aumentou para 33. O PT é mestre; Lula queria dividir para reinar, maquiavélico, satânico, e, acima de tudo, para se manter no poder. É um País que, a toda hora, tem um ministro da Saúde, a toda hora tem um ministro dos Transportes. Esse Ministério dos Transportes ainda é uma caixa-preta, ele é pior que a Lava Jato. É só ir lá e ver o que tem nesse ministério; vocês vão ver explodir o mundo abaixo. O Ministério dos Transportes é 100 vezes pior que a Petrobras, sempre foi, desde os tempos do onça, e, no governo do PT, foi uma loucura de corrupção e propina. Vocês vão ver que não acaba nunca a corrupção no Ministério dos Transportes; ela é gigante, é astronômica; a da Petrobras é fichinha perto dela.
O Brasil funciona desse jeito, só que esse modelo político se esgotou. O País não pode continuar com esses dados. Meu filho pode sair à rua, mas é melhor ele ir para a guerra do narcotráfico ou frequentar boate gay nos Estados Unidos, porque ele tem menos risco de morrer que no Brasil. Lá é 3,9 mortos a cada 100 mil habitantes, aqui é 20,4. Lá se vende arma em qualquer esquina. É melhor ir para a divisa com o México e ficar no muro lá, esperando os traficantes atirarem: morre-se menos no México, pois é 16,4 mortes para cada 100 mil habitantes.
Este país não tem segurança, não tem educação, não tem saúde e gasta bilhões com saúde e com educação. A folha de pagamento de Minas não é de R$45.500.000.000,00? É quase a metade de toda a receita direta para pagar pessoal. As pessoas não estão lá na saúde, não estão na educação? O que este país quer? O que os líderes deste país querem? Que o povo migre daqui? Que as pessoas sérias, de bem, vão embora para a Austrália, para o Canadá, para outros países? É isso que essas pessoas querem e que fique aqui a escória da escória, para mexer com a política? Cadê a reforma político-partidária?
Essa reforma do Pimentel é uma vergonha, ela sempre tem segundas intenções. Vocês querem ver uma intenção clara, que me cheira mal, João Leite? Vou dizer a V. Exa. o que me cheira mal: estão pegando os advogados da Advocacia-Geral do Estado, que têm de fazer o parecer das compras, das licitações, dos gastos dentro da secretaria, das ordens de serviço, da parte legal, e extinguindo seus cargos – no serviço público, não se faz nada como na empresa, tudo tem de ter uma base legal. Sabem quem vai responder por isso? O companheiro Odair, na Casa Civil, na Secretaria de Governo; agora é ele que decide; ele agora assumiu o papel de advogado-geral do Estado, de procurador do Estado. As atribuições que são constitucionalmente, legalmente da Advocacia-Geral do Estado, que subsidia as decisões do governador e executa a coordenação de estudos técnicos e jurídicos necessários ao desenvolvimento das atividades governamentais, vão passar a ser feitas agora pela Casa Civil, casa dos políticos. A lei foi para o saco; o legal, o direito administrativo ficou em segundo plano.
Lá eles fazem o que querem para comprar, para listar; o que querem. Essa reforma é vergonhosa. Inclusive, que reforma, se ele não sabe nem o que quer? Ele vai, volta. Na verdade, Pimentel não está dando conta de governar Minas Gerais. Ele teve uma mamata que era a Prefeitura de Belo Horizonte. Vou explicar por que a Prefeitura de Belo Horizonte é uma mamata perante as 26 capitais. Minas é uma contradição. Pimentel tem o Estado mais difícil do País de ser administrado, que são as Minas Gerais. São 853 cidades, são 20 milhões de habitantes, quase 700 mil servidores; é um estado com muitas populações, culturas e atividades diferentes, é um estado muito difícil. É do tamanho da França. O Rio de Janeiro tem uma área menor que o Triângulo Mineiro e o Alto do Paranaíba; o Rio de Janeiro tem 12 milhões de habitantes e 91 cidades e está aí em calamidade financeira. O Rio de Janeiro, esse estado vizinho, onde D. João desembarcou com a corte portuguesa e abriu os portos em 1808 – não preciso dizer o que veio com a corte –, São Sebastião do Rio de Janeiro está em caos financeiro. O Rio de Janeiro teve 6 bilhões a mais de receita que Minas Gerais no ano passado. Nós estamos em quê? Eles têm 91 cidades, nós temos 853; eles têm 12 milhões de habitantes, nós temos 20. Então Minas Gerais está no inferno financeiro, Sr. Presidente. Estes são os cariocas: espertos toda vida. Conhecemos isso bem.
