DEPUTADO CARLOS PIMENTA (PDT)
Discurso
Legislatura 19ª legislatura, 4ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 02/12/2022
Página 10, Coluna 1
Assunto HOMENAGEM. SEGURANÇA PÚBLICA.
70ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 4ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 30/11/2022
Palavras do deputado Carlos Pimenta
O deputado Carlos Pimenta – Boa tarde, Sras. Deputadas e Srs. Deputados. Eu me inscrevi hoje, presidente, para tratar de dois assuntos. Em primeiro lugar, eu quero neste momento manifestar todo o nosso pesar, toda a nossa tristeza pelo falecimento de um grande norte-mineiro, uma pessoa que trabalhou muito, mas muito, pela região, o nosso querido Antônio Soares Dias, conhecido como Dias. Dias foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Uma pessoa de uma tenacidade muito grande, de uma inteligência ímpar, uma pessoa preparada. Ele exerceu a presidência da Casa – talvez tenha sido um dos mais novos presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais –, e na verdade trouxe muita expectativa para a nossa região. Após o seu primeiro e único mandato de deputado estadual, ele foi eleito deputado federal e, na Câmara Federal, permaneceu por dois mandatos, oito anos consecutivos, fazendo um trabalho muito bom, principalmente em defesa dos direitos dos trabalhadores rurais.
Dias foi também prefeito de Francisco Sá por duas vezes, por dois mandatos. Naquela cidade, na nossa querida Francisco Sá, uma cidade pela qual tenho um carinho especial, pois ali morei durante alguns anos, estudei na Escola Estadual Tiburtino Pena, depois fui transferido para Montes Claros, o meu pai era juiz de direito e, após exercer na Comarca de Francisco Sá, veio para Montes Claros... Então Dias foi essa pessoa ímpar. Ele foi um grande pecuarista e não só deputado federal, defendendo a agropecuária do Norte de Minas. Ele foi um grande pecuarista, criador de cavalos mangalarga e diretor do Sindicato Rural de Montes Claros, da Sociedade Rural de Montes Claros. Dias faleceu, ontem, aos 78 anos, deixando aqui uma história de vida muito bonita, deixando um passado de realizações. Foi uma pessoa que nós tivemos o prazer de conhecer e com o qual nós tivemos o prazer de conviver. Uma pessoa que realmente fez muito pelo Norte de Minas.
Ficamos muito tristes quando pessoas como o ex-deputado Antônio Dias, o ex-prefeito Antônio Dias falecem precocemente. Mas nem por isso ele não deixou toda uma vasta história para ser contada, para ser estudada, para ser lembrada, como estamos aqui lembrando.
Presidente, eu ia solicitar também 1 minuto de silêncio, mas parece que, ontem, foi solicitada na Casa uma justa homenagem a um ex-presidente, a um ex-deputado estadual, a um ex-deputado federal. Então ficam aí as nossas considerações, o nosso reconhecimento por toda a sua vida voltada para a região. A família Dias é uma família tradicional aqui da região. Dias teve vários irmãos também políticos e empresários. Quero lembrar aqui do Afonso Dias, que foi candidato a deputado estadual no passado. Quero lembrar aqui do Dezinho Dias, também um grande homem, uma pessoa espetacular, bem como o Tardieu Dias, enfim, vários irmãos, várias pessoas da sua família ocuparam cargos importantes aqui, na nossa região.
Quero manifestar o nosso profundo pesar a todos: à família do Dias, aos seus filhos, a toda a sua família remanescente. Quero dizer que estamos realmente tristes com o passamento do Dias, mas eu não poderia deixar de prestar esta justa homenagem a esse grande montes-clarense, esse grande norte-mineiro, que escreveu a sua história e a história da nossa região. Esse é o primeiro tema do nosso pronunciamento, presidente.
Quanto ao segundo tema, aproveitando inclusive a presença do Sargento Rodrigues, quero dizer que, ultimamente, estamos vivendo aqui um período de muita, mas muita violência. Nesta semana, aliás ontem, aconteceu uma tragédia com um empresário que mora no Bairro São Geraldo, onde tem um empreendimento, uma loja de roupas. Duas pessoas foram assaltar essa loja e, com uma pistola, ameaçaram esse proprietário e a sua esposa, que trabalha com ele nessa loja. Eles mandaram-nos recolher alguns objetos, algumas roupas, o celular do proprietário e também da sua esposa. E, ao sair... Vejam bem o nível de violência a que chegamos, que assusta todos nós. Ao sair da loja, ele ordenou aos proprietários que não se comunicassem com a polícia, porque, se eles se comunicassem com a polícia, os marginais sabiam onde essas pessoas moravam, sabiam o endereço da casa dessas pessoas e sabiam o endereço da escola em que a filha do casal estuda. Ele disse que, se se comunicassem com a polícia, eles iriam procurar a filha e iriam procurar o casal. Numa ameaça velada, num desespero total, saem na moto. Esse proprietário, certamente temeroso de que alguma coisa viesse a acontecer com a sua família, com a sua filha – acredito eu que, neste momento, sem levar em consideração a perda material –, adentrou o seu carro, perseguiu os marginais, atropelou-os e matou-os no atropelamento.
