Pronunciamentos

DEPUTADO AGOSTINHO PATRUS (PV), Presidente

Discurso

Transcurso do 35º aniversário de fundação da Associação Cultural Sempre um Papo.
Reunião 24ª reunião ESPECIAL
Legislatura 19ª legislatura, 3ª sessão legislativa ORDINÁRIA
Publicação Diário do Legislativo em 16/12/2021
Página 7, Coluna 1
Assunto CULTURA. HOMENAGEM.

24ª REUNIÃO ESPECIAL DA 3ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 19ª LEGISLATURA, EM 13/12/2021

Palavras do presidente (deputado Agostinho Patrus)

O presidente - Permitam-me saudar o amigo, fundador da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges, a quem esta Casa tem a alegria hoje de homenagear. Quero saudar também o presidente do Tribunal de Justiça Militar, desembargador Fernando Armando Ribeiro, que faz com brilho e competência a gestão à frente daquele tribunal.

Quero dizer que a cultura liberta, amplia horizontes e confere ao indivíduo o protagonismo de sua vida, afirmando-o como sujeito de seu próprio destino. Por isso, toda homenagem concedida ao setor cultural é um tributo ao direito inalienável que o ser humano possui de se autodeterminar. A função de celeiro do conhecimento faz com que o melhor sentido da palavra cultura talvez seja aquele do seu antepassado etimológico. Na Roma antiga, o vocábulo tinha um sentido de tratar, cultivar, semear aprendizados. Nesse contexto de múltiplas funções, a cultura tem-se mostrado imprescindível para ajudar a humanidade a atravessar, documentar e transformar a sua história, sobretudo em momentos difíceis como os que atravessamos. A cultura assume, ao longo dos tempos, a função de alimentar a alma e de gerar alívio em situações de desalento. O Sempre um Papo, nosso homenageado de hoje, é um bem valioso que integra o patrimônio cultural de Minas e do Brasil. Desde o início, acompanha o movimento da sociedade que tem busca incansável pela cultura. Há três décadas e meia, seu acervo vem sendo transmitido em formato de memória e de identidade histórica. Por suas edições, passaram personalidades dos mais variados ramos do conhecimento, que contribuíram sobremaneira para o entretenimento e para a formação intelectual de um público diversificado e com múltiplos interesses.

No decorrer de sua trajetória, esse repositório de belas letras criou um universo próprio, no qual não há espaço para o monólogo, o individualismo ou a autorreferência. O que se busca é o gesto em direção ao outro, o encontro com ele. No mundo do Sempre um Papo, também não há espaço para preconceito e discriminação. Para bem representar a sociedade, os alicerces culturais precisam estar solidamente assentados na diversidade. Só assim é possível saltar o largo fosso da desigualdade social para partilhar conhecimento de maneira democrática e acessível.

É a partir de tais fundamentos que se soma a essa tão vitoriosa iniciativa o braço social do projeto, a biblioteca Sempre um Papo, que visa à criação e à qualificação de bibliotecas comunitárias, e também a série de DVDs educativos distribuídos nas escolas de Minas Gerais e a iniciativa Espaço dos Livros, para incentivar a instalação de bibliotecas em condomínios residenciais. Por tudo isso que nos revela que a literatura pode muito; ela pode nos estender a mão, tornar-nos mais próximos dos outros, fazer-nos compreender melhor o mundo e nos ajudar a viver. Pode, em seu percurso, transformar cada um de nós a partir de dentro.

Em estreita conexão com a realidade local, o projeto nasceu e se desenvolveu por extensão com a multifacetada cultura de Minas. É fruto e árvore frutífera simultaneamente, tem mineiridade na procedência e na descendência certamente. Não obstante o indisfarçável ufanismo mineiro frente a suas riquezas culturais, o sincretismo do Sempre um Papo permite que o conhecimento local, nacional e global convivam em harmoniosa convergência.

Abro aspas: "Tristes são as coisas consideradas sem ênfase" - fecho aspas. Assim versejou o itabirano Drummond. Ênfase nunca faltou ao Sempre um Papo, projeto concebido e comandado com entusiasmo por seu idealizador, o escritor, jornalista, produtor cultural, empresário, amante das letras e dileto amigo Afonso Borges. Há ocasiões em que a existência de um projeto confunde-se com a de seu criador. É o caso de Afonso e do Sempre um Papo. Afonso é um indomável semeador de letras; é daquelas pessoas que possuem a mania de amar intensamente o que fazem. Sua vida ao redor dos livros o conduziu, para surpresa de ninguém, ao panteão dos grandes nomes do setor literário brasileiro. Sua biografia é um libelo contra o obscurantismo intelectual, um atestado do poder de resistência que a cultura exerce sobre quem se deixa iluminar pelas centelhas do conhecimento. Uma breve incursão por ela, mostra-nos que, dentre outros feitos, Afonso começou a escrever profissionalmente aos 16 anos. Publicou seis livros, colaborou em outros e é criador e curador de importantes festivais culturais pelo mundo afora. Numa demonstração de que a sociedade pode, por meio de suas instituições, saber reconhecer o mérito dos trabalhos culturais de excelência, Afonso Borges foi agraciado, ao longo de sua história profissional, com vários títulos e insígnias. A elas se somam a homenagem que a Assembleia de Minas hoje presta ao Sempre um Papo por sua inestimável contribuição ao crescimento intelectual de mineiros e brasileiros.

Durante a Idade Média, os manuscritos em pergaminho, após serem raspados e polidos, eram novamente aproveitados para a escrita de outros textos. Às camadas sobrepostas que iam se acumulando ao longo do tempo dava-se o nome de palimpsestos. A Assembleia de Minas Gerais, com o poder de representação dos 22 milhões de mineiros que lhe é outorgado pela sociedade mineira, homenageia o Sempre um Papo por seus 35 anos de existência, desejando que, tal como os palimpsestos, o projeto continue a ser escrito e reescrito a fim de proporcionar cultura para todas as camadas da nossa população.

Muito obrigado, Afonso, por sua contribuição a Minas Gerais e ao Brasil. Muito obrigado.