Pronunciamentos

CARLOS ROBERTO SIQUEIRA DE BARROS, Presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro – PSB

Discurso

Agradece a homenagem recebida pelo transcurso do 70º aniversário de fundação do Partido Socialista Brasileiro - PSB.
Reunião 26ª reunião ESPECIAL
Legislatura 18ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 29/08/2017
Página 4, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM.
Proposições citadas RQO 2977 de 2017

26ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 24/8/2017

Palavras do Sr. Carlos Roberto Siqueira de Barros

Boa noite a todos e a todas. Gostaria de cumprimentar inicialmente, e com muita alegria, meu querido amigo e deputado estadual, autor do requerimento para a realização desta sessão de celebração dos 70 anos do Partido Socialista Brasileiro, o deputado Antonio Lerin, a quem agradeço, em nome da direção nacional, por esta homenagem que tanto me alegra. Cumprimento, com alegria, o Exmo. Sr. deputado federal George Hilton, aqui presente, cuja atuação na Câmara dos Deputados é um orgulho para a política mineira.

Cumprimento também, com muita alegria e satisfação, o meu querido amigo de longa data, brilhante deputado por diversos mandatos na Câmara dos Deputados, o meu companheiro Júlio Delgado. Cumprimento ainda, com alegria, o ex-prefeito Marcio Lacerda, presidente estadual do nosso partido em Minas Gerais, a quem também devotamos a nossa homenagem pela sua atuação brilhante como prefeito da querida capital mineira, Belo Horizonte. Cumprimento também, com alegria, o Exmo. Sr. José Roberto Fernandes, vereador de Sabará, aqui representando todos os vereadores. Por seu intermédio cumprimento todos os vereadores que aqui estão, os prefeitos, os vice-prefeitos e todos. Cumprimento ainda o companheiro Gelson Leite, presidente municipal do partido; em especial, os segmentos do partido organizado, a Juventude Socialista Brasileira, que aqui está, bem como o movimento negro, o movimento popular, as mulheres e todos aqueles que ajudam a organizar o Partido Socialista Brasileiro neste importante estado da Federação.

Quero dizer a todos vocês que, para mim, não é apenas motivo de alegria estar aqui nesta noite para participar desta solenidade. Outras assembleias legislativas, inclusive a de Pernambuco, meu estado, também realizam reuniões solenes para comemorar os 70 anos do PSB. Eu não fui a nenhuma delas, porque não pude ir, mas não poderia deixar de participar desta, em Minas Gerais, convidado pelo deputado Lerin. Todos os mineiros sabem, principalmente os do PSB, que tenho apreço muito especial por este estado. E estou aqui, neste estado de que gosto tanto, em Belo Horizonte, cidade que aprecio e conheço há mais de 30 anos. Vi no convite que se trata do Plenário Juscelino Kubitschek, o que, para nós, é muito inspirador. A política mineira realça a política nacional. A política mineira e Juscelino Kubitschek significaram para todos nós, brasileiros, o melhor momento vivido na história republicana. Foi esse grande mineiro, esse grande brasileiro que fez grandes transformações em nosso país. E por muito tempo ainda servirá de exemplo e de inspiração para todos aqueles que querem de fato transformar o Brasil em um grande país que ele é, com todas as suas extraordinárias possibilidades.

Portanto a minha alegria, a minha emoção está com todos vocês nesta celebração. Já houve uma celebração em Brasília. Vamos encerrar o ano das celebrações dos 70 anos no XIV Congresso Nacional do Partido, a ser realizado em Brasília nos dias 12, 13 e 14 de outubro, para o qual todos vocês estão convidados.

Mas preciso aproveitar a oportunidade para relembrar que o partido, como disse a professora Margarida Vieira na sua obra e na sua tese de doutorado, é chamado de partido semente. Mas semente do quê? Do que esse partido é semente? Em 1947, pessoas ilustres como João Mangabeira, Hermes Lima, Antônio Houaiss, Jamil Haddad e tantos outros no Rio de Janeiro, então capital da República, fundaram o Partido Socialista Brasileiro, o segundo mais antigo da vida republicana nacional. E o fundaram como precursores de uma esquerda diferente daquela que existia até então, hegemonizada pelo Partido Comunista Brasileiro, fundado em 1922. E as diferenças surgiram devido à esquerda autoritária e stalinista, que estava no auge do seu prestígio internacional e também no Brasil, que não admitia haver um socialismo sem que houvesse democracia, sem que houvesse pluralidade política, ideológica, social, religiosa e cultural. Essa é uma característica do nosso partido, que eu não me canso de falar, porque acho que ela é fundamento de uma nova ideia de esquerda, de uma nova ideia de justiça social, de uma nova ideia de um partido que viria e seria precursor dessas ideias que nós temos o orgulho de defender durante esse longo período de atuação do PSB na vida republicana brasileira.

