Pronunciamentos

DEPUTADO BARTÔ (NOVO)

Discurso

Convida os eleitores brasileiros a exercerem o poder do voto para promoverem mudanças. Critica a abstenção de 40% dos eleitores do Município de Belo Horizonte, que não votaram para o cargo de prefeito, incluindo-se nesse número os votos brancos e nulos, além das abstenções. Ressalta que os políticos, cobrados para fazer a mudança, não podem fazer nada sem a mobilização social.
Reunião 67ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 19ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 19/11/2020
Página 8, Coluna 1
Assunto ELEIÇÃO.

67ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 17/11/2020

Palavras do deputado Bartô

O deputado Bartô – Boa tarde a todos; boa tarde, presidente. Primeiramente, com grande alegria, a gente está de volta aqui ao Plenário. Acho que a Casa ficou mais fechada do que deveria. É muito bom estar próximo de novo dos colegas, que são fontes de informação muito importantes. Inclusive hoje, aqui mesmo, já obtive uma informação bem interessante sobre o tema que vou falar.

Meu pronunciamento hoje é voltado para o povo. Peguei os dados da cidade de Belo Horizonte, cidade onde nasci, e vou usar seus números para poder explicitar a minha revolta com o nosso povo brasileiro. As eleições foram domingo, e 40% das pessoas não votaram em prefeito. Houve 28% de abstenção, 4% de votos em branco e 6% de nulos. Há outro fato que também gera revolta: nós, quando em campanha, recebemos várias propostas indecorosas por parte dos eleitores. Por exemplo: “Ah, você, que é o candidato, vai pagar uma cerveja? Tem cesta básica? Há como arrumar um emprego para mim? Você vai garantir um emprego para mim se for eleito?”. Isso fora o fato de que a gente vê que as pessoas desse naipe, que fazem isso, muitas vezes estão trabalhando na campanha de outros, e aí a gente começa a tentar entender: realmente estão trabalhando de forma legítima ou foram comprados também? A impressão que fica para todo mundo que está na política é que 30% das pessoas vendem seus votos.

Eu virei político, virei deputado – costumo até falar que não sou político, sou parlamentar – e vejo como nos é cobrado que a gente faça a mudança; que nós, políticos, nós, deputados, temos que fazer a mudança, pois temos a caneta na mão, isso e aquilo. E eu sempre falo que a gente não faz nada, a gente só responde aos anseios da população. Eu não consigo fazer nada aqui sozinho, nesta Casa, a não ser que eu consiga mobilizar as pessoas, e essas pessoas consigam pressionar meus colegas, ou a não ser que a população comece a gritar por uma mudança. Então, para mim, é óbvio, é claro que a mudança parte do povo, e a gente vê um País tão desacreditado na política, um povo que sempre gosta de falar que político não vale nada e que têm que ser feitas mudanças e tal, mas cadê o povo no seu papel de fazer essa mudança? A partir do momento em que a gente vê que 40% das pessoas se abstêm de votar e que 30% das pessoas vendem seus votos, só restam 30% de pessoas que estão de fato votando em alguém em quem acreditam. Então, como a gente vai ter políticos bons para fazerem a mudança se o povo age dessa forma? Se o povo não está preocupado em quem votar? Se o povo ao menos não sai de casa para votar? Se o povo não está preocupado e age assim: “Ah, não, não vou escolher nem que seja o menos pior, vou votar em branco, vou votar nulo, não vou colocar meu nome nisso”. E se o povo não faz seu mínimo dever de estudar os candidatos, divulgar aqueles que acredita serem melhores... E o pior: é considerável que parte da população claramente vende seu voto. A pergunta que mais fiz para esse pessoal que falava “você vai me dar o que em troca, se eu votar em seu candidato?" foi "o que você espera de um político que compra seu voto?”.

Então, aqui fica a chamada para o nosso povo: se vocês querem mudança, entendam que a mudança parte de vocês, de vocês mais atentos ao que está sendo decidido em suas casas, de vocês mais atentos a quem colocam nessas casas. Se vocês querem mudança, que exerçam de fato a mudança, começando por vocês, entendendo o dever que têm como cidadão, e entendendo que, sim, têm de perder tempo estudando para saber quem é o seu candidato. Sim, você também têm a responsabilidade de escolher pelo menos aquele que seja menos pior para você.

Enfim, é muito triste ver um povo que vende 30% do voto, bem como os 40% que se abstêm, e ainda acham que a mudança vai partir da gente. Então é importante dizer que a mudança sempre parte do povo. Fica aqui essa chamada. Obrigado, presidente.

Só mais um detalhe. O Kalil foi eleito com 780 mil votos, com uma abstenção de 760 mil votos. Daí você já vê a gravidade de gente que não vota.

O presidente (deputado Carlos Henrique) – Obrigado, deputado. Com a palavra, para seu pronunciamento, o deputado João Leite, para presencialmente fazer uso da palavra.