Comissão discute concessão do Parque do Biribiri
Movimentos contrários à mudança na manutenção da unidade de conservação participam de audiência pública nesta terça-feira (7).
A proposta de concessão do Parque Estadual do Biribiri, em Diamantina (Vale do Jequitinhonha), permanece em pauta na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Nesta terça-feira (7/4/26), o assunto volta a ser discutido, desta vez na Comissão de Participação Popular. A reunião, solicitada pelo deputado Marquinho Lemos (PT), será realizada no Auditório, a partir das 10 horas.
O parlamentar foi procurado pela Associação Comunitária do Bairro Cidade Nova, de Diamantina, contrária à concessão da unidade de conservação. Juntamente com o movimento “O Parque do Biribiri é nosso”, a entidade alega que a cobrança de ingressos dos visitantes, nos termos do edital de concessão, representa, na prática, um processo de privatização que altera a função social do parque.
As entidades foram ouvidas por parlamentares da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, que visitaram o Parque do Biribiri na última sexta-feira (27/3). Na ocasião, os moradores de Diamantina entregaram um abaixo-assinado com 4,5 mil assinaturas contra a concessão da unidade de conservação.
O deputado Marquinho Lemos se posicionou contrariamente à proposta, argumentando que o Governo do Estado tem condições de garantir a manutenção do parque. “Falta infraestrutura porque o governo nunca teve esse interesse. Não adianta vir no apagar das luzes querer fazer o que está fazendo, principalmente sem ouvir a comunidade”, afirmou, durante a visita.
O Governo do Estado defende que a concessão à iniciativa privada vai garantir os recursos necessários para melhorar os serviços oferecidos aos visitantes do Parque do Biribiri. A expectativa é ampliar o número de visitantes e impulsionar o turismo na região. Ao longo de 30 anos, estão previstos investimentos totais de R$ 38 milhões.
Parque abriga cachoeiras e patrimônio histórico
Localizado na Serra do Espinhaço, o Parque Estadual do Biribiri foi criado em 1998 e é considerado um divisor de águas das bacias dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. A unidade de conservação, com 17 mil hectares de área, abriga ecossistemas de cerrado e campos rupestres, fundamentais para a proteção de espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará e a onça-parda.
Além da relevância ambiental, o parque reúne patrimônio histórico e arqueológico, com pinturas rupestres, vestígios de antigas construções e o chamado “Caminho dos Escravos”. Entre os principais atrativos turísticos, estão as Cachoeiras da Sentinela e dos Cristais, que atraem visitantes interessados em ecoturismo e atividades de aventura.
O parque também abriga a Vila do Biribiri. Fundada no final do século XIX para acomodar funcionários de uma fábrica de tecidos que operou por cerca de 100 anos, a vila hoje é um refúgio turístico.
A concessão do Biribiri integra o Programa de Concessões de Parques Estaduais, que contempla outras unidades de conservação, como os parques do Ibitipoca, do Sumidouro e do Itacolomi. Por meio da iniciativa, a manutenção dos parques passa a ser feita por um operador privado, mas a propriedade da terra permanece estatal, com supervisão do IEF.