Por outro lado, também discordava dos liberais que achavam que o mercado livre, que o individualismo e que a capacidade pessoal, exclusivamente, são capazes de superar os problemas sociais de um país com as contradições e as diferenças sociais que existem no Brasil. Nem uma coisa nem outra, ficamos num caminho em que devemos unir as liberdades civis, individuais e coletivas aos direitos sociais, mas também sem nos esquecer de que precisamos e temos todas as condições de fazer uma economia pujante com criação de riquezas. O socialismo não pode e não deve – e talvez por isso o chamado socialismo real não tenha dado certo – distribuir riqueza sem que ela seja criada. Só se pode ter justiça social e tirar milhões de brasileiros da pobreza e da desigualdade imensa e abissal existente em nosso país se criarmos riquezas, e a riqueza é criada por meio do empreendimento de homens que têm capacidade de empreender, investir e que acreditam e se esforçam para criar milhões de empregos, trabalho e renda.

Então, estou falando da união entre aqueles que têm essa capacidade de empreender e aqueles que têm a mão de obra que precisa ser valorizada. Defendemos um país equilibrado, democrático e, sobretudo, com justiça social. Foi por essa razão, por defendermos esses princípios que, recentemente, em consonância com a história do nosso partido, decidimos fechar a questão contra a reforma da Previdência. Na verdade, julgamos necessária a reforma da Previdência, mas não admitimos que seja correto desequilibrar o jogo. No jogo entre o capital e o trabalho, tem que haver um equilíbrio que corresponda às ideias que defendemos de justiça social, de igualdade de oportunidades, e, ao mesmo tempo, de prosperidade econômica.

Sabemos a cantilena dos liberais, que dizem que precisamos fazer isso, isto é, diminuir a massa salarial, que é o que vão fazer com essa reforma trabalhista, bem como precarizar o trabalho em prol da criação do emprego. Isso é mentira. Há mais de 70 anos, o presidente Vargas foi outro grande presidente que conseguiu entender o Brasil – disse isso hoje ao Marcio Lacerda –, sendo ele lá dos confins do Rio Grande do Sul, exatamente porque passou por Minas Gerais e estudou em Ouro Preto. É nesta terra que se entende o Brasil, porque ela é a síntese do nosso país. É por isso que sempre temos que olhar para Minas com os olhos e com o coração, para ver o exemplo que este grande Estado sempre foi para o Brasil. Portanto, ele criou a legislação trabalhista quando o Brasil sequer era um país desenvolvido industrialmente, ou seja, era praticamente agrário.

Posteriormente, com o vigor dessa legislação, o Brasil se tornou um país industrial, a 10ª economia do mundo, chegando a ser 6ª economia mundial. Nesse período, muitos cresceram e se enriqueceram pagando os direitos trabalhistas que foram instituídos em nosso país há mais de 70 anos. Na década de 1970, o país cresceu a índices chineses de hoje, isto é, 9%, 10%, 11% ao ano, durante vários anos, e isso se deu por causa da referida legislação. Aliás, mais recentemente, no primeiro e no segundo governo do presidente Lula, chegamos ao pleno emprego porque 5% já é considerado pleno emprego. Todos sabem disso porque viram nas ruas do Brasil, em todas as médias e grandes cidades, placas procurando por trabalhadores e oferecendo empregos. E volto a repetir que isso se deu por causa da mencionada legislação.

Agora pergunto: por que precarizar o trabalho para dizer que isso se faz necessário na criação de empregos? O emprego é criado com investimento, com normas de competitividade que ajudem a indústria brasileira a competir no mercado internacional e com a qualificação da mão de obra da nossa juventude e dos nossos trabalhadores. Essa é a fórmula que os países que se desenvolveram usaram, e a fórmula que também deve ser usada em nosso país.

