Uemg de Ubá ganhará nova sede, comemora comunidade acadêmica
Anúncio foi feito durante audiência da Comissão de Educação da ALMG nesta quarta (8). Prédio atual da instituição encontra-se devastado após enchente.
- Atualizado em 08/04/2026 - 14:30A unidade de Ubá da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) ganhará uma nova sede, após os prejuízos trazidos pelas chuvas de fevereiro deste ano na região da Zona da Mata mineira. O início das obras está previsto para novembro e a inauguração do prédio, para o início de 2028.
O anúncio foi feito em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada nesta terça-feira (8/4/26) para debater soluções e cobrar ações do Governo do Estado para reparar os danos causados pela enchente.
Segundo Silas Fagundes de Carvalho, subsecretário da Secretaria de Estado de Educação (SEE), o projeto para construção da nova sede já existe desde 2016 e, diante da recente tragédia, está sendo atualizado pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra). “A ordem do governador é assim que o projeto estiver pronto, licitar imediatamente”, informou.
O custo da obra, que já tem terreno cedido pela Prefeitura de Ubá, está estimado entre R$ 20 e R$ 25 milhões, de acordo com a reitora da Uemg, Lavinia Rosa Rodrigues. “Nós queremos ter o patrimônio estrutural à altura da produção dos profissionais que atuam nas nossas unidades acadêmicas”, frisou.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), responsável por solicitar a audiência, lembrou que o valor é menor do que o investido pela Secretaria de Educação na organização do evento Movemente 2026, em fevereiro deste ano. “Um evento de 3, 4 dias com grupos privados tentando nos ensinar sobre como fazer educação. Só ali foram R$ 23 milhões”, apontou.
O representante do governo afirmou, contudo, que independente do valor, a obra será realizada. “Esse orçamento está dentro do que é executado pela Seinfra para a Secretaria de Educação”, explicou Silas Fagundes de Carvalho.
Além da nova sede, a comunidade acadêmica da Uemg reivindica o aporte de R$ 7 milhões, em caráter emergencial, para repor perdas de equipamentos e material didático ocasionadas pelas chuvas. A respeito desse recurso, o subsecretário se comprometeu a disponibilizá-lo para a instituição até o final deste mês de abril.
Instituição já passou por seis enchentes
“Foi a sexta enchente que a comunidade enfrentou. Ela já vivia em uma condição precária e desrespeitosa”, explicou a deputada Beatriz Cerqueira. A parlamentar lembrou o papel inclusivo e libertador da universidade acessível para quem reside no interior do Estado. “Falar sobre a Uemg tem um recorte de classe, de gênero e raça”, ressaltou.
Ao recordar a visita técnica realizada na unidade, a deputada Lohanna (PV) afirmou: “Foi um dos dias mais tristes da minha carreira na política institucional”. Segundo ela, o Executivo deve explicações para a situação. “Seis enchentes dizem muito sobre a decisão pela omissão, pelo abandono”, criticou.
“Laboratórios e pesquisas foram perdidos. Não vale a pena reconstruir naquele mesmo local, onde tantos alagamentos ocorreram”, avaliou a deputada Bella Gonçalves (Psol). A parlamentar comunicou ainda que está sendo feita uma articulação entre deputados da ALMG para conquistar ainda mais recursos para arcar com reparos.
Uemg garante formação profissional em polo moveleiro
Conforme a diretora Kelly da Silva, a Uemg de Ubá conta com 400 estudantes matriculados em cinco cursos, sendo um deles oferecido fora da sede. A instituição recebe alunos de aproximadamente 20 municípios da Zona da Mata e já formou mais de 600 profissionais, responsáveis por atuar em diferentes estados do Brasil e até no exterior.
Kelly da Silva destaca o caso dos designers graduados, prontos para trabalhar na região – o terceiro maior polo moveleiro do Brasil. Inclusive, por meio de bolsas, estágios e projetos sustentados com emendas parlamentares, a unidade movimenta mais de R$ 1 milhão por ano na economia local.
“Pensar em educação é pensar em desenvolvimento regional, nacional”, refletiu. A diretora também mencionou a qualificação de docentes e discentes, dedicados a pesquisas de prevenção a enchentes, entre outros temas.
“Apesar de estarmos em um galpão improvisado, trabalhamos muito e conquistamos vitórias importantes. Imaginem o que seremos capazes de fazer em um espaço adequado”, enfatizou. Concordando com ela, o vice-diretor Jorge de Assis Costa reforçou a necessidade de infraestrutura.
“Essa chuva tirou do bueiro muito mais que barro”, apontou o estudante do curso de Design, Douglas Marciano Braz. Ele fez referência à própria situação para exemplificar como o acesso à universidade pode mudar realidades, tirando pessoas de trabalhos subservientes e oportunizando alternativas melhores.