Pronunciamentos

DEPUTADO CLEITINHO AZEVEDO (CIDADANIA)

Discurso

Apresenta áudio que recebeu de um pai, lamentando a morte de seu filho, por não ter conseguido vaga em hospitais. Solicita empenho da classe política para o aperfeiçoamento da saúde pública e maior transparência nos critérios de espera do Sistema ùnico de Saúde - SUS. Defende a aprovação de projeto de lei que dispõe sobre a publicação na internet da lista de espera dos pacientes que serão submetidos a cirurgias eletivas com recursos do SUS.
Reunião 111ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/11/2019
Página 71, Coluna 1
Assunto SAÚDE PÚBLICA.
Aparteante DOUTOR JEAN FREIRE, DOUTOR WILSON BATISTA

111ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 27/11/2019

Palavras do deputado Cleitinho Azevedo

O deputado Cleitinho Azevedo – Boa tarde, Sr. Presidente! Boa tarde, deputadas e deputados! Boa tarde, servidores desta Casa, população presente, você que está nos assistindo pela TV Assembleia, uma boa tarde!

Vou colocar um áudio. Vou tentar, vou ver se vai sair legal, para que a população mineira e brasileira escute esse áudio para a gente ver o que é o SUS aqui no Brasil. O SUS aqui está no Estado. Vamos ver se vai sair beleza. (– Aproxima um celular do microfone.) Então, gente, só para vocês entenderem, esse áudio é o pai de um filho que foi queimado, que procurou o nosso gabinete para a gente conseguir essa vaga urgente para ele no hospital. Foi tentando, foi tentando e essa vaga não saiu. Então, eu como deputado, como político hoje, a gente fica com vergonha. Sabe por quê? Olha a situação que há neste país aqui? O SUS não é SUS Fácil? Não tem de ser fácil? Não, mas o SUS é um SUS difícil. Sabe por quê? Na hora que a população mais precisa não consegue. Você tem noção de que um cidadão morreu por falta de oportunidade dentro de um hospital? O que se passa na classe política deste país aqui? O que a gente vai ter de fazer?

Há um projeto aqui na Assembleia. Foi o deputado estadual, meu amigo aqui, Jean Freire, que fez esse projeto na legislatura passada. Esse projeto ainda está aqui. Sabe o que é esse projeto? É para dar transparência à fila do SUS, para saber qual numeração está no SUS, se está no 21º, se está no 22º, onde está? Você está entendendo? Não há condições de uma situação dessa não. Mas vamos olhar no SUS. Chega lá, ninguém nunca sabe onde está o SUS, onde é essa fila. Que fila é essa que não tem transparência? Tem de esperar, porque existe gente na frente. Quem são essas pessoas que estão na frente? Então, há um projeto para dar transparência, para poder resolver esse problema. Esse projeto está aqui desde a legislatura passada. A função de um deputado é legislar e fiscalizar. Esta Casa aqui tem a obrigação de propor leis, de propor soluções. Essa, sim, é uma solução. Por que não pode?

Sabem, eu, como deputado, receber um áudio desse, a gente correr, correr atrás e o pai vir contar para a gente aqui que o filho dele não aguentou, porque não teve uma oportunidade no SUS, não teve uma oportunidade no hospital e veio a falecer… Então, queria chamar a atenção de você que é político. Tem muita gente que pergunta e diz: “Vou ser candidato a vereador; vou ser candidato a prefeito; é a minha primeira vez. O que tenho de fazer?”. Não entre na política com intuito de resolver a sua vida. A sua vida já tem de estar resolvida. Não entre na política para resolver a sua vida. Você tem de entrar na política para resolver a vida das pessoas. A principal ação que um político tem de fazer é resolver as vidas das pessoas. Não é resolver a vida dele. Sabe por quê? Naturalmente, quando você entra na política, o salário é excelente. O salário de um deputado, de um vereador, de um presidente, de um governador é excelente. Então, naturalmente, a vida dele já melhorou. O que custa fazer a vida do povo melhorar?