Contudo, agora estamos procurando coerência entre as ideias fundantes do nosso partido e a nossa militância. Estamos confiantes de que o nosso partido, a cada eleição, desde que foi reconstruído em 1985, após o longo período do regime militar, vem apresentando melhores resultados e assumindo mais compromissos. Não estou falando de um crescimento vertiginoso, e às vezes digo que é melhor que seja assim, desde que possamos procurar de fato ser coerentes com aquilo que defendemos. Isso servirá para que o Partido Socialista Brasileiro, um dia não muito distante, possa governar o País da forma como foi com Kubitschek e Vargas, sempre compreendendo a potencialidade, a grandeza e as oportunidades que podemos oferecer a todos os brasileiros, praticando grandes transformações sociais. Não posso governar o País para fazer o que fez o Partido dos Trabalhadores, nenhuma reforma estruturante, nem a reforma política nem a reforma administrativa nem a reforma da previdência como deveria ser feito, isto é, reforma alguma, e precisamos de muitas reformas que possam modernizar o País no sentido correto de torná-lo um país industrial. O Brasil precisa ser um país exportador de bens com valor agregado, conquistar novas tecnologias e buscar, na força e na criatividade do povo trabalhador brasileiro, a energia necessária para que o País possa se desenvolver. Foi assim que o presidente Vargas fez e foi assim que o grande brasileiro Juscelino Kubitschek também fez. Quem contestou a construção de Brasília e quem não acreditou que Brasília seria viável foram os conservadores da época, que se opunham ferrenhamente à construção da cidade. Mas Brasília foi uma grande e preciosa obra não apenas para o Centro-Oeste, mas também para todo o Brasil.

Brasília é uma cidade linda, fantástica e cheia de energia, que lembra permanente a figura extraordinária de JK. Foi a partir de Brasília que se interiorizou o nosso país, que antes era litoral, e hoje temos no Centro-Oeste um agronegócio fantástico, que produz, exporta e gera divisas permanentemente, criando condições para que isso possa se transformar num negócio industrial. Dessa forma, com um presidente de visão que haveremos de buscar no seio do povo brasileiro, tudo isso se transformará em valor agregado e em conquista de novas tecnologias.

Essa esperança, esses projetos e essas ideias que defendemos deverão estar permanentemente em nossa cabeça porque tudo o que aconteceu em nosso país e tudo o que acontece no mundo acontece primeiro na cabeça de pessoas visionárias, no pensamento de um povo quando incorpora a ideia de que aquilo é possível. Sim, é possível, às vezes até nas condições mais dramáticas, como foi possível transformar nosso país agrário num país industrial, como foi possível construir Brasília e como foi possível fazer a Petrobras, contrariando os “técnicos americanos”, que chegaram aqui para dizer ao presidente Vargas que o Brasil não tinha petróleo, e hoje somos até mais que autossuficientes. Temos uma empresa que é a 10ª maior empresa de petróleo do mundo; contudo, disseram que não era possível construir a Petrobras, e hoje ela está aí. Também disseram que Brasília não daria certo, mas deu certo. Duvidaram de muitas coisas, mas tudo de importante que aconteceu no Brasil contou com a energia e com o trabalho do mais humilde ao mais importante brasileiro porque, quando um povo é entusiasmado, as transformações acontecem. Não estou falando de um homem sozinho porque, sem dúvida nenhuma, precisamos de lideranças, mas hoje estamos muito carentes dela no plano nacional. Também precisamos de um protagonismo pessoal, que é o papel do indivíduo na história, mas o indivíduo não é apenas a liderança, mas cada um de nós, cada brasileiro e brasileira de todas as classes sociais que precisam acreditar no Brasil e entender que o Brasil é maior que essa crise que nos foi legada. Precisamos ter otimismo para fazer mudanças e escolher bem os nossos representantes.

Vamos buscar gente boa! Acho que é isso que o PSB deve fazer. Vamos buscar pessoas que nunca entraram na política, gente do bem, gente inteligente e capaz de dizer “venham, ingressem no partido que quer mudar o Brasil, que quer representar bem o povo brasileiro, que quer justiça social, que tem uma história bonita, que acredita no ser humano, e que acredita que o Brasil tem solução”. O que precisamos fazer no Brasil é mudar uma representação que não corresponde e que pensa mais nos seus interesses do que nos interesses da população que pretende ou que diz representar ou que é coordenada por interesses de fora do País, interesses alienígenas, e não pelos interesses genuínos do País. No dia em que conseguirmos melhorar a nossa representação política em todos os Poderes e em todas as instâncias, seguramente mudaremos este país, mas temos que começar a fazer essa mudança no local em que vivemos, nas cidades, nas vilas e nos estados em que nos encontrarmos. Essa mudança também deverá ser feita por intermédio dos sindicatos e até das famílias, porque democracia não se faz apenas nos governos e nos partidos, mas também dentro de casa, na igreja, no sindicato, na associação de moradores. A democracia é regida por princípios basilares de uma sociedade que precisa incorporar esses princípios como cultura. Aliás, o principal princípio da democracia, não da democracia liberal, mas da democracia que defendemos, é o princípio de que todos são importantes e iguais. Não existe pessoa que não tem importância em nosso país. Todos têm a sua contribuição.

