Cultura celebra mineiridade com homenagem a Márcio Borges
Autoridades ressaltaram o amor ao território mineiro e o senso de fraternidade presentes na obra do compositor.
O amor ao território mineiro e o senso de fraternidade presentes nas composições de Márcio Borges, junto ao Clube da Esquina, foram ressaltados como marcos do patrimônio de Minas Gerais. Durante audiência pública nesta terça-feira (7/4/26), artistas, produtores e gestores do setor cultural debateram acerca da obra do letrista natural de Belo Horizonte.
O encontro foi realizado pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Além de discutir formas de promover o acesso à cultura como direito e fonte de renda, a reunião teve como motivação a celebração do aniversário de 80 anos de Borges e a sua eleição para a Academia Mineira de Letras (AML).
O presidente emérito da instituição, Rogério de Vasconcelos Tavares, lembrou a referência feita a espaços da capital, como os edifícios Levy e Maletta, o Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) e o Colégio Estadual Central. “Além do senso de coletividade, a obra é marcada pelo amor à cidade”, destacou.
Conforme a reitora da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), Lavínia Rodrigues, as obras do Clube da Esquina são tema de pesquisa acadêmica e objeto de ensino nas aulas de música. “Márcio, você formou gerações de músicos, artistas. Suas composições projetaram Minas Gerais”, salientou a diretora da Associação Cine Theatro Brasil, Eliane Denise Oliveira.
“Márcio é missão, vocação, cultura... numa simbiose de alegria”, afirmou o deputado Leleco Pimentel (PT). Embora tenha ponderado que o momento era de celebração, o parlamentar registrou indignação com a demissão da maestra Lígia Amadio, afastada da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais em janeiro, após criticar a remuneração e as condições de trabalho dos músicos.
Em resposta, o secretário de Cultura e Turismo, Leônidas José de Oliveira, assegurou que está disposto a dialogar sobre o caso. Ele também se comprometeu a apoiar o projeto, proposto pela deputada Lohanna (PV), de criar a Medalha Lô Borges a fim de reconhecer expoentes da música popular mineira.
“A liturgia de ser Minas é muito evocada e essa genialidade coloca a obra no mesmo pé de igualdade do patrimônio histórico de Minas Gerais”, frisou o secretário. Ele comparou a arte de Márcio Borges com a de Oscar Niemeyer.
A deputada Bella Gonçalves (PT) anunciou o repasse de R$ 500 mil, por meio de emenda parlamentar, para o processo de inventariar o Clube da Esquina como patrimônio do Estado.
Ao agradecer pelos votos de congratulações recebidos, Márcio exaltou a memória do irmão, o artista Lô Borges falecido em 2 de novembro do ano passado. Muito emocionado, elogiou a importância da luta progressista, principalmente a favor dos direitos da mulher, como a empreendida pela deputada Lohanna, responsável por solicitar a audiência.