Concurso em andamento não garante novos policiais em Oliveira
Essa foi a síntese da reunião que discutiu a falta de policiais civis e a implantação do plantão digital no município.
O quadro de servidores da Polícia Civil na Delegacia de Oliveira (Centro-Oeste) estaria completo, com um delegado, um escrivão, seis investigadores e um técnico de apoio. Assim, não haveria garantia de nomeação de servidores para o município no concurso em andamento.
Esse foi o retorno de Fernando Bettio, delegado-geral de Polícia e chefe do 6º Departamento de Polícia Civil de Lavras, durante audiência da Comissão de Segurança Pública da Assembleia nesta quarta-feira (18/3/26). A audiência foi pedida justamente para debater a recomposição do efetivo da delegacia e a implantação do plantão digital no município.
A conclusão não foi satisfatória na avaliação do deputado Lucas Lasmar (Rede), solicitante da audiência, e para o presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PL). Segundo Lucas Lasmar, se o quantitativo de policiais é insuficiente no município, é preciso ampliá-lo, principalmente diante do aumento da criminalidade na região. De acordo com dados apresentados pelo parlamentar, somente em 2025, Oliveira registrou 33 crimes violentos, sendo 15 mortes.
Com cerca de 50 mil habitantes e uma unidade prisional, além da demanda da cidade, a Delegacia de Oliveira também atende ao Município de São Francisco de Paula, com mais de 6 mil habitantes.
Lucas Lasmar lembrou que a prefeitura de Oliveira cedeu uma sede ampla para o funcionamento adequado do plantão digital, mas que apenas o espaço físico não basta para instituit o serviço, que permite o atendimento policial por videoconferência fora do horário comercial, inclusive com a possibilidade de registrar flagrantes. O deputado citou também outra demanda dos moradores da cidade, o retorno da emissão de carteira de identidade pela delegacia.
Concurso
Fernando Bettio afirmou que, mesmo com concurso em andamento e com 250 profissionais realizando curso de formação, não se pode garantir a nomeação de novos servidores para Oliveira, a qual depende de estudo de quantitativo para avaliar a necessidade de pessoal.
Sobre a implementação do plantão digital, o delegado disse que funcionam apenas em municípios-sede, e Oliveira não atende à condição. “A estrutura desse serviço é composta basicamente por plantões regionalizados. Além disso, para ter plantão digital em Oliveira, seriam necessários pelo menos mais 12 servidores. O gargalo é a necessidade de efetivo”, acrescentou.
Para o presidente da comissão, Sargento Rodrigues (PL), quando uma viatura precisa percorrer 60 km pra ir e 60 km para voltar, não é apenas a distância que conta, mas o tempo que ela deixa de patrulhar o município de origem. Se houver flagrante, fica mais grave, pois a demanda fica numa fila.
Mesmo diante do contexto, Sargento Rodrigues acredita que a culpa pela situação não é do chefe de departamento nem do delegado regional, mas de quem estabelece a política pública, um problema de governo. “Imagine, o cidadão paga seus impostos e, na hora que é vítima de um assaltante, precisa ser levado junto com o criminoso na mesma viatura? Isso é um absurdo!”, declarou.
Leandro Lemos, vereador em Oliveira, reforçou a necessidade de mais atenção do Governo do Estado para o município. “Idosos acordam às 4 horas para conseguirem uma senha e fazer a carteira de identidade, quando são distribuídas cerca de seis senhas. Fazemos esse clamor público, para que possam nos dar atenção. Se o quadro está completo mas não atende às necessidades do município, é preciso mais servidores. Com a defasagem salarial, o atendimento piora ainda mais”, acrescentou.
Alessandro Gambogi, delegado da 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil, disse estar atento às demandas da comissão e que estudos serão feitos para avaliar a chegada de novos servidores. “Sobre o posto de identidade, estão sendo capacitados três servidores que atuarão em uma sala adaptada ao lado da Câmara Municipal. Está em curso a aquisição de dois terminais – compostos por computadores, câmaras fotográficas e biométricas – para a emissão dos documentos. Assim que forem adquiridos, os documentos poderão ser feitos”, anunciou.
Para Sargento Rodrigues, os servidores que estão na ponta precisam de valorização, pois atendem a população com muitas dificuldades, mas o esforço deveria ser do Governo do Estado. Como encaminhamento da audiência, será enviado à chefia da Polícia Civil e à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MG) a necessidade de enviar mais efetivo à Delegacia de Oliveira, de manter servidores para expedir carteira de identidade no local e o pedido para evitar o deslocamento da viatura do município, o que deixa a cidade desguarnecida.

