DEPUTADA LUD FALCÃO (PODE), autora do requerimento que deu origem à homenagem
Discurso
Legislatura 20ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 18/11/2025
Página 4, Coluna 1
Proposições citadas RQN 13793 de 2025
44ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 20ª LEGISLATURA, EM 14/11/2025
Palavras da deputada Lud Falcão
Bom dia a todos, bom dia ao nosso presidente, que conduz com tanta maestria esta Casa, este Parlamento, que é responsável por grandes decisões em Minas Gerais; ao Luís Eduardo Falcão, nosso presidente da AMM e também prefeito da minha amada cidade Patos de Minas, do qual tenho muito orgulho de chamá-lo de meu marido; ao nosso presidente Marcos Amaral, que conduz com maestria, com firmeza, com leveza a raça Campolina; a essa linda orquestra de viola, que nós trouxemos de Patos de Minas, com muito carinho, para homenagear essa raça e essa história. A todos vocês que estão nos assistindo, a todos vocês que estão presentes, muito obrigada por estarem aqui num momento tão especial não só para mim, mas – eu tenho certeza – para toda a nossa Minas Gerais.
Senhoras e senhores, autoridades, criadores, amigos e amigas dessa tradição que pulsa no coração de Minas Gerais, hoje meus olhos se enchem ao lembrar do que nos trouxe até aqui: uma relação de afeto e responsabilidade com uma raça que é poema e movimento, a raça Campolina. Venho falar com o coração, porque o que move esta Casa, o que move cada criador é sentimento, tanto quanto técnica, é amor, tanto quanto vocação. O Campolina nasceu da paciência, do cuidado e da visão de homens e mulheres que souberam ouvir o silêncio do campo. Nasceu da vontade de traduzir em um animal a elegância, a força e a docilidade que precisamos carregar no cotidiano. Essa raça é, para nós, um acervo vivo da memória genética e histórica, um modo de ser que atravessa famílias e gerações. De tudo o que se conta sobre sua origem, o que mais me toca não é a data ou o nome das fazendas, é a façanha humana por trás das escolhas. Um criador que escolhe com amor, que seleciona com sensibilidade está escrevendo um capítulo da humanidade. Foi este sentimento, a ternura, aliado ao rigor, que forjou o Campolina que conhecemos e amamos.
Quando penso no meu primeiro encontro com a raça Campolina, não me vem à mente uma rua ou uma fazenda específica, mas, sim, uma lembrança viva, quase uma fotografia em movimento. Lembro-me da minha primeira cavalgada naquele dia em que o sol aquecia leve e o ar parecia mais leve ainda. Lembro-me das famílias reunidas, das crianças rindo alto enquanto os pais ajeitavam a cela, dos sorrisos que surgiam espontaneamente como quem compartilhava algo precioso. Lembro-me do clima de união, daquela sensação de que ali ninguém estava sozinho. Cada passo dos animais parecia nos costurar uns aos outros. E me lembro também do olhar das pessoas acompanhando a marcha, um olhar apaixonado, orgulhoso, quase reverente. Foi nesse instante, nesse encontro coletivo, que entendi o Campolina, que não é apenas um cavalo, é um símbolo de pertencimento, um animal que reúne famílias, que emociona e que marca. Dentro de mim nasceu a certeza íntima de que a raça Campolina carrega em sua essência a alma da força feminina: elegância, leveza, presteza e serviço. Como mulher e como representante desta Casa, essa percepção me atravessa. Vejo no Campolina a síntese de valores que queremos cultivar: sensibilidade, coragem, tradição, cuidado, memória e renovação. É por isso que a minha voz hoje é de gratidão e de compromisso.
Quero fazer hoje uma homenagem especial ao atual presidente da ABCCC, Marcos Amaral. O Marcos é homem de família, nascido em Araxá, terra de D. Beja, cidade que guarda histórias, águas termais, cultura, pecuária pujante e é berço de grandes produtores e também de gente hospitaleira e forte. Filho de D. Zuleica, Marcos é apaixonado pela raça Campolina, é grande produtor de leite, ex-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e atual diretor financeiro dessa entidade. Ele é conhecido pela sua força como gestor, pela seriedade e pela integridade. Como presidente da ABCC, tem conduzido um trabalho que muitos julgariam inatingível, no entanto, hoje é realidade pelos seus esforços. Marcos, agradeço a dedicação e doçura com que trata a nossa história.
