DEPUTADO ALBERTO BEJANI (PL)
Discurso
Comenta a divulgação de divergências entre o Governador Aécio Neves e a
Comissão de Segurança Pública da Assembléia Legislativa e elogia o
trabalho do Deputado Sargento Rodrigues à frente dessa comissão.
Defende-se de críticas a sua atuação parlamentar, em especial no
Município de Juiz de Fora.
Reunião
14ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 27/03/2004
Página 29, Coluna 3
Assunto GOVERNADOR. DEPUTADO ESTADUAL. (ALMG). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SEGURANÇA PÚBLICA.
Aparteante Domingos Sávio.
Legislatura 15ª legislatura, 2ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 27/03/2004
Página 29, Coluna 3
Assunto GOVERNADOR. DEPUTADO ESTADUAL. (ALMG). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. SEGURANÇA PÚBLICA.
Aparteante Domingos Sávio.
14ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 2ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 15ª
LEGISLATURA, EM 23/3/2004
Palavras do Deputado Alberto Bejani
O Deputado Alberto Bejani - Sr. Presidente, membros da Mesa que
tanto nos honram, Deputados, Deputadas, amigos que nos acompanham
pela TV Assembléia, agradeço à pessoa fantástica, determinada, que
deveria estar nesta Casa há mais tempo nos mostrando o valor da
mulher, a Deputada Marília Campos. Muito obrigado por ter cedido a
palavra a este Deputado, que continua engatinhando e aprendendo
com V. Exa. o que é melhor para o parlamento de Minas Gerais.
Serei breve para que o importante pronunciamento de V. Exa possa
chegar ao nosso conhecimento.
Deixo minha posição acerca da situação que, no atual momento,
está sendo valorizada, admirada e tomando proporção muito maior em
relação a vários países desse planeta: a existência de um divisor
no parlamento deste Estado. Tive conhecimento desse divisor por
intermédio de vários Deputados experientes desta Assembléia, e não
pela imprensa, que mostra algumas divergências de posicionamento,
até mesmo em relação ao comando desta Casa. Quando tudo é
resolvido ao redor de uma mesa, evidentemente com as cadeiras
colocadas e as pessoas com os pés no chão, naturalmente chega-se a
um denominador comum.
Não é dessa maneira que chegaremos a algum lugar. Apenas haverá
desgaste do parlamento. Não estou aqui de graça. Nós, Deputados,
fazemos um vestibular pesado de quatro em quatro anos para
continuar ou para ingressar nesta Casa. Estou no meu segundo
mandato. Mesmo trabalhando, é difícil continuar neste parlamento.
Há Deputados que trabalhavam muito, mas, infelizmente, não estão
mais aqui. Nossos concorrentes não estão aqui, mas lá fora. Foi
isso o que ocorreu na eleição passada. Muitos dos que aqui estão
usaram o palanque para criticar o salário do Deputado. Estenderam
faixas nos comícios apresentados pelos parlamentares durante a
campanha. Entretanto, essas pessoas que fizeram críticas ferrenhas
a esta Casa estão aqui hoje, e vêem que a realidade é outra.
Devemos sentar, conversar e resolver o problema internamente, a
fim de buscar uma solução. De acordo com a imprensa, o Governador
Aécio Neves vê a Comissão de Segurança Pública como oposição a seu
Governo. Sou situação em tudo o que é importante para Minas Gerais
e serei oposição a tudo que não for. Jamais serei vaca de
presépio. Nunca balançarei a cabeça para “a”, “b” ou “c”. O mais
importante é ter consciência do dever cumprido, poder deitar e
dormir. Não aceitarei pressão de ninguém. Minha posição quanto a
qualquer matéria é definida e pensada, para que não haja
possicionamento incorreta. Creio que a carapuça servirá para
alguns e espero que a coloque quem achar que sirva.
Quem está aqui não votou em mim. Cada Deputado votou em si mesmo.
Se dependesse do voto do Palácio da Liberdade, não estaria eleito.
Tenho de agradecer aos eleitores que votaram em mim, a maioria de
Juiz de Fora e de outros municípios espalhados por Minas Gerais.
Não desejo agredir “a” ou “b”; pelo contrário, quero ver o
parlamento caminhar com as próprias pernas, de cabeça erguida.
Deve haver união, ainda que haja discussão partidária, o que é
natural, tanto aqui como na China. Após uma discussão, é
necessário que os homens se sentem, conversem e até se abracem.
Não se devem criar inimigos por meio da política. O mundo é muito
melhor que isso.