É triste a gente saber disso, mas além da minha solidariedade ao casal, que teve essa ameaça velada, esse movimento de tamanha violência no seu negócio, quando estava trabalhando honestamente em sua loja, uma empresa familiar... Ele estava lá, sua esposa estava lá. Acredito que, levado ao desespero, talvez num momento de autodefesa, ou de defesa da honra, ou de defesa da família, ele cometeu essa loucura, levando a óbito esses dois marginais.
Tivemos vários outros assaltos aqui. Um posto de gasolina foi assaltado na parte da manhã e voltou a ser assaltado na parte da tarde. A violência no campo está tomando conta da região do Norte de Minas. Eu queria dizer que é chegada a hora de a Polícia Militar da região, muito bem, mas muito bem comandada pelos comandantes da 11ª Região Militar, do 10º Batalhão, do 50º Batalhão e vários outras unidades...
Apesar de tudo isso, mesmo com tudo isso que estão fazendo, é necessário que se tome uma providência urgente em relação a esses crimes que estão sendo cometidos. Todos esses crimes muitas vezes são cometidos por duas pessoas, que colocam um capacete e estão armadas de pistola. Mas chegou o momento de dar um basta, chegou o momento de dizer: “O norte de Minas precisa de calma, de tranquilidade”. Nós estamos colocando para o ano que vem, mesmo eu não estando aí na Assembleia, mas serão nossas emendas, recursos para a aquisição de uma patrulha da Polícia Militar, uma patrulha rural, a pedido da vereadora Graça, daqui, de Montes Claros. Nós queremos equipá-la com uma caminhonete cabine dupla e com todos os equipamentos, mas é necessário que o governo do Estado – e eu tenho certeza de que o governador Zema está sensível a isso... Os números mostram que a polícia, com suas ações, tem diminuído os crimes de roubo, de furto, de latrocínio, mas a gente nota ainda uma insegurança muito grande. É necessária uma campanha muito grande da Polícia Militar para poder fiscalizar esses criminosos que assaltam com as motos; é necessário que a polícia seja equipada com armamentos de primeira linha, de ponta; é necessário um efetivo maior da Polícia Militar. Nós temos cidade daqui, do Norte de Minas, em que constam apenas três ou quatro militares. Você vai pedir mais militares, mas infelizmente não há efetivo da Polícia Militar. Nós queremos... O Norte de Minas clama por uma presença maior do policial militar nas ruas, uma presença maior do policial motorizado com motocicletas, com carros, com aqueles trailers que param em locais estratégicos. É necessário que a população do Norte de Minas, e principalmente de Montes Claros, possa se sentir mais protegida.
Então nós estamos vivendo aí esses dramas. Alguém poderia falar assim: “Ah, mas são casos isolados”. Não. A gente sabe que a população precisa se sentir protegida e precisa ser protegida. Então fica aí a nossa solidariedade a essa família, a esse casal que foi vítima de agressões, que foi vítima de ameaças e que agora está sendo vítima desse drama, uma vez que esse pai de família, esse comerciante, na defesa da honra, na defesa da família, na defesa da dignidade, cometeu essa loucura – e eu espero que realmente isso não ocorra mais.
Então, presidente, ficam aí estes dois pontos do nosso pronunciamento: o nosso sentimento de pesar pelo falecimento de Antônio Soares Dias, ex-presidente desta Casa; e essa sensação que nós estamos vivendo de insegurança – nós queremos mais segurança – e principalmente nossa solidariedade a essa família que foi agredida e que chegou ao extremo de cometer essa loucura. Mas eu tenho certeza de que isso foi em defesa da honra, em defesa da família, em defesa das suas vidas.
Um grande abraço, meu amigo Doutor Jean Freire, um abraço ao deputado Sargento Rodrigues. Eu espero, Sargento, que o senhor continue com essa postura na Comissão de Segurança Pública no ano que vem e abra um espaçozinho para trazer mais tranquilidade, principalmente ao Norte de Minas. Muito obrigado. Um grande abraço.