DEPUTADO CÉLIO MOREIRA (PSDB), Autor do requerimento que deu origem à renuião especial.
Discurso
Legislatura 16ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/08/2009
Página 41, Coluna 2
Assunto CALENDÁRIO.
Proposições citadas RQS 1737 de 2009
27ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 14/8/2009
Palavras do Deputado Célio Moreira
Exmo. Sr. Vice-Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, Deputado Doutor Viana, representando neste ato o Presidente, Deputado Alberto Pinto Coelho; Exmo. Sr. Presidente do Conselho de Família do Instituto Hermes Pardini, Dr. Hermes Pardini; Exmo. Sr. Secretário de Agricultura, Gilman Viana, representando o Exmo. Sr. Governador Aécio Neves; Exmo. Sr. Cônsul Honorário do Canadá e Diretor da ACMinas, Dr. Ricardo Guimarães; senhoras e senhores; jovens e crianças.
Quero, inicialmente, cumprimentar todos os presentes, especialmente o Dr. Hermes Pardini e sua esposa, Sra. Carmem Lúcia, os filhos Áurea Maria, Regina e Vítor, genros, netos, amigos, funcionários, convidados; que sejam bem-vindos a esta egrégia Casa Legislativa. Cumprimento ainda o Dr. Vítor Sérgio Couto dos Santos, Presidente Executivo do Instituto Hermes Pardini, e agradeço aos meus colegas Deputados a grata oportunidade da homenagem que prestamos nesta noite ao Instituto Hermes Pardini pelos seus 50 anos de atividade. Ao longo de sua existência, esta Casa teve a honra de homenagear figuras destacadas em variados segmentos da indústria, do comércio, da Justiça, grandes ícones da história política, respeitáveis e notáveis empreendedores, eméritos intelectuais. Todos eles, naturalmente, merecedores da honraria que lhes foi conferida. Esta noite, no entanto, se reveste de brilho especial porque o que estamos a homenagear não é somente uma empresa, mas os valores que se lhe agregam, fundidos em uma história rica, humana, em que sobressai a grandeza de um ideal, a coragem de não ter medo, o compromisso de honrar os pais. Tudo isso traduzido em meio século de trabalho e luta, fomentado pelo idealismo, amor ao trabalho e dedicação ao próximo. Da rica lavra literária de nosso saudoso jornalista Camilo Castelo Branco há um pensamento que resume a história do Instituto Hermes Pardini, na figura de seu fundador. Diz ele: “Os dias prósperos não vêm ao acaso, são granjeados como as searas, com muita fadiga e muitos intervalos de desalento”. Para entenderem a correlação do pensamento de Castelo Branco com a trajetória de vida e de trabalho do Dr. Hermes Pardini, necessário se faz que conheçamos sua história. E me dou a liberdade de contá-la nesta noite, com toda sua carga de emoção, saudade e orgulho, com base no relato autobiográfico de seu protagonista.
