Decreto nº 6.832, de 20/03/1925

Texto Original

Aprova os programas do ensino nas escolas normais.

O PRESIDENTE DO ESTADO DE MINAS GERAIS, usando da atribuição que lhe confere o art. 57 da Constituição do Estado e de conformidade com o art. 93, § 2º do Decreto nº 6.381, de 6 de novembro de 1923, resolve aprovar, depois de revistos e coordenados pelo Conselho Superior da Instrução, nos termos do § 2º do artigo citado, para vigorar no corrente ano letivo, os programas do ensino nas escolas normais, que com este baixam, assinados pelo Secretário de Estado dos Negocios do Interior, que assim o tenha entendido e faça executar.

Palácio da Presidência do Estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte, 20 de março de 1925.

FERNANDO MELO VIANA.

Sandoval Soares Azevedo.

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PROGRAMAS DO CURSO FUNDAMENTAL

PRIMEIRO ANO

PORTUGUÊS

1

Escrever sob ditado no quadro negro um trecho de prosa de autor moderno de boa nota, devendo os demais alunos reproduzir o exercicio em suas cadernetas de aula; correção dos erros cometidos, feita por um ou mais alunos da classe, por indicação do professor. Os alunos deverão assinalar todos os substantivos existentes do trecho, discriminando-os em concretos e abstratos, próprios e comuns, primitivos e derivados, simples e compostos, coletivos, verbais e impróprios.

2

Leitura em voz alta, por um ou mais alunos, de trecho escolhido pelo professor, que irá corrigindo cuidadosamente os vicios e os defeitos que observar, principalmente os de pronúncia; interpretação do assunto, não devendo nunca o professor tolher a autonomia de pensamento do aluno, só intervindo para orientá-lo na sequência da narração e para emendar erros de linguagem que por acaso tenha notado, chamando para eles delicadamente a atenção da classe.

3

O professor fará perante a classe a exposição de uma ocurrencia qualquer, simples e concreta, empregando frases e termos faceis; em seguida designará os alunos que sucessivamente tenham de desenvolver o assunto narrado, dnado-lhes sempre a liberdade de usar o estilo próprio. Exercício de grafia, no quadro negro, de vocabulos de uso comum. A correção dos erros cometidos será feita pelos alunos, com auxílio de dicionário, sob a orientaçção do professor.

4

Toda a classe fará simultaneamente leitura silenciosa de um trecho de fácil compreensão (fábula, historieta, anecdota, etc.), escolhido pelo professor. Depois de um prazo razoavel, designará dentre os alunos os que devam interpretar o trecho lido, para exercício de boa dicção, elocução e exposição. Exercício oral e escrito sobre emprego de termos próprios para denominar pessoas e cousas de conhecimento comum.

5

Ditado de trecho em que ocorram com frequencia adjetivos qualificativos, devendo os alunos sublinha-los os quadro negro e nas cadernetas de aula, e o professor explicar como são eles próprios para caracterizar as pessoas e as cousas. Gêneros, número e grau dos adjetivos. Diferenças de sentido que resultam da anteposição do adjetivo ao substantivo; exercício de conversão de adjetivos em locuções adjetivas e vice-versa.

6

O professor mandará escrever no quadro negro frases que contenham adjetivos articulares, possessivos, demonstrativos e quantitativos.

Definirá a sinalefa, a aferese, a antitese e a sinerese, demonstrando praticamente como se combinam as precisões com os articulares.

Crase; exemplos variados de casos em que se emprega o a craseado.

7

Ditado de cartas simples e breves em que figurem a miude pronomes pessoais e possessivos correspondentes, cumprindo ao professor mostrar a influência dos primeiros sobre os verbos e chamar a atenção da classe para o emprego congruente dos mesmos. Simultaneamente indicará quais as fórmulas de tratamento correspondentes à posição social das pessoas.

8

Ditado de um ofício em que apareça o pronome relativo em suas diferentes formas, aproveitando o professor o ensejo para insistir particularmente no emprego correto das formas que e cujo.

Repartição exércicios sobre uso das fórmulas de tratamento mais comuns no estilo oficial.

9

Ditado de sentenças em que se deparem amiudadas vezes formas verbais simples e compostas; encarecer a importância da função do verbo na proposição; classificação dos verbos quanto à natureza, forma e predicação; fazer o aluno assinalar os verbos encontrados, discriminando-os segundo a conjugação e pelas flexões de modo, tempo, número e pessoa.

10

Leitura silenciosa de trecho fácil de autor contemporaneo, finda a qual os alunos interpretarão o sentido do mesmo, seguindo-se arguição alternadamente sobre os verbos encontrados. O professor dissertará acerca dos verbos auxiliares, regulares, irregulares e defectivos.

