Pronunciamentos

CLÁUDIO MAGALHÃES, Coordenador de Rádio e TV do Centro Universitário de Belo Horizonte - UNI-BH. Representante do Reitor do Centro Universitário de Belo Horizonte - UNI-BH.

Discurso

Transcurso do 4º aniversário de funcionamento da TV Universitária de Belo Horizonte.
Reunião 195ª reunião ESPECIAL
Legislatura 14ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 13/08/2002
Página 28, Coluna 2
Assunto CALENDÁRIO. TELECOMUNICAÇÃO.

195ª REUNIÃO ESPECIAL DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 14ª LEGISLATURA, EM 6/8/2002 Palavras do Deputado Cláudio Magalhães Palavras do Sr. Cláudio Magalhães Boa noite. Em nome do Prof. Ney Soares, nossas congratulações ao Deputado Agostinho Patrús, ao Deputado Adelmo Carneiro Leão, à amiga Sandra Freitas, ao Prof. Mauro Braga, ao Prof. José Gama Dias e ao Prof. Caio Boschi. Falar desses quatro anos da TV Universitária é emocionante para os que acompanhamos esse processo desde o início. Assim, gostaria de dar início a essa conversa agradecendo ao Deputado Adelmo Carneiro Leão, pedindo-lhe que leve nossos agradecimentos aos demais Deputados, que votaram unanimemente pela realização desta homenagem, que interpretamos como um carinho para com nosso trabalho na TV Universitária. Agradecemos também aos nossos companheiros da Mesa e aos da TV Universitária. Hoje, a produção é centralizada no UNI-BH, na PUC-TV, com a grata entrada, aos poucos, mas permanente, da UFMG, e com nossa expectativa de que a UEMG entrará em breve. Mas, para o UNI-BH, a satisfação é ainda maior, porque já tem a tradição da TV Universitária, da TV Educativa, não há quatro anos, mas há sete, com um projeto inovador, e que é até hoje mantida em Ouro Preto. Temos a pretensão de manter a mesma filosofia que tentamos implantar na TV Universitária, que é a idéia de ser alternativa para a televisão. Sabemos que há, hoje, dois modelos de televisão - a comercial e a estatal -, e temos a pretensão, o sonho, que não consideramos utópico, de, aos poucos, sermos terceira alternativa. Uma TV que, efetivamente, cumprirá o que está na Constituição - disposições que não são obedecidas por nenhum desses dois modelos de televisão -, que dará apoio à educação, incrementará a cultura e, principalmente, democratizará a informação. É bom lembrarmos que o papel da UFMG e da UEMG não é meramente o de coadjuvantes. O processo de formação da TV Universitária foi doído, iniciado pela UEMG, cujo primeiro passo não foi muito adiante. Depois, com a experiência da POP Cultura, em Ouro Preto, e da TV UNI-BH, e sabendo da legislação, conhecendo o desejo da UEMG, procuramo-la para tentar retomá-lo. Estávamos até nos lembrando das intermináveis reuniões. Ficamos um ano tentando colocá-lo em dia, inicialmente, com particição da UFMG, da UEMG, do UNI-BH e até do CEFET. Em seguida, a PUC também entrou e, à medida que as coisas foram acontecendo, graças ao trabalho de pessoas com muita vontade de que acontecesse, colocamos a TV no ar, com a preocupação, prinicipalmente, de ocupar o espaço que era das TVs Universitárias. Os idealizadores são hoje tão importantes quanto os produtores, porque mesmo a UEMG e a UFMG, embora não participassem da produção, estavam constantemente nas nossas reuniões do Conselho Universitário. É engraçado, provavelmente dirão isso, mas as reuniões do nosso Conselho Universitário - se levarmos em consideração a TV Universitária de São Paulo, que tem 21 instituições -, eram feitas por apenas quatro pessoas, que não divergiam. A idéia era: o que podemos fazer para isso acontecer? E sempre a UEMG e a UFMG estiveram presentes nessa discussão. Portanto, gostaria de render homenagem a elas porque, definitivamente, nunca foram só coadjuvantes. Mais uma vez, o que me deixa mais encantado e animado nessa televisão é que, ao contrário daquela