DEPUTADO CRISTIANO SILVEIRA (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 16/04/2026
Página 85, Coluna 1
Indexação
17ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 14/4/2026
Palavras do deputado Cristiano Silveira
O deputado Cristiano Silveira – Boa tarde, presidenta, nobres colegas, público que nos acompanha. Presidenta Leninha, eu queria ter feito essa fala aqui, na semana passada, porque eu queria dar uma resposta ao deputado Eduardo Azevedo. Para quem não sabe, o deputado Eduardo Azevedo é irmão do senador Cleitinho e do ex-prefeito de Divinópolis, o Gleidson. É uma família muito conhecida por fazer muitas piruetas nas redes sociais. São dançarinos. Sabe, Betão? São dançarinos.
Eu soube que o deputado Eduardo esteve aqui para rebater uma entrevista que eu dei à rádio de Divinópolis. Disseram-me que ele ficou aqui um tempão segurando um tijolo. Disseram que o coitado estava até cansado para fazer a performance dele, a coreografia dele. Ficou aqui segurando um tijolo para dizer o seguinte: “Olha, o Cristiano está falando que foi o presidente Lula que trouxe a universidade federal para Divinópolis.” E foi; é o campus Dona Lindu. Ainda leva o nome da mãe do presidente Lula.
Falei também o seguinte: o hospital regional de Divinópolis, o hospital universitário federal, vai ser inaugurado e foi criado no governo do presidente Lula. Ele falou: “O Cristiano está falando que é do governo do presidente Lula. Não tem um tijolo.”. Estava custando a ele segurar o tijolo aqui, coitado. “Não tem um tijolo do governo federal nisso. É tudo recurso do Estado.” Deixa-me falar um negócio: você sabe o que é caro em saúde? Vários parlamentares aqui entendem bem de saúde. Não é a construção de hospital, não. O que é caro é custeio, e um hospital universitário, que é de alta ponta e tecnologia, que vai ter quase 2 mil trabalhadores e um custeio caríssimo. Se o deputado Eduardo não sabe, em menos de um ano, o governo já vai ter pagado, várias vezes, aquilo que o Estado teria colocado ali para construção e equipar o hospital, aquele elefante branco – aquele elefante branco. Eles estão completando oito anos de governo e não deram conta de inaugurar um hospital regional neste estado. Estamos falando de Divinópolis, mas há vários no Estado todo. Em oito anos, não inauguraram nenhum hospital regional. O deputado, que é da base do governo, não sabe disso não? Não quer cobrar isso aqui não? Deputado Leleco, o que é caro é o custeio. O governo do presidente Lula resolve o problema junto com a Universidade Federal de São João del-Rei, e teremos ali um hospital universitário.
Eu falo para os irmãos dançarinos, dançarinos igual aos da Carreta Furacão… Já viram aqueles dançarinos da Carreta Furacão? Eles podiam fazer uma dança em frente à universidade, podiam fazer uma dança em frente ao hospital universitário para agradecer ao presidente Lula. Que essa galera bolsonarista, apaixonada por Bolsonaro, do bolsonarismo, responda para mim a seguinte questão: qual a grande obra do Bolsonaro para Divinópolis, para o Centro-Oeste? Universidade federal: Lula. Hospital universitário: Lula. Samu criado no Centro-Oeste: nossos governos. E qual é a grande ação deles? A grande ação deles é o tanto de gente que morreu na época da Covid, inclusive o povo do Centro-Oeste e de Divinópolis. Eles continuam bajulando esse povo.
Estou respondendo ao deputado Eduardo e queria que ele estivesse aqui. Queria que ele estivesse aqui porque eu gosto de responder olhando nos olhos do sujeito. Gostaria de dizer: deputado Eduardo, o senhor precisa entender que a maior despesa, que o maior custo do hospital federal universitário é o custeio, o custeio. Agora, não foi o governador que pôs dinheiro lá para equipá-lo não, amigo. Aquele dinheiro é do sangue, da lágrima do povo de Minas Gerais. Veio do acordo das tragédias, dos crimes cometidos pelas mineradoras. Está certo? Queria que nem houvesse sido utilizado esse dinheiro para isso. Que o senhor não faça essa covardia de fazer com que as pessoas percam e a história não seja justa com aqueles que perderam a vida para que, entre outras coisas, esse hospital pudesse receber esses investimentos. Não é um centavo de Zema, não é um centavo do governo do Estado; é do sangue do povo de Minas Gerais, está certo? E quem vai custear isso para o hospital funcionar é o governo federal. Quer dizer, se vocês elegerem o Bolsonaro 01… Aí eu tenho dúvida, porque, na época do Bolsonaro, nem sequer havia dinheiro para custeio das universidades, para comprar papel, para pagar terceirizado, para pagar conta de luz, amigo. Acho que, se o senhor acha importante ter um hospital universitário na sua cidade, o senhor deveria abandonar a campanha do Bolsonaro 01 e abraçar a campanha do presidente Lula, inclusive em gratidão ao que já foi feito pela cidade de Divinópolis.