11

O profesor ditará sentenças faceis em que se omitam os verbos, para que os alunos completem o sentido empregando as formas verbais apropriadas, especialmente as imperativas, interrogativas e promominais simples e compostas.

12 

Narração verbal pelo aluno, com auxílio do professor, de um fato trivial, cujas circunstâncias (lugar, tempo, modo, quantidade, etc.) sejam expressas por formas adverbiais simples e compostas e por locuções. Advérbios próprios e impróprios. Exemplos para mostrar que o advérbio é quase sempre modificador de outra palavra.

13

O professor mandará escrever no quadro negro e nas cadernetas de aula sentenças breves nas quais faltem as preposições, deixanado a cargo dos alunos a procura e o emprego conveniente destas. Mostrar que a preposição serve sempre para ligar duas ideias e que difere do advérbio em só ter sentido quando seguida de outra palavra. Distinguir as proposições simples das compostas, e estas das locuções preposicionais.

14

Formar uma série de sentenças compostas em que as proposições sejam ligadas por conjunções coordenativas; mandar que os alunos as assinalem no quadro negro e nas cadernetas de aula; mostrar que elas unem pensamentos e não simplesmente ideias, como acontece com as preposições. Exemplos de conjunções simples, compostas e locuções conjuncionais.

15

Pelo mesmo processo deverá o professor tornar conhecidas as conjunções subordinativas, salientando a diferença de função entre estas e as coordenativas.

Os exercicios serão suficientemente variados, de modo que neles intervenham as principais conjunções e locuções conjuncionais, sabido que o perfeito conhecimento de natureza dos conectivos facilita sobremaneira a classificação das sentenças.

16

Declamação de trecho adrede organizado, em forma de diálogo, no qual se reproduzam interjeições e locuções interjecional, chamando o professor a atenção dos alunos para o sentimento que elas exprimem e ensinando-lhes a dizê-las com as conveninetes inflexões de voz.

17

Exercício oral e escrito sobre vocábulos suscetíveis de decomposição em radical e afixos. Estudo dos principais prefixos verbáculos, gregos e latinos. Assimilação. Prefixe assimilativos.

18

Exercício semeante para reconhecimento de sufixos; derivação própria classificação dos sufixos mais comuns e demonstração de como eles alteram a significação das palavras.

19

Pontuação de proposições singelas e pouco extensas.

Divisão de vocábulos em silabas. Abreviaturas de palavras, principalmente das fórmulas de tratamento usadas na correspondencia particular e oficial.

20

Exercícios de análise lexeologica oral e escrita, para aplicação dos conhecimentos adquiridos nesta parte do programa.

21

Exercicios de adaptação de fatos historicos nacionais que possam ser dramatisados pelos alunos.

FRANCÊS

Estudo prático da fonetica franceza; leitura. Acentos.

Artigo e contrações.

Substantivos e adjetivos; formação do feminino e do plural.

Pronomes pessoais.

Verbos auxiliares e regulares; conjugação dos mesmos.

PRÁTICA

Exercício diário de leitura, procurando-se no trecho lido a aplicação das regras aprendidas.

Exercicios escritos no quadro negro sobre o ponto explicado.

Recitação de pequenos trechos de prosa ou poesia para fixação da pronúncia.

Ditado de frases faceis.

ARITMETICA

1

Noção de artmetica. Algarismos arabicos e romanos. Grandeza, unidade. Numeros. Numeração falada e escrita.

2

Operações fundamentais. Provas reais. Problemas e exercicios. Sinais. Igualdades.

3

Numeros primos e multiplos. Achar todos os numeros primos até um número dado. Saber se um número dado é primo ou não. Divisibilidade dos numeros por 2, 3, 4, 5, 6, 9, 10 e 11. Decomposição dos numeros multiplos. Provas dos nove.

4

Máximo divisor comum; metodo das divisões sucessivas. Menor multiplo comum por meio do maximo divisor comum.

5

Frações ordinarias. Definições; termos de uma fração; frações próprias e impróprias. Fração considerada como quociente. Divisão inexata, complemento de quociente. Extração dos inteiros de uma fraççai imprópria. Simplificação das frações. Frações irredutiveis. Reduzir frações ao mesmo e ao mínimo denominador comum. Comparar frações. Operações fuindamentais sobre as frações. Problemas e exercicios.

6

Numeros decimais: definição, leitura e escrita. Alteração no valor dos numeros decimais pela transposição da vírgula. Transformação de frações decimais em ordinarias e vice-versa. Operações sobre decimais.

