Pronunciamentos

DEPUTADO ANDERSON ADAUTO (PMDB), Presidente

Discurso

Abertura do evento. Comenta o tema "Os novos atores no mundo".
Reunião 48ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 1ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/11/1999
Página 25, Coluna 4
Evento V Fórum Técnico Políticas Macroeconômicas: Alternativas para o Brasil
Assunto ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.

48ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª LEGISLATURA, EM 21/10/1999

Palavras do Sr. Presidente (Deputado Anderson Adauto)

Ilmos. Srs. Fu Mengzi, economista; Prof. Luiz Gonzalez Souza, Dr. José Pedro Rodrigues de Oliveira, Dr. Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, Profa. Cristina Vilani, Deputados, senhoras e senhores, a história dos homens e das nações é singela em seus movimentos. Ela se desenvolve na tensão permanente entre a liberdade e a tirania, entre os ricos e os pobres. Um dos mais poderosos pensadores do ocidente - se não tiver sido o maior deles -, Platão, resumiu-a em uma frase, ao dizer que, na cidade - isto é, na comunidade política -, há duas cidades, a cidade dos ricos e a cidade dos pobres.

O mundo, sendo uma comunidade política, está também dividido entre as nações ricas e as nações pobres, entre os povos que lutam pela liberdade e os grupos que, ocupando o poder nas nações ricas, exploram o trabalho e os bens naturais dos países pobres.

Mas, como na história dos homens e das nações, os poderosos não são poderosos para sempre nem os pobres condenados à pobreza eterna. De vez em quando, na luta permanente que empreendem, os pobres mudam a situação e se livram dos jugos, impondo a justiça, seja com a rebelião política, seja com o sangue de seus heróis.

Temos dois convidados estrangeiros que representam povos que emergem. Um deles, o Prof. Fu Mengzi, vem do outro lado do mundo, da velha China, que sempre se renova; daquele celeste Império do Meio, que os nossos ancestrais portugueses foram dos primeiros europeus a visitar. Os chineses estão nos dando uma lição, a de que é possível integrar-se a uma economia mundializada, sem perder as referências culturais, sem abdicar da soberania política.

O Prof. Fu Mengzi vai nos dizer como a China está chegando ao futuro, sem perder o passado. É nessa escolha que reside a sua invulnerabilidade; os chineses monstram-nos a sua habilidade comercial e a sua firmeza política. Gostaríamos de ouvir do Prof. Fun Mengzi algumas das experiências de seu país no caminho que estão seguindo.

O Prof. Luiz Gonzalez de Souza é nosso vizinho. O México é das nações mais sacrificadas na história de nosso continente. Ali, os conquistadores encontraram uma civilização forte, derrotaram-na e a destruíram, usando dos ardis da perfídia. As sementes de grandeza e de dignidade permaneceram no entanto, para construir líderes mestiços como Morelos e Juarez. Os mexicanos tiveram que afrontar guerras de conquista continuada: aos colonizadores espanhóis, derrotados na luta de libertação, seguiram-se os norte-americanos, com a guerra do Texas e a anexação de grande parte de seu território histórico. Logo depois tiveram que se defender da invasão de nações européias, conduzidas por um príncipe fraco, infeliz e ambicioso, Maximiliano d’Austria. Ao derrotá-lo e julgá-lo, de acordo com as leis imemoriais da guerra, Juarez recusou os pedidos de clemência que chegavam do mundo com a frase definitiva em seu saber e em sua honra: “el derecho ajeno es la paz” - o direito dos outros é a paz.

Mas o México traz-nos também a memória de uma ditadura conduzida por tecnocratas: a do Gen. Porfírio Diaz, que, depois de ser um dos mais bravos oficiais na luta contra Maximiliano, entregou o seu país às empresas norte-americanas e só foi derrotado pela Grande Revolução conduzida por homens de cultura, como Madero, mas também pelos líderes mais singelos e mais autênticos do povo, como Pancho Villa e Emiliano Zapata.

O Prof. Luiz Gonzalez tem sido um atento observador do movimento zapatista que surgiu em Chiapas. Esse movimento é muito importante, como nova forma de rebelião libertadora, e coincide com a luta política urbana, ancorada nas idéias de Lázaro Cárdenas, o grande Presidente nacionalista dos anos 30, na hora exata em que se fala na integração econômica da América - a nosso ver fórmula despótica e dissimulada de colonialismo. Estamos certos de que o novo século, que abre o terceiro milênio, será o século de novos construtores da História. De povos como o chinês e de povos como o latino-americano. E nesse caminho, brasileiros, mexicanos e chineses, temos muito o que aprender uns com os outros, e muito que conviver, parceiros que somos de uma mesma resistência e de um mesmo destino.

Agradeço aos conferencistas e aos debatedores Fu Mengzi, economista e Diretor do Instituto de Relações Contemporâneas da China; Luiz Gonzalez Souza, Prof. de Relações Internacionais na Faculdade de Ciências Políticas da Universidade Autônoma do México; Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, Diretor-Presidente do jornal “Mercado Comum”; Cristina Vilani, professora de Ciências Políticas do Departamento de Sociologia da PUC-MG; e José Pedro Rodrigues de Oliveira, a aceitação do convite para estarem aqui esta noite, em nome desta Casa e em nome dos mineiros. Agradecemos, também, a presença dos senhores e jovens que se encontram aqui, para, assim como nós, participar desta palestra e deste debate. Muito obrigado. (- Palmas.)