Pronunciamentos

DEPUTADO LELECO PIMENTEL (PT)

Discurso

Contesta declaração de parlamentar sobre a relação do governo federal e do Partido dos Trabalhadores – PT – em irreguladridades envolvendo o Banco Master e seu presidente, Daniel Vorcaro.
Reunião 7ª reunião ORDINÁRIA
Legislatura 20ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 12/03/2026
Página 91, Coluna 1
Indexação

7ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 10/3/2026

Palavras do deputado Leleco Pimentel

O deputado Leleco Pimentel – Boa tarde, boa tarde. Deputados e deputadas, a turma da língua presa – longe de mim ser capacitista – agora cismou de falar do rabo dos outros. Devia olhar para o rabo deles. O senador Cleitinho é do partido do Euclydes Pettersen, cuja aeronave foi apreendida porque roubou os velhinhos do INSS. Agora vem esse deputado da língua presa falar do rabo preso de alguém. O senhor não tem autoridade, porque a família do senhor parece até a do Bolsonaro: lá só presta quem é da família, só presta quem é da família. É o irmão, é o deputado, é o senador. Agora eles trocam de lugar. Aqui em Minas Gerais, a coisa está assim: a gente vota na família da língua presa e eles, com o rabo preso, vêm apontar o dedo para o rabo dos outros. Falei no bom português para que todos entendam que o deputado que aqui subiu veio falar de Vorcaro. E mais: veio falar mentira na nossa frente.

Deputado Cristiano, presidenta Leninha, a gente preserva sob a guarda desta importante tribuna, e presidindo aqui o Plenário, porque a gente sabe que as provocações que aqui vêm são ilações, fake news. Eu até falei de Santo Agostinho agora há pouco, porque ele, em um dos seus ensaios filosóficos, gasta uma de suas mais provocadoras obras – aquela que ele não publicou – tratando da mentira.

Santo Agostinho, que era ateu, que todos conhecem, foi convertido por sua mãe, a Mônica. Então virou a Santa Mônica e o Santo Agostinho. Santo Agostinho talvez pudesse, numa análise exegética – olha para você ver o esforço – desnudar toda a mentira aqui contada pelo deputado. Eu vou citar o nome para que ele tenha direito, inclusive, de dar resposta. Se a sua língua é presa, quero que o senhor solte a língua. Venha aqui dizer, em vez de provocar. Olha, o senhor, a família do senhor está toda envolvida, porque o partido do senhor é quem está envolvido com a aeronave. Não é a primeira vez que Euclydes Pettersen tem aeronave envolvida, não. Essa aí estava lustradinha. Mas aquela aeronave que estava soltando veneno lá no Mato Grosso, onde ele comprou fazenda para lavar dinheiro, também foi apreendida. Ele vendeu o avião. Já tinha carregado algumas pessoas… Aqui a gente tem memória; não venha brincar com a memória de quem fez história.

Sou historiador, o nosso companheiro Cristiano é filósofo, e usamos a nossa mente para desmentir gente que fica aqui falando inverdade. Lembra daquele reggae, Cristiano? Eu vou cantar aqui para o senador, para o prefeito e para o deputado, porque serve para os três: “Semente, semente, semente, semente, semente, por favor, fale a verdade: de que lado, em que lugar você nasceu?”

Não dá para acreditar que uma pessoa suba ao Plenário e ainda dê aparte para outra cujo histórico, lá no governo Bolsonaro… Eu vou passar a contar. O então Daniel Vorcaro, no ano de 2019, adquiriu um banco e deu a ele o nome de Master. Quem era o presidente do Banco Central? Todo mundo sabe: Roberto Campos Neto. Quando é que as investigações de 2019 a 2022… Quando é que a investigação trata de governo Lula, de Lulinha e de quem mais? Em hipótese alguma. Haja vista que, quando esse Vorcaro, já com a faca no pescoço, ameaçando as três mulheres… Vocês ouviram falar? Parece que ele colocou R$50.000.000,00 para buscar o ex-noivo de uma de suas companheiras – quero aqui protegê-las – para poder descobrir os seus podres e inclusive matá-lo. Quem tem assassino de aluguel, que na língua espanhola se chama sicário, é Daniel Vorcaro.