Resumindo, a partir do momento em que as pessoas se sentirem respeitadas, elas também se sentirão entusiasmadas para defender os interesses do País. Ninguém ficará acomodado quando perceber que um governo quer melhorar a situação do seu povo. Todos se levantarão, contribuirão e se entusiasmarão por essas ideias. Acredito nisso e é por essa razão que estou, há quase 28 anos, no Partido Socialista Brasileiro, e me orgulho de ser desse partido. Aliás, na medida da representação que recebemos em cada município e em cada estado, o nosso partido tem dado a sua contribuição por meio da formulação de políticas públicas que sejam capazes de melhorar a vida das cidades e dos estados. Quase demos uma contribuição por meio do nosso querido e saudoso Eduardo Campos para mudarmos o nosso país. Lamentavelmente, o destino não nos permitiu fazer isso, mas sei que ele continua presente a nos inspirar. Aliás, talvez ele esteja mais presente hoje do que quando estava vivo, sempre digo isso, porque homens como ele, como o Miguel Arraes, como o João Mangabeira e como o Jamil Haddad não morrem porque eles se vão, mas não os esquecemos porque tinham ideias, propostas, capacidade e sobretudo amor ao nosso país, amor ao Brasil.

Por tudo isso, alegro-me, em Minas Gerais, pelo fato de termos hoje essa oportunidade. Aliás, já disse isso hoje em uma pequena reunião que fizemos antes de vir para cá. Ao longo do período de 30 anos, podemos dizer que tivemos dois ciclos: um ciclo com o PMDB, o partido que redemocratizou o País, que liderou a redemocratização do País, e, mais recentemente, um outro ciclo relativamente longo com o PSDB. Acredito que se fechou um ciclo e que agora está se iniciando um novo ciclo político em Minas Gerais, que precisa ser liderado pelo Partido Socialista Brasileiro. Por sorte nossa, na fileira do PSB mineiro, existem figuras que são capazes de representar esse ciclo.

Eu já fiz, em uma das últimas vezes em que estive na bela cidade de Contagem, cujo presidente do nosso partido é o nosso companheiro René, o lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito Marcio Lacerda ao governo de Minas Gerais.

Nós temos quadros como Júlio Delgado, como o George, também capazes de assumir qualquer função pública em Minas e no Brasil. Eles também nos orgulham por representar bem, com coerência, esforço, capacidade e brilhantismo, os mineiros na Câmara dos Deputados.

Então eu fico feliz de estar aqui nesta noite, de olhar no olho de cada companheiro, de cada companheira. Fico feliz de ver a juventude aqui entusiasmada, porque o partido tem de estar com o futuro garantido.

Eu sou da terceira geração, mas vejo que há a segunda e a primeira geração, que também vão aprender muito na escola socialista. A única posse de que participei em 1º de janeiro foi a do Célio de Castro, grande amigo e prefeito por duas ocasiões. O Célio fez questão de me convidar, e eu fiz questão de vir, porque também foi uma grande figura da política brasileira e orgulhou o nosso partido enquanto nele esteve, por meio da sua administração. Foi um grande homem, um grande mineiro, um grande brasileiro. Tivemos a oportunidade de trabalhar juntos quando foi deputado federal, representando Minas Gerais.

Então, eu quero agradecer a cada um de vocês que está aqui nesta noite para esta celebração, porque não existe celebração sem gente. Não é apenas a Mesa que eu cumprimentei, que são os nossos ilustres representantes do partido, mas cada militante, porque um partido se faz com gente, com o povo, com os militantes. São eles, vocês e eu, também militante, que, por circunstância do destino, cheguei à presidência nacional do partido, que fazemos o partido, não apenas quem tem mandato. Quem tem mandato é muito importante para nós, é fundamental. Não há partido em uma democracia que sobreviva sem votos. Nós sempre temos um apreço muito especial por eles, mas não há partido sem militantes, e não há político sem voto. E os votos vêm daqueles que não têm mandato, que não pretendem ter mandato, mas que pretendem ser militantes e ajudar os que põem a cara na televisão, na rua, o que não é fácil. A tarefa de ser candidato é dificílima. Às vezes, criticam-se muito as pessoas que têm mandato. Muitas vezes, até merecem mesmo. Mas é preciso valorizar aqueles que honram seu mandato, porque sair às ruas, apertar a mão de pessoas, gastar sola de sapato, pôr a cara na televisão, colocar a vida à disposição, porque deixam de ter vida privada, é muito difícil. Portanto, nós também devemos valorizar, com muita garra, aqueles que têm a coragem de fazer isso. Eu os valorizo muito. Tenho muito orgulho de ver pessoas de todas as idades do nosso partido que se dispõem a lutar pelo voto. E cada voto é muito importante.

Com a minha alegria, com os meus agradecimentos e com as minhas desculpas, porque falo demais, eu quero agradecer a vocês, de coração, este momento emocionante nesta bela capital mineira. Um grande abraço e muito obrigado a todos vocês.