DEPUTADO EMIDINHO MADEIRA (PT DO B)
Discurso
Legislatura 18ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 15/08/2015
Página 19, Coluna 1
Assunto AGROPECUÁRIA. SAÚDE PÚBLICA.
Aparteante ROGÉRIO CORREIA
61ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 6/8/2015
Palavras do deputado Emidinho Madeira
O deputado Emidinho Madeira* – Boa tarde a todos. Cumprimento nosso secretário Ulysses Gomes e todos os colegas deputados. Há seis meses estamos juntos aqui. Vim para esta Casa com o propósito de contribuir e somar forças. Acho que o governo, até aqui, passou por um momento de transição, de auditoria de tudo o que aconteceu. Está na hora de unirmos forças para fazermos um bom governo. Precisamos muito começar a resolver as coisas, colocá-las para funcionar. Estamos lutando para constituir um consórcio público para o café. No próximo mês, haverá a feira internacional do café, na Expominas, para a qual quero convidar todos os colegas. Participem dessa feira, que será realizada aqui em Belo Horizonte.
Quando vem uma crise como esta, sabemos que quem aguenta é o produtor rural. Precisamos que este governo apoie o produtor. Estamos criando esse consórcio público não para fazer concorrência a quem quer que seja, não para que um deputado represente e defenda o produtor sozinho. As forças são poucas. Temos de unir prefeitos e partidos. Estamos perdendo espaço lá fora para outros países, que produzem bem menos ou quase nada. Eles exportam mais que nós. O governo federal precisa investir mais no marketing do café, precisa apoiar seus produtores. O governo estadual tem de somar forças.
Peço a colaboração de todos os colegas deputados, para que participem dessa feira para nos inteirarmos mais dos assuntos relacionados com o homem do campo, com o cafeicultor. Estamos constituindo esse consórcio, que possui vários eixos. Um desses eixos, que é muito importante, é a busca de informações. No mundo de hoje, com o avanço da tecnologia, muitas vezes as empresas obtêm as informações um mês, dois meses antes que o produtor rural. O produtor não precisa obter as informações antes, mas, pelo menos, no mesmo dia. Seja a informação boa ou negativa, o produtor tem de obtê-la no mesmo dia em que todas as empresas cafeeiras do mundo.
Queria muito defender o cafeicultor, mas junto com os nobres colegas, não sozinho. Determinado deputado numa época está na situação, em outras na oposição. Entendemos isso. Em certo momento, o deputado tem mais força, em outros menos força. Se constituído esse consórcio, não seria um partido político, não seria um deputado, mas uma bancada a defender a classe dos produtores rurais. Quando se fizer necessário ir a Brasília, podemos ir juntos.
A Conab soltou uma pesquisa de previsão de safra de 55 milhões de sacas. Aquilo para nós, cafeicultores, foi muito ruim. Quem estava lá para nos defender? Conversamos com os produtores na roça, mas quem estava lá para nos defender? Se tivéssemos um consórcio, uma bancada unida, poderíamos ver com a Conab quando começa uma pesquisa, como é feita, quando será dado seu resultado. Esse resultado pode ficar mais próximo da realidade.
Temos o projeto de constituir esse consórcio. Peço a todos os nobres colegas que falem com seus prefeitos e com suas bases. Às vezes um deputado que é do Norte de Minas diz que em sua cidade não há nem um pé de café. Sei que não há, como sei que do Norte de Minas vão milhares de apanhadores de café para o Sul de Minas. Eles apanham café por três meses, por quatro meses. Eles fazem compras para passar o ano. Essa é a realidade. Peço a todos os colegas que participem. Já estamos com assinaturas de 40 prefeitos que aderiram a esse consórcio. Assim que organizarmos esse consórcio, no Sul e Sudeste de Minas, nossa ideia é criarmos mais dois consórcios em todo o Estado, na região das matas de Minas e no cerrado. Quando o cafeicultor estiver em dificuldades, já precisamos estar unidos.
Já passamos muitas crises com o café. Sabemos que virão outras. Não há subida sem descida. Mas é preciso que nós, que representamos o povo, quando sobrevier uma crise, estejamos unidos para resolvê-la. Vamos dar as mãos ao governo. Nos estandes que montamos lá fora, nos Estados Unidos, perdemos para a Colômbia, e feio. A hora em que se põe o café para os americanos tomarem, muitas vezes, o nosso é um café riado. Quem está lá para acompanhar? Esse consórcio pode acompanhar e valorizar o cafeicultor cada vez mais, porque gera milhões de empregos diretos e indiretos. Se abandonarmos o homem do campo, o produtor rural, o produtor de leite, de soja, de milho, vamos dar um tiro no pé.