TV comercial, onde assistimos aos mesmos programas, independentemente de ser Globo ou Bandeirantes, na TV Universitária temos a diversidade, porque este País é diverso. Às vezes, as pessoas perguntam qual é o projeto da TV Universitária. O seu projeto é ser a cara da universidade e deste País. E a universidade deste País é diversa. O projeto de televisão do UNI-BH sempre foi único, assim está sendo mantido e, por mais que existam problemas, vale a pena. É a produção dos estudantes, com apoio dos profissionais. Diziam que, talvez, o programa não ficasse bom, porque estudante é muito ousado, poderia fazer coisas fora do padrão. Ótimo, porque só aqui se poderia fazer isso - não haveria espaço na Globo nem na Bandeirantes para tal. Não há outro lugar, e realmente gostamos de que as pessoas façam na TV Universitária. Essa é uma experiência interessante, porque eles "apanham" muito, e isso é importantíssimo para qualquer formação profissional, como sabem muito bem. Temos orgulho desse projeto e não estamos preocupados se o projeto das outras instituições é diferente do nosso, porque queremos é isto mesmo: uma TV que tenha diversidade. E temos cumprido essa função. Por isso, é importante agradecer esta carinhosa homenagem que nos faz a Casa que representa o povo mineiro. Qual o recado que o Deputado está dando com o requerimento aprovado por unanimidade? Está dizendo que devemos dar prosseguimento à nossa atividade, porque tem sido do agrado geral. Isso, é claro, nos dá ânimo para seguir em frente. Agradeço à Profa. Sandra, que administrou, a ferro e fogo, todos os problemas que surgiram desde a inauguração da TV e que, em nenhum momento, tomou decisões sem consultar o UNI-BH e seus pares. Isso parece banal, mas não é; é prova de pensamento democrático. Sabemos que, dirigir uma TV não é fácil, e a Profa. Sandra sempre teve a preocupação de dividir essa responsabilidade com o UNI-BH, que, por sua vez, sente-se honrado de ter também sempre dividido com ela a responsabilidade, tanto ideológica quanto financeira, pelo canal. Vale lembrar que a legislação da TV a cabo é aparentemente interessante. Foi importada dos Estados Unidos, mas ficou esquecido um pequeno detalhe, que os norte-americanos não esqueceram. Deram um canal de livre acesso às operadoras, mas sentenciaram: "As TVs comunitárias e universitárias que se virem. Não lhes daremos infra-estrutura para a transmissão". O UNI-BH e a PUC têm "gastado os tubos" para manter ilha de edição e exibidor, mas sempre seguros de que o projeto vale a pena. Agradeço, ainda, os representantes do nosso Conselho Consultivo, a grande artista Berenice Menegale e o jornalista Guy de Almeida. O Conselho Gestor resolveu criar um Conselho Consultivo para a TV Universitária, e, hoje, sabemos que não podemos viver sem ele. Seus integrantes renovam o oxigênio quando aparecem em nossas reuniões, sempre com novas idéias e muito incentivo para que continuemos nossa atividade. Um último agradecimento vai para os profissionais e para os alunos do UNI-BH. Apesar dos inúmeros problemas enfrentados nestes quatro anos, conseguiram colocar um canal de televisão no ar, com recorde de programas. Junto com os programas da TV de Ouro Preto, temos mais de 25 programas regulares. Por mais que não houvesse máquina, que a fita e o carro não chegassem, que o telefone não funcionasse, que a sala fosse apertada e que o pernilongo atrapalhasse, ainda assim aquele pessoal vestiu a camisa e colocou o canal no ar. Acabaram, assim, com o conceito de que televisão se faz apenas com garra e fita crepe. À garra e à fita crepe é preciso juntar o ardor ousado da juventude e sua vontade de trabalhar. Aos meus alunos e aos colegas da TV Universitária, um muito obrigado especial por tudo que fizeram; e aos demais, agradeço por prestigiarem esta homenagem.