DEPUTADO ANDRÉ QUINTÃO (PT)
Discurso
Comenta as ações do Governo Federal.
Reunião
74ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/09/2003
Página 37, Coluna 4
Assunto ADMINISTRAÇÃO FEDERAL.
Aparteante Rogério Correia, Alencar da Silveira Júnior, Dinis Pinheiro.
Legislatura 15ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 23/09/2003
Página 37, Coluna 4
Assunto ADMINISTRAÇÃO FEDERAL.
Aparteante Rogério Correia, Alencar da Silveira Júnior, Dinis Pinheiro.
74ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 16/9/2003
Palavras do Deputado André Quintão
O Deputado André Quintão - O Deputado Rogério Correia comunicou
previamente a solicitação e o acordo, para que, amanhã, com a
presença dos servidores, analisemos os vetos em pauta.
Recebemos dos próprios servidores decisão judicial que reforça
nossa convicção, não somente do ponto de vista de interesse do
servidor que, em última instância, é de Minas Gerais, do povo de
Minas. Não podemos desvincular o servidor bem remunerado,
motivado, com seus direitos garantidos e respeitados, da boa
prestação do serviço público, pois ela depende de planos de
carreira e de os direitos serem resguardados.
O Bloco PT-PCdoB tem sua posição firmada pela derrubada do veto.
O Deputado que nos antecedeu reclamou do Governo Lula quanto ao
metrô de Belo Horizonte. Parece que ele está na Presidência desde
1981, ano em que começaram as obras do metrô. O Deputado encabeça,
com nosso apoio, comissão para que o metrô se torne uma realidade.
É injustiça jogar a culpa no Governo Lula, pois ele pegou o País
quebrado. Assumiu herança pesada, dívida social que atinge 52
milhões de brasileiros em situação de pobreza, dólar na casa dos
R$4,00, risco-país acima dos 2 mil pontos, inflação projetada para
além de 40%. Foi este o Brasil herdado pelo Presidente Lula.
Conseguiu, num período de grande tormenta, reduzir a perspectiva
de inflação, projetada agora para menos de 15%.
Conseguiu, gradativamente, iniciar a redução das taxas de juros.
Equilibrou, em patamares razoáveis, a cotação do dólar, que é
fundamental para o bom desempenho da balança de importação e
exportação. Além disso, reduziu o risco-país para menos de 700
pontos, valorizando os títulos brasileiros no exterior. No seu
primeiro dia de mandato, tinham o valor de face de apenas 45% no
mercado internacional. Hoje, esse valor chega a 85% ou 90%.
Tais medidas garantiram ao País a oportunidade da retomada do seu
crescimento econômico. Mais que isso, o Governo Lula, como nunca
tinha sido feito no Brasil, assumiu a dianteira das negociações
entre os países em desenvolvimento e não só os Estados Unidos, mas
também os demais países desenvolvidos. É preciso destacar,
inclusive pela vocação de Minas em defesa dos interesses e da
soberania nacional, o relevante papel cumprido pelo Brasil na
última rodada de negociações da OMC. O Brasil liderou um grupo de
21 ou 22 países, rediscutindo, pressionando, resistindo à
tentativa de uma negociação com os países ricos na qual o
protecionismo e o privilégio imperam, nas regras para esses
países. Como os países em desenvolvimento cumprem um papel
secundário, suas economias internas são mutiladas, dizimadas,
fragilizadas, o que os torna ainda mais dependentes do capital
financeiro das grandes empresas transnacionais.
Cancún, como disse o Ministro Roberto Rodrigues, foi apenas mais
uma estação nessas negociações. Outras virão, como a que será
realizada no final do ano. Os países ricos endureceram, não
abriram mão do protecionismo. Mas dessa vez as negociações foram
diferentes, porque os países em desenvolvimento estavam sob a
liderança da política internacional ditada pelo Governo Lula,
inclusive com presenças importantes, como a da China e Índia.
É preciso destacar que a política internacional do Governo
Federal agrega os países da América do Sul e da América Latina, a
fim de enfrentar não apenas os Estados Unidos, mas também os
países ricos, que nos tratam como se fôssemos quintais dos grupos
econômicos, que manipulam os organismos internacionais para
aumentarem ainda mais seus lucros exorbitantes nos países em
desenvolvimento.