Com esse mesmo espírito de reconhecimento, quero prestar uma homenagem muito especial às nossas criadoras de honra, D. Áurea Judith Paes Fortes da Silva Feres e D. Silvana Marinha Couto de Almeida Braga. D. Áurea Judith é viúva de Getúlio Feres, um dos mais renomados criadores da tradicional Fazenda Água Santa, nome respeitado por todos que amam o Campolina. Há mais de 30 anos ela se dedica à criação da raça, sempre presente nas exposições, acompanhada com orgulho e ternura por Getulinho e Nelsinho. Mulher de presença firme, olhar doce e elegância natural é símbolo vivo do amor que sustenta a tradição. Ao lado dela, a D. Silvana Marinho Couto de Almeida Braga, esposa de Sérgio Augusto Almeida Braga e mãe de três filhos, também cria Campolina há mais de três décadas. Silvana é apaixonada pelas cavalgadas e, recentemente, realizou uma de 150km, um feito que inspira qualquer amazona! O seu exemplo de coragem e vitalidade emociona todos que a conhecem. E há um detalhe que não passa despercebido em nenhum lugar: as duas estão sempre presentes nas exposições com os seus chapéus elegantes e cheias de charme. Alegria e elegância andam juntas e são sinônimos dessas duas grandes mulheres, que representam um brilho feminino que enriquece e embeleza a história da nossa raça. (– Palmas.)
As famílias Feres e Braga são exemplo de amor, de união e de compromisso com o Campolina e é justo que recebam, hoje, desta Casa a nossa mais sincera reverência. A ABCCC completa 74 anos de vida graças ao trabalho coletivo daqueles que lavram, dos que cuidam das pistas, dos que estudam a genética, dos que passam noites em claro por um potro promissor. Por isso este reconhecimento é de todos. Que a associação continue sendo o farol que orienta o melhoramento com ética, a memória com cuidado e o futuro com a inovação.
É com imenso orgulho que compartilho com todos vocês uma conquista que nasceu deste mesmo sentimento: o projeto de lei de minha autoria, que institui a Política Estadual de Valorização, Preservação e Desenvolvimento da Raça de Cavalo Campolina. Esse projeto nasce do coração, mas também do diálogo com esses criadores, com os representantes da ABCCC e com todos aqueles que entendem que preservar a raça é preservar a alma mineira. Ele garante que o Estado de Minas Gerais reconheça oficialmente o valor histórico, econômico e cultural do Campolina, promovendo o aprimoramento genético, o bem-estar animal, o incentivo à pesquisa, o turismo rural e as atividades equestres que movimentam a nossa economia e fortalecem a nossa identidade.
Essa proposta transforma a lei em um sentimento que há muito tempo mora no coração dos mineiros. É o reconhecimento formal de que o Campolina é patrimônio do nosso estado e que cabe a nós protegê-lo, valorizá-lo e difundi-lo com responsabilidade e também muito orgulho. Mais que um texto legal, esse projeto é um gesto de amor, um compromisso com a história e com o futuro, porque, como diz o hino da ABCCC, “os homens em sua história fazem coisas ao se inspirar”; e, hoje, inspirados pelo Campolina, nós fazemos história também aqui, na Casa do povo mineiro. O Campolina é mais do que um cavalo. É um legado de fé, de coragem e de compromisso com o que é nosso. É a prova viva de que a tradição mineira não se apaga: ela se renova, fortalece-se e continua marchando firme no seu tempo.
Que esta sessão solene sirva para reafirmar o valor do homem e da mulher do campo, o papel dos criadores e o compromisso desta Casa com a preservação da nossa história. Viva o cavalo Campolina! Viva a ABCCC! Viva Minas Gerais! Muito obrigada.