Nunca fui político, nunca tive um mandato, mas sempre acompanhei e nunca vi um governo vestir de verdade a camisa do homem do campo, do produtor rural nos momentos bons e ruins. Então, precisamos que o governo olhe para o agronegócio, para o setor cafeeiro, para a família do café. Quantas empresas trabalham o ano todo desenvolvendo maquinaria para a cafeicultura, para essa época? Às vezes o produtor rural é tratado com multa, com fiscalização. Quando precisa de qualquer documento, há uma burocracia muito grande para consegui-lo. Assim, acho que o governo tem de facilitar. A pessoa, para trabalhar, para produzir, tem, muitas vezes, de se humilhar. É até difícil para quem está lá na roça.
Acho que o que havia de discutir já foi discutido; alguma mágoa política que houve no ano passado tem também de ser deixada de lado. Seis meses são suficientes para apagar. Temos de montar bons projetos. Cada um aqui tem a sua força, embora um seja diferente do outro, mas, se unirmos as forças, poderemos contribuir muito com este estado, com o povo que representamos. Estamos aqui para isso.
Vejo, às vezes, muitas críticas aos parlamentares. Muitas vezes estamos na nossa região, e nos consideram como um todo. Sabemos que há desgaste político, que o povo está descrente com a política. Então, vamos unir as forças, colaborar para que este governo faça um bom trabalho, independentemente de partido. Estamos aqui para unir essas forças. A minha é muito pouca, tenho muito pouca experiência, mas a vontade de trabalhar e de contribuir é muito grande. Estou aqui para isso. O que eu puder fazer para o povo de Minas Gerais vou fazer.
Gostaria de pedir também a este governo que desse uma atenção especial à santa casa. Tudo numa cidade é muito importante, a igreja, o banco, a prefeitura, mas não há nada mais importante do que uma santa casa. Às vezes, se você não for à igreja e não puder rezar, orar de manhã, você tem tempo para ir à tarde, ou ora na sua casa, ou vai no outro dia. Mas, quando se tem uma cólica, ocorre um acidente, um infarto, não se tem tempo para ir no outro dia. O hospital tem de estar bom 24 horas por dia, a semana toda, o mês todo. O governo tem de manter os pagamentos em dia para essas instituições, que estão em dificuldade. Precisa olhar para quem tem uma cirurgia eletiva para fazer e não a faz e fica um ano penando na fila. Estamos fazendo na minha cidade uma campanha para construir um polo da saúde. Há 10 anos fazemos 25 tipos de cirurgias eletivas para o nosso povo. Vamos fazer mais cinco com esse polo da saúde. Às vezes a pessoa trabalhou, na roça, na enxada, de pedreiro, em qualquer serviço, adquiriu, por exemplo, uma hérnia de disco, um desgaste de osso e precisa colocar uma prótese, mas não consegue. Trabalhou muito para criar a família com honestidade, contribuiu com o município, com o estado, com o País e hoje, talvez, tem de se humilhar para poder andar. Às vezes uma doméstica, uma empresária, uma professora precisa fazer uma cirurgia de catarata, que renova a vida da pessoa, mas não consegue. É difícil e humilhante.
O ano passado o governo estava com um projeto muito bom, que era um mutirão para se fazer a cirurgia eletiva. Ele tem de retornar. Nunca vi um programa tão bom quanto aquele para aliviar a dor de quem não tinha condições. Hoje temos de unir nossas forças e contribuir para que isso aconteça.
Gostaria de aproveitar o momento para dizer que hoje, à noite, vamos homenagear a Escola Cesário Coimbra, de Muzambinho, pelo seu centenário. Ela muita contribuiu com a educação em Muzambinho e região.
Quero convidar todos os parceiros para participar dessa homenagem que será realizada hoje à noite. Virão dois ônibus com alunos, professores, diretores. Quero contar com a presença de todos os colegas para apertar a mão daquelas professoras e lhes agradecer pelo trabalho que desenvolveram e vem desenvolvendo na nossa região.