Portanto, nestes últimos dias, aconteceu um fato político
internacional da mais alta relevância. Não houve desfecho: os
países ricos não aceitaram as condições dos países em
desenvolvimento, e estes, por sua vez, sob a liderança do Brasil,
não fecharam nenhum acordo de subserviência ao interesse do
capital financeiro internacional.
Outras rodadas virão. É importante que o povo brasileiro
acompanhe essas negociações, porque elas têm a ver diretamente com
o preço dos produtos comercializados no Brasil, com o nível de
emprego e de exportação, com a economia interna, com o superávit e
com a balança comercial. O povo deve estar coeso também para dar
sustentação ao Presidente Lula, exatamente no momento em que ele
se prepara para discutir assunto tão espinhoso como o acordo com o
FMI. Com certeza, independentemente da renovação desse acordo, há
uma questão já dita claramente pelo Presidente: “De maneira
nenhuma iremos reeditar acordos como os do passado, que remetiam o
povo brasileiro à lógica fiscalizatória, que não incluíam metas
sociais e não determinavam a livre soberania nas ações internas e
econômicas do nosso País”. Estamos preparando novo diálogo
internacional, como foi feito na OMC.
Essa renovação não é obrigatória. Somente a faremos se realmente
for necessária ao projeto de retomada do crescimento, com justa
distribuição de renda. Assim será também na rediscussão da Área de
Livre Comércio das Américas, a ALCA. Felizmente, findou-se o tempo
da subserviência do Brasil aos ditames internacionais.
O Deputado Rogério Correia (em aparte) - Deputado André Quintão,
concordo com a análise de V. Exa. quanto à política internacional
brasileira. Trata-se de grande avanço já demonstrado neste pouco
tempo de Governo Lula. Também é importante observarmos o papel do
nosso País nos acordos de Cancún, feitos agora, em que, mesmo não
conseguindo a vitória, o Brasil liderou o grupo de 22 nações em
fase de desenvolvimento - portanto, não se submeteram aos
interesses do imperialismo americano e da Comunidade Européia.
Isso demonstra que a nossa política internacional busca fortalecer
o MERCOSUL e os laços com a América Latina. Tal fortalecimento
reforça a possibilidade de melhoria das relações dos mercados
nacional e internacional com os países desenvolvidos, garantindo
independência e não-submissão.
Além do progresso na esfera internacional, O Governo Lula avança
também nas relações com os Estados. Gostaria que V. Exa. abordasse
esse aspecto. O Presidente conseguiu a aprovação, em 1º turno, da
reforma da Previdência e está concluindo a reforma tributária na
Câmara Federal, por meio de importantes negociações com os
Governadores. Para isso, não utiliza a figura do rolo compressor,
como fez o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso para ganhar
mais um mandato na base da truculência. O Governo FHC não se
interessou e não fez as reformas tributária e previdenciária -
hoje, alega que o PT não deixou. Isso não é verdade, porque a
bancada do nosso partido era numericamente pequena, se comparada
com o número total de Deputados Federais. Portanto, não poderia
representar empecilho. Na verdade, não havia vontade política de
fazer a reforma tributária nem a previdenciária. Digo isso como
resposta ao Deputado Bonifácio Mourão, que fez uma crítica, a meu
ver pouco consistente, à reforma tributária que está sendo
analisada no Congresso Nacional, com as propostas do próprio PSDB.
O Governador Aécio Neves tentou derrubá-la, não conseguiu e voltou
para Minas festejando vitória, como se fosse um dos articuladores
dessa reforma. Se ele deseja comemorar o que é proposta do Governo
Lula, que o faça, mas o Governo Lula negociou com os Governadores
e Prefeitos alterações importantes nas duas reformas.
Além disso, o Governo Federal vem dando tratamento especial aos
Estados e tem feito acordos com Minas, os quais têm sido elogiados
pelo próprio Secretariado do Governo Aécio Neves, pelo tratamento
especial que tem sido dado a nosso Estado. Quem dera Minas
houvesse recebido um décimo desse tratamento no Governo FHC. Pelo
contrário, o tratamento foi de completo boicote. Hoje, o Governo
tem acordos nas áreas do Fome Zero, Primeiro Emprego, segurança
pública, educação, saúde, etc. Os investimentos que Minas consegue
são, em geral, fruto de acordos com a União. Mesmo isso não tem
servido, e talvez o Governo Aécio Neves comece a ter uma postura
de chorar ainda mais sobre os problemas, ao invés de resolvê-los,
devido aos resultados da pesquisa. Não sei se o Deputado André
Quintão observou, mas os resultados de uma pesquisa, publicada
apenas em um pé de página do jornal “O Tempo”, não apontam, entre
os dez Governadores mais honestos do País, o nome de Aécio Neves.
