Rodeios mostram vitalidade em Minas, mas ainda geram polêmica
Estado realizou dezenas de rodeios e centenas de festas de peão em 2025, no entanto, organizadores precisam rebater acusações de maus-tratos.
Quase quatro anos após uma disputa judicial que chegou a proibir a realização de rodeios em Minas Gerais, o setor apresenta uma grande vitalidade no Estado. Em 2025, a Federação de Rodeio de Minas Gerais realizou 31 etapas de rodeio cutiano (montaria em cavalos bravos), que pagaram R$ 322,5 mil em prêmios; e 85 etapas de rodeios com touros, que pagaram R$ 1,37 milhão em prêmios. O Governo do Estado, por sua vez, contabilizou 570 festas de peão em todo o Estado.
Esses foram alguns números apresentados nesta quarta-feira (8/4/26) pela Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), durante audiência pública para debater os impactos econômicos e a sustentabilidade dos rodeios no Estado.
Parlamentares destacaram a importância dos rodeios para a geração de emprego e renda nos municípios mineiros. Autor do requerimento para realização da audiência pública, o deputado Antonio Carlos Arantes (PL) afirmou que a relação de custo e benefício dos rodeios para os municípios é muito mais vantajosa que a dos shows musicais.
“Os shows custam até R$ 1 milhão, duram uma hora e levam todo o dinheiro da cidade”, criticou, acrescentando que os rodeios custam bem menos e geram muito mais renda. Por esse motivo, o deputado disse ter feito uma parceria com o deputado federal Emidinho Madeira (PL-MG) para financiar, por meio de emendas parlamentares, a criação do circuito Sul-Mineiro de Rodeios.
Ex-prefeito de Rio Casca (Mata), o deputado Adriano Alvarenga (PP) usou o exemplo do município para reforçar a opinião favorável aos rodeios. “Rio Casca não tem como fazer um show de R$ 1 milhão, mas consegue trazer uma companhia de rodeio para um show de três dias, para a família inteira, por apenas R$ 350 mil”, afirmou.
Sobre a polêmica em torno de maus-tratos a animais, que levaram à interdição dos rodeios pela Justiça em agosto de 2022, Antonio Carlos Arantes garantiu que as acusações não procedem. “O animal é o principal ativo daquela festa. Se não tiver um animal saudável e bem cuidado, não dá certo. Se eu fosse um animal, eu queria ser um animal de rodeio, porque é o mais bem cuidado”, declarou Arantes.
As palavras do deputado ganharam reforço do veterinário José Carlos Pontello, que trabalha há quase 40 anos no hipismo e há cinco acompanha rodeios. O médico julga maior o esforço do animal no hipismo que no rodeio, no qual ainda há melhores condições de tratamento.
“O boi não pula porque é esporeado ou porque amarram o testículo, é porque tem a índole de pular. O boi de rodeio vive dez anos a mais do que um boi comum”, afirmou o deputado Dr. Maurício (Novo).
O contraponto veio do ex-deputado estadual Osvaldo Lopes (Pode), atual vereador por Belo Horizonte. Ele defendeu a extinção dos rodeios, que considera instrumento de exploração dos animais. Ele lamentou o arquivamento de projeto de lei de sua autoria que buscava o fim da modalidade esportiva em Minas. “Vim aqui para ser a voz dos que não têm”, concluiu.
Peões mineiros alcançaram títulos nacionais e internacionais
Durante a audiência pública, os títulos conquistados no Brasil e no mundo por peões de Minas Gerais foram usados para mostrar a importância que o Estado vem alcançando no setor.
O diretor-presidente da ACF do Brasil, Antonio Ferreira, citou o exemplo de Yuri Teodoro Silva, de 25 anos e natural de Mercês (Mata), campeão da modalidade cutiano no 32º Barretos International Rodeo em 2025. Também lembrou o caso do mineiro Cássio Dias, campeão mundial da competição "Professional Bull Riders" (PBR) em 2024, em Arlington, no Texas.
Ferreira, que já havia revelado os números de eventos realizados pela Federação de Rodeio de Minas Gerais citados no início deste texto, ressaltou que os mineiros foram responsáveis pelo maior número de inscrições no Rodeio Júnior de Barretos. “Foram mais de 3 milhões de espectadores em rodeios em Minas Gerais, este ano”, afirmou.
A fim de refletir a popularidade, o deputado Dalmo Ribeiro (PSDB) disse que prepara um projeto de lei (PL) para que a Assembleia reconheça o relevante interesse cultural dos rodeios em Minas Gerais.
Antonio Carlos Arantes, por sua vez, é autor do PL 5.359/26, que visa declarar o rodeio cutiano e várias outras tradições culturais ligadas ao meio rural como patrimônio histórico e cultural de natureza imaterial de Minas Gerais. O projeto recebeu elogios do presidente da Federação de Rodeio de Minas Gerais, Juscelino Amaral.
Presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, o deputado Leonídio Bouças (PSDB) defendeu o papel dos rodeios na dinamização econômica dos municípios. “Os rodeios fazem parte da alma dos brasileiros e dos mineiros, movimentam toda a economia da cidade, promovendo uma verdadeira distribuição de renda. Os governos precisam ajudar e não atrapalhar”, declarou.
Diretor da Associação Os Independentes, Marcos Abud Wohnrath afirmou que iniciativas como a criação do Circuito Sul-Minas de Rodeio contribuem para baratear os eventos no interior do Brasil e atraem grande público para os espetáculos. O deputado federal Emidinho Madeira convidou parlamentares a reproduzirem a iniciativa em outras regiões do Estado.