DEPUTADO CRISTIANO SILVEIRA (PT)
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 30/04/2026
Página 119, Coluna 1
Indexação
19ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 28/4/2026
Palavras do deputado Cristiano Silveira
O deputado Cristiano Silveira – Presidenta e nobres colegas, uma boa tarde a todas e todos. Eu organizei algumas coisas para conversarmos no dia de hoje nesta nossa reunião e, na verdade, repercutir alguns assuntos, não é gente? O Parlamento tem esse papel de também trazermos aqui repercussão e reflexão, assim como a nossa leitura sobre alguns fatos e situações políticas que estão ocorrendo no nosso estado.
Quero começar deixando a minha solidariedade ao Angelo Oswaldo, prefeito do Município de Ouro Preto, pela deselegância do ex-vice-governador em Ouro Preto, no dia 21 de abril. Essa figura do vice-governador, pela sua arrogância e pela sua completa ausência de manejo, de jeito e de capacidade de lidar com as diferenças, tem lhe rendido um apelido: Professor de Deus. Ele acha que sabe de tudo. Professor de Deus! Ele sabe tudo sobre tudo, ou seja, sobre política, economia e administração. Então eu queria dizer ao prefeito Angelo Oswaldo que conte conosco. No mesmo dia, Leleco, mandei uma mensagem para o Angelo dizendo “olha, conte com a solidariedade da nossa bancada e do nosso bloco”, pois o anfitrião não pode ser tratado daquela maneira num evento desse. Inclusive, na sua história e na sua biografia, o Angelo tem a defesa da democracia e da liberdade e é um homem reconhecido nacionalmente pela sua capacidade na cultura, nas artes e nas letras. E aí vem o Professor de Deus querendo fazer gracinha com o Angelo? Pelo amor de Deus! É por isso que, nessa pesquisa da Quaest – e você viu, não é? –, a avaliação do governo é..; e o trem dele de índice para eleição… Então, amigo, a resposta está aí. A população vai conhecendo e prestando atenção: “Como é? Como é essa turma? O que eles estão fazendo mesmo?”. Aí vem essa notícia da exoneração do secretário de Educação. Isso é grave e reflexo da denúncia feita pela deputada Beatriz, pelo Sind-UTE e pelos parlamentares de oposição, certo? Então cai porque é uma pessoa que está sob suspeição de muito rolo. Está começando a ficar assim: onde há Zema, há rolo; onde há Mateus, há rolo. É preciso apurar – apurar isso aí.
Bem, há outros assuntos que quero repercutir junto com os colegas para as nossas providências e avaliações. Ontem, gente, realizei uma audiência pública para discutir a situação dos servidores do Estado quando precisam acionar o direito que têm de redução de jornada para cuidarem, por exemplo, dos filhos com deficiência, com autismo. Qual é o problema? Há uma lei, segundo a Seplag, de 1986 – e, depois, uma de 1987 –, que diz que o direito está garantido desde que o servidor não faça jornada menor do que seis horas, que já é um problema. O outro problema é que o servidor, quando aciona o direito, passa a ter cortes em alguns dos vencimentos, e não no salário básico. Por exemplo, há um corte no auxílio-alimentação dos servidores do sistema prisional e socioeducativo; e o governo, por ausência de uma política pública remuneratória decente, vai criando ali algumas gratificações e benefícios para ajudar a compor o salário, essa perda salarial. Em alguns casos, esse benefício chega a representar até 50% do salário. Aí, o servidor que tem de cuidar do filho, do filho adoecido, desculpem-me, do filho com algum tipo de deficiência – ou ele mesmo precisa do tratamento – aciona porque precisa desse tempo, mas vai perder ali na sua renda. Sabemos que, para os pais atípicos, por exemplo, a despesa é grande; não é uma despesa normal. Além da despesa que todo o mundo tem na vida, tudo bonitinho, como água, luz, telefone, alimentação, papapá, papapá, ainda há outras coisas: inclui tratamento, terapia, remédio e suplementação quando necessária.
Então não é fácil. O que o Estado faz? “Eu vou lhe dar umas horinhas para você poder cuidar do seu menino”, por exemplo, “mas vou tomar o seu vale-alimentação do período que você não trabalhou”. Então nós estamos aqui fazendo uma discussão e, ontem, nós conversamos isso com a Seplag. Isso é um crime. Isso é um absurdo. Estou até propondo aqui uma lei para que a gente possa garantir a redução da jornada, como já acontece em nível federal, como já acontece em várias prefeituras, sem perda do salário e de qualquer tipo de vencimento e benefício. Aí as coisas estão corretas. Inclusive, deputado Leleco, preste atenção no que eu vou te falar: o que o Estado está fazendo é inconstitucional. Eu lhe digo: a legislação federal garantiu a redução da jornada sem nenhum corte de salário e de benefício. Legal? Legal. Aí houve uma situação de uma servidora, num município, que foi à terceira instância para requisitar equiparação, já que não havia uma lei municipal. Sabe o que aconteceu? Foi concedida com ampla repercussão. E dito mais: “Na ausência, então, de legislação que trate do assunto, no âmbito do município e dos estados, prevalece a repercussão da decisão do Judiciário”. Em Minas, não há ainda legislação que organize isso dessa maneira, após a implementação da lei em nível federal. Então o Estado pode muito bem – ele não precisa de uma lei nova se ele quiser – se referenciar numa decisão do Judiciário, com ampla repercussão – a AGE pode fazer isso –, recomendar para o Estado, para que se adote a medida, que é hoje justa e legal. Então a gente está trabalhando nessa vertente. Estamos conversando com a Seplag. Vamos conversar também aqui, no Parlamento, para tentar acelerar a tramitação de uma matéria para resolver isso, do ponto de vista da legalidade, deixar isso pacificado. O servidor até pode ir para a Justiça, mas demora, porque o Judiciário, às vezes, não tem a celeridade necessária. Mas, se assim for preciso, a gente vai ao Judiciário também. Então estou trazendo aqui essa denúncia.