É injusto, pois não consta denúncia contra ele nessa área. Porém,
mais injusta ainda é a classificação no quesito excelência
administrativa e na avaliação de desempenho, na qual o Governador
Aécio Neves aparece em 24º lugar entre os 26 classificados.
Creio que faltou melhor relacionamento com o funcionalismo
público, maior afinidade real com a política de mudanças do
Governo Federal, pois tentar impedir as mudanças tem levado o
Governo mineiro a um desgaste. É necessário que o Governador
retire o salto alto e comece a governar: o Governo tem sido muito
tímido em ações. Choramingar era costume dos Deputados Federais
antigamente: eles ficavam no Planalto, indo de ministério em
ministério, tentando conseguir verba para sua base eleitoral.
Hoje, o Governador age um pouco dessa forma, continua sendo um
Deputado Federal buscando verba em Brasília. Fica mais em
Brasília, ao invés de se preocupar com as questões administrativas
locais.
A não ser anúncios de convênios com o Governo Federal, muitas
questões não apresentam ação real do Governo, quer na área da
segurança, quer na da saúde. Solicito ao Deputado Mauri Torres a
instalação de comissão especial para acompanhar os problemas do
IPSEMG, já que funcionários públicos ligam para os gabinetes
cobrando-nos ações. O 24º lugar do Governo deveria servir como
incentivo à reflexão sobre a necessidade de maiores ações do
Governo Estadual, e não, como balde de água fria. Não basta
pressionar o Governo de Lula e solicitar verbas. É preciso que a
aplicação destas se dê a partir de melhor ação do Governo de
Minas. O Governador, infelizmente, não toma consciência do que
Lula faz para Minas. Digo “infelizmente” porque é o povo quem
sofre com o desempenho dos Governos. Obrigado.
O Deputado André Quintão - A reforma tributária, criticada por
alguns, renderá ao Estado quase R$1.000.000.000,00 a mais por ano
e resolverá o problema, sem chance de desculpa.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Lula contribui
para o Governo Estadual. Ao ver publicação no diário oficial,
tenho certeza de que o Presidente faz bom trabalho para combater a
fome. Se V. Exa. me permitir, lerei a amostragem. (- Lê:) “Em um
país em que milhares morrem de fome, o Processo de Licitação nº
00140.000226/2003-67 irá rechear as despensas do gabinete
presidencial do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Na lista de 149
itens, constam 7.036kg de açúcar, 800 latas de castanha de caju,
900 caixas de chá, 6 mil barras de chocolate, 1.080 caixas de
gelatina, 900 latas de leite condensado, 1.350 latas de leite em
pó, 1.900 vidros de pimenta, 2.550 rolos de papel alumínio, 405
vidros de vinagre e 460 pacotes de sal grosso.” Isso é para
combater a fome. Detalhe: tudo deverá ser consumido nos últimos
quatro meses do ano.
Deputado André Quintão, o povo, que não lê diário oficial,
deveria ter conhecimento dessas orgias do Palácio do Planalto.
Certamente V. Exa., como petista, ligará para o Presidente Lula e
dirá: “Presidente, no Processo de Licitação nº 00140.000227/2003-
10, V. Exa. adquirirá da PETROBRÁS dez bujões de gás de 2kg, 170
bujões de 13kg, 20 cilindros de 45kg e 45.000kg de gás a granel”.
Isso é o total de consumo, nos quatro meses, no Palácio do
Planalto, no Gabinete do Presidente da República, de 48.130kg de
gás. O total representa 3.072 bujões de 13kg, ou seja, um consumo
de 740 bujões por mês e 24 bujões por dia. Se não for para
esquentar, algo está para explodir no Palácio! Nem sei se o
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabe disso.