Desde muito jovem, o menino Hermes recebia influência de seu pai, Armando Pardini, que trabalhava com produtos farmacêuticos e era apaixonado por endocrinologia. Embora não fosse médico, adorava dosagens hormonais. Frequentava o laboratório de um grande amigo para conhecer técnicas laboratoriais. A paixão pela endocrinologia levou-o a montar um pequeno laboratório em sua própria casa, com a finalidade de isolar alguns hormônios para pesquisas, que reproduzia através de leituras. Filho único, Hermes cresceu cercado de livros de endocrinologia. Por influência do ambiente ou não, o jovem abraçou a medicina. Valendo-se da amizade de seu pai com o Prof. Thales Martins, grande pesquisador, conseguiu um estágio com o Prof. Fernando Ubatuba, na Fiocruz, e no laboratório da Santa Casa, no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, Hermes já se formava, para orgulho de seu pai, um apaixonado pela profissão. Orgulho que se acentuava ainda mais pelo fato de o filho escolher a especialização em laboratório de endocrinologia. O futuro médico seguiu para o Rio e lá estagiava com o Prof. Ubatuba. Hospedava-se no Instituto Oswaldo Cruz, em Manguinhos, e, quinzenalmente, vinha a Belo Horizonte ter-se com a noiva Carmem, que viria a ser sua esposa, incentivadora e companheira de todas as horas. No Rio, levava uma vida modesta, de modo a não sacrificar ainda mais a vida dos pais. Tinha o suficiente apenas para o almoço em restaurantes populares e para ônibus ao Centro e retorno. Não pagava hospedagem. Tinha café e lanches graças ao Prof. Amílcar Viana Martins, seu Diretor na época. Terminado o estágio, cheio de esperança e determinação, o jovem médico retornou a Belo Horizonte. Em uma pequena sala alugada pelo pai, no Edifício Borges da Costa, iniciou seu trabalho de dosagens hormonais. Em 10/8/59, o ainda modesto laboratório recebia a primeira solicitação de exame. Um dia marcante na vida do Dr. Hermes, que recebeu o pedido emocionado. Era um tipo de dosagem trabalhosa, atualmente em desuso.
Faltava dinheiro. O pouco que o jovem médico recebia de ajuda do pai foi sendo somado ao pequeno rendimento que, em poucos meses, o laboratório começou a gerar. Após o primeiro ano, Hermes já superava as dificuldades e podia dispensar a ajuda paterna. A vida regrada e modesta que os pais levavam permitiu-lhes comprar um apartamento para o filho, que se casou em março de 1960, livrando-o da despesa com aluguel. Porém, novos desafios estavam por vir. Então com 25 anos, recém-casado, o jovem médico teve que abdicar da ajuda da esposa, que engravidara. Era ele então um desconhecido no mercado e não contou com o esperado apoio de antigos frequentadores da casa dos pais. Procurava vencer as dificuldades com esforço incomum, trabalhando de 6h30min às 21 horas diariamente - o senhor se lembra, Dr. Pardini? Inspirado no exemplo dos pais, continuava levando vida simples, regrada. A alimentação diária restringia-se a um simples café com pão em casa e um almoço num restaurante simples. Sua presença constante na Associação Médica de Minas Gerais, em seus departamentos de endocrinologia e patologia, e sua participação em quase todos os congressos das áreas, sempre divulgando as novidades e aplicações clínicas das dosagens, lhe valeram o apoio de alguns especialistas, apoio que impulsionou sua progressão profissional.
No ano de 1960, o laboratório já contava com duas recepcionistas, duas auxiliares e a imprescindível ajuda da esposa, com a filha recém-nascida.
No início de 1961, Dr. Hermes fez o curso de Aplicações Clínicas em Medicina Nuclear, na Faculdade de Engenharia da UFMG. Foi um período penoso, sacrificante. Ele estudava durante as madrugadas, sábados e feriados. O curso em tempo integral forçava seu afastamento do laboratório. Aproveitava o pouco tempo livre - de 6h30min às 8 horas, o horário do almoço e após o final do curso, às 17h30min - para dar assistência ao próprio empreendimento. Tanto sacrifício e dedicação lhe trouxe como recompensa o destaque como o aluno com maior nota no curso.
Àquela altura, o laboratório começava a ficar mais conhecido, em virtude da forte atuação científica do Dr. Hermes e da qualidade dos resultados dos exames. Foi por essa ocasião que conheceu Sérgio Almeida, um carioca genial, que, com preço e prazos facilitados, construiu para ele um aparelho de cintilografia da tireoide, um para captação do 1-131 e outro para cintilografia líquida, para realização do PBI-131.
Em 1961, o laboratório do Dr. Hermes Pardini oferecia exames de tireoide e era o único na época a trabalhar com conhecimento clínico de endocrinologia. O jovem médico executava pessoalmente os exames, com pleno conhecimento da fisiopatologia da tireoide e das diversas influências que alteravam os testes. Foi, por assim dizer, praticamente o pioneiro na especialidade, em Belo Horizonte. O setor de medicina nuclear aplicada à tireoide se desenvolveu, e o laboratório já oferecia exames de tireoide completos para a época, incluindo o iodo proteico 127 - e, naquele tempo, ainda era utilizado metabolismo basal.