Então estou respondendo ao deputado Eduardo. Será que o deputado Eduardo sabe, por exemplo, que o Bolsonaro 01 publicou na rede social dele uma matéria, Jean, que falava de pessoas procurando comida em caçamba de caminhão? Será que não sabia o Bolsonaro 01 que aquela matéria é da época em que o pai dele era presidente da República, em que o Brasil voltou para o Mapa da Fome, em que as pessoas foram para a fila do osso? A Folha de S.Paulo fez a matéria do povo revirando comida na caçamba de caminhão no governo Bolsonaro, do qual agora o 01 quer ser sucessão. O Bolsonaro 01 tem que pegar a rede social dele e falar o seguinte: “Bom, se isso aconteceu na época do meu pai, e não na do Lula, ao qual eu queria fazer a crítica, eu tenho que criticar meu pai”. Será que ele vai ser honesto? Será que vai ter honestidade intelectual com os fatos?
Eduardo Azevedo, o senhor poderia, quando subir a esta tribuna, dizer o que o senhor acha disso? Poderia dizer o que o senhor acha de o Bolsonaro 01, que vocês chamam de Flávio, ter publicado uma matéria com o povo revirando caçamba de caminhão para procurar comida, o que ocorreu na época do governo do pai dele, que ele quer continuar, ao qual quer dar continuidade? Ele fala mesmo isso. Ele fala que o mandato dele será voltado para continuar a grande obra do pai dele. Deus me livre! Obra de covid, com 700 mil mortos, com o Brasil no Mapa da Fome, com o Brasil desrespeitado, não recebendo mais investimento, com o povo na fila do osso, com o salário mínimo sem valorização, com universidade quase fechando… Deus me livre! Essa é a grande obra do governo que o deputado Eduardo Azevedo defende.
Então eu queria fazer esse questionamento. Ele gosta de questionar a gente sobre um monte de coisa, não é? Da última vez que veio nos questionar acerca do Banco Master, eu dei uma aula para ele. Rapidinho. Foi assim: “Ah, você quer saber do Banco Master? Quem recebeu dinheiro da turma do Master foi o Bolsonaro, R$3.000.000,00. Tarcísio recebeu R$2.000.000,00. Quem voou no jatinho do Vorcaro? Nikolas Ferreira. Quem está na agenda do Vorcaro? Tudo deputado da direita”. Está respondido? Está respondido? Ah, mas esse, Leleco… Sobre isso você fique tranquilo, porque nós vamos aguardar.
Bem, eu queria falar de outra coisa. O Nikolas “Chupetinha”, que andou no avião do Vorcaro, firulento também – outro firulento –, gravou um vídeo há um tempo falando assim: “Governo do PT quer taxar o Pix”. Vocês se lembram disso? Lembram-se disso, não é? “O governo do PT quer taxar o Pix. O Pix é uma conquista do povo brasileiro. Isso é um absurdo.” Isso é fake news, porque nunca houve essa discussão sobre taxar Pix. Agora quero fazer a seguinte reflexão e convidá-los a refletir junto comigo: o que é uma das coisas que o Donald Trump mais tem atacado no Brasil? O Pix. O Trump é contra o Pix no Brasil. O Bolsonaro 01, o Bolsonaro 02, essa turma toda é lambe-botas, pau-mandado de Donald Trump. O que vai acontecer se o Bolsonaro 01, que vocês chamam de Flávio, for eleito presidente? A primeira coisa será acabar com o Pix. Ora, isso é um raciocínio lógico. As premissas nos levam à conclusão lógica. Se Trump é contra o Pix, e esses caras são capachos de americanos – porque levam bandeira americana para manifestação e estão lá lambendo bota do Trump –, se esses caras forem eleitos, o Trump vai chamá-los e falar: “Ô, menino, acabe com esse negócio de Pix aí, viu?”. E eles vão cumprir isso na hora. São lesas-pátrias, entreguistas, não há nada de “Deus, pátria e família”… Bobagem. É bobagem esse negócio de “Deus, pátria e família” que ficam falando. Não há nada disso. Se há uma coisa que esses camaradas não são, essa coisa é patriota. Querem entregar tudo para os americanos, para os estrangeiros. Então a pergunta que faço é: se Trump é contra o Pix, e o Flávio e a família toda são bajuladores do Trump, o que vai acontecer? Vai acabar o Pix. Então, trabalhador e trabalhadora, que sabem que o Pix é importante… Senão vocês vão ter que voltar a pagar TED, DOC, que são esses “trem” em que se pagava tarifa. Então fiquem espertos, porque, se o Flávio for eleito, se o Bolsonaro voltar, se o bolsonarismo voltar, acabará o Pix. Já estou avisando para ninguém falar assim: “Ah, isso é mentira. Não vai acontecer”. Não vai não? Paguem para ver, então. Isso está avisado.
