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Comissão de Cultura questiona a demissão de maestra

Regente Lígia Amadio foi demitida da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais após criticar a remuneração e as condições de trabalho dos músicos.

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Nesta quarta-feira (18/3/26), a partir das 16 horas, a Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza audiência pública para debater a demissão da maestra Lígia Amadio do cargo de Diretora Musical e Regente Titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. A demissão ocorreu no início de janeiro de 2026, cerca de 40 dias após a maestra denunciar a precarização das condições de trabalho e a defasagem salarial dos músicos da orquestra mineira.

A audiência pública desta quarta-feira será realizada no Auditório SE da Assembleia mineira. A reunião foi requerida pela deputada Lohanna (PV). Ela considera o debate necessário tendo em vista a “repercussão nacional e protestos de entidades representativas da classe artística” por suspeitas de retaliação contra as críticas da maestrina ao Governo do Estado.

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De acordo com a deputada Lohanna, a audiência pública também vai discutir a situação funcional, remuneratória e estrutural da orquestra mineira, vinculada à Fundação Clóvis Salgado.

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O desabafo de Lígia Amadio ocorreu em audiência pública da Comissão de Cultura da ALMG em 26 de novembro de 2025. Na ocasião, a regente recebeu voto de congratulações pelo trabalho à frente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e pela carreira na música.

“A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais é a orquestra mais mal paga deste País”, afirmou Lígia Amadio, acrescentando que um músico iniciante da Orquestra Sinfônica recebe R$ 1.618,72 por mês. “Fazendo uma conta rápida, pelos 24 dias de trabalho por mês, eles ganham R$ 66,00 por dia”, indignou-se a maestrina.

Maestrina tem carreira de sucesso no Brasil e no exterior

A carreira e a experiência de Lígia Amadio dão mais peso às críticas. Ela foi regente titular e diretora artística da Orquestra Sinfônica Nacional entre 1996 e 2009. Também atuou na mesma função em orquestras brasileiras e do exterior, tais como a Orquestra Sinfônica da Universidade Nacional de Cuyo, em Mendoza, Argentina (2000 a 2003); a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (2009); a Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (2009 a 2011), a Orquesta Filarmônica de Mendoza (2010 a 2014) e a Orquestra Filarmônica de Bogotá, na Colômbia (2014).

Na reunião, em novembro do ano passado, além de protestar contra as condições de trabalho e a remuneração dos músicos, Lígia Amadio também criticou a atitude do governo mineiro com relação à Orquestra Sinfônica. 

“A cegueira deste Estado para uma orquestra tão importante como esta me dói e me dói outra coisa:  eu fui aluna do maestro Eleazar de Carvalho, e jamais o vi não ser recebido por um governador, por um secretário de Cultura, por um presidente da República. Isso é indigno não para o maestro, mas para esses políticos”, afirmou a maestrina.

Ela contou nunca ter sido recebida por um político em Minas para discutir a contribuição da Orquestra Sinfônica para projetos culturais e sociais no Estado. “Será que é porque sou mulher?”, questionou.

Segundo a deputada Lohanna, a Fundação Clóvis Salgado, responsável pela gestão da Orquestra, informou que a demissão estaria relacionada a uma reestruturação da temporada artística, com adoção de um modelo de regência convidada. 

“Todavia, a ausência de critérios objetivos, de transparência no processo decisório e a proximidade temporal entre a manifestação pública da maestra e sua demissão suscitam questionamentos legítimos quanto às reais motivações do desligamento”, argumentou a parlamentar.

Entre os convidados para a audiência pública desta quarta, já confirmaram presença o 1º trompetista assistente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Claudiomarcus Serafim Floriano; e o cantor lírico Paulo Henrique Campos Silva, do Coral Lírico de Minas Gerais, também vinculado à Fundação Clóvis Salgado.

Tópicos: Cultura
Comissão de Cultura - debate sobre a precarização do trabalho dos músicos em Minas
“A situação relatada pela maestra não é pontual, mas reflete um quadro estrutural de fragilização das políticas públicas voltadas à música de concerto e aos trabalhadores da cultura.”
Lohanna
Dep. Lohanna

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