Nós, aqui das montanhas, do cerrado de Minas Gerais, da caatinga e não sei mais de onde, porque este estado tem até o Planalto Central – vão a Paracatu que vocês acharão que estão no Planalto Central –, representamos todo o País. Você vai ao Nordeste quando chega a Nanuque ou Montes Claros. Então este estado chamado Minas Gerais, Sr. Presidente, tem de ser avaliado, porque o Rio está em calamidade financeira. Pimentel tem o pior estado para administrar e veio da melhor prefeitura do País para administrar. A mais fácil do País é a Prefeitura de Belo Horizonte. Eu falo isso depois de 22 anos analisando dados de prefeitura. E falo isso porque, se pegarmos as pesquisas dos anos 1990 da Folha, o prefeito de Belo Horizonte sempre estava entre os três melhores avaliados do País. E isso porque a cidade não tem para onde crescer. Em Uberlândia, enquanto um apartamento tem o IPTU a R$200,00, aqui, em Belo Horizonte, o IPTU custa R$4.000,00. A arrecadação de IPTU de Belo Horizonte é o orçamento inteiro da 2ª maior cidade de Minas Gerais, que é Uberlândia. São R$2.400.000.000,00 que Belo Horizonte tem de orçamento de IPTU. É a capital mais fácil de ser administrada. Aí vem um governador que sai disso, de uma cidade que não tem para onde crescer, que não é como Montes Claros, que pode chegar à divisa da Bahia... Aqui não há para onde crescer, já está tudo ocupado pelas cidades vizinhas, então só cresce para cima. O IPTU só cresce para cima. Nem vaga para favela aqui há mais. Acabou. Sr. Presidente, Belo Horizonte é muito fácil de ser administrada.
E vem uma equipe dessa, do Pimentel, que é um fracasso aqui como governador, com um bando de petista. Essa equipe do governo, Sr. Presidente, que tocava a Prefeitura de Belo Horizonte não dá conta.
Eu ia falar da reforma, destruir um por um item dessa pífia reforminha, desse engodo que foi colocado aqui para nós, da Assembleia de Minas. E vou votar contra isso. Agora, Sr. Presidente, nós iríamos desmontar mais coisas aqui, falaríamos da Fundação João Pinheiro, mas, como o tempo é exíguo, queremos dizer o seguinte: este governo não dá conta de administrar Minas Gerais. Tenho clareza disso. Ele é perdido. O governador está sitiado por denúncias, acostumou-se com a beleza da fartura e abundância da Prefeitura de Belo Horizonte e não dá conta de administrar Cascalho Rico, Douradoquara. Se Minas Gerais fosse a empresa Casas Bahia, Sr. Presidente, com 853 filiais, teríamos de fechar 500.
Aqui não é a Casas Bahia, aqui não é rede de eletrodomésticos. Então, temos que manter 500 cidades com promotor, delegado, escola estadual, o que não gera riqueza nenhuma. E temos que mantê-las porque são cidades que têm câmara municipal e prefeitura, que foram aprovadas, irresponsavelmente, nos anos de 1980 e de 1990, por esta Casa, a Assembleia de Minas. Então, não há como fechar, como faz o Ricardo Eletro ou a Casas Bahia, 500 municípios em Minas Gerais para equilibrar as contas do Estado. Isso é impossível.