Então, quando o deputado sobe aqui para dizer, para desafiar o Vorcaro a falar… Que bom, ele está falando que a vida do Vorcaro corre risco. Vorcaro é um assassino, um contratador de assassino. A sua vida já corre risco pela natureza de lidar com assassinatos e com assassinos. Quem corre risco é a sociedade com uma pessoa dessa solta. Estou doido para a língua dele ficar solta, inclusive, para poder falar dessa turma da língua presa, que sobe no Plenário para fazer TikTok e para desafiar a inteligência alheia.

Quero lembrar que a compra, a autorização para a aquisição ocorreu em 2019, permitindo que Vorcaro assumisse o controle da instituição. A instituição, antes conhecida como Banco Máxima, passou a atuar como Banco Master a partir de 2021. Por favor, você que me ouve, faça uma pesquisa e veja quem era o presidente – infelizmente um acidente na história do Brasil – no ano de 2019. Por favor, dê uma olhada em quem era o presidente do Banco Central em 2001.

Não tenho dúvida de que a presença do presidente Lula, a presença de espírito e a capacidade de leitura, de poder mandar investigar, de interromper esta que é considerada hoje uma das maiores trapaças não só no campo financeiro, mas demonstrando crimes, está de dar inveja ao caso Epstein. Estamos descobrindo, a cada dia, que a pessoa tem um problema sexual tão grave não resolvido que encontra uma modelo de outro país e, por loucura, por devaneio, começa a dizer que aquela pessoa seria a sua esposa. Ainda bem que, hoje, em tempo real, temos condições de desmentir aqueles que vêm ao Plenário.

Vocês todos são testemunhas. Posso discordar da opinião de quem estiver aqui, mas nunca neguei aparte para quem quer que fosse, inclusive para discordar de mim, para promover o bom debate ou para possibilitar que a gente veja outro lado, outra possibilidade de história. Mas, quando alguém é tão detentor de uma verdade que não tem autoridade para professá-la, ele não consegue um bom debate. O deputado Cristiano desafiou o deputado do PL, da turma da língua presa, irmão do Cleitinho, irmão do prefeito Azevedo, de Divinópolis, porque essa turma tem o mesmo método e a mesma forma de ser família. Só presta quem é da família deles. Por essa razão, mesmo preso, Bolsonaro resolveu desafiar a política brasileira, colocando aquele das lojas; aquele que roubou; que conseguiu comprar 19 imóveis; que passou dinheiro para cá e para lá, loja de chocolate; que, na hora do debate, ficou amarelão e quase caiu, falou que a pressão baixou… Se o deputado permanecesse aqui, acho que a sua pressão não aguentava, não. Não dá para acreditar que, em plena luz do dia, como esta luz que me ilumina, alguém possa mentir como se aqui houvesse a escuridão, a penumbra da falta de consciência ou da falta de conhecimento histórico.

Sempre me lembro de Immanuel Kant, que nos traduziria que a busca para o esclarecimento é que pode nos tornar maior ou menor. A maioridade só se adquire à medida que você busca o esclarecimento – nem para ser detentor da verdade –, mas, quando você permanece menor, você, iludido com suas mentiras, parafraseando Santo Agostinho, resolve apontar o dedo para os outros. Sabe o que Santo Agostinho conclui? Que nem na piada, nem na forma de má-fé, a mentira pode permanecer diante da verdade. Por isso, quem aponta muito o dedo para os outros está falando de si mesmo. Essa é, talvez, uma possível analogia à forma como agem políticos que fazem da sua fala, do seu testemunho uma coisa incoerente com a sua vida. É por esta razão que apontar o dedo para o outro pode ser aquilo que você é e que, de tão feio, não gosta de dizer, mas consegue apontar no outro. É assim que eles falam aqui.