Há outra coisa inexplicável. O Processo de Licitação nº
0014.000143/2033 legalizará 450 taças de vinho, 150 taças de
champanhe, 360 copos de cristais, 800 pratos, 300 colchas, 330
lençóis, 300 fronhas, 50 travesseiros, 66 cobertores, 15 roupões,
20 jogos de toalhas, 20 tolhas de banho e 120 colchões. Esse
consumo, que é para quatro meses, está documentado. Lula consumia
antes uma pinguinha e, agora, consome champanhe, vinho.
V. Exa. verá a nova decoração palaciana do Gabinete Presidencial.
O Processo de Licitação nº 00140.000282/2003, permitirá que a
Presidência da República - o Fernando Henrique deve ter consumido
tudo - adquira os seguintes eletrodomésticos:dois fogões, duas
cafeteiras, quatro fornos microondas, quatro geladeiras, oito
ventiladores, seis aparelhos de ar condicionado, dois bebedouros,
sete televisores, dois aparelhos de CD, três liqüidificadores, uma
sanduicheira e um frigobar. É melhor não falar nada!
Para completar, fiquei meio abobado. O Processo de Licitação nº
00140.000228/2003-56 matará a sede de muita gente no Palácio do
Planalto. Na compra, constam 495 litros de suco de uva, 390 litros
de suco de acerola, 390 litros de maracujá, 390 litros de suco de
laranja, 390 litros de suco de tangerina e 390 litros de suco de
manga. Como cada litro proporciona 35 copos de suco, os palacianos
se afogarão em 99.225 copos de sucos variados. E no Brasil ainda
há gente que morre de sede! As licitações são para os próximos
quatro meses.
A opinião pública, que não lê o diário oficial, não fica sabendo
disso. Existe um contrato de licitação para adquirir 1.080kg de
alho-poró, 3.560kg de batatas, 2.324kg de cebolas, 2.100 dúzias de
ovos, 240 abacaxis, 1.540kg de bananas, 1.000kg de caquis, 1.640kg
de ameixas. É o Programa Fome Zero. Quando pedimos as licitações
já publicadas no diário oficial, ficamos boquiabertos com a
qualidade do PT. Estão preocupados com as visitas do Presidente.
Com o café adquirido em licitação, vai poder servir 321.750
xícaras de café. Cada cafezinho consome 7g de café, e ele mandou
licitar 2.250kg. São 64.350 cafezinhos por mês.
Nobre Deputado do PT, partido do Presidente Lula, em quem eu
votei, em quem o PDT votou e ofereceu, no último mês, seu programa
eleitoral. O Brizola ofereceu nosso programa eleitoral para o
partido de V. Exa., e o Lula falou durante uns 15 minutos no
programa do PDT. Disse o que dizia no passado e o que diz hoje.
Para terminar, digo que não é qualquer um que tem vara de condão.
É difícil governar. Não adianta criticarmos o Governo Estadual, o
Presidente da República, a Câmara dos Deputados. V. Exa. sabe
perfeitamente que é difícil. V. Exa. é afilhado de um dos maiores
Prefeitos de Belo Horizonte, Patrus Ananias. V. Exa. acompanhou a
trajetória de Patrus. Tive a oportunidade de ser Vereador durante
dois anos sendo Patrus o Prefeito. Não há como administrar. No
início do ano, Lula mandou reduzir os gastos de viagens de todos
os Ministérios em 60%. Estamos no mês de setembro e já
ultrapassamos a meta de R$667.000.000,00 com viagens. Já
estouraram os gastos com viagens que o Lula mandou reduzir em 60%.
Não adianta fazermos de conta. Administrar este País e este Estado
é difícil. Temos boa intenção. Mas, quando a opinião pública fica
sabendo das licitações feitas pelo Governo Lula para o Palácio,
vendo que sua ordem de reduzir gastos não está sendo cumprida, a
situação fica complicada, mas ele não consegue olhar tudo. Já não
temos que criticar, mas não podemos apenas votar de acordo, sem
negociação. Se todo o mundo votar de acordo, cada um por si, no
Palácio do Planalto, na Câmara dos Deputados, o País não vai
andar, assim como a Assembléia.
Sou o primeiro suplente do PDT. Ninguém precisa me lembrar disso.
Tenho mais votos do que mais de 30 Deputados desta Casa.