Na verdade, são cidades deficitárias, e o governador não tem equipe para isso. Esse governador mal conhece Minas Gerais. Na campanha para senador, ele ficou com muita preguiça de andar; na campanha para governador, ele era líder e teve que andar, foi obrigado a andar. E ele tem que andar. Tinha que fazer como Juscelino, que saía de carro e andava 6.000km ou 7.000km, pois naquela época não tinha condição de descer avião. Aí o cara conhecia Minas Gerais, era obrigado a conhecer Minas Gerais. Mas o Pimentel nem conhece as Minas Gerais, que são muitas, como diz o poeta Guimarães Rosa, e são difíceis de serem administradas. Essa turma, do jeito como estão tocando o Estado, não tem força.
O PT é um partido contraditório que prometeu mundos e fundos para o funcionalismo público. A folha de pagamento já está em R$45.500.000.000,00, e ele não tem como honrar o que prometeu. É dissimulado, não fala a verdade, só pensa em voto, usa os sindicalistas para manipular esse povo a vida inteira e agora está com a batata na mão para governar. E o pior de tudo: o governador está enfraquecendo o vice-governador. Tirou o João Alberto daqui, tirou o Rôso, está fazendo uma limpeza ética no PMDB. É uma limpeza ética. Estou assistindo a uma limpeza ética do Pimentel para enfraquecer o Toninho. Será que é medo de o Toninho virar governador? Medo de conspiração? Está fazendo uma dedetização em cima do PMDB. Aquilo que é do governador Antônio Andrade, pau, corta, tira, expurga. Ele é um homem do Triângulo Mineiro, governador, e o senhor está desagradando o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba. O vice-governador Antônio Andrade é um homem que representa a minha região. Nunca fui apoiador dele, aliado dele, nem votei nele, mas ele representa a minha região. O senhor deu um chute na bunda do povo de Uberaba, cidade-irmã, cidade originária nossa, cidade que deu origem a São Pedro de Uberabinha, que é a minha cidade, hoje chamada Uberlândia. E a cidade-mãe nossa, que é Uberaba, merece respeito pelo que fez na pecuária, na indústria, enfim, por tudo que fez. Mesmo assim, o senhor chutou o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba.
O senhor deu a Secretaria de Desenvolvimento Agrário para o Professor Neivaldo. O PT é bom para indicar gente que dá aula e que sabe fazer greve para fazer invasão de terra. Essa não é a especialidade do Neivaldo, que foi meu colega lá na câmara, durante muitos anos. O senhor o colocou no lugar errado. O senhor chutou o traseiro de Uberaba, chutou o traseiro do PMDB e o do Triângulo Mineiro, e ficamos sem o que mais gostamos: desenvolvimento, progresso; mais emprego, mais impostos para o governo, mais benefícios sociais e crescimento econômico. Estamos chateados com isso, porque o Triângulo está abandonado, assim como o Alto Paranaíba, no governo de V. Exa., governador Fernando Pimentel. Nós não aceitamos isso. O senhor escolha melhor os seus assessores. Pare de ficar com esses grupinhos pentelhos aí no palácio, esses deputadozinhos que ficam nomeando um, nomeando outro, para colocar gente que não representa ninguém, nem Uberlândia, nem Uberaba, nem Ituiutaba, nem Araguari, nem Patos, nem Patrocínio, nenhuma das nossas cidades do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
Isso é uma vergonha, Sr. Presidente; é uma vergonha o que esse governador está fazendo, perdido no mato, sem rumo, sem prumo, afundando com Minas Gerais. É fraco, um governo fraco, de gente despreparada, de gente fraca, que não sabe governar, que se acostumou ao bem-bom da prefeitura de BH e não está dando conta do osso duro, da rapadura dura e até um pouco amarga, que é governar o Estado mais difícil da Federação, chamado Minas Gerais.
Sr. Presidente, devolvo a palavra a V. Exa. e vou voltar em momento oportuno para destruir essa reforma mentirosa, esse engodo que querem aplicar nos mineiros e que não aceito. Vou dizer não, não e não!