Eu também, dialogando com o deputado Cristiano Silveira, queria dizer que o presidente Lula mandou investigar seja quem fosse, e investigaram inclusive o Lulinha. O deputado Cristiano já nos ajudou aqui na matemática. Parece-me que o jornal Folha de S.Paulo e o jornal Estadão resolveram combinar a mesma mentira, fizeram a mesma matemática porca, Sandro. Falaram que o dinheiro que vai para lá e o dinheiro que vem para cá são, na verdade, o mesmo dinheiro, somando-se os dois. Porém, também há ali depósitos do presidente Lula que já foram esclarecidos. O presidente Lula perdeu a sua esposa, Dona Marisa, e os dividendos, aquilo que é herança, ele adiantou aos seus filhos, inclusive ao Lulinha, diferentemente daquele que roubou, fazendo pedido de Pix para transferir para um filho que, eleito, sem trabalhar, queria continuar ganhando da Câmara dos Deputados e que ainda recebeu uma mesadinha. Quantos milhões foram? Quero fazer uma comparação. Ele falou assim: “Mandei uns R$3.000.000,00 para o Eduardo, coitado, para ele pagar o jantar dele, para ir ao McDonald's. Tadinho, ele está passando fome”. Foram R$3.000.000,00 para ele ficar fazendo uns videozinhos na neve e para tentar falar com o tal do Rubio e com aquele outro malucão que quer acabar com o mundo, o “Trampo”. Aí o que aconteceu? Ele está na cadeia. Ele roubou dinheiro das pessoas com má-fé, porque pediu às pessoas que depositassem no seu Pix para que ele fizesse as defesas. Coitado, ele fez tanta bondade no tempo em que foi presidente, como, por exemplo, matar 700 mil pessoas; por exemplo, tirar imposto de jet ski, trocar de ministro, colocar… Essa foi boa: ele deu conta de desmoralizar o Moro, e nós temos que parabenizá-lo. Enfim, pediu Pix para pagar advogados para defendê-los nos processos. O que aconteceu? Ele e os generais foram para a cadeia. E só não colocaram aqueles advogados mequetrefes dele na cadeia porque não merecia nem receber. Eles não tinham condição de sustentação. Chegou a demonstrar aquela cena jocosa que nós nunca mais vamos esquecer, quando o investigado, o réu, perguntou ao ministro se o ministro gostaria de ser o candidato a vice-presidente da República dele. Gente, parece cena das mais patéticas, daquelas de comédia de Sessão da Tarde.

Então é nesse cenário. A gente entende por que essas pessoas apontam tanto o dedo para o presidente Lula: elas estão falando, na verdade, de si mesmas. Elas estão desnudando aquela feiura que elas têm dentro de si.

Eu subo a esta tribuna sempre com a cabeça erguida. Eu não devo a nenhum desses que preferem estar de joelhos para a mentira, sendo autoritários e pensando ser os donos da verdade. A gente, neste Plenário, pode trazer um esclarecimento. Eu peço a todos que não tenham pena, não tenham dó. Tenham coragem, porque, infelizmente, o que nós assistimos aqui foi a mais pura fake news, a mais pura e descarada forma de mentira e a falta de condições para o debate. A política virou um lugar em que as pessoas acham que vão conseguir voto fazendo videozinho para a internet. Na realidade, elas não têm coragem de encarar um debate aqui nem de 1 minuto sequer. Eu desafio o deputado Eduardo Azevedo a vir aqui responder e eu darei aparte a quem o pedir sempre, porque não tenho medo do debate. Muito obrigado, presidente Leninha. Obrigado a todos que nos ouvem no Plenário da Assembleia.