DEPUTADO DURVAL ÂNGELO (PT)
Discurso
Denuncia o descumprimento da Lei de Execução Penal no Município de Lavras
e comenta as ameaças ao Promotor de Justiça, Dimas Messias de Carvalho.
Reunião
9ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 14ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/03/1999
Página 25, Coluna 3
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA.
Normas citadas LEI nº 11404, de 1994
Legislatura 14ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/03/1999
Página 25, Coluna 3
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA.
Normas citadas LEI nº 11404, de 1994
9ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª
LEGISLATURA, EM 11/3/1999
Palavras do Deputado Durval Ângelo
O Deputado Durval Ângelo - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, a
quem parabenizo pelo dia das mulheres, transcorrido na última
segunda-feira, há poucos dias tomei conhecimento de um grave fato
que aconteceu na cidade de Lavras, o qual quero relatar como uma
denúncia e uma solicitação de providências por parte desta Casa.
O primeiro Promotor de Justiça da cidade de Lavras, Dr. Dimas
Messias de Carvalho, desde que ali chegou, em março do ano
passado, percebeu algo estranho na execução penal daquela cidade.
Um bandido, de nome Marcelo, com várias condenações por roubo de
carro, estupro, agressão à advogada no fórum e tráfico de drogas -
na última vez, foi pego com “somente” 10kg de cocaína -, cumpria a
pena em regime semi-aberto. O Promotor, consultando o Tribunal de
Alçada sobre as decisões que já haviam sido tomadas a respeito do
caso, viu que era uma concessão indevida dada pelo Juiz local.
Partindo do princípio de que todos são iguais perante a lei,
exigiu que a lei de execução penal fosse cumprida.
Pois bem, a partir daí, o Promotor passou a ser perseguido, tendo
sido até mesmo denunciado pelo próprio Juiz, sob a alegação de que
estaria perseguindo o “distinto senhor”, estelionatário e
traficante. Tanto ele quanto seu assistente de promotoria passaram
a ser perseguidos também com denúncias anônimas. Agora, no mês de
dezembro, depois de receber muitas ameaças, a noiva do assistente
da promotoria, Humberto Amâncio da Costa, chamada Andréa Aparecida
Pereira, foi amarrada, violentada, agredida de várias formas, por
alguém encapuzado, que invadiu sua casa. Na agressão, o autor do
ato deixou bem claro que os próximos seriam o assistente da
promotoria e o próprio Promotor, Dr. Dimas.
Na apuração dos fatos, o inquérito chegou até o agressor, um ex-
preso de nome Gilton Guimarães, vulgo Lelecão. Vários presos da
cadeia local atestaram, em depoimento, no inquérito, que a
agressão havia sido planejada à noite, dentro da própria cadeia de
Lavras. Além do mais, o Promotor continua recebendo ameaças,
inclusive na casa de sua sogra, em Perdões, de que sua família
sofrerá agressões.
Que reflexão devemos fazer sobre o assunto? Que a polícia local,
através do Capitão PM reformado Osvaldo Gonçalves, advogado, sócio
de Marcelo Haddad, vem fazendo vista grossa e sendo omissa nessas
arbitrariedades. É um verdadeiro absurdo a atitude da polícia. O
Juiz também não tomou providências diante do fato.
Ontem, conversei com o digno Procurador-Corregedor do Ministério
Público, Dr. Márcio Eli de Andrade. Uma equipe daquela
Corregedoria já foi encaminhada para Lavras e já tomou
providências junto à Polícia Militar, para denunciar essa omissão
da polícia local. E também já tomou providências junto ao Vice-
Corregedor, Dr. Paulo Medina, brilhante e sério Desembargador, ex-
dirigente da Associação dos Magistrados do Brasil.
Estamos trazendo esses fatos a esta Casa, porque vamos solicitar,
na próxima semana ou, no mais tardar, na semana seguinte, que uma
delegação desta Casa, juntamente com a Corregedoria do Ministério
Público, se desloque até Lavras, a fim de manifestar repúdio a
essas conivências e, ao mesmo tempo, a solidariedade desta Casa ao
Promotor Dr. Dimas, exigindo uma rápida solução.
