DEPUTADO BETÃO (PT)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 10/04/2019
Página 40, Coluna 1
Assunto CÂMARA DOS DEPUTADOS. PREVIDÊNCIA SOCIAL. SEGURANÇA PÚBLICA.
Aparteante BARTÔ, CELISE LAVIOLA
25ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 4/4/2019
Palavras do deputado Betão
O deputado Betão – Boa tarde, Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, público presente, trabalhadores da Assembleia e telespectadores da TV Assembleia! Eu vim aqui para fazer um breve pronunciamento, mas parece que o deputado Bartô deseja fazer um aparte a respeito da fala do deputado Sargento.
Concedo aparte ao deputado Bartô.
O deputado Bartô (em aparte)* – Muito obrigado, deputado Betão. Queria corroborar, deputado Sargento, com que a postura que a Vale tem adotado tem sido uma verdadeira vergonha, um absurdo, e por isso pedimos tanto que a Vale deixe o local. Ela tem só que financiar. Como o deputado Sargento Rodrigues fala bastante, é pegar o criminoso para tomar conta da vítima, e como isso gera tantos problemas. Então, antes mesmo de a barragem cair, já havia uma forte negligência da empresa, conforme os relatórios apresentados. A barragem caiu, mas estão fazendo o que querem ali dentro. Logo no primeiro momento – cheguei lá assim que ouvi a notícia, fui o primeiro deputado a chegar lá, depois a Beatriz e a Ana Paula chegaram em seguida –, deu para perceber claramente que a Vale estava soltando notícias a conta-gotas, só para mitigar o risco de prejudicar a imagem que tinha.
Então, a Vale não pode estar lá. Defendo o setor minerário porque é muito importante para o nosso estado, principalmente. E por isso também peço às outras empesas que apontem os erros, tanto das certificadoras, quanto o que a Vale tem feito. Porque só punindo aquela mineração irresponsável é que vamos conseguir defender o setor e a nossa economia. Muito obrigado, Betão.
A deputada Celise Laviola (em aparte)* – Agradeço a sua atenção, porque havíamos pedido o aparte já no final. Como sou da região em que corre todo o Rio Doce, peço a essa comissão, encarecidamente, que não se esqueça da tragédia de Mariana. Que ela não fique esquecida por essa comissão, porque estamos sofrendo até hoje com o desastre que aconteceu. Nossa população sofre até hoje. Além do sofrimento, ainda há a falta de credibilidade. Ou seja, a nossa população do Vale do Rio Doce não acredita na água que tem. Isso é muito triste. Muito obrigada.
O deputado Betão – Obrigado, deputada. Então, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, subi nesta tribuna, hoje, para relatar um fato que aconteceu nessa madrugada, no sul da Zona da Mata, Campo das Vertentes. Três cidades – Carbonita, Carrancas e Bom Jardim de Minas – durante a madrugada, tiveram as agências do Banco do Brasil explodidas e assaltadas. Isso está virando um fato corriqueiro, principalmente quando vai chegando próximo do período de pagamento dos trabalhadores.
Recebemos as imagens de Bom Jardim de Minas, onde uma agência do Banco do Brasil – se não me engano, a única agência que existe lá –, que fica na praça principal, foi destruída por volta das 4 horas da manhã. Ainda não sabemos se conseguiram roubar o dinheiro. A tendência é que tenham retirado o dinheiro do pagamento de aposentados, pensionistas e trabalhadores que recebem por aquele banco. Isso não acontece só ali, naquelas cidades. Já aconteceu em Arantina, Andrelândia, cidades próximas daquela área, como também em Minduri e São Vicente de Minas. Como está virando um fato corriqueiro…
Vejam bem: a polícia de Bom Jardim de Minas foi atender a ocorrência da primeira explosão, a que ocorreu em Carrancas; a cidade ficou sem polícia e a agência de Bom Jardim também foi explodida. Então, já estamos comunicando isso à Polícia Militar para que apure esse fato e a gente possa tomar alguma medida, porque, do final do ano passado para este ano, é a segunda ou a terceira vez que isso ocorre. Coincide também com uma explosão, um tiroteio que aconteceu em bancos na Grande São Paulo e nos arredores da Grande São Paulo. Então, é importante. Aliás, em Minas Gerais, várias pequenas cidades que só têm uma agência vêm sofrendo com esse tipo de atentado. Portanto, chamo a atenção de todos os deputados para essa situação.
