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Municípios da bacia do Rio Grande demandam investimentos para turismo na região

Garantia de altitude mínima do Lago de Furnas é maior reivindicação. Governo anuncia projetos para concessão de balsas e construção da ponte Delfinópolis-Cássia.

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Investimentos em turismo náutico e no desenvolvimento econômico dos municípios da bacia hidrográfica do Rio Grande, que inclui o Lago de Furnas, a Represa de Peixoto e a Serra da Canastra, foram a grande demanda apresentada em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quinta-feira (19/3/26).

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O debate da Comissão de Desenvolvimento Econômico reuniu prefeitos, representantes de associações e do governo para avaliar as medidas necessárias para o fomento dos atrativos turísticos e culturais na região, que concentra cidades do Sul e Centro-Oeste mineiro.

“O turismo cresceu muito em Minas Gerais e nossa região se destacou de forma positiva. É o momento de cobrar ações do Estado”, afirmou, na abertura da audiência, o deputado Antonio Carlos Arantes (PL), autor do requerimento para realização do debate.

O parlamentar enfatizou que o aumento de turistas não tem sido acompanhado pela estrutura hoteleira e de serviços e classificou a grande procura pelos atrativos da região como “um problema bom”, mas que exige solução.

População reivindica altitude mínima do Lago de Furnas

Maria Elisa Ordones de Oliveira, coordenadora do Movimento Pró Furnas 762, destacou o forte potencial turístico do Lago de Furnas, conhecido como “Mar de Minas”, e a reivindicação histórica de revisão da outorga da Usina Hidrelétrica de Furnas para garantir a cota mínima de 762 metros de altitude do reservatório para sua operação.

Atualmente, a outorga, concedida à empresa Axia Energia (antiga Eletrobras), prevê o nível mínimo de água na casa dos 750 metros para funcionamento da hidrelétrica, o que é considerado insuficiente por gestores municipais e ambientalistas.

Para Maria Elisa, a garantia da chamada “cota 762”, tanto nos períodos secos como de chuva, permitiria o uso múltiplo das águas para o turismo, abastecimento, pesca e agricultura, sem comprometer a geração de energia elétrica. Além disso, a manutenção desse nível mínimo possibilitaria que o Lago de Furnas estivesse sempre cheio e aberto à visitação, alimentando toda uma cadeia econômica de serviços da região.

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O impacto financeiro do desabastecimento do lago em momentos de estiagem também foi ressaltado pelo prefeito de Capitólio, Cristiano Gerardão. “Quem vai querer investir em um município que em grande parte do ano não tem água?”, indagou.

Já o prefeito de São Roque de Minas, Brexinha, afirmou que a situação afeta também os municípios da Serra da Canastra. “Os turistas vão para aquela região pensando em água e quem vai visitar Capitólio, também vai para a Canastra”, argumentou.

O deputado Antonio Carlos Arantes lembrou que a alta média de chuvas no mês de março proporcionou que o lago conseguisse atingir os 762 metros, mas que a responsabilidade de garantia da cota mínima é do governo federal, gestor da outorga para a Aixa Energia. 

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Estradas precárias e má gestão da energia aumentam prejuízos

Outras demandas apresentadas pelos prefeitos na audiência dizem respeito à pavimentação de estradas na região, além de problemas enfrentados com a concessionária de energia no Estado.

“Não existe turismo se não houver boas estradas”, falou Garcia, prefeito de Vargem Bonita. O pedido foi reforçado pelo prefeito de São Roque de Minas, Brexinha, que ressaltou o trânsito constante de veículos pesados na região, o que acaba por danificar as rodovias.

O gestor municipal relatou também dificuldades com demora no atendimento da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e instabilidades no fornecimento de energia. “Ficamos mais de dois dias sem eletricidade. Isso também distancia o turista”, lamentou.

Marcelo Rodrigues da Silva, prefeito de São José da Barra, fez coro às críticas dos gestores municipais. “O agronegócio também cresceu muito na região. Junto com o turismo, a energia não suporta”, disse.

Governo anuncia projetos para a região

Superintendente de Modelagem Técnica da Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), Lucas Abreu Carvalho Pereira destacou investimentos sendo feitos pelo Governo do Estado junto ao Departamento de Estradas e Rodagens (DER) para as estradas da região, entre elas a MG 170, que vai de Ilicínea a Pimenta.

Outros dois projetos foram apresentados pelo superintendente como principais: uma parceria público-privada (PPP) para concessão das balsas que fazem a travessia do Lago de Furnas e a construção da ponte entre os Municípios de Delfinópolis e Cássia.

Ele explicou que hoje a manutenção e disponibilização das balsas é feita inteiramente pela Axia Energia, enquanto a operação é custeada pelos municípios e pela tarifa dos usuários. “Na concessão, esse custo será do Estado junto com a empresa privada. Então, nos municípios esse recurso poderá ser deslocado para outras áreas como educação e saúde”, informou. Estima-se que a economia para os municípios será de R$ 600 mil a R$ 1,5 milhão por ano.

Sete travessias serão oferecidas pela concessão, ligando 15 municípios da região. Também será previsto no contrato de PPP a renovação total da frota de balsas, a profissionalização da operação, serviços de manutenção e a padronização das tarifas. O leilão para concessão deve correr no próximo dia 30 de março, com o início da operação até 2028.

A construção da Ponte Delfinópolis-Cássia também será feita através de uma PPP, cujo leilão ocorre no dia 14 de abril. “Um marco na região”, nas palavras do superintendente Lucas Abreu, a ponte de 1.280 metros de extensão deverá ser entregue no ano de 2030, após um investimento de R$ 146 milhões, facilitando o deslocamento na bacia do Rio Grande e o escoamento de produtos agrícolas.

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Izabela Dias Leite Torres, diretora de Políticas de Atração de Investimentos e Diversificação Econômica da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), destacou empreendimentos já instalados na cadeia produtiva do café e as ações do governo para aperfeiçoar a logística da região, a produção de lácteos e a infraestrutura no setor energético e hídrico.

Por fim, Emanuelle Aparecida de Oliveira, diretora de Produtos Turísticos da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) enfatizou que a pasta tem adotado o Mar de Minas como região prioritária no Estado, realizando ações de fomento e alocando editais dentro de uma política de regionalização do turismo.

Comissão de Desenvolvimento Econômico - debate sobre fomento para Furnas e Serra da Canastra
Comissão de Desenvolvimento Econômico - debate sobre fomento para Furnas e Serra da Canastra
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Comissão de Desenvolvimento Econômico - debate sobre fomento para Furnas e Serra da Canastra

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