Onde vivemos? Numa sociedade onde alguém com posses, com muito
dinheiro, consegue ter influência no nível do Poder Judiciário e
consegue se impor pelos desmandos e pela prepotência. Agora, no
mês de março, mais precisamente, no dia 6 de março, sábado, por
volta das 19h30min, um telefonema anônimo, falando em morte e
agressões à sua família, foi recebido pelo Promotor. Se um
Promotor de Justiça sofre uma situação dessas, imaginem um cidadão
comum. Imaginem a D. Mirtes, da Comissão de Direitos Humanos do
conglomerado da Barragem Santa Lúcia; imaginem o Presidente do
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Varzelândia; imaginem
qualquer cidadão ou cidadã comum, indefeso diante de prepotência
como essa.
Penso que isso nos mostra claramente a bárbarie que, cada vez
mais, se instala na nossa sociedade, fruto de um processo de
exclusão social e de submissão a um capital sem pátria, que leva a
uma desorganização total da sociedade, a um enfraquecimento de
instituições e de valores que devem ser caros para todos nós.
Entendemos, portanto, que deve haver uma ação desta Casa em
solidariedade ao Dr. Dimas, exigindo a punição desse bandido
Marcelo Haddad, traficante, ladrão de carros e estelionatário. O
que mais nos agride nisso tudo, minhas senhoras e meus senhores, é
que a Ordem dos Advogados do Brasil, pelo fato de o cidadão ser
não advogado, mas “adevogado”, está prestando total solidariedade
a esse senhor por causa do espírito de corpo. Que espírito de
corpo é esse que passa por cima da ética? Pretendemos também
denunciar à OAB Federal esse fato e a posição que a OAB está tendo
naquela cidade.
Dizem até que o Ministério Público, ou seja, o atual Promotor,
está perseguindo, há muito tempo, desde seu último processo de
fevereiro, o Sr. Marcelo Haddad. Mas o Promotor Dr. Dimas chegou
lá no mês de março. Seria um absurdo alguém imaginar que isso
pudesse estar acontecendo. Também deixamos bem claro que a nossa
denúncia de uma ação isolada de um Juiz não se trata, em hipótese
alguma, de uma posição com relação ao Poder Judiciário.
Discordamos totalmente do que o cacique do PFL nacional, o Sr.
ACM, Antônio Carlos Magalhães, vem fazendo hoje, quanto a
perseguir e tentar desmoralizar o Poder Judiciário em nível
nacional. Estamos nos referindo a um caso ocorrido em Lavras, para
que o Poder Judiciário tome providências, nunca na linha da
instituição da justiça, que é fundamental para qualquer processo
democrático. Pensamos que a justiça deve ser fortalecida em Minas
Gerais e em nível nacional, e não enfraquecida, porque sabemos das
intenções malvadas daquele Sr. Antônio Carlos Magalhães. Sua
intenção é enfraquecer o Poder Judiciário, para que qualquer
reforma ou prepotência do Poder Executivo não seja, de forma
alguma, questionada pelo Poder Judiciário. O objetivo dele é esse,
mas o nosso não é. Estamos ressaltando a importância do Ministério
Público. No caso do Dr. Dimas, não estamos, com isso, excluindo a
existência de pessoas no Ministério Público que não mereceriam ser
Promotores ou Promotoras de Justiça. Na CPI do Sistema Carcerário,
acompanhamos bem de perto situações como essa, mas estamos dizendo
que essas instituições, como também o Poder Legislativo, são
fundamentais para o processo democrático. Estamos encaminhando
esse requerimento sabendo que o Dr. Dimas é conhecido do Deputado
Marco Régis - penso que tenha sido Promotor na mesma cidade ou na
mesma região dele - e que tem uma folha de serviços prestados à
sociedade que merecem ser destacados. Gostaríamos de registrar a
nossa solidariedade e, quanto aos requerimentos que
apresentaremos, pedimos o apoio de todos os Srs. Deputados.