Mas se estivesse no partido de V. Exa., com certeza, estaria
tranqüilo com o meu mandato e com muita gente para trás. Não estou
falando isso porque sou suplente, mas porque tive a satisfação de
votar, nos últimos seis meses, em toda a reforma administrativa do
Governador Aécio Neves, de acordo com o PT. No entanto, o
Governador quis me deixar nesta Casa e ver o Deputado Alencar da
Silveira Jr. continuar como Deputado Estadual e levou o Deputado
Marcelo Gonçalves para a Secretaria Extraordinária para Assuntos
de Reforma Agrária, para me deixar na Casa. Temos votado igual.
Volto a repetir que a única que pode falar, porque votou diferente
na reforma feita pelo Governador Aécio Neves, é a Deputada Jô
Moraes. O meu voto foi igual ao de V. Exa.
Sou da base de Governo, mas tenho muitas divergências. Então,
seria o Deputado Alencar da Silveira Jr. que teria que acompanhar
o voto do Governador Aécio Neves? Não acompanhei; com
tranqüilidade acompanhei o voto do Deputado Rogério Correia.
Sempre que a matéria era colocada em votação pelo Presidente, o
Deputado Rogério Correia levantava e o Deputado Alencar da
Silveira Jr., como bom seguidor do Líder e da Bancada do PT,
também levantava.
Podem ter certeza de que estamos votando junto com o PT nos
últimos seis meses. E agora V. Exa. vem dizer que não vai haver
mais acordo. Como vou continuar votando com V. Exa. e com o PT? V.
Exa. já pensou se fosse Aécio Neves Presidente da República e
Rogério Correia oposição? O que Rogério Correia iria fazer com
essa publicação que saiu no jornal, por exemplo, sobre os gastos
com viagem? Iria ficar duas horas falando. Não adianta criticar.
Governar é difícil. Lula está vendo que não há jeito de agradar a
todo o mundo.
Temos que fazer um Brasil melhor sim, mas temos que amenizar o
sofrimento. Não basta dizer que está errado ou que não vai fazer
nem acontecer. Temos que chegar a um acordo para que não se
prejudique ninguém. Ou, se for prejudicar, que se prejudique a
minoria, porque a grande parcela do funcionalismo público não pode
sair perdendo. Se os seus companheiros que acreditaram perderam,
podem saber que todos estão dando um pouco. Antes perder os anéis
que os dedos.
V. Exa. tem que entender que se fosse o contrário - e tive
oportunidade de acompanhar -, por exemplo, quando cheguei à Câmara
Municipal havia uma bancada de oito Vereadores do PT, vieram as
eleições e ficaram seis Vereadores - os dois lados. Vi Patrus
Ananias Vereador e Patrus Ananias Prefeito. Acho que todos tinham
que começar como V. Exa., numa Câmara de Vereadores. Para se
chegar à Presidência da República, seria preciso passar por uma
Prefeitura. V. Exa. sabe como é e como foi difícil administrar a
Prefeitura de Belo Horizonte na companhia de seu padrinho, Patrus
Ananias, meu particular amigo a quem considero muito. Muito
obrigado.
O Deputado André Quintão* - Só corrigindo, o Deputado Federal
Patrus Ananias é padrinho da minha filha Beatriz e não meu.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Mas
politicamente o Deputado Patrus Ananias é padrinho de V. Exa.,
que, se quiser, poderá dizer que sou um afilhado muito correto.
Sou grato e reconheço que quando cheguei a esta Casa foi com a
ajuda do Deputado Federal Heslander, porque só tinha votos em Belo
Horizonte. Os meus votos do interior foram dados a pedido do
Deputado Federal Paulo Heslander, a quem sou muito grato e a quem
respeito muito.
V. Exa. tem de lembrar o seguinte: o então Vereador André Quintão
tinha votos apenas em Belo Horizonte. O Patrus Ananias é padrinho
da sua filha, mas, politicamente, é seu padrinho, e V. Exa.
reconhece isso.
O Deputado André Quintão - Gostaria de agradecer ao Deputado
Alencar da Silveira Jr., ao qual concedi aparte de 15 minutos.
Sendo muito generoso, quando V. Exa. estiver nesta tribuna, terei
a mesma reciprocidade.
Estávamos discutindo tema de muita importância - a rodada de
negociações da OMC, a possibilidade ou não de acordo com o FMI, a
integração ou não do Brasil na ALCA, os investimentos do Governo
Lula em Minas Gerais. Como o Deputado Rogério Correia bem lembrou,
a reforma tributária, que alguns tentam atacar, renderá 1 bilhão
para Minas Gerais, de modo a resolver a situação do nosso Estado.
