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Produção e consumo do leite tipo A2 precisam ser estimulados

Participantes de audiência pública da Comissão de Agropecuária da ALMG, em São João del-Rei, defenderam tipo de leite de mais fácil digestão.

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A necessidade de estimular a produção e o consumo do leite do tipo A2 e dos seus derivados em Minas Gerais, maior produtor das outras variedades do produto no Brasil, foi reforçada em audiência pública realizada na tarde desta quinta-feira (27/11/25) pela Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

O debate aconteceu no Campus Experimental Risoleta Neves da Epamig, que fica na Universidade Federal de São João del-Rei (Central), e atendeu a requerimento do deputado Coronel Henrique (PL).

Pouco consumido no Brasil, a vantagem do leite A2 está no tipo de beta-caseína presente no alimento. No leite A1, que é o mais comum, a proteína pode causar sintomas digestivos, como inchaço na barriga, gases e até desarranjo intestinal. 

A diferença na estrutura da proteína faz com que, ao ser digerido, o leite A1 libere o peptídeo BCM-7, que pode causar o mal-estar. Contudo, a quantidade de lactose, para a qual uma parte de pessoas tem intolerância, e o valor nutricional são semelhantes nos dois tipos.

O leite A2 é oriundo de vacas selecionadas geneticamente. Um estudo feito pela Epamig em Uberaba (Triângulo Mineiro) aponta que os genes para o leite A2 são mais frequentes em vacas de raças zebuínas, como a Nelore e a Gir.

Mas a cadeia produtiva do produto exige alguns cuidados que envolvem desde a realização de testes genéticos nas vacas até cuidados na ordenha e no transporte. Coronel Henrique defende a certificação de propriedades leiteiras para produzirem o leite A2, considerado um alimento funcional, já aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Alimento funcional é aquele que, além de suas funções nutricionais básicas, oferece benefícios à saúde ao proporcionar efeitos fisiológicos e metabólicos específicos no organismo quando consumido regularmente.

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A presidente da Fair Food, Flávia Fontes, aponta que o mercado do leite A2 tem grande potencial de crescimento. Segundo dados da empresa, entre 2023 e 2024, o crescimento do consumo foi de 130%. A estimativa de crescimento de 2024 para 2025 é no mesmo patamar.

“O leite A2 é naturalmente mais fácil de digerir. Conseguimos com a Anvisa o respaldo para colocar essa alegação de funcionalidade nas embalagens”, explica.

Segundo ela, o primeiro passo para o produtor entrar nesse mercado é fazer a genotipagem das vacas. “É comum ouvir deles que não têm vacas com o leite A2, mas isso está errado. Todo produtor tem vacas do leite A2 no rebanho, que pode ser em porcentagem maior ou menor”, afirma a especialista.

Segundo ela, é preciso identificar, separar e ordenhar primeiro animais que produzem leite A2, direcionando o leite para um tanque de expansão exclusivo. “O processo inteiro precisa dessa segregação e rastreabilidade”, completa.

O Laticínio Porto Rico, em Antônio Carlos (Central), produz o leite A2 e alguns derivados com esse tipo, como queijos. De acordo com Aislan Furtado Franco, responsável pelo empreendimento, mesmo com o preço de venda mais alto, o investimento no produto vale a pena.

Mas ele ainda torce pelo crescimento da demanda para equiparar com o retorno na produção do leite A1, que o laticínio também produz. “Temos feito o que está ao nosso alcance para divulgar, mas falta mais informação para a população sobre as vantagens desse tipo de leite”, disse.

Débora Gomide, pesquisadora da Epamig, diz que a instituição tem trabalhado com o leite A2, sobretudo na Fazenda Experimental de Uberaba (Triângulo).

“Nosso estudo mostrou que mais de 70% do rebanho Gir era do tipo A2. Os animais zebuínos (das quais as raças Gir e Nelore estão entre as raças mais populares) são mais rústicos, o que pode ser mais interessante para os produtores brasileiros”, destacou.

Comissão de Agropecuária e Agroindústria - debate sobre a importância do leite e dos derivados tipo A2
“O objetivo da audiência pública foi justamente esclarecer esse tema para multiplicadores que atuam diretamente nas propriedades, como os médicos veterinários. Também conseguimos trazer representantes dos laticínios e pesquisadores. Nós, parlamentares, podemos atuar na divulgação e também por meio de emendas parlamentares para fornecer a oportunidade do pequeno produtor, por exemplo, ter acesso a programas de inseminação artificial”.
Coronel Henrique
Dep. Coronel Henrique

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