É por isso que falo que político que rouba do país tem de estar na cadeia, tem de ser prisão perpétua para ele. Muitos desses rombos que houve no país, muitas dessas roubalheiras que houve no país prejudicaram essas pessoas que precisam de um SUS agora e não conseguem. Então, já pensou em quantas pessoas os políticos já mataram? Quantas pessoas o político já matou na fila do hospital por uma situação igual a essa, por corrupção, por lavagem de dinheiro, por politicagem barata? Então, que SUS é esse? Vamos mudar esse SUS, gente! Esse SUS tem de parar de ser difícil e tem de começar a ser fácil, para dar dignidade para o povo. Tenho de me colocar no lugar dessa família. Eu, como deputado agora, posso pagar um plano de saúde para mim, posso pagar para a minha família. Agora, esse cidadão, quando precisa do SUS, o filho dele morre. Vamos tomar vergonha na cara com relação a essa política tanto do Estado quanto do país. Se precisar de fazer um orçamento e colocar todo o dinheiro dentro da educação e da saúde, jogue tudo dentro dessas áreas, porque a gente não pode deixar... Como político, fico com envergonha de saber que não consegui resolver a vida desse cidadão que mandou esse áudio aqui para mim, de não conseguir salvar a vida do filho dele. A política tem de fazer isso. A política é para servir.

O deputado Doutor Wilson Batista (em aparte)* – Cleitinho, você trouxe um assunto extremamente importante. Realmente, essas filas do SUS não existem. Só existe uma fila, que é a de transplantes. Essa é uma fila extremamente organizada, e o Brasil é até exemplo para outros países quanto à fila do sistema de transplantes. Agora, fila para procedimentos eletivos, cirurgias eletivas, transferência de paciente de um hospital para outro, como a questão do SUS Fácil, não existe. Existe, sim, uma central de regulação que facilita, às vezes, a transferência desses pacientes. Mas nós sabemos que a dificuldade de transferência não é nem a falta, às vezes, de leito ou de vaga no hospital, mas de médicos responsáveis para receber esses pacientes do SUS Fácil.

Há inúmeros hospitais credenciados, mas, infelizmente, não há sequer uma equipe dedicada a receber esses pacientes. Principalmente nos finais de semana, esses pacientes acabam indo a óbito onde entraram, ou seja, na porta inicial. Ele não consegue uma transferência. Se for no final de semana, se for um feriado prolongado, esse paciente não vai ser transferido, porque o hospital de referência vai funcionar em sistema de plantão. E ele só vai receber o paciente que chegou ali, onde ele está presencialmente de plantão.

Então, há uma desorganização extrema do Sistema Único de Saúde. É difícil a gente, como deputado… Já houve inúmeras leis que passaram anos e anos aqui, para a gente tentar organizar, e, infelizmente, a gente não consegue essa ressonância dentro do Sistema Único de Saúde, na Secretaria de Estado de Saúde e nem no Ministério da Saúde. Eles são incapazes de ouvir, no dia a dia, quem está enfrentando, ao lado dos pacientes, essas dificuldades que você acabou de citar. Eu cito isso inúmeras vezes aqui na Assembleia. Quantos pacientes vão aos hospitais, aos consultórios, ao médico especialista e nós não conseguimos solucionar aquela demanda do paciente! Você sai do consultório, você precisa fazer uma biópsia e você não consegue fazer.

Às vezes, há médico querendo trabalhar para o SUS, mas existem os empecilhos da Secretaria Estadual de Saúde e do Ministério da Saúde em credenciar serviços novos para atender essas urgências e emergências. Quantos hospitais hoje estão pleiteando um serviço de alta complexidade na neurocirurgia, um serviço de alta complexidade numa cirurgia oncológica, e eles não conseguem! É isso o que acontece. Aí, os pacientes vão enfrentar essas filas intermináveis e, infelizmente, elas não existem. Nenhum paciente sabe qual é a posição em que está numa fila. Vão simplesmente empurrando com a barriga e, infelizmente, a gente vai convivendo com mortes, talvez, evitáveis. Se houvesse um atendimento adequado, oportuno, às vezes, poderia ser evitado um desfecho como esse. Parabéns, Cleiton!