Na última semana, na Bahia, o Presidente Lula disse que a reforma
previdenciária é dos Governadores, sendo por ele encampada por
saber da sua importância para o País.
V. Exa. preocupa-se muito com os destinos de Minas Gerais. E, em
nosso Estado, o Governo Lula está realizando investimentos.
Recentemente, foram investidos 6 milhões no vale do Jequitinhonha
para combater o analfabetismo e a desnutrição. O Fome Zero está
atendendo a 288 mil famílias, 88 mil apenas em Minas. As pessoas
que têm R$50,00 para comprar comida para as suas crianças devem
ter outra avaliação desse Governo. As famílias que não têm ar-
condicionado em suas casas, nem geladeira e comida farta, devem
estar valorizando-o muito. Porém, V. Exa., com a inteligência
brilhante que tem, faz sofisma. Sabe que o Palácio é local não
restrito apenas ao Presidente Lula; é local onde são recebidas
todas as delegações, não somente pelo Presidente Lula, e onde há
centenas de funcionários trabalhando, alimentando-se e morando.
Além disso, V. Exa., bom conhecedor de administração pública, sabe
que licitação não significa exatamente que aquilo será adquirido.
V. Exa. tenta, por meio de palavras e dados, confundir a cabeça
das pessoas. No entanto, V. Exa. pode ter certeza de que o cidadão
mineiro está acompanhando o Governo Lula e sabe que a maioria das
iniciativas do Governo do Estado é feita com recursos federais.
Aliás, acho bom que assim seja. Não temos de fazer campeonato de
aplicação de recursos, até porque, infelizmente, nos últimos anos,
Minas Gerais sofreu de mal muito grande: falta de planejamento.
Aqui, não farei disputa política menor com o Governador Aécio
Neves, porque, de fato, ele também encontrou situação difícil.
Então, é bom que o Governo Lula aporte recursos a Minas Gerais.
Achei boa a ida do Ministro Ciro Gomes, semana passada, a Araçuaí,
onde eu e a Deputada Maria José Haueisen estávamos. Aliás,
Deputado Alencar da Silveira Jr., lá foi inaugurado o Canal 20, da
TV Assembléia, objeto de seu requerimento. Portanto, a cidade de
Araçuaí e o vale do Jequitinhonha acompanham o nosso trabalho por
meio da TV Assembléia. O Ministro Ciro Gomes escolheu entre as 13
mesorregiões do Brasil a dos vales do Mucuri e do Jequitinhonha
para ser a primeira a receber investimentos para arranjos
produtivos na área de gemas para jóias e artesanato.
Não foi à toa que o Presidente Lula fez com que a primeira
subdelegacia de trabalho fosse inaugurada em Minas Gerais, na
cidade de Araçuaí, e foi à BR-381, autorizar a continuidade das
obras. Minas Gerais irá transformar-se em um canteiro de obras e
políticas públicas com recursos federais, e isso é muito bom, já
que Minas é um Estado política e economicamente muito importante.
Entretanto, é o 11º em índice de desenvolvimento humano, e, por
isso, 88 mil de suas famílias já foram incorporadas ao programa
Fome Zero.
O Bloco PT-PCdoB não teve nenhum constrangimento em votar a
reforma encaminhada pelo Governo Aécio Neves, até porque esta
Assembléia entrou em um processo de negociação, por meio do qual
buscamos transformar o primeiro estágio em primeiro emprego e
garantir a estabilidade para os servidores, sendo que o projeto
original possibilitava a demissão arbitrária, a avaliação sem
critérios e o arbítrio político, principalmente no interior.
Permitia ainda a contratação temporária nas áreas de educação e
saúde, além de praticamente fechar o IPSEMG.
Com muito empenho e mobilização dos servidores e de seu
sindicato, conseguimos juntos incluir emendas aprovadas. Agora,
precisamos lutar para que Minas Gerais tenha um plano de carreira
para seus servidores, pois é um absurdo não haver esse
procedimento em áreas estratégicas como a da educação.
Deputado Alencar da Silveira Jr., queremos a companhia de V.
Exa., amanhã, nesta Casa, para derrotarmos o veto; a mesma
companhia que lhe fizemos na votação das emendas negociadas.
