Presença negra na história da cachaça mineira será tema de audiência
Reunião da Comissão de Cultura vai debater, sobretudo, como valorizar as contribuições do povo negro no desenvolvimento dos modos de fazer do produto, um dos símbolos do Estado.
- Atualizado em 12/12/2025 - 18:59Debater as contribuições do povo negro para o desenvolvimento dos modos de fazer a cachaça artesanal de alambique em Minas Gerais é o objetivo da audiência pública que a Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza nesta terça-feira (16/12/25), a partir das 16 horas. A atividade será no Auditório do andar SE da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A audiência atende a requerimento da deputada Andréia de Jesus (PT), vice-presidenta do colegiado. Ela aponta, no documento, que a produção artesanal da cachaça de alambique é uma das expressões mais representativas da cultura mineira.
“O processo histórico de sua consolidação esteve profundamente ligado ao trabalho, aos saberes e às tecnologias desenvolvidas por pessoas negras escravizadas e por seus descendentes, que moldaram o modo de fazer, o ritmo produtivo e a transmissão oral dos conhecimentos associados a essa tradição”, afirma Andréia de Jesus.
A deputada alega que as contribuições do povo negro para o desenvolvimento do ofício ultrapassam o campo produtivo e envolvem dimensões sociais, culturais, simbólicas e territoriais, presentes nas comunidades rurais e tradicionais, que ainda hoje mantêm viva essa herança.
“No entanto, a memória e a centralidade da presença negra na história da cachaça mineira permanecem, em grande parte, invisibilizadas nos discursos oficiais e nas políticas de valorização do setor”, conclui Andréia de Jesus.
Foram convidados para o debate desta terça (16) e já confirmaram presença o coordenador de Articulação Agroindustrial e Agregação de Valor do Ministério da Agricultura e Pecuária, Fabricio dos Santos Santana, o gerente de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Lucas Silva Ferreira Guimarães, e o analista de Patrimônio Cultural Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), Gabriel Nunes da Silva.
Também foram chamados e aceitaram participar da audiência o coordenador estadual de cachaça da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Lucas Carneiro, o representante da Comunidade Quilombola de Pontinha, em Paraopeba (Central), e também produtor de cachaça artesanal, Renato Moreira Gonçalves, mestre dos saberes tradicionais de matriz africana, Pai Ricardo de Moura, e, ainda, o professor de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), José Newton Coelho Meneses.
Por fim, foi convidada ainda a diretora de Comercialização e Mercados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Sandra Regina Carvalho dos Santos.