O deputado Cleitinho Azevedo* – Agradeço o Wilson, que é médico e tem propriedade para falar disso. Como já foi usado aqui um aparte, já existe um projeto aqui na Casa para poder solucionar, pelo menos, essa transparência sobre a questão da fila, para a gente saber em que posição está aquele cidadão que precisa fazer uma cirurgia o quanto antes.

Concedo aparte a V. Exa., para explanar sobre essa questão para a gente.

O deputado Doutor Jean Freire (em aparte)* – Deputado Cleitinho, eu falo com muita tranquilidade sobre esse tema. Primeiro, quero parabenizá-lo por esse trabalho, por trazer essas demandas importantes a esta Casa. Eu falo com muita tranquilidade, porque, em hospital, eu já fui desde porteiro a atendente de enfermagem e médico, ou seja, eu já vivi desde quando o paciente chega na portaria do hospital – ali é o início do drama – até o final desse drama.

Então, primeiro quero dizer que nós temos que defender o SUS, esse Sistema Único de Saúde que foi criado para o empoderamento das pessoas. O SUS é importante na nossa vida em tudo, desde o início do dia, desde o escovar dos dentes. Naquele creme dental há a presença do SUS, assim como na água que bebemos, na comida. O SUS não é só esse atendimento direto. Então nós temos que empoderar esse sistema que ousa dar saúde para pobres e ricos, mas que precisa ser melhorado – e muito. E aí não é o Sistema Único de Saúde, não é essa sigla e esse programa, é o que, talvez, vários gestores fazem dele.

Nós temos projeto nesta Casa – como V. Exa. colocou – para criar a fila única do SUS. Não somos nós, deputados – e você deve receber, eu recebo muito como médico –, que temos que localizar uma vaga para um paciente ou outro. Ou seja, vai haver prioridade para quem tem o contato do deputado, para quem é amigo do deputado?

Então, nós temos que unificar verdadeiramente esse sistema, para que o pobre que fraturou o fêmur lá, na cidade de Itaobim, no Vale do Jequitinhonha, tenha o mesmo direito e seja operado no mesmo espaço de tempo que o que fraturou aqui, em Belo Horizonte. Nós temos que lutar, deputado Cleitinho. Nós temos um projeto de lei para a fila única.

Nós temos outro projeto de lei para tratar a questão de pacientes que têm mamas volumosas, que ficam 5, 10 anos esperando. E não querem operar por uma questão de estética! Não querem operar por uma questão de estética, mas por problemas de saúde, pela autoestima. Precisamos dar o mesmo direito a todos.

E é triste quando vemos mortes prematuras. Um jovem – pelo que você coloca aí – morreu prematuramente. Então temos que tentar – todos juntos, nesta Casa – fazer com que os projetos andem. É aquilo que você coloca: cabe ao deputado votar a favor ou não, ou melhorar o projeto. Não está bom, então vamos melhorá-lo ou escolher algumas patologias para tentar criar uma fila única e ver se isso vai dar certo ou não.

Então, parabéns! Conte com o nosso apoio aqui, como médico e como deputado nesta Casa. Muito obrigado.

O deputado Cleitinho Azevedo* – Jean, eu é que agradeço. Conte com o meu apoio, porque esse projeto é seu, mas quem vai votá-lo aqui será a Assembleia inteira. Então você tem todo o meu apoio, porque esse projeto é de suma importância para o Estado de Minas Gerais, para dar transparência a essa questão da fila do SUS.

Outra situação, gente: estamos falando aqui que, em Minas Gerais, existem vários hospitais regionais abandonados e parados. Em muitas situações, são pessoas que chegam à UPA... E muita gente julga a UPA, acha que a UPA é a culpada. A UPA é um pronto-atendimento. Lá não há como fazer uma cirurgia. É preciso encaminhar para o hospital, e, nos hospitais, não há vagas. Então, esses hospitais regionais são de suma importância para Minas Gerais.

Há hospital regional na minha cidade, Divinópolis, que está abandonado há mais de 10 anos. Então é dinheiro jogado fora, e eu espero que o governador Zema agora, e a Secretaria de Saúde mobilizem, parem o que for fazer, economizem o que for e invistam nesses hospitais, porque eles vão salvar vidas. Se eu puder jogar todas as minhas emendas para ajudar a saúde, farei isso; é obrigação nossa fazer isso.