A esta altura, já não dependia mais do apoio financeiro do pai. Hermes Pardini superava as próprias expectativas e era, merecidamente, motivo de orgulho para o casal D. Lavínia e Armando Pardini.
Mais do que o apoio, Dr. Pardini sempre recebera dos pais o exemplo de uma vida mesclada de simplicidade e ideologia. E nosso Dr. Pardini seguiu vida afora levando consigo e passando aos filhos aprendizados e conceitos morais herdados, entre eles o de jamais abrir mão da honra, da responsabilidade profissional e do senso de justiça.
No segundo semestre de 1960, convidado pelo Prof. Caio Benjamin Dias, tornou-se seu colaborador no setor de endocrinologia e no laboratório especializado, na Faculdade de Medicina da UFMG. Por 11 anos esteve na Universidade, onde dava aulas e participava dos ambulatórios e do laboratório de endocrinologia na primeira clínica médica. Assim, harmonizando o laboratório com a atividade docente, ainda que a custo de grandes sacrifícios, foi acumulando aprendizado.
Sempre atento à evolução, procurava atualizar-se. Nos fins de semana e no silêncio da madrugada, debruçava-se sobre os artigos das principais revistas e livros especializados.
Em 1965, Dr. Hermes sofre sua maior perda. O pai, o grande amigo e incentivador, morre aos 55 anos. Parte sem poder acompanhar toda a evolução profissional e pessoal do filho.
No ano de 1969, o laboratório já contava com várias salas próprias, no mesmo endereço em que foi montada a célula-mãe do empreendimento. Contava com profissionais de todas as subespecialidades da patologia clínica.
Em 1971, demitiu-se do cargo de Professor Assistente da UFMG para se dedicar exclusivamente ao seu empreendimento. E foi nesse ano que se delinearam os convênios com as áreas de saúde das mais diversas empresas e com os recém-chegados planos de saúde. E com os olhos no futuro, Dr. Pardini iniciou a construção da primeira filial, na Rua Aimorés, 33. Eu trabalhava nessa rua, no nº 64.
Era ousado projeto de construção grande para a época, composta de grandes áreas para o conforto dos clientes, grande recepção, área especial para as provas funcionais, com instalações completas, áreas independentes de coletas pediátricas, cabines especiais de coleta de sangue, enfermagem própria para cada setor e assistência médica, cozinha para lanche de clientes e de funcionários. Os concorrentes, por razões óbvias, consideravam o projeto ambicioso demais e chegavam a classificar a edificação de “elefante branco”. Por seu lado, Hermes Pardini tinha plena confiança em seu trabalho e na equipe e apostava no sucesso.
Superando grandes dificuldades, em 1978 foi inaugurada a sede principal, hoje a matriz, e outros prédios foram construídos posteriormente. O Instituto começou a realizar provas funcionais endócrinas e a oferecer apoio laboratorial. Belo Horizonte passou a ter em sua paisagem a marca Hermes Pardini.
Nessa época, a abrangência era regional - Grande BH -, e os materiais para análise chegavam ao laboratório pelo correio.
Com a inauguração da Unidade Padre Eustáquio, em 1983, deu-se início ao projeto de descentralização, acelerada na década de 90. Além de atender clientes em Belo Horizonte, o Instituto Hermes Pardini passava a oferecer apoio a laboratórios em todo o País, por meio de sua Central de Apoio Laboratorial - CAL -, que funciona 24 horas por dia, permitindo aos setores técnicos o fluxo contínuo de amostras. A Central conta hoje com cerca de 450 funcionários e 95 escritórios em todo o País. Sua estrutura permite atender 1.100 unidades por dia e cerca de 5 mil laboratórios conveniados.