E há outros problemas, gente: de seis em seis meses, o servidor tem que fazer a juntada da documentação de novo. Até parece que aquele autista, por exemplo, aquela pessoa com deficiência deixou de ser deficiente em seis meses. Para vocês terem ideia, no governo federal, isso leva dois anos. Então a gente precisa organizar aqui também o prazo para análise dessas solicitações. Então eu queria repercutir isso. Fizemos vários requerimentos, ontem, na Comissão da Pessoa com Deficiência, numa bela audiência, e nós vamos trabalhar essa violação do direito dos servidores públicos do Estado de Minas Gerais. Está bem?
Vamos passar para outro assunto que quero repercutir aqui juntamente com vocês. Quero falar do cenário político. É evidente que, em breve, a gente vai ter eleições. As conversas vão ficando, cada vez mais acaloradas e a discussão começa a ocupar mais os nossos diálogos, no dia a dia. Na semana passada, encontrei com um conhecido que, por acaso, é eleitor do Bolsonaro, do Bolsonaro pai, não sei se será do Bolsonarinho. Ele falou: “Eu não voto no PT, não, Cristiano”. Falei: “Mas por que você não vota no PT?”. “Não voto, não.” “Então me explica, me dê os motivos para eu entender.” “Não voto no PT, não, porque teve rolo no Banco Master.” Falei: “Opa, parou. Então você nem assistiu ao meu último vídeo. Já falei que quem andou no avião do Vorcaro foi o Nikolas, o pessoal da direita, do PL; quem recebeu grana na campanha foi o Bolsonaro, o Tarcísio. Quem está enrolado com essa galera, que agora ganhou apelido, ‘bolsomaster’ não é o PT, não é o Lula.” “Mas também teve o problema do INSS, Cristiano.” Falei: “Ô, moço, vamos de novo. Isso começou no governo Bolsonaro, foi facilitado no governo Bolsonaro, foi descoberto no governo do presidente Lula, e a indenização, a compensação, o ressarcimento aos idosos foram feitos pelo presidente Lula”. “E, por acaso, os R$300.000,00 de mesada que o Lulinha ganhava?” “Abriram as contas dele e não acharam nada. Não tem nada. Então esse não é o motivo também.” “Não, não, tem mais coisa”. “Que mais coisas têm?” “Lula é ladrão”. Falei: “Putz, cara, essa não”. “Ah, o Lula é ladrão.” “Ladrão de quê? O que o Lula roubou?” “Teve aquele negócio da Lava Jato.” “Moço, da Lava Jato? O processo foi todo impugnado, foi todo anulado, um processo viciado, orientado pelo próprio juiz. Não pode prosperar matéria da qual o juiz é parte da acusação. Isso está preconizado no direito, na Constituição. Você pode até falar o seguinte: eu suspeito que o Lula seja ladrão, Cristiano. Aí eu vou dizer o seguinte: Está bom. Eu suspeito que o Bolsonarinho também seja ladrão. E olha que a minha suspeição, no caso do Bolsonarinho, é pior do que a sua do Lula.” “Ah, o trem do triplex?” “Mentira, aquele triplex estava arrolado numa outra ação judicial, o qual a empresa deu a ele como garantia, no Tribunal de Justiça Federal, que foi resgatado. Até mesmo o Pinheiro, que fez a delação, teve que desmentir depois, falou que não era nada disso. Então espere aí. Agora eu vou te dizer por que acho que o Bolsonarinho é criminoso. Você se lembra do Queiroz? O Queiroz falou: ‘Olha, nós fizemos mesmo. Eu recolhi a grana da turma para pagar os negocinhos ali e tal’. Boleto de R$16.000,00 de conta pessoal do Bolsonarinho. Compra de quase quarenta imóveis em dinheiro vivo e mais de cem imóveis no clã da família, incompatível com a renda que os caras ganhavam. A fantástica loja de chocolate foi a loja no Brasil que mais vendeu, e em dinheiro vivo. Então, amigo, você vai me desculpar: se é suspeição de que o cara é ladrão, a minha suspeição com relação ao Bolsonarinho ainda é maior do que a sua. No caso do presidente Lula, ele não tem nenhuma condenação. Já o Bolsonaro pai está condenado em 3ª instância, inclusive já cumprindo pena. O que mais?” “Não, mas é… Ah!” Aí você vê que a discussão vai acabando.