7

Sistema metrico. O metro, seus multiplos e submultiplos. Medidas de superficie: metro quadrado, seus multiplos e submultiplos. Are, hectare e centiare. Alqueire geometrico. Transformações mútuas das diferentes unidades de superficie. Gramo, seus multiplos e submultiplos. Metro cubico, seus multiplos e submultiplos; litro. Transformar litros em metro cubicos e vice-versa.

Unidades de tempo: seculo, lustro, ano, mês, dia hora, minuto e segundo.

Exercicios e problemas.

8

Razões e proporções, Média aritmetica de dois ou mais numeros dados.

9

Regra de três simples, direta e inversa.

10

Juros simples. Problemas.

Observação - Todos os exercicios, que serão dados quotidianamente, deverão basear-se em assuntos praticos, uteis e que se relacionem com a vida industrial, comercial e social do Estado e do País, utilizando-se o professor de dados geograficos, estatisticos, etc. para, no ensino de artmetica, te-lo entrelaçado às outras materias. Evitará, assim, exercicios sem resultado prático e util.

Diariamente, far-se-ão exercicios de cálculo mental, variados e concretos, sobre as operações estudadas.

GEOGRAFIA

1

Sistema solar, o sol, os planetas e os satelites. A terra e a lua. Forma e movimentos da terra. Movimentos da lua. Fases da lua; eclipses.

2

Desigualdade entre os dias e as noites. Estações. Temperatura. Humidade. Clima.

3

Meridianos e paralelos. Longitude e latitude. Equador, tropicos, circulos polares. Hermisfericos. Zonas: torridas, temperada e fria.

4

Cartas geograficas. Globo. Graus, minutos e segundos Escala. Orientação. Bussola. Horizonte.

5

A terra e o mar. Continentes e ilhas. O litoral. Cabos peninsulas, istmos, golfos, bacias, estreitos, canais, Movimentos do mar: mares, vagas, correntes.

6

Relevo das terras. Montanhas. Cadeas de montanhas. Principais montanhas do mundo. Vales. Planicies. Planaltos. As regiões polares. Os desertos.

7

Distribuição das águas na superficie da terra. Rios, Lagos, Lagoas. Principais rios do mundo. Ação das águas correntes. As chuvas. Águas subterreaneas; fontes.

8

Distribuição elementar da Europa. Paises principais: capitais, cidades mais notaveis: portos, comercio, industria, produções; relações comerciais com o Brasil.

9

Idem sobre a Ásia e Africa.

10

Idem sobre a América.

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Exercicios de cartografia no quadro negro e em cadernos. Viagens simuladas, usando o globo ou cartas.

HISTÓRIA DO BRASIL

1

Descobrimento do Brasil. Povos que o habitavam.

2

primeiras explorações. Capitanias hereditarias.

3

Governo geral no Brasil.

4

A colonização. As três raças da colônia. A catequese.

5

Dominio da Espanha. Os Ingleses e Franceses.

6

Os Holandeses na Bahia e em Pernambuco.

7

Guerra contra os Holandeses. Expulsão do invasor.

DESENHO

1º - Grau - Desenho de linhas retas e curvas. Desenho dos contornos de objetos inanimados, comuns, em que predominem as linhas retas - Cópia do natural.

1º - passo: - Traçar à mão livre linhas retas e curvas.

Exercicios no quadro negro e na ardosia.

2º - passo: - Desenhos de contorno de objetos comuns: esquadros, plainas, graminhos, compassos e outras ferramentas.

Processo: o professor fará no quadro negro desenhos do natural e os alunos acompanharão a lição, copiando na ardosia quadriculada o desenho do mestre.

Em casa, os alunos, repetindo a lição do dia, traçaram em folhas avulsas ou em cadernos apropriados, os mesmos desenho, a lápis.

2º - Grau - Desenho de objetos inanimados em que predominem as linhas curvas.

1º - passo: - Contorno dos objetos ( baldes, vasos, garrafas, chapeus, etc).

2º - passo - Colorido dos desenhos feitos com marcação de claro-escuro. Noções de cores e de combinações.

3º - passo: - Desenhos dos passos anteriores pelos alunos com modelos naturais.

4º - passo: Desenho do natural, pelos alunos, de objetos tais como chavenas, bules, colheres, taças que se prestem ao estudo das proporções. Colorido. Exercicios elementares de sombras.

Processo: Nos primeiros passos o professor adotará o processo do 1º grau; do 3º passo em diante os alunos agirão por si mesmos e o docente só intervirá para as correções e para guiá-los nas dificuldades novas que surgirem no Trabalho em casa.

3º - Grau - Desenho do natural de cousas de natureza organica - folhas, flores simples, frutos, plantas, etc.

1º - passo: - Desenho dos contornos gerais.