Em 1986, Dr. Hermes perdeu a mãe. A essa altura, já haviam nascido seus três filhos. A primeira, Áurea Maria, dentista, casada com o famoso oftalmologista Rui Marinho; a segunda, Regina, patologista clínica com mestrado e chefe do setor de imunologia do laboratório, casada com Orlando, renomado economista; e o terceiro, Vítor, doutor em endocrinologia, com especialização em genética humana, e chefe do setor no laboratório, casado com a advogada Anna Paula.
A década de 90 marcou o novo ritmo de crescimento do Instituto Hermes Pardini, crescimento sustentado em programas de controle de qualidade.
É importante destacar que, desde 1977, o Instituto Hermes Pardini participa de programas externos de controle de qualidade, como a certificação internacional ISO e o Programa Nacional de Controle de Qualidade - PNCQ-SBAC -, totalizando hoje mais de 30 programas.
Além dos exames laboratoriais, o Instituto oferece serviços de genética humana, anatomia patológica, citologia, vacinas, medicina nuclear, diagnóstico por imagem, bioequivalência farmacêutica, divisão veterinária e banco de sangue de cordão umbilical.
Há algum tempo, o Hermes Pardini vem reestruturando seus processos administrativos. Em novembro de 2007 teve início o processo de profissionalização de sua gestão, que passou a adotar o modelo de governança corporativa. Na época, foi nomeado como novo Presidente Executivo o Dr. Vítor Sérgio Couto dos Santos.
No atual organograma, Dr. Hermes preside o Conselho de Família, continuando a participar da administração do Instituto com a competência e a lucidez com que sempre o fez.
Neste ano, em que o Hermes Pardini completa meio século, passa a funcionar em sua nova sede. Após anos de estudo, consultorias e planejamento, começa a tomar forma a implementação de seu núcleo técnico operacional, previsto para começar a operar no segundo semestre.
Com aproximadamente 100.000m2, num total de 21.000m2 de área construída, o núcleo técnico operacional está estrategicamente localizado a cerca de 8 minutos do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, o que facilitará ainda mais o transporte de materiais de apoio. Será subdividido em duas edificações principais, já construídas. Uma abrigará as áreas administrativas e de apoio, e a outra as áreas técnicas e o apoio operacional.
Nas ocasiões em que estive em algum laboratório da rede Hermes Pardini, chamaram-me a atenção as mensagens, frases, pensamentos afixados nos balcões e paredes, com sábios ensinamentos de vida e grande qualidade literária.
No pouco tempo que me coube esperar pelo atendimento, me entretinha lendo as mensagens e minha interpretação foi sempre a de que ali havia mais a oferecer que uma prestação de serviço de saúde. Havia afetividade, preocupação com o próximo e muito amor.
O amor, Dr. Hermes, esse sentimento que nos impulsiona a fazer acontecer, talvez seja o diferencial da postura, da conduta que dá destaque ao Instituto Hermes Pardini e o faz merecedor de nossa reverência nesta noite.
Esta é uma homenagem ao senhor, Dr. Hermes Pardini, e a todos aqueles que buscam acrescentar à sua existência o valor que brota do trabalho, da prospecção dos valores que resultam em riqueza humana e material. É uma honra para mim a oportunidade de levar aos rincões deste Estado uma história tão rica, tão intensa, tão densa, uma lição de vida, de dignidade e coragem, desprendimento e humildade, valores essenciais ao grande homem que o senhor se propôs ser e o é.
Hoje, como disse ao senhor, mais de 240 Municípios, sem considerar a transmissão pela TV a cabo, estão acompanhando esta reunião pela TV Assembleia e passam a conhecer esta pessoa honrada, honesta que é o senhor. Peço a Deus que lhe dê muita saúde e muita paz e também a D. Carmem, ao seu filho e aos seus funcionários e agradeço a Deus a vida do senhor, pelo homem e o exemplo que o senhor é para todos nós e todos os profissionais. Muito obrigado. Boa noite.