DEPUTADO CÉLIO MOREIRA (PL)
Discurso
Comenta o lançamento da instituição Viva BH, destaca o projeto "Olho
Vivo" e sua importância para a melhoria da segurança pública. Defende
projeto de lei que disciplina o uso das câmeras com o fim de
monitoramento da segurança nos espaços públicos. Justifica sua posição
contrária à aliança entre o Partido Liberal - PL - e o Partido dos
Trabalhadores - PT - para as eleições municipais em Belo Horizonte.
Reunião
51ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/07/2004
Página 43, Coluna 1
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. ELEIÇÕES. REPRESENTAÇÃO POPULAR.
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 08/07/2004
Página 43, Coluna 1
Assunto SEGURANÇA PÚBLICA. ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. ELEIÇÕES. REPRESENTAÇÃO POPULAR.
51ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 1/7/2004
Palavras do Deputado Célio Moreira
O Deputado Célio Moreira* - Sr. Presidente, Sras. Deputadas,
Srs. Deputados, pessoas que nos assistem pela TV Assembléia,
gostaria de registrar que, na manhã de hoje, tive a honra de
participar da cerimônia de lançamento do Instituto Viva BH, que
contou com a presença do Prefeito de Belo Horizonte, Fernando
Pimentel, do Governador do Estado, Aécio Neves, e do Presidente do
CDL, Roberto Alfeu.
Ali estiveram presentes várias lideranças, apoiadores,
Vereadores, secretários municipais e empresas de comunicação: TV
Globo, Rádio Itatiaia, Rede Bandeirantes, Rede Minas, praticamente
toda a imprensa de Belo Horizonte que cobre o nosso glorioso
Estado. As pessoas que fazem parte desse Instituto Viva BH querem
uma Belo Horizonte mais tranqüila, com mais segurança.
O Viva BH é um movimento organizado por várias entidades da
sociedade civil, com o objetivo de promover o desenvolvimento e a
valorização de Belo Horizonte, por meio da mobilização e
articulação da sociedade, para implementar iniciativas que tragam
melhorias à cidade. Um dos principais projetos do Viva BH é o Olho
Vivo, que consiste na instalação de cerca de 100 câmeras de vídeo
em pontos estratégicos das vias de grande incidência criminal na
região central de BH.
A questão do monitoramento de vias públicas, por meio de câmeras,
há muito desperta o meu interesse. Como Vereador de Belo
Horizonte, tive a oportunidade de estudar esse assunto e de criar
um projeto de lei que foi convertido na Lei Municipal nº 8.460, de
2002, em vigor.
Aqui, na Assembléia, apresentei o Projeto de Lei nº 311/2003, que
está pronto para votação em 2º turno. O objetivo desse projeto é
disciplinar o uso das câmeras utilizadas com o fim de segurança.
Uma vez que a segurança pública é competência do Estado, faz-se
necessária uma lei estadual.
As vantagens das câmeras são inquestionáveis. A análise dos
índices de criminalidade informa a redução de cerca de 40% na
incidência de furtos e roubos nos locais monitorados. Há, porém,
preocupações quanto ao uso indiscriminado desse recurso
tecnológico. Uma das preocupações refere-se à destinação das fitas
com os registros das imagens captadas em logradouros públicos.
Como a câmera fica o dia inteiro registrando a entrada e a saída
dos moradores e o movimento do comércio, corre-se o risco de essas
imagens caírem em mãos erradas e serem usadas para auxiliar
atividades criminosas, como seqüestros e assaltos. Para evitar que
isso aconteça, o projeto de lei por mim apresentado estabelece que
a focalização permanente de ruas, avenidas e praças, bens de uso
comum do povo, somente poderá ser feita após autorização do poder
público. Prevê ainda que as imagens só podem ser exibidas a
terceiros por meio de requisição policial ou judicial.
Muitas outras questões são abordadas no projeto. Convido as
Deputadas e os Deputados a lerem o substitutivo de liderança
apresentado ao Projeto de Lei nº 311/2003. O Governador Aécio
Neves, como apoiador do Instituto Viva BH, que não é um projeto
apenas da Prefeitura de Belo Horizonte, mas do Governo do Estado,
dos jornais “Estado de Minas”, “O Tempo”, “Diário da Tarde”, das
rádios, das televisões e das associações, enfim, de todos os que
se preocupam com a segurança de BH, tem grande interesse em
receber esse projeto para sancioná-lo. Peço aos nobres pares que
apóiem o projeto, para que possamos aprová-lo.
O projeto envolve os logradouros públicos, como hospitais
públicos, delegacias, avenidas, praças e rodovias. Quero
aproveitar para lembrar a morte do Promotor Lins. Se houvesse uma
câmera instalada no local, com certeza o crime teria sido
esclarecido em 2 ou 3 horas. Mas, graças a Deus, os responsáveis
já foram identificados, estão sendo julgados e punidos.
Como justifico no projeto, acredito que as câmeras de vídeo são
instrumentos eficazes no combate à criminalidade. Porém é
necessário tomar algumas cautelas para que a imagem e a intimidade
das pessoas não sejam violadas e o Estado não seja condenado a
pagar vultosas indenizações.