Gostamos muito de V. Exa. a nosso lado e, por isso, conclamamos V.
Exa. a caminhar junto conosco, até porque, no que se refere a seu
partido, acredito que o Ministro Miro Teixeira esteja também
tomando cafezinhos no Palácio do Planalto, porque integra o
Governo e faz um belíssimo trabalho no Ministério das
Comunicações.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Deputado André
Quintão, o partido de V. Exa. é muito transparente, não? Não
precisa esconder nada.
O Deputado André Quintão* - Nunca escondeu.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Nunca escondeu
nada? Então, vou contar para V. Exa. bem baixinho, para que os
telespectadores da TV Assembléia e os outros Deputados não possam
ouvir: o PT é tão transparente que o Palácio do Planalto optou por
uma atitude ditatorial: retirou do “site” do Governo os processos
de licitação. O “site” do Governo não tem mais isso.
O PT é transparente, Deputado.
O Deputado André Quintão* - Os processos são públicos, Deputado.
Tanto isso é verdade que V. Exa. está lendo. Tempos atrás, não
havia sequer licitação.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Vamos fazer uma
aposta.
O Deputado André Quintão* - Esse negócio de jogo não é comigo,
Deputado.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Mas é uma
apostinha boa. O jogo está em todo o Brasil, inclusive na Caixa
Econômica Federal, que tem Mega Sena.
O Deputado André Quintão* - Jogo para mim só o do Galo, Deputado.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Há a Mega Sena e
esses outros jogos. E a CEF é comandada pelo Lula. Faço uma aposta
com V. Exa., que descerá daí, para entrarmos no “site” e
verificarmos se consta a licitação. Caso conste, assumirei que
estou errado. Caso não conste, V. Exa. tem de falar que estou
certo.
O Deputado André Quintão* - O debate é público. V. Exa. está
expondo dados na tentativa de enganar o telespectador.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Enganar como,
Deputado?
O Deputado André Quintão* - V. Exa. sabe que o Palácio do
Planalto faz essas compras para as recepções e para os servidores.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Elas são para o
Gabinete do Presidente da República e para o mesmo no Palácio do
Planalto.
O Deputado André Quintão* - Imagine se formos contar o número de
cafezinhos, de lanches e de maçãs oferecidos pela Assembléia
Legislativa. O Brasil necessita de um outro debate.
O Deputado Alencar da Silveira Jr. (em aparte) - Se a Assembléia
Legislativa está dando maçãs e biscoitos, é para V. Exa. Eu estou
esperando.
O Deputado Dinis Pinheiro (em aparte)* - A partir de uma
abordagem realizada pelo Deputado Rogério Correia, prestarei um
esclarecimento. Acredito e tenho depositado grande confiança no
Governo Lula. Entendo que esteja percorrendo o caminho correto e
adequado, como está também o Governo Aécio Neves, ao enfrentar uma
dificuldade histórica. Contando com o espírito conciliador do
Presidente Lula, tem tido a habilidade para alocar para o Estado
recursos importantíssimos para o equilíbrio, a retomada do
crescimento e a execução de uma boa administração.
Aproveito o momento para discordar - tenho a certeza de que o
Deputado Rogério Correia comunga com mesmo pensamento - dessa
avaliação publicada pelo Instituto Brasmarket, que não tem
credibilidade. Com qual metodologia, e critérios promoveram esse
levantamento? Com muita sinceridade, não há nenhuma ironia nessa
minha exposição. O Deputado Rogério Correia falou que o Governador
Aécio Neves se encontra em 24º lugar. Não concordo, porque, indo a
qualquer cidade do interior e conversando com a população de Belo
Horizonte, verificaremos que a administração Aécio Neves está
sendo muito bem avaliada pelo povo mineiro, assim como o Governo
Lula, mesmo enfrentando todas as dificuldades.
Essa pesquisa, que não tem nenhuma credibilidade e não merece uma
análise mais criteriosa, indica que o Governador Aécio Neves está
em 24º lugar e demonstra que a avaliação da administração dos
Prefeitos do PT nas Capitais é negativa, colocando nos sete
últimos lugares as administrações desse partido. A administração
do Fernando Pimentel está em último lugar, mas, a meu ver,
desempenha uma boa administração em Belo Horizonte. A Marta
Suplicy ficou em 20º lugar, mas deveria estar em último, porque
administra o Estado que tem os maiores recursos do Brasil e não
consegue nem quitar em dia os débitos da Prefeitura. Essa
administração está carente de coordenação, de zelo e de
austeridade. Tantas outras Prefeituras do PT, como a de Aracaju,
de Belém e do Recife, estão nos últimos lugares, de acordo com a
avaliação da Brasmarket.