O que mais quero falar com vocês? Ah, economia. Quem está acompanhando os indicadores econômicos? Olhem, nós vimos nesta semana a Bolsa de Valores bater mais um recorde. A Bolsa de Valores chegou a 200 mil pontos pela primeira vez na história. Estamos vendo o dólar chegar agora a menos de R$5,00. Isso é histórico; nos últimos anos, esse é o menor valor do dólar – o menor valor do dólar! Vimos o crescimento do PIB do Brasil, recorde de emprego e inflação sob controle, ou seja, o País vive um momento econômico muito melhor do que na época do “Posto Ipiranga”, que é quem o Flávio Bolsonaro – o “Bolsonaro 01” – fala que trará de volta para a economia se ganhar a eleição. Eu me lembro de uma fala desse tal de Paulo Guedes que dizia o seguinte, na época deles: “Para o dólar passar de R$5,00, tenho que fazer muita bobagem”. E passou. O dólar chegou a mais de R$6,00, a quase R$7,00. Esse era o “Posto Ipiranga” falando, e eles querem voltar com esse camarada.
Esse mesmo Paulo Guedes falou: “Se o Lula ganhar, em 6 meses, isto aqui vira uma Argentina; em um ano, vira uma Venezuela”. Vocês se lembram disso? Todo mundo se lembra. “Ah, não existe isso, não, Cristiano.” Dê um Google. Não vamos ficar disputando a verdade sem conferir as informações, não. Dê um Google. É só colocar no Google: “Paulo Guedes falou que se o Lula ganhar…”. Ele deu uma entrevista para o site do Thiago Nigro, que na internet se chama “Primo Rico” e fala sobre finanças. Ele deu uma entrevista para o Thiago Nigro falando que, se o Lula vencesse, o Brasil viraria uma Argentina em 6 meses e uma Venezuela em 1 ano. Cadê a Venezuela? Que Venezuela é essa, com bolsa de valores recorde, já que está chovendo investimento estrangeiro no Brasil? Que Venezuela é essa, em que o dólar está abaixo de R$5,00? Que Venezuela é essa, em que há inflação sob controle, crescimento do PIB e alta taxa de empregabilidade? Que Venezuela é essa, em que o Brasil saiu de novo do Mapa da Fome?
Então vocês têm que pensar direito. Estou vendo gente saudosista da época de Bolsonaro. Saudade de quê? Saudade de quê? Os nossos indicadores sociais e os nossos indicadores econômicos são de longe melhores que os dessa turma. O debate vai ser bom demais, gente. O debate vai ser muito bom. Pena que eles não ficam aqui para fazer o debate. A gente começa a debater, e eles “cascam fora”. Eles não ficam aqui para poder nos ouvir.
Eu queria caminhar para o encerramento da minha fala trazendo o debate sobre o mês do autismo. Estamos no mês de abril e, no dia 2 de abril, celebramos o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Minas Gerais está muito distante de ser um estado que cuida, de fato, dos nossos autistas. Tenho denunciado e tenho falado da necessidade de termos uma política para cuidar de cuidadores, para cuidar de quem cuida. A grande maioria dos cuidadores são mulheres; elas são mais de 70%. Elas não cuidam somente dos autistas, mas também das pessoas com deficiência, dos idosos e dos acometidos por doenças graves. Ninguém está cuidando dos cuidadores. Eles estão invisibilizados.
Qual é o grande projeto de Minas Gerais para os cuidadores? Nenhum. Já faz anos que estamos propondo isso aqui. Propomos, o Zema veta, e a gente discute para derrubar o veto. Há colegas que ajudam e colegas que não ajudam. O dado concreto é que Minas Gerais tem que ter uma política para cuidar dos cuidadores que envolva, de um lado, o apoio material e financeiro, porque muitas dessas pessoas vivem em situação de extrema pobreza e, quando conseguem viver, vivem com benefícios do governo federal. Do outro lado, há também um quadro de adoecimento mental do ponto de vista psiquiátrico e psicológico. Então é necessário que haja a presença do Estado no cuidar das pessoas na questão da saúde e também nas questões de ordem material, econômica e financeira, porque a situação é grave.
Novamente estou discutindo isso. Inclusive queremos fazer uma audiência aqui, na Assembleia, no dia 27, para pautarmos esse assunto – temos um projeto nosso tramitando –, para falarmos dessa matéria. Então é fundamental a gente cuidar dos cuidadores. Outro ponto: defendemos a criação de centros regionais para descentralizar os serviços e levar às regiões mais remotas a assistência, as terapias, os tratamentos e o diagnóstico para quem precisa. Minas Gerais de novo é negligente com esse debate, é negligente com essa questão. Sei que o Zema gosta é de mineradora. Zema gosta é de dono de locadora, de empresário para o qual deram mais de R$22.000.000.000,00 de benefício. Será que não sobra nem um centavo do orçamento para cuidar das pessoas com deficiência, para cuidar dos autistas e para cuidar das mulheres, das cuidadoras, dos cuidadores, das pessoas com autismo e com algum tipo de deficiência? Gente, está passando da hora, não é? Está passando da hora de o Estado ser para quem mais precisa. Então fica aqui o meu registro. Ressalto que a gente quer continuar esse debate ao longo deste mês. Obrigado, presidente.