O Deputado Sargento Rodrigues é peça fundamental na Comissão de
Segurança Pública. V. Exa. deve continuar fazendo seu trabalho e
pode ter certeza de que muitos o estão reconhecendo. Não estou
aqui como um anjo da guarda de V. Exa., muito pelo contrário, pois
na campanha para a reeleição, V. Exa. foi a Juiz de Fora buscar
votos, e eu briguei para não perdê-los. Quero apenas revelar a V.
Exa. o que sinto.
Da mesma forma, digo publicamente que o Presidente Mauri Torres
foi eleito por nós para nos representar e, até o momento, não
temos nada que venha contra seu modo de atuar.
Não vejo com bons olhos esse distúrbio que começa a acontecer no
parlamento de Minas Gerais.
Com prazer, concedo aparte ao Deputado Domingos Sávio, não só por
seu conhecimento, mas também por sua voz radiofônica tão
brilhante.
O Deputado Domingos Sávio (em aparte) - Obrigado, nobre Deputado,
que, além de sua sabedoria, sempre traz seu bom-humor. Neste
momento, quero trazer o meu respeito a V. Exa., essa grande figura
pública com uma história de relevantes serviços prestados a Minas
e, em especial, a Juiz de Fora. Embora a certa distância,
acompanho o trabalho de V. Exa.
Todos nós, na vida pública, temos que enfrentar as adversidades.
Nesse contexto, há aqueles adversários que não sabem enfrentar-nos
olho no olho, frente a frente. V. Exa., que sempre tem a prática
da franqueza e da sinceridade, também às vezes tem que enfrentar
aqueles que sorrateiramente tentam denegrir sua imagem.
Recentemente, recebemos um tipo de correspondência espúria, que
não merece sequer ser mencionada e por meio da qual tentaram
manchar a imagem do nobre parlamentar. Não vamos entrar no mérito
da questão, uma vez que é claro que aqueles que atacam de forma
anônima e sorrateira não se mostram dignos da atividade pública.
Esses são resquícios da ditadura. Essas são pessoas que não se
preparam para o embate frente a frente e em nada contribuem para
este País.
V. Exa. tem uma história brilhante e séria. Por ter justamente
uma vida pública limpa, consegue manter a natureza do bom-humor
entremeada com as atividades responsáveis de um mandato
parlamentar. Registro aqui minha solidariedade, apesar de V. Exa.
não precisar, uma vez que tem uma história que fala por si só. V.
Exa. merece deste Deputado e, não tenho dúvida, dos demais pares
desta Casa todo respeito e admiração, assim como o merece e o tem
por parte do povo de nossa querida Juiz de Fora. Parabéns,
Deputado.
O Deputado Alberto Bejani - Deputado, sinto-me agradecido a V.
Exa. por sua solidariedade. Esse não é um ato político, mas, sim,
um ato sujo de adversários que não conseguem fazer com que a
população, principalmente a de Juiz de Fora, compreenda que eles
estão trabalhando, pois só aparecem de quatro em quatro anos. São
os chamados “políticos Copa do mundo”. Abandonam suas bases e
aparecem apenas três ou quatro meses antes das eleições para
comprar votos e enganar o povo com cestas básicas, camisetas,
carros de som, etc.
Já fiz um trabalho de quatro anos naquela cidade como parlamentar
e agora, já há um ano e meio, continuo a fazê-lo. Além disso,
tenho minha passagem lá como Prefeito, tendo ganhado a eleição dos
coronéis pelo Partido da Juventude, o PJ, com um minuto e meio na
televisão e sem dinheiro. Hoje, pago caro por isso, mas tenho
minha vida limpa.
As pessoas que falaram tudo aquilo a meu respeito se dizem
políticos, mas não são. São homens podres que não têm um pingo de
caráter e sensibilidade e que se esquecem de que Bejani não nasceu
do ovo da galinha. Tenho mãe, pai, irmãos e filhos, que sofrem
também com essas denúncias que nada têm a ver com minha pessoa.
Estou com a cabeça erguida, tanto que venho a esta tribuna e falo
o que penso, sem medo algum de represália. Pelo contrário, tenho a
certeza absoluta de que meus atos foram totalmente acobertados
pela lei. A Prefeitura de Juiz de Fora conta com mais de 14 mil
funcionários, e o seu secretariado foi considerado um dos melhores
que a cidade já teve, composto por pessoas sérias, dignas e
honestas. Quem já foi Prefeito sabe muito bem que, em Prefeituras
como a de Juiz de Fora, a de Belo Horizonte, a de Uberlândia, a de
Uberaba e as de outros municípios de Minas Gerais, o cargo de
Prefeito é político, contando com uma assistência técnica composta
por homens formados e que entendem do que fazem.
Portanto, continuo com a minha consciência tranqüila e, nas
próximas eleições, darei uma resposta a eles. Posso até não
ganhar, mas darei muito trabalho para aquela cambada que lá está.
Muito obrigado.