Isso tudo vem referendar o nosso pensamento de que essa pesquisa
não merece crédito e não deve ser considerada pelos mineiros e
pelos brasileiros. Quando observamos que classifica o Governo
Aécio Neves em 24º lugar e o de Fernando Pimentel em último lugar,
verificamos que não merece o crédito dos mineiros.
O Deputado André Quintão - Agradeço-lhe. Tenho convicção de que
um Governo é avaliado, mormente agora, com o instituto da
reeleição, depois do cumprimento de seu mandato, pelas pessoas
mais importantes, que são os eleitores, cidadãos e cidadãs. As
pesquisas, sejam de institutos renomados ou não, não valem como
avaliação definitiva de Governo.
Infelizmente, o Deputado Alencar da Silveira Jr. quis desvirtuar
o debate. É importante retomarmos o momento da afirmação do Brasil
no cenário internacional. Não é pouco o Presidente Lula, a
diplomacia, os negociadores brasileiros encabeçarem, liderarem um
processo que tem a ver com a constituição de um grupo de 21 ou 22
países que, historicamente, estão enfrentando uma política
econômica internacional perversa contra os países pobres e em
desenvolvimento. Trata-se de fato novo, da maior importância para
o povo brasileiro. Felizmente, a política brasileira está
adquirindo contornos de civilidade e integração institucional.
Cabe a nós, políticos de todos os partidos, rechaçarmos qualquer
disputa menor que coloque em risco o interesse maior, que é o
público, da população. Para tanto, é bom que ocorram parcerias
entre os Governos Federal e Estaduais; que o pacto federativo seja
valorizado; que os municípios sejam ouvidos; que haja um processo
limpo de negociação no Congresso Nacional, pois o Governo acolheu
emendas que possibilitam aos Estados conquistar mais recursos com
a reforma tributária, que seja criado um fundo de desenvolvimento
regional e que, com a ação parlamentar, regiões pobres de Minas
Gerais sejam atendidas; que o Programa Fome Zero se estenda a
centenas de municípios do Estado; que a BR-381 tenha suas obras de
duplicação reiniciadas; que a Região Metropolitana de Belo
Horizonte tenha recursos para acabar com essa novela, que se
arrasta desde 1981, sobre o metrô; que recursos sejam carreados
para a política de segurança pública mineira; que a campanha de
combate ao analfabetismo seja vigorosa no Estado de Minas Gerais.
Chegou o tempo das realizações, e estas têm dono: o povo
brasileiro. Em última instância, as políticas públicas e sociais
são realizadas com a contribuição sagrada do povo brasileiro, que,
em nosso caso, atinge 36% do PIB. Do conjunto das riquezas
produzidas neste País, 36% são carga tributária. O povo brasileiro
é responsável pelo crescimento e pela produção dessas riquezas.
Felizes são nossas gerações, que podem compartilhar essa
experiência única, histórica, de um Governo Nacional, democrático-
popular, sem ufanismo, sem achar que é dono da verdade. A
publicidade dos atos faz parte do ideário das pessoas que
assumiram o Governo neste País. É bom que os eventuais erros sejam
identificados. As críticas, não as laterais, com efeito de
retórica para ludibriar o povo que acompanha os debates nesta
Casa, mas as consistentes, que apontam para a redefinição de rumos
de políticas públicas, são importantes para qualquer Governo, seja
estadual ou federal. Esse é o papel que o Bloco PT-PCdoB, a
Oposição, vem fazendo, qual seja o de negociar com serenidade,
responsabilidade, reconhecendo avanços e identificando
possibilidade de correção de rumos.
Foi assim que agimos no processo da reforma, e assim agiremos em
relação ao PPA, à lei orçamentária e ao PMDI. Nos níveis
municipal, estadual e federal, Oposição e Situação têm um objetivo
comum: reconstruir o Brasil, colocando-o a serviço da população.
Obrigado.