O deputado Rogério Correia (em aparte) – Deputado Emidinho, quero parabenizá-lo pelo trabalho que vem desenvolvendo, especialmente, no Sul de Minas. Vou iniciar o aparte por onde V. Exa. terminou: a homenagem à escola. É bom lembrar que elas virão mais satisfeitas que no passado. Isso foi um grande avanço que fizemos no primeiro semestre, apesar de toda a crise econômica, do déficit orçamentário de Minas, de R$7.200.000.000,00, que deixou nosso orçamento no vermelho, no negativo. Apesar disso, as professoras tiveram uma conquista importante – V. Exa. ajudou muito: o piso salarial para a jornada de 24 horas. É bom lembrar isso, pois foi um avanço desta Casa Legislativa, que aprovou o projeto, fruto de negociação entre o Sind-UTE e o governo do Estado.
Também gostaria de lembrar o apelo feito por V. Exa. para unirmos forças entorno dos que mais precisam. V. Exa. e a grande maioria dos deputados e das deputadas assinaram requerimento de minha autoria para a realização do Plano Safra da Agricultura Familiar ou, melhor dizendo, para o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar nacional, que será feito em Minas. Temos a presença confirmada de Patrus Ananias, deputado federal e agora ministro do Desenvolvimento Agrário. Ele virá para dizer o que tem do governo federal para Minas Gerais, do ponto de vista dos pequenos produtores rurais. O lançamento será dia 19, a partir de 8h30min, na Assembleia Legislativa. Também está confirmada a presença do nosso governador Fernando Pimentel, que, com o secretário, fará o lançamento do primeiro plano safra mineiro. Pela primeira vez, Minas Gerais terá um Plano Safra da Agricultura Familiar, que será realizado este ano, dizendo aos pequenos produtores o que será disponibilizado em termos de verba para, por exemplo, melhoria das estradas rurais, estrutura, assessoria técnica, que é muito necessária, comercialização dos produtos. Enfim, nas diversas áreas. Teremos o primeiro Plano Safra da Agricultura Familiar mineiro. Faço esse convite ao conjunto de deputados. Estarão presentes o ministro e o governador do Estado. É uma valorização que o governador tem feito da própria Assembleia Legislativa.
V. Exa. está de parabéns. As coisas estão andando, apesar da crise. Como disse V. Exa., é nosso dever trabalhar e estamos trabalhando para isso.
O deputado Emidinho Madeira* - Deputado Rogério, fico contente e satisfeito com o plano safra. Tudo que fizermos aqui para o produtor rural ainda será pouco, diante do que ele já fez e faz para o nosso estado, para o nosso país. O consórcio público tem hoje a assinatura de 39 prefeitos, já confirmados. Faremos na Expominas o lançamento do consórcio. Vamos trazer o café de cada cidade de nossa região. O mundo do café estará aqui. Todos poderão tomar o café. Nosso estande vai ser bem natural, conforme tem de ser. Queria convidar os deputados para prestigiar o nosso consórcio, tomar um café conosco e apertar a mão de alguns produtores rurais, cafeicultores, que nunca vieram à Assembleia, pois nunca foram convidados. Eles só produzem e geram emprego. Agora vamos convidá-los. Ano que vem quero fazer uma comissão com esses cafeicultores para irmos à feira em Seattle e identificarmos o que o país investe, no que precisamos investir mais, para não perdermos espaço. Estou terminando, só um segundo.
Vamos ter de fazer um trabalho para que façam marketing do nosso café nas Olimpíadas. Esperamos que o governo de Minas Gerais dê as mãos ao governo federal, que tem de atravessar as barreiras e divulgar o café do Brasil nas Olimpíadas, nos acessos aos jogos, pelos outdoors. Na Copa do Mundo ninguém viu uma xícara do café, um boné do café do Brasil. Ninguém viu. Precisamos valorizar, porque o café gera muitos empregos, milhões de empregos.
Temos de valorizar o homem do campo, o produtor rural e apoiar as santas casas de todo o Estado.
No dia em que uma santa casa em uma cidade estiver em dificuldade, não será ela que estará em dificuldade; será o povo que nós representamos que estará, seremos nós, que o estamos representando aqui, que estaremos. É muito triste quando a pessoa está com dor, precisando aliviá-la, e, às vezes, a santa casa não tem condição de atender. Temos de unir forças, dar-nos as mãos para fazer um bom mandato para todos. Muito obrigado.
* - Sem revisão do orador.