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Comissão visita Parque Estadual do Biribiri

Parlamentares querem ouvir a população de Diamantina sobre a proposta de conceder a unidade de conservação à iniciativa privada.

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A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) visita o Parque Estadual do Biribiri, em Diamantina (Vale do Jequitinhonha), nesta sexta-feira (27/3/26). 

A pedido da deputada Beatriz Cerqueira (PT), a comissão pretende ouvir a população local sobre a proposta do Governo do Estado de concessão da unidade de conservação à iniciativa privada. O ponto de encontro da visita é na portaria do parque, a partir das 10 horas.

Com 17 mil hectares de área, o Parque Estadual do Biribiri é uma importante unidade de conservação, que atrai visitantes para conhecer suas trilhas e cachoeiras. É um dos parques mais visitados de Minas Gerais, tendo recebido 52 mil pessoas em 2024, segundo a Agência Minas.

Agora, o Governo do Estado decidiu conceder o parque à iniciativa privada. O contrato de concessão prevê vigência de 30 anos, período em que devem ocorrer investimentos da ordem de R$ 3,6 milhões em infraestrutura, além de R$ 1,5 milhão em manutenções e reparos. 

A expectativa é de que a concessão permita ampliar a visitação do parque para cerca de 179 mil pessoas até 2054. De acordo com a Agência Minas, o governo espera impulsionar o turismo sustentável, a geração de empregos e a arrecadação de impostos, além de contribuir para a melhoria dos serviços oferecidos aos visitantes.

A proposta enfrenta a oposição dos moradores de Diamantina, que reclamam da falta de participação popular no processo. O movimento “O Parque do Biribiri é nosso” alega que a cobrança de ingressos dos visitantes, nos termos do edital de concessão, representa, na prática, um processo de privatização que altera a função social do parque.

Movimentos sociais criticam a audiência realizada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) no dia 24 de fevereiro para ouvir a população. Argumentam que a realização em local de difícil acesso e a falta de energia durante o debate prejudicaram a participação popular.

A deputada Beatriz Cerqueira corrobora as críticas. Na opinião dela, as consultas públicas sobre concessões de unidades de conservação têm sido feitas com “total desrespeito” às comunidades impactadas. “O governo faz a audiência para cumprir uma formalidade, sem se importar em ouvir as pessoas a respeito da privatização do parque”, afirmou em reunião da Comissão de Meio Ambiente.

Parque abriga cachoeiras e patrimônio histórico 

Localizado na Serra do Espinhaço, o Parque Estadual do Biribiri foi criado em 1998 e é considerado um divisor de águas das bacias dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. A unidade de conservação abriga ecossistemas de cerrado e campos rupestres, fundamentais para a proteção de espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará e a onça-parda.

Além da relevância ambiental, o parque reúne patrimônio histórico e arqueológico, com pinturas rupestres, vestígios de antigas construções e o chamado “Caminho dos Escravos”. Entre os principais atrativos turísticos, estão as Cachoeiras da Sentinela e dos Cristais, que atraem visitantes interessados em ecoturismo e atividades de aventura.

O parque também abriga a Vila do Biribiri. Fundada no final do século XIX para acomodar funcionários de uma fábrica de tecidos que operou por cerca de 100 anos, a vila hoje é um refúgio turístico.  

A concessão do Biribiri integra o Programa de Concessões de Parques Estaduais, que contempla outras unidades de conservação, como os parques do Ibitipoca, do Sumidouro e do Itacolomi. Por meio da iniciativa, a manutenção dos parques passa a ser feita por um operador privado, mas a propriedade da terra permanece estatal, com supervisão do IEF.

Municípios Mineiros - Diamantina (parte 3)

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