Aproveitando a oportunidade, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, queria dizer que, quando cheguei aqui, agora, escutei um deputado reclamando do bate-boca que ocorreu ontem, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, a respeito da Previdência. O deputado Zeca Dirceu, do PT, utilizou uma gíria muito comum, dizendo que o ministro Paulo Guedes é “tigrão” para atingir os trabalhadores, mas é uma “tchutchuca” quando fala com os banqueiros. O Paulo Guedes ficou extremamente ofendido, começou a bater boca e foi embora. As bolsas subiram por causa disso, aliás, as bolsas caíram por causa disso, e o dólar subiu.
A reforma da Previdência, ao que tudo indica, não está indo muito bem no Congresso, e os trabalhadores vão barrá-la nas ruas. Agora, não sei por que ele ficou tão indignado, o deputado daqui, de Minas Gerais, pelo fato de o Paulo Guedes ter sido chamado de “tchutchuca”. Essa é uma expressão normal. Aqui, falo muito que, às vezes, o cara é um leão para falar com determinada pessoa, mas vira um gatinho ronronando quando é para se dirigir aos trabalhadores.
Quem é esse Paulo Guedes, esse ministro que está apresentando essa reforma da Previdência? É o cara titular do Chicago Boys, estudou na Escola de Chicago, liberal, que quer privatizar tudo o que é possível, quer privatizar agora a Previdência brasileira. Já tocamos aqui, vários deputados tocaram nesse assunto. Ele é um economista agressivo, deputado Jean. É um representante de banqueiro. Ele está incomodado porque não está conseguindo fazer a discussão e transformar uma Previdência, que é pública, solidária, de repartição entre gerações, numa capitalização individual, em que o trabalhador vai ter que trabalhar 40 anos e ter 65 anos para se aposentar, se conseguir. Em alguns casos, quem recebe o salário mínimo vai receber menos que isso, R$250,00. É ele, esse Paulo Guedes, o “tchuchuca”, o responsável por implementar a previdência privada no Chile, sobre o que falamos tantas vezes aqui. Os trabalhadores do Chile levaram – 30 anos para descobrir que vão se aposentar com R$250,00. O processo é assim.
Essa mudança de pública para privada indica que o País terá que colocar dinheiro, porque ele está dizendo que economizará R$1.000.000.000.000,00 em 10 anos. Mas, no processo de 30 anos, o Estado gastará R$13.000.000.000.000,00 para fazer essa modificação. E o trabalhador, o jovem que está entrando no mercado de trabalho só vai descobrir que entrou numa fria no final, se ele não acompanhar essa discussão. É o que está acontecendo com os chilenos. E foi ele que ajudou. O Chicago Boys, do “tchutchuca”, do ministro Paulo Guedes, é que ajudou a implementar essa reforma da Previdência, que ele quer fazer no Brasil, lá no Chile. México, Colômbia e Peru, que também entraram nessa fria, estão tentando sair disso.
Então, não há motivo para ficar incomodado porque o ministro recebeu essa gíria do deputado Zeca Dirceu. Um cara que está apresentando uma proposta de reforma da Previdência que acaba com os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, principalmente o das mulheres, que serão as mais afetadas, merecia palavras piores do que as que foram ditas ontem na Câmara Federal.
Sr. Presidente, agradeço a tolerância. Obrigado.
* – Sem revisão do orador.