Mas houve outra. Antes do assunto, estava assim: “O PT quebrou o Brasil, o PT quebrou o Brasil.” Eu falei: “Moço, como assim quebrou o Brasil? O nosso PIB cresce em torno de 4%, 5%. Inflação sob controle, não passa de 5%. Nós estamos em pleno emprego. O Brasil saiu do Mapa da Fome. Mais de trinta milhões de pessoas saíram do mapa da extrema pobreza, pelo índice de Gini. O Brasil começa agora a ter ganho real do salário mínimo. Isenção do Imposto de Renda para quem ganha R$5.000,00 e depois R$7.000,00. O maior recurso para investimento no Plano Safra para o agronegócio, que, às vezes, é tão bicudo com relação ao governo. Recorde de exportações e negociações, investimento internacional com os recordes da Bolsa de Valores, queda do dólar. Eu não o estou entendendo. Como assim quebrou o Brasil?”.
Você entende que é uma conversa que não consegue prosperar? Se eu fizesse um combinado: faça-me três perguntas, e, se eu lhe responder, diga que mudou de opinião. O cara fez um monte, e eu fui respondendo. Na hora em que você responde ao sujeito, e ele não tem mais argumento, pula para outra, pula para outra e pula para outra. Vai pegando as máximas das fake news que chegam pelo WhatsApp. E vamos conversando. Então é difícil estabelecer um diálogo.
É por isso que o Felipe Nunes falou que agora o eleitor deixou de ter um voto lógico, coerente, crítico, racional, e passou a ter um voto afetivo. O eleitor deixou de ter uma postura de consciência crítica: “Ora, eu vou comparar para ver se este governo é melhor do que o outro nos indicadores sociais, nos indicadores econômicos e em qualquer indicador que eu queira comparar; logo, o meu voto será naquele que fez um governo melhor”. Não! Está todo mundo igual a torcedor de time de futebol, que não sabe nem por que torce, mas está torcendo. “Não gosto de um, então torço para o outro; não gosto do outro…”.
Gente, vamos tentar qualificar um pouco mais o nosso pensamento político. Aristóteles já dizia isto na sua lógica aristotélica, nas premissas: preciso me induzir e me conduzir a uma conclusão óbvia, verdadeira. Não é isso? É simples, pense da seguinte maneira: Bolsonaro admira torturador, Cristo foi torturado, Bolsonaro disse que é cristão. Opa, não tem lógica. Há uma falácia aí, não é? Teria que ser: Bolsonaro é cristão, Cristo foi torturado, logo, Bolsonaro é contra torturador. Não tem lógica.
Então eu estou convidando você, amigo e amiga – você pode até não gostar do Cristiano, do PT –, para ter um raciocínio e um pensamento lógico. Se tem lógica, se faz sentido o que você está preferindo, ou se é somente emocional, se é somente carregado de ódio e de raiva contra o outro, essas coisas que não fazem nenhum sentido. Então eu queria aqui relatar essa conversa que eu tive na semana passada, porque achei interessante. Eles vão demarcando: “Olha, houve isso”. A gente responde assim: “Houve isso”. A gente responde de outra maneira.
Há mais uma. Eles falavam assim: “Mas o Lula quis acabar com o Pix, e o Bolsonaro fez o Pix”. Eu falei: “Mentira, Bolsonaro não fez o Pix. O Pix já estava pronto, sendo desenvolvido pelo Banco Central. Inclusive, quando ele foi entrevistado, falou que não sabia sobre isso, que ia perguntar a alguém”. Quem inclusive pensou em taxar o Pix foi o ex-ministro da Fazenda. Como se chama aquele ex-ministro da Fazenda? (– Intervenção fora do microfone.) Não, o Posto Piranga. (– Intervenção fora do microfone.) Paulo Guedes. Há um vídeo – não é? – na internet que mostra o Paulo Guedes falando: “Acho que se tem de taxar as transações”. Aí eu fico pensando: bom, o Bolsonarinho falou que, se ganhar a eleição, o Paulo Guedes volta; e o Paulo Guedes dizia que era a favor de taxar o Pix. Logo, há uma chance real e verdadeira de o Pix ser taxado se o Bolsonarinho ganhar. É simples assim.
Outro raciocínio lógico. Vamos fazer junto comigo? Trump é contra o Pix, acha que é uma ameaça ao dólar. Bolsonarinho é aliado de Trump. Logo, se Bolsonarinho ganhar, o Pix pode acabar a pedido do Trump – raciocínio lógico. Então, quando você fizer uma crítica ao PT, a uma proposta do PT e tal, aplique também o que estou aplicando aqui: raciocínio lógico para a defesa da ideia e para a defesa do argumento. Obrigado, presidenta.