Pronunciamentos

CABO ÁLVARO RODRIGUES COELHO, Presidente do Centro Social dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais - CSCS

Discurso

Agradece a homenagem recebida pelo transcurso do 20º aniversário da greve das praças da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais - PMMG.
Reunião 19ª reunião ESPECIAL
Legislatura 18ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 04/07/2017
Página 6, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM. PESSOAL MILITAR. POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS (PMMG).
Proposições citadas RQO 2823 de 2017

19ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 18ª LEGISLATURA, EM 22/6/2017

Palavras do Cabo Álvaro Rodrigues Coelho

O Cabo Álvaro Rodrigues Coelho - Exmo. Sr. Deputado Sargento Rodrigues, autor do requerimento que deu origem a esta homenagem, neste ato representando o deputado Adalclever Lopes, presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais; Exmo. Sr. Deputado Subtenente Gonzaga; Sr. Sargento Marco Antônio Bahia Silva, presidente da Associação dos Praças, Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais; Sr. Sargento Alexandre Rodrigues, presidente da Associação dos Servidores do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar de Minas Gerais; Sr. Tenente-Coronel PM Domingos Sávio de Mendonça, do qual me orgulho de ser amigo, porque foi o único oficial que, na época, teve a coragem de dizer a verdade; Sr. Subtenente BM Clóvis Antônio Pio; Dr. Obregon Gonçalves, do qual a gente sempre ouviu falar muito bem – naquela época, em que ainda era muito difícil o policial desempenhar suas funções no Estado de Minas Gerais, o Dr. Obregon já era muito conhecido pela defesa de vários policiais militares; senhoras e senhores, boa noite.

É com muita satisfação e alegria que estou aqui hoje participando desta reunião especial em homenagem aos 20 anos do movimento de 1997. Agradeço aos deputados desta Casa, e, em especial, ao deputado Sargento Rodrigues, pela iniciativa e pelo convite. Foi neste local que muitas conquistas da nossa classe foram consagradas, e contamos com os nobres deputados que aqui estão para continuar zelando pela segurança pública do nosso Estado.

Para mim, é um prazer poder dividir este espaço com meus colegas que participaram do histórico movimento de 1997, inclusive com aqueles que, assim como eu, foram expulsos da Polícia Militar de Minas Gerais e reintegrados ao Corpo de Bombeiros Militar.

Temos muitas lembranças e passamos por dificuldades que a memória não apaga. O ano de 1997 foi um marco na história dos policiais mineiros. Foi exatamente nesse período que as condições salariais e de trabalho da categoria começaram a ser repensadas, além de terem sido revelados nesse movimento os principais líderes e dirigentes classistas que atuam até hoje na defesa dos militares do Estado.

O movimento de 1997 aconteceu espontaneamente entre os militares mineiros. Era uma época difícil da economia, e os policiais e bombeiros militares recebiam um salário incompatível com a função que exerciam, e o que era mais preocupante: não conseguiam manter suas famílias com dignidade. Foi o início de uma batalha inédita, que persiste até os dias atuais, em que os profissionais da segurança pública aprenderam que a vigilância e a organização da classe são primordiais para a melhoria das condições de vida das famílias dos militares.

Fico muito agradecido quando volto no tempo. Fazendo uma retrospectiva, podemos falar que, após o movimento de 1997 e as campanhas salarias de 2007 e 2011, a família militar migrou de classe social, passando de uma condição de vida difícil para uma realidade econômica melhor. Lembro-me do dia 13/6/1997, o dia em que nós, militares, tomamos as ruas da capital mineira em protesto. Eu estava lá e tenho muito orgulho de dizer que fiz parte dessa história. Hoje estou à frente da presidência do Centro Social dos Cabos e Soldados, que foi palco do movimento reivindicatório de 1997. Lá aconteceu a primeira assembleia dos praças da Polícia Militar de Minas Gerais, no dia 14 de junho, local onde foram traçadas as estratégias e definidas as reivindicações da tropa que se encontrava insatisfeita com o soldo e as condições de trabalho oferecidas pelo governo. Fui um dos 186 militares excluídos e processados pela Justiça Militar. Fui reintegrado ao quadro do Corpo de Bombeiros em 1999, no governo do saudoso Itamar Franco, e, como muitos dos nossos companheiros que aqui estão, sofri, passei dificuldades financeiras e dependi de cesta básica dos colegas da ativa. Por isso, hoje, especialmente, gostaria de homenagear o grupo de militares reintegrado ao Corpo de Bombeiros que nunca desistiu dos seus sonhos, ideais e luta pelo reconhecimento da anistia.

Atualmente, aguardamos que o governador sancione o projeto de lei de autoria do deputado Sargento Rodrigues, aprovado em 2º turno, nesta Casa. Assim, a justiça será feita e poderemos ser anistiados. Teremos o direito de escolher se queremos voltar aos quadros da gloriosa Polícia Militar do Estado de Minas Gerais ou se queremos permanecer no Corpo de Bombeiros Militar. O movimento de 1997 foi o caminho para a conquista de novos horizontes para a família militar, e não podemos permitir retrocesso, como o que ocorre no Estado de Pernambuco, onde, esta semana, dois companheiros foram expulsos da PM, depois de manifestarem opinião contrária à do governo local. Isso não pode acontecer nos dias atuais. Precisamos unir forças, acionar os deputados estaduais e federais e ajudá-los a enfrentar essa batalha.

É com muito orgulho que enfatizamos que de Minas saiu o movimento reivindicatório da categoria, o qual se alastrou por todo o País. Tenho convicção e muita vontade de continuar contribuindo e zelando pela valorização da nossa categoria, que tem papel essencial na vida da nossa sociedade.

Encerro a minha fala dando os parabéns a todos os companheiros que fizeram parte dessa história e ao nobre deputado Sargento Rodrigues, que teve a iniciativa de realizar esta reunião e nos fez o convite para participar dela. Nada mais justo do que comemorar este momento. Quero ressaltar a vocês, policiais e bombeiros militares: o Centro Social dos Cabos e Soldados estará sempre de braços abertos para servi-los em tudo que estiver ao alcance da nossa gestão. Uma boa noite a todos e fiquem com Deus. Um forte abraço.