Então espero que o governador, com o secretário de Saúde, olhe com carinho a situação dos hospitais regionais, que não estão só na minha cidade de Divinópolis, não, estão em várias regionais de Minas Gerais: em Juiz de Fora; em Governador Valadares; se não me engano, em Governador Valadares; em Teófilo Otôni, e por aí vai. São vários hospitais regionais que estão parados, e a população poderia estar usufruindo deles.

Vou finalizar minha fala e concederei um aparte para você, Bartô. Só 1 minuto.

Eu queria mostrar aqui, gente, por que fui eleito – e deixei isso bem claro para a população que me colocou aqui para eu falar: a minha política é muito voltada para a conscientização. Então, vim para conscientizar muito a classe política, principalmente essas pessoas que estão entrando na política. Eu vou andar por Minas Gerais inteira agora, e até pelo Brasil, conscientizando os políticos: conscientizando deputado, conscientizando prefeito, conscientizando vereador, senador, presidente, o que for, porque política é isso aqui, gente. Eu ganhei este boné – se puder dar um zoom nele aqui – e vou colocá-lo na cabeça (– Coloca o boné na cabeça.). Por que vou colocá-lo na cabeça? Para todos os políticos colocarem na cabeça que a gente é só isto aqui: somos empregados do povo.

Então o que acontece hoje que faz necessário conscientizar a classe política do Brasil? Os políticos hoje tinham que ser uma das classes mais honradas do país, juntamente com o professor, com o médico, com todas as classes. Tinham que ser honrados! E hoje é uma das classes mais desonradas que há. É a classe que não tem credibilidade nenhuma. Isso me chama a atenção. Tinha que ser uma classe honrada, por quê? Porque a política é a arte de servir. Então, você, que quer ser político, você, que quer ser um vereador, um prefeito, coloque na sua cabeça: você é só um empregado do povo. Quem é o patrão, de verdade, é a população. A gente está aqui para servir à população.

E o mais importante: não entre na política – eu vou falar isso agora, durante o meu mandato inteiro – para resolver a sua vida, sabe por quê? Porque você tem que entrar na política para resolver a vida da população, não é a sua vida. Você não tem que entrar na política para ficar rico, para ficar milionário. “Ah, porque eu tenho que ter conta na Europa, tenho que ter 10 carrões, tenho que ter mansão, isso e aquilo, tenho que ter dinheiro na cueca”. Não tem!

O maior patrimônio que o político tem na vida pública é o seu nome, é a sua confiança, é a sua liberdade. Eu pergunto para vocês se o Aécio Neves pode sair de cabeça erguida, se ele pode passear no shopping, se ele pode ir a um campo de futebol. Não pode, porque perdeu o que tinha de mais precioso que é a liberdade, que vem com a confiança. Você não bate à porta da população e não pede o voto? O voto é só uma confiança. Então, o maior patrimônio que você tem não são bens não, o maior patrimônio que o político tem é o nome dele.

Então, não entre na política para resolver a sua vida, entre para resolver a vida do povo. Você sabe por quê? Você sabe por que tem que resolver a vida do povo? Atualmente, depois que virei deputado, virei vereador – e qualquer outro cargo político, prefeito, governador – a vida até melhorou. Que vida de político não melhorou? Que político não tem um salário em dia, não tem um excelente salário? Custa vocês fazerem a vida do povo melhorar? Então é isso que eu vou fazer pelo Brasil inteiro, porque não adianta a gente ter a maior economia do país, não adianta Minas Gerais ter a melhor estrada do Brasil inteiro, o melhor município, se só há político corrupto.

O deputado Cleitinho Azevedo* – Não adianta nada ter a melhor economia do país. Para a gente ter dignidade e respeito aqui, precisamos ter bons políticos que entendam que são empregados do povo e que estão aqui para servir o povo.

Então, são essas as minhas palavras de hoje. E que esse vídeo possa repercutir no Brasil inteiro para você que quer ser político entenda que você é um mero empregado do povo. Estamos juntos.

* – Sem revisão do orador.