Recentemente tivemos o caso de duas cidadãs que estavam em
situação cotidiana e tiveram as suas imagens registradas sem
autorização prévia. As imagens foram parar na revista “Playboy” e,
devido ao contexto erótico da revista, as mulheres sofreram
constrangimentos perante familiares e amigos. O Tribunal de Alçada
de Minas Gerais reconheceu a violação do direito à imagem e
condenou a Editora Abril a pagar indenização. Caso as imagens
tivessem sido captadas por uma das câmeras utilizadas pela PMMG, a
indenização seria paga pelo Governo do Estado.
Sabemos, ainda, do caso de empresas que instalaram câmeras em
banheiros e vestiários com o objetivo de evitar o furto de peças
de pequeno porte. As câmeras somente foram retiradas após ordem
judicial.
As duas situações que exponho aqui demonstram que o uso das
câmeras não pode continuar desregulamentado. É necessário criar
regras e instrumentos para que os órgãos públicos possam atuar
administrativamente, sem a necessidade de provocar a justiça. Esse
é o objetivo do projeto.
Na Savassi, onde instalaram, salvo engano, 42 câmeras, o índice
de criminalidade foi reduzido praticamente para 42%. Certamente,
com a instalação dessas câmeras de vídeo nas Avenidas Sinfrônio
Brochado e Visconde de Ibituruna, no Barreiro, em Venda Nova e nos
grandes centros comerciais de Belo Horizonte, onde ocorrem furtos
de veículos, seqüestros relâmpago, as pessoas serão identificadas,
e a polícia será acionada rapidamente.
Sr. Presidente, Deputadas e Deputados, público que nos assiste
pela TV Assembléia e pelas galerias, o nosso propósito e objetivo
é trazer maior segurança aos cidadãos, que já não agüentam tanta
violência não somente em nossa Capital, mas também no Estado e no
País.
Tenho sido questionado por alguns colegas sobre meu
posicionamento durante a convenção do PL, em que a maioria decidiu
apoiar o atual Prefeito, com três votos contrários. Como
Presidente do PL de Belo Horizonte e como Deputado Estadual
residente na Capital, tinha direito a voto. Antes da votação,
declarei que votaria contra essa aliança porque o PT assumiu
compromissos com nosso partido em duas campanhas, e não os
cumpriu. Meus companheiros deram um “sim” chocho e sem graça para
a aliança PT-PL. Não tenho nada contra a pessoa do Sr. Fernando
Pimentel, que tem me tratado com muito respeito e que tem
administrado Belo Horizonte com muita responsabilidade; no
entanto, cercam o Prefeito alguns Secretários irresponsáveis.
Determinadas lideranças assumiram compromissos com o PL, mas perdi
a coragem de pedir às nossas militâncias que voltassem a
trabalhar, pois apesar de o combinado haver sido que
participaríamos da administração, algumas pessoas do partido nem
sequer eram recebidas na Prefeitura de Belo Horizonte. O combinado
não é caro e não é apenas querer cargo, mas ajudar a administrar
esta grande cidade; por causa desse trato tomei tal decisão. Estou
consciente e pedi licença ao partido para trabalhar para o
candidato João Leite.
Tenho sido questionado porque nunca mudei de partido, mas fui
coerente e honesto com os companheiros, pois avisei que não
votaria. Tivemos muitas decepções. Não dou conselho a quem não
pede, mas me atrevo a dizer ao Prefeito que algumas pessoas que o
cercam deveriam ser afastadas por estar prejudicando sua
administração. Reconheço seu interesse em fazer uma boa
administração, com transparência, ética e verdade. Há muitos
homens e mulheres responsáveis no PT, pessoas éticas e
transparentes, mas também há muitos caras-de-pau.
Compromissos assumidos e não cumpridos levaram-me a tomar essa
decisão. Desejo ao candidato do PT, Fernando Pimentel, sucesso em
sua empreitada. Mas não poderia haver tomado outro caminho após
várias reuniões e compromissos não cumpridos. Na hora em que foi
declarado o resultado da votação, alguns companheiros ficaram sem
graça. Vi também a falta de graça de outros companheiros. Não
tenho autorização da coligação de Ronaldo Vasconcelos, mas percebi
que vários pré-candidatos e candidatos estavam sendo forçados,
como se quisessem ir para outro lugar.
Na minha opinião, são três mandatos administrados pelo PT. Quero
dizer que há, sim, homens e mulheres competentes e responsáveis no
PT. Acredito que serei provocado por alguém. Se isso ocorrer vou
dar nomes e expor o que for preciso. Belo Horizonte precisa de
homens e mulheres empreendedores, que apresentem projetos
reestruturantes. Precisamos olhar para as áreas de segurança,
educação e saúde. Como Deputado majoritário da região do Barreiro,
apoiei, instalei comitê, consegui lideranças, paguei-lhes para
trabalhar, mas vocês não imaginam qual é o tratamento dispensado a
este parlamentar. O que se pede é o que não é feito; logo, não há
consideração com as pessoas que votaram e acreditaram que eu fosse
um representante legítimo. Não tenho sido respeitado por alguns
Secretários da atual administração. Por isso tomei essa decisão.
Estou consciente de que serei perseguido por esses Secretários e
por algumas lideranças do partido que não apoiei. Fui muito claro
e honesto comigo mesmo e com os companheiros. Vou trabalhar para
que essa situação mude. Sempre que possível, estarei nesta tribuna
fazendo outras declarações, mostrando que tomei o caminho de que
Belo Horizonte precisa. Obrigado, Sr. Presidente.
* - Sem revisão do orador.